{"id":10474,"date":"2009-07-16T10:50:39","date_gmt":"2009-07-16T10:50:39","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1073"},"modified":"2009-07-16T10:50:39","modified_gmt":"2009-07-16T10:50:39","slug":"afirmando-a-necessidade-de-uma-base-teorico-epistemologica-autoctone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10474","title":{"rendered":"Afirmando a necessidade de uma base te\u00f3rico-epistemol\u00f3gica aut\u00f3ctone"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Celso_Furtado.jpg\" title=\"Celso Furtado, poliglota e economista autodidata, brasileiro nato no intento sincero de construir conceitos a partir das condi\u00e7\u00f5es de vida e territ\u00f3rio de seu pr\u00f3prio povo.  - Foto:todososfogos\" alt=\"Celso Furtado, poliglota e economista autodidata, brasileiro nato no intento sincero de construir conceitos a partir das condi\u00e7\u00f5es de vida e territ\u00f3rio de seu pr\u00f3prio povo.  - Foto:todososfogos\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Celso Furtado, poliglota e economista autodidata, brasileiro nato no intento sincero de construir conceitos a partir das condi\u00e7\u00f5es de vida e territ\u00f3rio de seu pr\u00f3prio povo. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:todososfogos<\/small><\/figure>\n<p>16 de julho de 2009, do Rio Grande outrora guasca e brioso, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>No texto que segue apresento uma argumenta&ccedil;&atilde;o que leva a concluir pelo uso e desenvolvimento posterior do conceito de tomada de posi&ccedil;&atilde;o. O argumento central por mim levantado aqui &eacute; a necessidade da afirma&ccedil;&atilde;o de uma base te&oacute;rico-epistemol&oacute;gica aut&oacute;ctone como pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento tanto da produ&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica nacional como das distintas formas de ativismo pol&iacute;tico-social.<\/p>\n<p>Reconhe&ccedil;o que de sua parte, a institucionaliza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais e um novo paradigma &ndash; dentro deste sistema e regime pol&iacute;tico &#8211; necessita de uma rela&ccedil;&atilde;o de acomoda&ccedil;&atilde;o e estabilidade institucional para com o Estado, isto sendo v&aacute;lido para os pa&iacute;ses latino-americanos. Mas, se e quando o grau de cr&iacute;tica e de levantamento de problem&aacute;ticas e possibilidade de execu&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es apontadas pelas ci&ecirc;ncias sociais se contrap&otilde;e com os poderes de fato constitu&iacute;dos &#8211; a ordem p&oacute;s-colonial e o arranjo das classes dominantes locais- &eacute; justo quando a estabilidade institucional (que para tal ser est&aacute;vel necessita ser cont&iacute;nua) &eacute; posta em risco. <\/p>\n<p>Observamos tamb&eacute;m que a tem&aacute;tica da depend&ecirc;ncia, e at&eacute; mesmo da depend&ecirc;ncia estrutural, &eacute; central e permanece v&aacute;lida desde a etapa do Estado-desenvolvimentista. Nesse item, ningu&eacute;m teria mais autoridade para relacionar depend&ecirc;ncia com a episteme necess&aacute;ria para super&aacute;-la (ou sequer compreend&ecirc;-la) do que o economista autodidata brasileiro Celso Furtado. Justo por isso, e para n&atilde;o escapar da redund&acirc;ncia, aponto dois pressupostos te&oacute;ricos de Furtado. <\/p>\n<p>O primeiro que ressalto &eacute; &ldquo;cl&aacute;ssico&rdquo;, diz respeito &agrave; pr&oacute;pria formula&ccedil;&atilde;o da categoria depend&ecirc;ncia e suas formas de an&aacute;lise econ&ocirc;mica. Em &ldquo;Desenvolvimento e Subdesenvolvimento, Elementos de uma Teoria do Subdesenvolvimento&rdquo; (Furtado in Bielchowsky, 2000, nota1), o economista trata e discorre das condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno hist&oacute;rico latino-americano. Furtado diz textualmente que &ldquo;a teoria do desenvolvimento que se limite a reconstituir em um modelo abstrato &#8211; derivado de uma experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica limitada&rdquo;, e depois segue, &ldquo;as articula&ccedil;&otilde;es de uma determinada estrutura, n&atilde;o pode pretender elevado grau de generalidade&rdquo; (p.241). Ou seja, &eacute; necess&aacute;rio um processo de pensamento derivado de um determinado momento hist&oacute;rico, pr&oacute;prio da sociedade (ou da regi&atilde;o geopol&iacute;tica) sobre a qual se quer incidir. <\/p>\n<p>O subdesenvolvimento, como fen&ocirc;meno derivado da condi&ccedil;&atilde;o colonial e p&oacute;s-colonial, tem de ser visto como um fen&ocirc;meno espec&iacute;fico, e necessita de um esfor&ccedil;o de teoriza&ccedil;&atilde;o aut&ocirc;nomo (p.262). As simples analogias da parte dos economistas, de receitu&aacute;rio balizado pelas experi&ecirc;ncias das economias desenvolvidas, resultam em solu&ccedil;&otilde;es inaplic&aacute;veis para a supera&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de subdesenvolvimento (p.262). V&ecirc;-se que a carga de cr&iacute;ticas feita no campo das ci&ecirc;ncias sociais por Guerreiro Ramos, soci&oacute;logo em mangas de camisa, j&aacute; na d&eacute;cada de &rsquo;50 &eacute; refor&ccedil;ada por Furtado, tanto na formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica como na execu&ccedil;&atilde;o de programas derivados destas mesmas formula&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Dentro de um universo de ci&ecirc;ncias sociais e humanas abertas, incluindo a&iacute; a economia, podemos observar que esta cr&iacute;tica continua e permanece mais de quarenta anos depois. Furtado em entrevista a revista Caros Amigos (fevereiro de 2003, pp. 30-35), reafirma a quest&atilde;o do pressuposto e do problema te&oacute;rico de cientistas sociais e economistas munidos de referencial te&oacute;rico inaplic&aacute;veis para nossa realidade. Estas falsas solu&ccedil;&otilde;es aplicadas em n&iacute;vel de macroeconomia teriam suas origens, segundo Furtado (2003), na incapacidade dos economistas em compreender um sistema econ&ocirc;mico brasileiro com algum grau de autonomia. <\/p>\n<p>&Eacute; por isso que nunca o &ldquo;possibilismo&rdquo; do receitu&aacute;rio econ&ocirc;mico dotado de matrizes no Centro do capitalismo n&atilde;o abre perspectiva de mudan&ccedil;a (2003, p.30). De outra parte, a pr&oacute;pria reflex&atilde;o fica distante da execu&ccedil;&atilde;o, se reflete e n&atilde;o se desdobra em a&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; repercuss&atilde;o contundente a partir do esfor&ccedil;o reflexivo (2003, p.31). Mais uma vez, observamos que Furtado apregoa a identifica&ccedil;&atilde;o do objeto da economia, que segundo ele n&atilde;o &eacute; o n&iacute;vel econ&ocirc;mico, mas o social, levando &agrave; outra condi&ccedil;&atilde;o de formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e possibilidade de incid&ecirc;ncia sobre a realidade nacional. <\/p>\n<p>Neste brev&iacute;ssimo artigo de opini&atilde;o e teoria, expresso o diagn&oacute;stico de que as ci&ecirc;ncias sociais e humanas na Am&eacute;rica Latina est&atilde;o no meio de uma luta interna e constitutiva. Esta &eacute; a tem&aacute;tica te&oacute;rico-epistemol&oacute;gica, onde a intencionalidade e a perspectiva do cientista\/analista\/formulador podem habilitar ao rompimento da depend&ecirc;ncia cient&iacute;fica e da dupla identidade (colonizador e colonizado). <\/p>\n<p>A<u> tomada de posi&ccedil;&atilde;o perante a identidade e as quest&otilde;es de fundo <\/p>\n<p><\/u>No texto proporcionamos uma breve vis&atilde;o cr&iacute;tica a respeito de alguns dos dilemas e disputas de perspectiva pol&iacute;tica e te&oacute;rico-epistemol&oacute;gica para os latino-americanos em geral. As bases te&oacute;rico-epistemol&oacute;gicas aut&oacute;ctones, incluindo a dimens&atilde;o ontol&oacute;gica &#8211; equivalente da ci&ecirc;ncia para a dimens&atilde;o ideol&oacute;gica para a pol&iacute;tica &ndash; necessitam de operadores &agrave; altura do desafio de gerar seu grau de exist&ecirc;ncia e validade conceitual. &Eacute; nas quest&otilde;es de fundo, nos conflitos centrais de uma sociedade concreta e de um pa&iacute;s, que quando aplicadas na pol&iacute;tica cient&iacute;fica e acad&ecirc;mica, filiam ou n&atilde;o este setor a uma ou outra posi&ccedil;&atilde;o. Ao elencar a quest&atilde;o de fundo estrat&eacute;gico e posicionar-se perante a mesma, o cientista social obt&eacute;m sua perspectiva e proximidade\/afastamento do objeto. Aponta assim sua capacidade e\/ou vontade pol&iacute;tica de incidir sobre a sua pr&oacute;pria realidade. <\/p>\n<p>Para isso &eacute; necess&aacute;rio apresentar, expor e defender o conceito de tomada de posi&ccedil;&atilde;o. Reitero assim que: <\/p>\n<p>TOMADA DE POSI&Ccedil;&Atilde;O = lugar de fala + posicionamento pol&iacute;tico + pressupostos te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos + reconhecimento de identidade coletiva <\/p>\n<p>Esta afirma&ccedil;&atilde;o diz respeito tanto ao posicionamento do trabalhador intelectual como de seu papel no contexto que pretende analisar e incidir. Tal incid&ecirc;ncia pode se dar tanto como produtor de teoria e bens simb&oacute;licos como no trabalho diretamente vinculado a formas diversas de ativismo pol&iacute;tico e participativo. <\/p>\n<p>\nNota 1: Este texto trata-se do Cap&iacute;tulo 4, da obra cl&aacute;ssica de Furtado de 1961, do mesmo t&iacute;tulo, Rio de Janeiro, Editora Fundo de Cultura. Na colet&acirc;nea que sacamos este texto, a origem &eacute; da edi&ccedil;&atilde;o argentina de 1971. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=23935\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celso Furtado, poliglota e economista autodidata, brasileiro nato no intento sincero de construir conceitos a partir das condi\u00e7\u00f5es de vida e territ\u00f3rio de seu pr\u00f3prio povo. 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