{"id":10475,"date":"2009-07-24T14:04:48","date_gmt":"2009-07-24T14:04:48","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1077"},"modified":"2009-07-24T14:04:48","modified_gmt":"2009-07-24T14:04:48","slug":"para-construir-uma-teoria-democratica-da-america-latina-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10475","title":{"rendered":"Para construir uma teoria democr\u00e1tica da Am\u00e9rica Latina &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/liga_pueblos-libres.jpg\" title=\"Na constru\u00e7\u00e3o de uma teoria \u00e0 altura do desafio dos latino-americanos, \u00e9 preciso conhecer as mais profundas ra\u00edzes do federalismo revolucion\u00e1rio do Cone Sul. A Liga Federal materializa, em todos os seus dramas e virtudes, ilustra esse conceito. - Foto:tripod\" alt=\"Na constru\u00e7\u00e3o de uma teoria \u00e0 altura do desafio dos latino-americanos, \u00e9 preciso conhecer as mais profundas ra\u00edzes do federalismo revolucion\u00e1rio do Cone Sul. A Liga Federal materializa, em todos os seus dramas e virtudes, ilustra esse conceito. - Foto:tripod\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Na constru\u00e7\u00e3o de uma teoria \u00e0 altura do desafio dos latino-americanos, \u00e9 preciso conhecer as mais profundas ra\u00edzes do federalismo revolucion\u00e1rio do Cone Sul. A Liga Federal materializa, em todos os seus dramas e virtudes, ilustra esse conceito.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:tripod<\/small><\/figure>\n<p>23 de julho de 2009, Bruno Lima Rocha, escrito no Vale dos Sinos <\/p>\n<p>Neste brev&iacute;ssimo texto, fa&ccedil;o o debate, de forma propositiva, de uma concep&ccedil;&atilde;o de democracia como forma social de amplia&ccedil;&atilde;o de direitos. Para debater este vi&eacute;s, o da democracia pol&iacute;tica com distribui&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-econ&ocirc;mica, entendo ser necess&aacute;rio tanto fazer a cr&iacute;tica ao neoliberalismo e dos pressupostos transferidos para os estudos pol&iacute;ticos neoinstitucionalistas, como desenvolver a modelagem te&oacute;rica adequada. Com isso, espero contribuir no di&aacute;logo entre aqueles trabalhadores intelectuais que ajudam a p&ocirc;r &aacute;gua no moinho da luta epistemol&oacute;gica produzida na Am&eacute;rica Latina em prol da democracia participativa e direta. Vejo a este processo como um desafio metodol&oacute;gico &agrave; altura dos estudos e do pensamento pol&iacute;tico p&oacute;s-colonial.<\/p>\n<p><strong>Ou criamos conceitos operacionais ou seremos eternos colonizados <\/p>\n<p><\/strong>Esta peleia te&oacute;rica passa pela cria&ccedil;&atilde;o de um conceito de processo para a radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica aplic&aacute;vel na acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as onde atuem organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas extra-institucionais, como impulsionadoras de movimentos populares. Este m&eacute;todo condensa-se na a&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica de empoderamento cont&iacute;nuo de sujeitos sociais organiz&aacute;veis, elencando as arenas priorit&aacute;rias, visando o aumento da participa&ccedil;&atilde;o direta da maioria. Para ampliar a participa&ccedil;&atilde;o necessita-se da compreens&atilde;o do papel da an&aacute;lise estrat&eacute;gica e de seu respectivo planejamento, subordinando as rotinas do ativismo ao objetivo finalista. <\/p>\n<p>A categoria do planejamento da atividade pol&iacute;tica est&aacute; sempre em disputa. Hegemonicamente, seu sentido &eacute; escamoteado por um esfor&ccedil;o de esvaziar de significado real esta categoria. O planejamento, em sendo estrat&eacute;gico, &eacute; sempre subordinado ao objetivo e n&atilde;o ao contr&aacute;rio. N&atilde;o existe um tipo-ideal de planifica&ccedil;&atilde;o, porque esta categoria &eacute; acess&oacute;ria da categoria objetivo finalista. Para obter finalismo, &eacute; necess&aacute;rio ter a capacidade de