{"id":10481,"date":"2009-11-20T22:18:17","date_gmt":"2009-11-20T22:18:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1123"},"modified":"2009-11-20T22:18:17","modified_gmt":"2009-11-20T22:18:17","slug":"os-tres-alvos-permanentes-na-luta-pela-democracia-na-informacao-comunicacao-e-cultura-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10481","title":{"rendered":"Os tr\u00eas alvos permanentes na luta pela democracia na informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e cultura da Am\u00e9rica Latina."},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/jorgerendo_clarin.jpg\" title=\"Jorge Rendo, emiss\u00e1rio pol\u00edtico-econ\u00f4mico do Grupo Clar\u00edn, \u00e9 um t\u00edpico exemplo de executivo midi\u00e1tico que opera no vale tudo do Jogo Real da Pol\u00edtica. Para eles, qualquer diminui\u00e7\u00e3o de sua capacidade de exerc\u00edcio de poder e cria\u00e7\u00e3o de realidades anti-povo, ser\u00e1 denunciada como suposto atentado a liberdade de express\u00e3o. Pura hipocrisia.  - Foto:taringa\" alt=\"Jorge Rendo, emiss\u00e1rio pol\u00edtico-econ\u00f4mico do Grupo Clar\u00edn, \u00e9 um t\u00edpico exemplo de executivo midi\u00e1tico que opera no vale tudo do Jogo Real da Pol\u00edtica. Para eles, qualquer diminui\u00e7\u00e3o de sua capacidade de exerc\u00edcio de poder e cria\u00e7\u00e3o de realidades anti-povo, ser\u00e1 denunciada como suposto atentado a liberdade de express\u00e3o. Pura hipocrisia.  - Foto:taringa\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Jorge Rendo, emiss\u00e1rio pol\u00edtico-econ\u00f4mico do Grupo Clar\u00edn, \u00e9 um t\u00edpico exemplo de executivo midi\u00e1tico que opera no vale tudo do Jogo Real da Pol\u00edtica. Para eles, qualquer diminui\u00e7\u00e3o de sua capacidade de exerc\u00edcio de poder e cria\u00e7\u00e3o de realidades anti-povo, ser\u00e1 denunciada como suposto atentado a liberdade de express\u00e3o. Pura hipocrisia. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:taringa<\/small><\/figure>\n<p>20 de novembro de 2009, da Vila Setembrina, por <em>Bruno Lima Rocha<\/em> <\/p>\n<p>Com este artigo intento oferecer uma vis&atilde;o de extens&atilde;o continental, de abrang&ecirc;ncia latino-americana, daquilo que est&aacute; sendo chamado de guerra de 4&ordf; gera&ccedil;&atilde;o, ou a luta pela m&iacute;dia. Entendo que se apontar aqui o marco mais gen&eacute;rico, ser&aacute; poss&iacute;vel fazer a conex&atilde;o com o que passa no Brasil, quando estamos h&aacute; menos de um m&ecirc;s da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o Social de nossa hist&oacute;ria (14 a 17 de dezembro, Bras&iacute;lia). Para que tenhamos id&eacute;ia deste ineditismo, o mesmo pa&iacute;s que tem larga tradi&ccedil;&atilde;o conferencista, jamais realizou algo semelhante nesta &aacute;rea. Entendo que isto se d&aacute; por distintas raz&otilde;es, e cabe aqui encontrarmos &agrave;quelas que se confirmam conjuntamente com os pa&iacute;ses hermanos.<\/p>\n<p>Na atualidade latino-americana e na etapa do capitalismo de tipo informacional-cognitivo, a luta contra os agentes econ&ocirc;mico-pol&iacute;ticos representados pelos meios massivos e l&iacute;deres de oligop&oacute;lios de comunica&ccedil;&atilde;o social se faz a cada dia mais urgente. Esta luta ultrapassa os embates contra as fam&iacute;lias controladoras dos conglomerados (Grupos Econ&ocirc;micos) como Televisa, Grupo Clar&iacute;n, Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, Grupo Caracol, Globovisi&oacute;n, dentre outros afiliados ao Grupo de Di&aacute;rios Am&eacute;rica e defendidas pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). O embate de fundo &eacute; o n&atilde;o reconhecimento por parte de amplos setores populares de que o modelo