{"id":10476,"date":"2009-08-03T10:47:17","date_gmt":"2009-08-03T10:47:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1080"},"modified":"2009-08-03T10:47:17","modified_gmt":"2009-08-03T10:47:17","slug":"lula-sarney-e-a-parabola-orwelliana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10476","title":{"rendered":"Lula, Sarney e a par\u00e1bola orwelliana"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/porcos e homens.jpg\" title=\"Injusti\u00e7a com os porcos compar\u00e1-los com a elite pol\u00edtica brasileira, os su\u00ednos se tornaram semelhantes aos antigos inimigos pol\u00edticos na promiscuidade patrimonialista palanaltina - Foto:duplipensar\" alt=\"Injusti\u00e7a com os porcos compar\u00e1-los com a elite pol\u00edtica brasileira, os su\u00ednos se tornaram semelhantes aos antigos inimigos pol\u00edticos na promiscuidade patrimonialista palanaltina - Foto:duplipensar\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Injusti\u00e7a com os porcos compar\u00e1-los com a elite pol\u00edtica brasileira, os su\u00ednos se tornaram semelhantes aos antigos inimigos pol\u00edticos na promiscuidade patrimonialista palanaltina<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:duplipensar<\/small><\/figure>\n<p>03 de agosto, do Rio Grande, por Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio na forma de pr&oacute;logo: <\/strong><\/p>\n<p>o bruto desse texto foi redigido antes da a&ccedil;&atilde;o de censura mediante o uso e abuso da a&ccedil;&atilde;o patrimonialista de um desembargador da mini-rep&uacute;blica de Joaquim Roriz, Nen&ecirc; Constantino (o amigo do peito e do colch&atilde;o forrado de dinheiro sem origem) e Jos&eacute; In&aacute;cio Arruda. O mesmo se d&aacute; no racioc&iacute;nio de auto-preserva&ccedil;&atilde;o de Sarney, que agora anuncia sua sa&iacute;da em fun&ccedil;&atilde;o do desgaste! Antes com Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es e o atual governador do DF, o ex-tucano e atual UDN da oposi&ccedil;&atilde;o (DEM), Arruda passara algo igual. Renan Calheiros usara de expediente semelhante e hoje manda ainda mais. Jos&eacute; Ribamar, pode deixar a Presid&ecirc;ncia da Mesa da C&acirc;mara Alta, desde que nada nem ningu&eacute;m encoste em um centavo de seu patrim&ocirc;nio privado acumulado mediante neg&oacute;cios de Estado. Em 2002 houve a Opera&ccedil;&atilde;o Lun&uacute;s, com Serra e Itagiba na cabe&ccedil;a. Efeito pol&iacute;tico mediante fato midi&aacute;tico assegurado, Roseana fora do p&aacute;reo presidencial, mas fora o caixa dois devidamente apreendido no flagrante sobre a mesa, seus bens e posses permaneceram intactos. Sarney caminha junto da filha; vai de volta para o fundo do plen&aacute;rio do Senado dos Caciques pol&iacute;ticos de sempre. O pa&iacute;s fica onde est&aacute;.<\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o: <br \/>\n<\/strong><br \/>\nNeste breve texto, veremos como o abandono do projeto pol&iacute;tico de reforma radical (da d&eacute;cada de &rsquo;80) pelo maior partido eleitoral da Am&eacute;rica Latina fez com que as demais posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas fossem abandonadas. &Eacute; um enigma da pol&iacute;tica que flerta com o paradigma de George Orwell. Nesta magistral obra, conhecida no Brasil como &ldquo;A Revolu&ccedil;&atilde;o dos Bichos&rdquo; (a edi&ccedil;&atilde;o que tenho &eacute; antiga, data de 1964, publicado pela Editora do Globo, em Porto Alegre; o texto original de Animal Farm, em ingl&ecirc;s, &eacute; de 1945), afirma a transforma&ccedil;&atilde;o do ex-inimigo &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a do opressor de antanho. Isto se d&aacute; quando, ao se aproximar do ex-advers&aacute;rio, um operador se faz de espelho do antigo advers&aacute;rio outrora irreconcili&aacute;vel. Sua atualidade se d&aacute; neste exato momento, ao motivar a ovinocultura pol&iacute;tica do Planalto a balir e bradar: &ldquo;Duas patas bom, quatro patas ruim!