{"id":10472,"date":"2009-07-02T12:37:45","date_gmt":"2009-07-02T12:37:45","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1063"},"modified":"2009-07-02T12:37:45","modified_gmt":"2009-07-02T12:37:45","slug":"honduras-contra-golpe-e-impasse-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10472","title":{"rendered":"Honduras: contra golpe e impasse pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Bloque-Popular_noticia_full.jpg\" title=\"Organiza\u00e7\u00f5es como o Bloque Popular de Honduras \u00e9 um dos alvos do governo gorila assim como um dos pilares da resist\u00eancia civil no contra golpe.  - Foto:bp blogspot\" alt=\"Organiza\u00e7\u00f5es como o Bloque Popular de Honduras \u00e9 um dos alvos do governo gorila assim como um dos pilares da resist\u00eancia civil no contra golpe.  - Foto:bp blogspot\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Organiza\u00e7\u00f5es como o Bloque Popular de Honduras \u00e9 um dos alvos do governo gorila assim como um dos pilares da resist\u00eancia civil no contra golpe. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:bp blogspot<\/small><\/figure>\n<p>02 de julho de 2009, Bruno Lima Rocha, do Rio Grande outrora altaneiro <\/p>\n<p>No domingo dia 28 de junho a casa do presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, amanheceu sob cerco militar. Tropas leais ao comando do Ex&eacute;rcito metralharam sua resid&ecirc;ncia e o retiraram do pa&iacute;s. N&atilde;o por acaso, este seria o dia de uma consulta popular, convocando a cidadania hondurenha a se posicionar quanto &agrave; reforma constitucional. O temor dos oligarcas locais, do arranjo pol&iacute;tico-jur&iacute;dico institucional, fomentados pela presen&ccedil;a de capitais impulsionando o antigo Plano Puebla-Panam&aacute; (a integra&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada, estilo ALCA, para Am&eacute;rica Central), era o fortalecimento do Poder Executivo a partir de uma base de rela&ccedil;&atilde;o plebiscit&aacute;ria com uma parcela do povo organizado. Pelo visto a direita centro-americana tenta reproduzir a f&oacute;rmula dos esqu&aacute;lidos venezuelanos. J&aacute; antevendo a prov&aacute;vel vit&oacute;ria de uma emenda constitucional (n&atilde;o apresentada na consulta, &eacute; verdade) futura habilitando a reelei&ccedil;&atilde;o, decidiram operar antes, mesmo pagando os custos do isolamento e condena&ccedil;&atilde;o internacional.<\/p>\n<p><u>Um golpe &ldquo;democr&aacute;tico&rdquo; apresenta o limite da &ldquo;democracia&rdquo; de procedimentos <\/p>\n<p><\/u>Por mais absurdo que possa parecer, e &eacute;. Este golpe foi &ldquo;autorizado&rdquo; pela Suprema Corte. Isso caracteriza uma distin&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo da Guerra Fria. Com uma t&eacute;cnica distinta, municiados de um discurso de legitima&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dico, a elite dirigente hondurenha deu mostras de &ldquo;pondera&ccedil;&atilde;o&rdquo; no rito de conserva&ccedil;&atilde;o do poder. N&atilde;o acreditou nos procedimentos legais de impedimento pol&iacute;tico de um Executivo contestado pelos poderes liberais-burgueses, e ao mesmo tempo, n&atilde;o fechou estes mesmos poderes. Apostaram na for&ccedil;a, mas ainda n&atilde;o na barb&aacute;rie. <\/p>\n<p>Noutros tempos o desfecho seria ainda mais tr&aacute;gico, como ocorreu com Salvador Allende (Chile, em 1973). No per&iacute;odo em que vivemos, onde o debate se d&aacute; sobre o formato de democracia, os golpistas tomaram uma medida preventiva, preterindo o assassinato a sangue frio do chefe de Estado deposto a bala. Levando Zelaya para a Costa Rica, pa&iacute;s vizinho, comunicando ao mundo que preservam os seus, reservando a repress&atilde;o para a oposi&ccedil;&atilde;o interna de esquerda, postura pol&iacute;tica esta que n&atilde;o &eacute; a de Zelaya. Preservar a vida do governante derrubado &eacute; algo semelhante ao ocorrido no frustrado golpe na Venezuela, em abril de 2002, quando Hugo Ch&aacute;vez foi cercado no Pal&aacute;cio Miraflores, levado a uma pris&atilde;o militar no Caribe, e reconduzido ao poder ap&oacute;s a press&atilde;o popular nos dias seguintes. Bem, este quesito press&atilde;o do povo nas ruas existe em Honduras. O problema at&eacute; a data de postar este texto, &eacute; o fato de Manuel Zelaya ser recalcitrante e n&atilde;o dar sinais de estar disposto a arriscar a vida para manter o governo. <\/p>\n<p>De outra parte, se h&aacute; uma diferen&ccedil;a entre o golpe hondurenho e o intento do empresariado venezuelano, &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o com as for&ccedil;as armadas. Ch&aacute;vez tinha o apoio da maioria dos oficiais de baixa patente e sargentos. Zelaya vem da oligarquia hondurenha e &eacute; visto como traidor por seus pares na comand&acirc;ncia das corpora&ccedil;&otilde;es militares ainda profundamente influenciadas pela Escola das Am&eacute;ricas, as a&ccedil;&otilde;es de tipo terra arrasada e as costumeiras implica&ccedil;&otilde;es com o narcotr&aacute;fico. Assim, a vari&aacute;vel repress&atilde;o vai jogar um papel importante. Isto porque, a rea&ccedil;&atilde;o