de comunica&ccedil;&atilde;o como neg&oacute;cio seja leg&iacute;timo para intermediar (fazer m&iacute;dia) junto ao povo e as maiorias. O mito do 4&ordm; poder (de origem liberal-democr&aacute;tico-burgu&ecirc;s) definitivamente j&aacute; n&atilde;o &eacute; consenso entre os latino-americanos. <\/p>\n<p>A partir do in&iacute;cio da d&eacute;cada de &rsquo;90 do s&eacute;culo XX, a privatiza&ccedil;&atilde;o de tipo selvagem liberou a demanda reprimida por servi&ccedil;os de telefonia, e que, com o advento primeiro da mobilidade (telefonia celular) e posteriormente com a internet discada, proporcionou aos cidad&atilde;os latino-americanos o uso das Tecnologias de Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o (TICs) em suas vidas cotidianas, por mais humildes que estas fossem. Concomitantemente, a cabo difus&atilde;o levou a um n&uacute;mero consider&aacute;vel de lares o acesso a canais estrangeiros e uma avalanche de bens simb&oacute;licos e produtos midi&aacute;ticos aportou em resid&ecirc;ncias, locais de trabalho e de lazer. <\/p>\n<p>J&aacute; na metade desta primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, com a populariza&ccedil;&atilde;o da banda larga e o fen&ocirc;meno da converg&ecirc;ncia &ndash; quando todos os conte&uacute;dos passam a poder ser comprimidos e convertidos em c&oacute;digos bin&aacute;rios (0 ou 1), pulveriza e dissemina o acesso da internet, at&eacute; alimenta e proporciona a contesta&ccedil;&atilde;o via m&iacute;dia digital mas, de fato, faz com que ambientes virtuais produzidos por transnacionais de nova tecnologia atravessem e fa&ccedil;am a intermedia&ccedil;&atilde;o entre as pessoas. Assim, as sociedades latino-americanas estabelecem rela&ccedil;&otilde;es de empatia e carinho, de proximidade cotidiana, com grandes portais de telecomunica&ccedil;&otilde;es e internet, justo os que fornecem ferramentas e ambientes de interatividade para usos e costumes, atividades do cotidiano e tamb&eacute;m a oportunidade de novas rela&ccedil;&otilde;es pessoais. Isto n&atilde;o implica em criar, a partir dos ambientes virtuais, da portabilidade e das novas intera&ccedil;&otilde;es via TICs, a criar necessariamente algo novo e transformador. A possibilidade est&aacute; e abundam bons exemplos, mas a enorme maioria dos latino-americanos faz uso da internet (por exemplo) para intera&ccedil;&otilde;es de tipo corriqueiro e individual. <\/p>\n<p>O mesmo se d&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o com as transnacionais de telefonia m&oacute;vel, que na maior parte das vezes, tamb&eacute;m abocanhou a telefonia fixa antes estatizada na maioria de nossos pa&iacute;ses. Estas transnacionais de telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o muitas, operando em quase todo o Continente as empresas como Telef&ocirc;nica de Espanha; sua s&oacute;cia menor a Portugal Telecom (PT); a It&aacute;lia Telecom (que tenta se retirar dos neg&oacute;cios por aqui); France Telecom; o Grupo mexicano Slim (cuja marca l&iacute;der &eacute; a Claro) al&eacute;m de alguns capitais nacionais que puderam sobreviver &agrave; entrada destes operadores. Neste item se destaca, no caso brasileiro, a Oi (ex-Telemar) que expande seu neg&oacute;cio a partir da compra da Brasil Telecom (basicamente composta por Telecom It&aacute;lia e o capital do City Group) e, como todo grande neg&oacute;cio (em termos de volume e recurso essa escala de grandeza) brasileiro, os recursos para a fus&atilde;o-aquisi&ccedil;&atilde;o sa&iacute;ram dos cofres do Tesouro Nacional e foram repassados atrav&eacute;s do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES). Enfim, este quadro apenas ressalta a relev&acirc;ncia de se dar o embate contra tr&ecirc;s alvos simult&acirc;neos. <\/p>\n<p>Um &eacute; prim&aacute;rio, e facilmente identificado entre os afiliados na SIP. Ou seja, deslegitimar a pretens&atilde;o da m&iacute;dia corporativa, de motiva&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica conservadora, portadora de ideologia capitalista por sua pr&oacute;pria natureza. O segundo alvo s&atilde;o as transnacionais de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que, atrav&eacute;s da converg&ecirc;ncia se tornam essenciais na vida cotidiana dos povos do Continente. A constru&ccedil;&atilde;o de infovias p&uacute;blicas, megavias de motiva&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e ambientes livres (tipo software livres, ambientes wikis, provedores ilimitados) &eacute; tarefa estrat&eacute;gica tanto para o movimento popular como at&eacute; mesmo para arrancar estas conquistas, na base da press&atilde;o, dos governos que se reivindicam do campo Nacional e Popular. Por fim, o terceiro alvo se d&aacute; justamente nos Estados, que quando fazem m&iacute;dia a realizam como m&iacute;dia de governo ou m&iacute;dia de poderes da rep&uacute;blica liberal-burguesa. Enfrentar as pretens&otilde;es do Estado de aplacar a iniciativa popular e substituir o conceito de p&uacute;blico pelo conceito de estatal &eacute; importante e deve ser dedicada aten&ccedil;&atilde;o a este fator pelos ativistas de m&iacute;dia popular, alternativa, comunit&aacute;ria ou livre. <\/p>\n<p>No conjunto destas tr&ecirc;s frentes de luta contra alvos simult&acirc;neos e na maioria das vezes, complementares e aliados (governos de turno + transnacionais de telecomunica&ccedil;&atilde;o + oligarquias da comunica&ccedil;&atilde;o social), est&aacute; o desafio permanente de criar o ant&iacute;doto para a verticalidade instrumental no ato de comunicar. Isto implica na consci&ecirc;ncia do esfor&ccedil;o de criar e refor&ccedil;ar uma esfera p&uacute;blica midi&aacute;tica no campo popular, como parte fundamental de um espa&ccedil;o p&uacute;blico de debates entre a multiplicidade de sujeitos sociais como uma frente de classes oprimidas. Esta esfera p&uacute;blica das m&iacute;dias dos povos do Continente deve servir de suporte informacional, ideol&oacute;gico e cultural das formas de poder popular que v&ecirc;m sendo realizadas no Continente. Um dos pap&eacute;is desta nova m&iacute;dia &eacute; ir se generalizando regionalmente em nossos pa&iacute;ses, dotando-se de democracia de base e direta (e n&atilde;o estruturada na forma de empresa ou ex&eacute;rcito), sendo por si s&oacute; exemplo, reflexo e inten&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de se radicalizar a democracia pol&iacute;tica como fundamento do igualitarismo social. <\/p>\n<p>Diante da enormidade desta tarefa, entendo que toda e qualquer publica&ccedil;&atilde;o alternativa (impressa ou eletr&ocirc;nica), todo e qualquer programa audiovisual (seja de r&aacute;dio ou TV, por radiofreq&uuml;&ecirc;ncia ou via digital), recobram de import&acirc;ncia. No horizonte est&aacute; a perspectiva de transformar as sociedades estruturalmente injustas da Am&eacute;rica Latina, reinventando a democracia atrav&eacute;s da m&iacute;dia entre iguais. Esta luta apenas come&ccedil;a. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=27691\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Rendo, emiss\u00e1rio pol\u00edtico-econ\u00f4mico do Grupo Clar\u00edn, \u00e9 um t\u00edpico exemplo de executivo midi\u00e1tico que opera no vale tudo do Jogo Real da Pol\u00edtica. Para eles, qualquer diminui\u00e7\u00e3o de sua capacidade de exerc\u00edcio de poder e cria\u00e7\u00e3o de realidades anti-povo, ser\u00e1 denunciada como suposto atentado a liberdade de express\u00e3o. Pura hipocrisia. 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