{"id":10470,"date":"2009-06-22T03:08:08","date_gmt":"2009-06-22T03:08:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1054"},"modified":"2009-06-22T03:08:08","modified_gmt":"2009-06-22T03:08:08","slug":"a-copa-do-brasil-e-os-sete-anos-seguintes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10470","title":{"rendered":"A Copa do Brasil e os sete anos seguintes"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Blatter e Ricardo Teixeira.jpg\" title=\"Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, os dois manda-chuvas do futebol mundial, ser\u00e1 que os dois cartolas resistiriam a uma devassa fiscal seguida de auditoria e intelig\u00eancia?  - Foto:\" alt=\"Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, os dois manda-chuvas do futebol mundial, ser\u00e1 que os dois cartolas resistiriam a uma devassa fiscal seguida de auditoria e intelig\u00eancia?  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, os dois manda-chuvas do futebol mundial, ser\u00e1 que os dois cartolas resistiriam a uma devassa fiscal seguida de auditoria e intelig\u00eancia? <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>4&ordf;, 30 de outubro de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S&atilde;o Sep&eacute;<\/p>\n<p>O Brasil est&aacute; confirmado como pa&iacute;s sede da Copa do Mundo de 2014. Uma enorme, pitoresca e representativa delega&ccedil;&atilde;o acompanhou o presidente at&eacute; Zurique, na Su&iacute;&ccedil;a, para o momento do an&uacute;ncio. A partir de agora, os pr&oacute;ximos sete anos ser&atilde;o de contagem regressiva. Resta saber se teremos algo diferente em termos de realiza&ccedil;&atilde;o nacional. Isto porque, grandes obras e espet&aacute;culos s&atilde;o constitutivos do Brasil. Em suma, somos capazes de feitos incr&iacute;veis ao mesmo tempo em que repetimos as mesmas injusti&ccedil;as estruturais.<\/p>\n<p>Pe&ccedil;o que os leitores atentem para o fato de que este artigo n&atilde;o &eacute; contra o evento. Muito pelo contr&aacute;rio. Entendo que situa&ccedil;&otilde;es como esta mostram a cara do pa&iacute;s, em suas virtudes e mesquinharias. E &eacute; a&iacute; que mora o perigo. O gigantismo do campeonato mundial de sele&ccedil;&otilde;es pode ser mais um prato cheio para o patrimonialismo e a corrup&ccedil;&atilde;o end&ecirc;mica. Dada a dimens&atilde;o continental do Brasil, &eacute; prov&aacute;vel que tenhamos a Copa presente em todas as cinco regi&otilde;es do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A FIFA tem um caderno de encargos para cada cidade com pretens&atilde;o a ser sede ou receber jogos. S&oacute; no quesito constru&ccedil;&atilde;o de est&aacute;dios a Copa j&aacute; demonstra a dimens&atilde;o do problema. Em fun&ccedil;&atilde;o destas normativas, a previs&atilde;o inicial de gastos apenas com est&aacute;dios &eacute; de US$ 1,1 bi, equivalente a R$ 2,8 bilh&otilde;es de reais. Em tese, as poss&iacute;veis 4 novas arenas a serem constru&iacute;das, somadas a outras 14 reformas de est&aacute;dios estariam a cargo de Parcerias P&uacute;blico-Privadas (PPP).<\/p>\n<p>Primeiro, &eacute; necess&aacute;rio compreender que o conceito de PPP &ldquo;perde a gra&ccedil;a&rdquo; se o Estado puser o capital para a iniciativa privada ser a executora das obras e depois poder explor&aacute;-las comercialmente. O segundo problema &eacute; a fonte deste financiamento. Al&eacute;m de sair dos cofres do Tesouro Nacional, se o investimento for proveniente de mais endividamento externo n&atilde;o ser&aacute; nada produtivo. N&atilde;o quero ser estraga prazeres, mas a julgar pelo ocorrido nos Jogos Pan-americanos de 2007, a Uni&atilde;o vai entrar pesado em todos os n&iacute;veis de empreendimentos.