imediata ao golpe foi convocar uma greve geral j&aacute; na madrugada de domingo para segunda (29 de junho). <\/p>\n<p><u>Labirintos e sa&iacute;das para o contra-golpe popular <br \/>\n<\/u><br \/>\nEntendo que nestes casos, a como&ccedil;&atilde;o interna &eacute; o term&ocirc;metro. Se n&atilde;o houver gente mobilizada, mesmo sabendo que &eacute; sempre uma minoria ativa quem toma &agrave; frente, vai dar a entender que h&aacute; um apoio da &ldquo;maioria silenciosa&rdquo; ao golpe. O sil&ecirc;ncio dos que n&atilde;o s&atilde;o sequer entrevistados &eacute; tamb&eacute;m fruto do bloqueio midi&aacute;tico. Como vivemos um momento de luta popular de 4&ordf; gera&ccedil;&atilde;o, as for&ccedil;as repressivas tem como alvo permanente o bloqueio de antenas de telefonia celular, o controle de lan houses e cyber caf&eacute;s, al&eacute;m da queda de tr&aacute;fico e de velocidade nas bandas de internet no pa&iacute;s. Minando a capacidade de convocat&oacute;ria pela m&iacute;dia eletr&ocirc;nica e as ferramentas de comunica&ccedil;&atilde;o m&oacute;veis e interativas, os hondurenhos d&atilde;o provas de haver aprendido com velocidade as li&ccedil;&otilde;es da repress&atilde;o iraniana contra a contesta&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;. Tudo isso se soma com a costumeira e p&eacute;ssima cobertura das ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias transnacionais e das TVs com cobertura global como a CNN. N&atilde;o por acaso, o recado dos golpistas j&aacute; nos primeiros momentos, ao manter em cativeiro por um per&iacute;odo uma equipe da Telesur. <\/p>\n<p>Para interromper os protestos, haveriam duas sa&iacute;das. Uma seria a ren&uacute;ncia p&uacute;blica de Zelaya, gesto que n&atilde;o foi feito. Outra, mais custosa, &eacute; o aumento da repress&atilde;o interna, retomando as pr&aacute;ticas da d&eacute;cada de &rsquo;80, quando Honduras era o centro da guerra suja centro-americana promovida pelos governos de Ronald Reagan e George Bush pai (de 1981 a 1992). Na maior parte dos epis&oacute;dios semelhantes, a falta de legitimidade n&atilde;o suporta os custos de mortos, feridos e m&aacute;rtires. Mas, para manter o f&ocirc;lego, a resist&ecirc;ncia civil interna precisar&aacute; ver a sa&iacute;da vis&iacute;vel, o que inclui o papel do ator legal, o presidente eleito e deposto Manuel Zelaya Rosales. <\/p>\n<p>As medidas de luta em Honduras s&atilde;o muito mais contundentes do que se difunde pelas ag&ecirc;ncias internacionais. Enquanto escrevo estas palavras, vejo a not&iacute;cia de que 34 estradas internas est&atilde;o bloqueadas e Tegucigalpa, a capital, est&aacute; cercada por tropas leais ao golpe. &Eacute; justo o oposto do ocorrido em Caracas em abril de 2002. Na ocasi&atilde;o, o morro literalmente desceu fazendo um cerco &agrave;s entradas da capital venezuelana. Simultaneamente, o Pal&aacute;cio Miraflores e o mais poderoso canal de televis&atilde;o foram rodeados de populares, sendo que a TV fora reocupada por resistentes civis. <\/p>\n<p>Em momentos de crise, mesmo quem opina de fora e publicamente se posiciona contra o golpe e a favor de um p&oacute;lo de poder popular por fora das estruturas da democracia liberal de procedimentos, n&atilde;o podemos perder a frieza anal&iacute;tica. A cada momento, mesmo envolto em um manto de suposta legalidade, o aumento da repress&atilde;o atrav&eacute;s do Congresso golpista votando leis de emerg&ecirc;ncia e discricion&aacute;ria aponta como a baioneta e a cadeia a op&ccedil;&atilde;o preferencial da oligarquia hondurenha. <\/p>\n<p>Todas as condi&ccedil;&otilde;es externas para frear o golpe est&atilde;o dadas, mas o chefe de Estado deposto tem de fazer sua parte tamb&eacute;m. Retomado o f&ocirc;lego, com sustenta&ccedil;&atilde;o verbal (mas nenhum ato incisivo) da Assembl&eacute;ia Geral da ONU, da OEA, da Casa Branca (Obama se manifestou para o Departamento de Estado n&atilde;o cortou a ajuda externa para Honduras), da ALBA, al&eacute;m da retirada de todos os embaixadores europeus na capital hondurenha, Zelaya tem chances reais de retomar o poder legal. Mas, para isso ter&aacute; de se arriscar fisicamente. Agora lhe resta cumprir sua palavra, retornar ao pa&iacute;s escoltado ou n&atilde;o por outros chefes de Estado e emparedar os golpistas. <\/p>\n<p>As d&uacute;vidas de fundo n&atilde;o repousam na resist&ecirc;ncia civil e na mobiliza&ccedil;&atilde;o das entidades de base hondurenhas. A&iacute; reside o grau de certeza das maiorias latino-americanas. A quest&atilde;o dif&iacute;cil de ser respondida &eacute; quanto &agrave; firmeza de prop&oacute;sito e a lealdade ao cargo do pr&oacute;prio Manuel Zelaya. Desse modo, preparar-se para uma luta de mais longo prazo e n&atilde;o ancorar as esperan&ccedil;as nas posturas pol&iacute;ticas do oligarca convertido parece ser a medida mais correta a ser tomada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Organiza\u00e7\u00f5es como o Bloque Popular de Honduras \u00e9 um dos alvos do governo gorila assim como um dos pilares da resist\u00eancia civil no contra golpe. 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