impor uma ou mais agendas simult&acirc;neas. Na aus&ecirc;ncia de um planejamento pr&oacute;prio, o poder de agenda &eacute; imposto de cima para baixo. Para reagir a esta press&atilde;o, faz-se urgente ter no horizonte o fato consumado que as arenas institucionais da pol&iacute;tica profissional, consagradas atrav&eacute;s das rela&ccedil;&otilde;es de clientela e da cobertura da m&iacute;dia corporativa. <\/p>\n<p>Com a falta de uma teoria democr&aacute;tica que contemple o processo pol&iacute;tico de empoderamento dos sujeitos sociais organizados coletivamente na forma de movimentos populares, a agenda destes movimentos sempre ser&aacute; reativa e n&atilde;o proativa. Procedendo assim, perde o sentido uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que supere o papel de intermedia&ccedil;&atilde;o-representa&ccedil;&atilde;o e se proponha a servir de motor e for&ccedil;a estrat&eacute;gica deste mesmo processo. Eis a necessidade da teoria. <\/p>\n<p>A proposta aqui &eacute; fomentar uma janela de cr&iacute;tica e possibilidades para debater, a partir do campo da politologia (tamb&eacute;m chamada no Brasil de ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica) os pilares de uma teoriza&ccedil;&atilde;o de processo de ac&uacute;mulo para uma democracia radical. E, desde agora e sempre, esta premissa de proposi&ccedil;&atilde;o encarna em si mesma uma dimens&atilde;o ontol&oacute;gica que se coloca diametralmente em contra da corrente hegem&ocirc;nica do pensamento pol&iacute;tico liberal-olig&aacute;rquico (ainda que travestido de outros nomes) e aponta a converg&ecirc;ncia interdisciplinar com outras matrizes das ci&ecirc;ncias humanas e sociais que se coloquem a servi&ccedil;o dessa causa coletiva. <\/p>\n<p><strong>A hegemonia dos colonizadores retumba entre os colonizados <\/p>\n<p><\/strong>Embora pare&ccedil;a repetitivo, reitero e refor&ccedil;o a no&ccedil;&atilde;o de que as ci&ecirc;ncias sociais vivem uma crise, onde especificamente, as teorias democr&aacute;ticas referenciadas na Am&eacute;rica Latina t&ecirc;m de exercer uma constante luta intelectual para ser reconhecidas por seus pr&oacute;prios pares latino-americanos. Isto n&atilde;o &eacute; novidade nas ci&ecirc;ncias humanas e sociais. Ao contr&aacute;rio, afirmo que a peleia de id&eacute;ias e de conceitos-chave, de op&ccedil;&atilde;o por vari&aacute;veis macro-explicativas em detrimento de outras, &eacute; constitutivo tanto em nossa lida di&aacute;ria como nas demais matrizes hist&oacute;ricas de qualquer forma de pensamento. <\/p>\n<p>Parto do princ&iacute;pio da urg&ecirc;ncia da sinceridade te&oacute;rica, sem ocultar nem travestir premissas. Neste campo, a dimens&atilde;o ontol&oacute;gica implica necessariamente nas escolhas feitas. Isto &eacute;, na elei&ccedil;&atilde;o das ferramentas de an&aacute;lise elencadas como v&aacute;lidas e no uso de um corpo conceitual que seja coerente com os pressupostos te&oacute;ricos, metodol&oacute;gicos e o suporte ideol&oacute;gico dos trabalhadores intelectuais que se dedicam a montar e operar teorias. &Eacute; sempre assim que funciona e quando algu&eacute;m fala em neutralismo, na verdade, o que existe &eacute; premissa oculta. N&atilde;o existe nenhuma forma de &ldquo;neutralismo&rdquo; cient&iacute;fico nem nada por estilo. O rigor &eacute; distinto da &ldquo;neutralidade&rdquo;. Ser &ldquo;neutro&rdquo; nas ci&ecirc;ncias humanas &eacute; apenas reproduzir o senso comum dominante, sem saber ou admitir o que se est&aacute; fazendo. <\/p>\n<p>Estas caracter&iacute;sticas n&atilde;o cont&ecirc;m nenhuma contradi&ccedil;&atilde;o ou conflito inerente. Ao partir do princ&iacute;pio que n&atilde;o existe neutralidade cient&iacute;fica nos saberes das humanidades, admitimos que a precis&atilde;o anal&iacute;tica n&atilde;o &eacute; correlata de uma pretensa neutralidade. Qualquer argumento neste sentido termina implicando em suposto cientificismo, o que, em tese aqui desmentida, universaliza(ria) um ou mais pressupostos