<\/p>\n<p>Tomando o Pan como exemplo, tanto no campo da repress&atilde;o de Estado e no controle da popula&ccedil;&atilde;o marginalizada, a situa&ccedil;&atilde;o foi ca&oacute;tica. Os moradores do Complexo do Alem&atilde;o que o digam. Al&eacute;m da aparente calmaria no Rio de Janeiro, tamb&eacute;m houve erro de previs&atilde;o de gastos e contas nada republicanas. Considerando a forma t&iacute;pica de proceder dos grandes agentes econ&ocirc;micos e financeiros operando no Brasil, uma medida de Estado precisa ser tomada. O planejamento estrat&eacute;gico para a Copa 2014 deveria incluir concurso p&uacute;blico e duplica&ccedil;&atilde;o do pessoal de &oacute;rg&atilde;os como Pol&iacute;cia Federal (PF), Controladoria Geral da Uni&atilde;o (CGU), Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU) e Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF). Vai sobrar alvo para ser investigado.<\/p>\n<p>O racioc&iacute;nio &eacute; simples. Se as contas do Pan j&aacute; foram no m&iacute;nimo &ldquo;complicadas&rdquo;, imaginemos as contas da Copa 2014. Parto da premissa &oacute;bvia que o Estado brasileiro como um todo n&atilde;o regula os grandes agentes econ&ocirc;micos. Como em alto n&iacute;vel decis&oacute;rio n&atilde;o existe diferen&ccedil;a substancial entre o campo da pol&iacute;tica e o da economia, portanto todo cuidado &eacute; pouco.<\/p>\n<p>Seria um belo momento para trazermos um discurso inaugural, novo e revigorado. N&atilde;o &eacute; o que se apresenta. No pen&uacute;ltimo artigo abordei o fator rentabilidade financeira como eixo da &ldquo;estabilidade pol&iacute;tica&rdquo;. Infelizmente, na pol&iacute;tica esportiva n&atilde;o &eacute; diferente. O governo de Luiz In&aacute;cio foi t&atilde;o continu&iacute;sta nas pr&aacute;ticas desportivas como o foi na pol&iacute;tica, na m&iacute;dia, na economia e no lidar com a coisa p&uacute;blica. Da pol&iacute;tica desportiva apresentada no programa de campanha de 2002 restou pouco ou nada. Os aliados de ent&atilde;o que perfilaram no apoio ao ex-sindicalista tamb&eacute;m j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o mais.<\/p>\n<p>Cinco anos se passaram e essencialmente nada mudou. No quesito Copa de 2014, modestamente sigo o pensamento do jornalista Juca Kfouri: &ldquo;Enfim, podemos fazer a Copa, mas n&atilde;o dever&iacute;amos faz&ecirc;-la com quem est&aacute; no comando da opera&ccedil;&atilde;o&rdquo;. A presen&ccedil;a de 12 governadores de estado na cerim&ocirc;nia da FIFA, fiel acompanhantes da c&uacute;pula da CBF, j&aacute; antecipa a farra em potencial que vir&aacute;. Isto &eacute;, se e caso a sociedade e os distintos setores do movimento popular entrar na onda futeboleira desarmando-se da cr&iacute;tica e das propostas.<\/p>\n<p>S&oacute; para variar Lula perdeu mais uma chance de se afirmar como estadista, distribuindo a alegria da realiza&ccedil;&atilde;o nacional. Bastava declarar que em todas as cidades onde ocorram jogos da Copa haver&aacute; um pesado investimento em saneamento b&aacute;sico, ilumina&ccedil;&atilde;o de vias p&uacute;blicas, transporte coletivo e regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria urbana. Seria simples e perfeito, t&atilde;o simples que ningu&eacute;m faz.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da transpar&ecirc;ncia na execu&ccedil;&atilde;o e financiamento das obras, seria de bom grado que cada cidade-sede apresentasse um plano de realiza&ccedil;&otilde;es para atender o conjunto de sua popula&ccedil;&atilde;o. Caso contr&aacute;rio, outra vez mais demonstraremos ser um pa&iacute;s para o mundo e outro para n&oacute;s mesmos.<\/p>\n<p>Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, os dois manda-chuvas do futebol mundial, ser\u00e1 que os dois cartolas resistiriam a uma devassa fiscal seguida de auditoria e intelig\u00eancia? Foto: 4&ordf;, 30 de outubro de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S&atilde;o Sep&eacute; O Brasil est&aacute; confirmado como pa&iacute;s sede da Copa do Mundo de 2014. 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