&rdquo; Vejamos os porqu&ecirc;s. <\/p>\n<p><strong>O erro de c&aacute;lculo do professor de economia <br \/>\n<\/strong><br \/>\nA nota escrita pelo senador Aloizio Mercadante (de carreira, professor de economia licenciado da PUC-SP e da Unicamp) l&iacute;der do governo no Senado, pedindo o afastamento de Jos&eacute; Sarney da presid&ecirc;ncia da &ldquo;mui leal e valorosa&rdquo; c&acirc;mara alta da rep&uacute;blica, fez recordar ao pa&iacute;s que existe uma queda de bra&ccedil;o na interna do PT. A presid&ecirc;ncia &ndash; com a emin&ecirc;ncia nada parda de Jos&eacute; Dirceu de Oliveira e Silva bombeando por fora e detr&aacute;s &#8211; explicitamente desautorizou seu l&iacute;der mantendo o apoio ao senador pelo Amap&aacute;. Duas moedas estavam em jogo, tendo seu lastro calculado na proje&ccedil;&atilde;o de curt&iacute;ssimo prazo, na contagem regressiva para a corrida eleitoral. <\/p>\n<p>Uma moeda &eacute; de ordem t&aacute;tica, visando garantir a &ldquo;blindagem&rdquo; do governo perante a CPI da Petrobr&aacute;s. Outra, estrat&eacute;gica, mira no projeto eleitoral de 2010 e a complexa rede de alian&ccedil;as com as diversas facetas do PMDB que ocupam parcelas importantes de controle do Estado brasileiro. No final das contas, o presidente mais popular da hist&oacute;ria do pa&iacute;s se atira nos bra&ccedil;os dos ex-inimigos pol&iacute;ticos e isola qualquer voz discordante. Se Sarney sair &ndash; o que deve se suceder &#8211; sai na paz e na integridade patrimonial. Na analogia que fazemos com a fazenda orwelliana, neste caso, trata-se do latif&uacute;ndio pol&iacute;tico da fam&iacute;lia de Roseana, exemplo vivo de como uma cultura pol&iacute;tica de caciquismo olig&aacute;rquico pode se reciclar, aliando-se a ex-esquerda e mantendo como fonte de renda o botim e esp&oacute;lio de parte das riquezas da sociedade de classes expropriada e nunca redistribu&iacute;da pelo Estado capitalista do sub-imp&eacute;rio do Brasil. <\/p>\n<p>Voltando &agrave; ladainha planaltina, a mensagem &eacute; expl&iacute;cita. N&atilde;o importa o motivo da discrep&acirc;ncia entre pol&iacute;ticos petistas e seu s&iacute;mbolo maior, para Lula e seu n&uacute;cleo duro (a inst&acirc;ncia de vincula&ccedil;&atilde;o pessoal com o presidente e n&atilde;o com a legenda e menos ainda com as correntes internas), nada pode estar acima das lealdades do governo para com quem o sustenta. A banca paga e recebe, mas quem d&aacute; as cartas na Articula&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica tem suas asas mais largas do que as da legenda do presidente. <\/p>\n<p>Este &eacute; um dilema cl&aacute;ssico da pol&iacute;tica, ocorrendo quando um operador pol&iacute;tico paira acima de qualquer organicidade partid&aacute;ria. Por fazer c&aacute;lculos pr&oacute;prios, este l&iacute;der tende a preferir bases de apoio para a chamada &ldquo;governabilidade&rdquo; (um continuum de mais do mesmo, a come&ccedil;ar pela pol&iacute;tica econ&ocirc;mica que nada mexe nas rela&ccedil;&otilde;es estruturais da economia pol&iacute;tica brasileira) e a proje&ccedil;&atilde;o de continuidade do mandato pelo sucessor. Quem o suceder tem de dar as garantias de em nenhum vespeiro mexer, evitando qualquer cheiro de investiga&ccedil;&atilde;o federal sobre desvios, desmandos ou roubos afins. Ou seja, h&aacute; de fazer o mesmo de agora, tal e como Luiz In&aacute;cio engavetou os ind&iacute;cios do governo de Fernando Henrique e seus aliados, a come&ccedil;ar pela troca da CPI do Banestado pela PEC 40\/03, a famigerada &ldquo;Reforma&rdquo; da Previd&ecirc;ncia em 2003. Embora soe estranho, &eacute; como abrir m&atilde;o das metas originais para manter uma parcela do poder do Estado, concentrado no Brasil no caixa da Uni&atilde;o e nas prerrogativas do Executivo. <\/p>\n<p><strong>Nada de novo no latif&uacute;ndio chamado Brasil <br \/>\n<\/strong><br \/>\nNo come&ccedil;o da f&aacute;bula pol&iacute;tica, Duas Patas eram ruins e Quatro Patas era algo bom. Depois, ao se aproximar do antigo inimigo, Quatro Patas tornam-se t&atilde;o boas como as Duas Patas do verdugo de antes. No final da hist&oacute;ria, a mesma se repete como farsa, na restaura&ccedil;&atilde;o dos poderes anteriores, fundindo a nova fra&ccedil;&atilde;o de classe na forma de elite dirigente com os patr&otilde;es do regime vencido e que se restitui. Neste caso, &eacute; como em Bras&iacute;lia, &ldquo;Duas Patas bom, Quatro Patas ruim!