particulares. Na correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as do universo acad&ecirc;mico dos pa&iacute;ses centrais e sua rela&ccedil;&atilde;o desigual com o campo intelectual da Am&eacute;rica Latina, ocorre justamente o inverso. <\/p>\n<p><strong>A crise de paradigmas &eacute; da &ldquo;democracia&rdquo; que vive em crise <\/p>\n<p><\/strong>Assumo como ponto de partida a condi&ccedil;&atilde;o de crise de paradigmas e fun&ccedil;&otilde;es nas ci&ecirc;ncias sociais contempor&acirc;neas em geral e das teorias democr&aacute;ticas meramente procedimentais e ritual&iacute;sticas em particular. Infelizmente, e n&atilde;o h&aacute; nenhuma novidade nisso, e segue valendo a l&oacute;gica dos assimilados. N&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m que conhe&ccedil;a melhor a literatura dos pa&iacute;ses centrais que o leitor colonial. Assim, as categorias que se apresentam como &ldquo;novas&rdquo;, justo por visarem radicalizar a democracia, aprofundando os crit&eacute;rios de participa&ccedil;&atilde;o, ativismo, protagonismo popular, a&ccedil;&atilde;o coletiva e gest&atilde;o direta dos recursos p&uacute;blicos, e vista pela hegemonia do campo como algo &ldquo;raro&rdquo;. <\/p>\n<p>O exemplo mais absurdo se d&aacute; no debate dos &ldquo;cl&aacute;ssicos&rdquo; da pol&iacute;tica do Ocidente, quando se estuda o Federalismo. Ao mesmo tempo em que se apresenta como modelo federalista o arcabou&ccedil;o olig&aacute;rquico da Revolu&ccedil;&atilde;o Escravocrata das 13 col&ocirc;nias inglesas, se nega rotundamente o Federalismo Hist&oacute;rico e Revolucion&aacute;rio da Gesta Artiguista cujo projeto pol&iacute;tico concreto foi a Liga Federal dos Povos Livres. <\/p>\n<p>Ao n&atilde;o buscar novos par&acirc;metros, e por se negar a reconhecer em sua pr&oacute;pria matriz hist&oacute;rico-estrutural as sa&iacute;das para as crises da sociedade onde se insere e extrai sua produ&ccedil;&atilde;o intelectual, o cientista social da col&ocirc;nia fica no papel de tradutor de conceitos e apresentador de teorias normativas e inaplic&aacute;veis. Ou seja, este tipo de trabalhador hiper especializado n&atilde;o pode nem buscar solu&ccedil;&otilde;es para esta &ldquo;democracia&rdquo; liberal conservadora porque seu trabalho termina por legitimar o sistema de carreiras pol&iacute;ticas profissionais e de partido de intermedia&ccedil;&atilde;o. No final das contas, n&atilde;o pode este cientista social (como um todo) e pol&iacute;tico (em espec&iacute;fico) ser parte da solu&ccedil;&atilde;o das maiorias porque pertence ideologicamente a minoria que &eacute; causadora destes mesmos problemas. <\/p>\n<p>Este exemplo vale tanto na luta contra a n&atilde;o-hist&oacute;ria (a p&oacute;s-modernidade), como nos embates entre a democracia participativa e as matrizes de pensamento liberal-conservador e sua democracia de poucos para quase ningu&eacute;m. Conclui-se que para superar esta hegemonia que gravita em nosso campo &eacute; preciso um esfor&ccedil;o anal&iacute;tico, te&oacute;rico-epistemol&oacute;gico, com premissas expl&iacute;citas e a dimens&atilde;o ontol&oacute;gica sendo demonstrada desde o princ&iacute;pio da pr&oacute;pria formula&ccedil;&atilde;o. A resultante deste esfor&ccedil;o, mais do que uma &ldquo;an&aacute;lise pol&iacute;tica da Am&eacute;rica Latina&rdquo; &eacute; a afirma&ccedil;&atilde;o de uma escola de an&aacute;lise pol&iacute;tica latino-americana, buscando ultrapassar a democracia de tipo liberal e indo ao encontro da dimens&atilde;o substantiva e participativa da mesma. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=24139\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na constru\u00e7\u00e3o de uma teoria \u00e0 altura do desafio dos latino-americanos, \u00e9 preciso conhecer as mais profundas ra\u00edzes do federalismo revolucion\u00e1rio do Cone Sul. A Liga Federal materializa, em todos os seus dramas e virtudes, ilustra esse conceito. 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