&rdquo; <\/p>\n<p>Nada disso &eacute; novidade na trajet&oacute;ria recente de Luiz In&aacute;cio. Este processo j&aacute; se faz notar desde, pelo menos, a difus&atilde;o da Carta ao Povo Brasileiro e a alian&ccedil;a com Jos&eacute; Alencar para vice em 2002. Naquele momento, o pouco que restara do projeto pol&iacute;tico da d&eacute;cada de &lsquo;80 se perdeu na plan&iacute;cie. Restaria ent&atilde;o a alian&ccedil;a org&acirc;nica com as correntes internas do PT e os partidos de esquerda eleitoral. Como meta de governo, Lula e sua equipe tentariam ao menos a execu&ccedil;&atilde;o dos planos setoriais, sendo a reforma agr&aacute;ria e a retomada do poder de compra do sal&aacute;rio m&iacute;nimo as bandeiras hist&oacute;ricas. Fez-se apenas um arremedo de ambas, e o temporal chegou na hora de dividir o botim de Estado. Os urubus se degladiaram sobre uma carni&ccedil;a gorda e viva chamada Furnas e as rela&ccedil;&otilde;es obtusas com a turma do querido advers&aacute;rio A&eacute;cio Neves. Valeu a m&aacute;xima: &ldquo;Quem com Dimas fere com Dimas ser&aacute; ferido&rdquo;. <\/p>\n<p>Ainda assim Lula provou ser duro na queda, superando tudo, desde a abertura do esquema do Mensal&atilde;o e resistindo a fragmenta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria quando do lan&ccedil;amento da dissid&ecirc;ncia que posteriormente formara o PSOL. Sobreviveu a Roberto Jefferson fazendo das lentes da C&acirc;mara seu tribunal do j&uacute;ri. A rotina da pol&iacute;tica brasileira se aproximara do ethos pol&iacute;tico dos l&iacute;deres da Baixada Fluminense. Na hora de chamar a Lurdinha para matraquear, a UDN na Oposi&ccedil;&atilde;o (o DEM, ent&atilde;o ainda PFL) com carinho e com afeto se deixara embalar pelos sonhos de calmaria do PSD tucano (PSDB), todos muito emocionados pela colher de ch&aacute; de Arauc&aacute;ria saboreado atrav&eacute;s do relat&oacute;rio do deputado federal Jos&eacute; Mentor (PT-SP) durante o ano de 2003. Se o Planalto com Jos&eacute; Dirceu e tudo aliviara na CPI do Banestado, nada mais s&eacute;rio ocorreria. O sistema financeiro deu o ok com Mr. Meirelles devidamente blindado pelo Supremo e tudo ficou como antes. Mesmo assim, depois do susto de 2005, Lula n&atilde;o quer mais passar por apertos de nenhuma ordem. <\/p>\n<p><strong>Ep&iacute;logo na Fazenda do Planalto: Sarney pode sair, mas seguir&aacute; mandando <br \/>\n<\/strong><br \/>\nAgora vale o texto relatado abaixo pelo escritor George Orwell ao final de sua f&aacute;bula pol&iacute;tica hiper-realista: <\/p>\n<p><em>&ldquo;Doze vozes gritavam cheias de &oacute;dio e eram todas iguais. N&atilde;o havia d&uacute;vida, agora, quanto ao que sucedera &agrave; fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez: mas j&aacute; se tornara imposs&iacute;vel distinguir quem era homem, quem era porco.&rdquo; <br \/>\n<\/em><br \/>\nFaltando exatos doze meses do in&iacute;cio da campanha presidencial de 2010, o Planalto n&atilde;o vai arriscar nada. Isto implica em pagar o pre&ccedil;o necess&aacute;rio para evitar que Jos&eacute; Sarney, Renan Calheiros, Romero Juc&aacute; e cia. n&atilde;o venham a se tornar uma vers&atilde;o peemedebista do irado petropolitano Roberto Jefferson Monteiro Francisco de 2005. Para evitar esse risco e manter altas as chances de Dilma Roussef e seu prov&aacute;vel vice do PMDB, Lula vai pagar o pre&ccedil;o que for preciso. Ou seja, se Jos&eacute; Ribamar sair, vai ser por desgaste de sua imagem e no acordo com o governo. A f&oacute;rceps ele n&atilde;o cai, inclusive porque Lula n&atilde;o deixa. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=24477\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Injusti\u00e7a com os porcos compar\u00e1-los com a elite pol\u00edtica brasileira, os su\u00ednos se tornaram semelhantes aos antigos inimigos pol\u00edticos na promiscuidade patrimonialista palanaltina Foto:duplipensar 03 de agosto, do Rio Grande, por Bruno Lima Rocha Coment&aacute;rio na forma de pr&oacute;logo: o bruto desse texto foi redigido antes da a&ccedil;&atilde;o de censura mediante o uso e abuso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}