{"id":1049,"date":"2009-06-22T02:50:47","date_gmt":"2009-06-22T02:50:47","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1049"},"modified":"2009-06-22T02:50:47","modified_gmt":"2009-06-22T02:50:47","slug":"futebol-e-politica-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1049","title":{"rendered":"Futebol e Pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/h60medici.JPG\" title=\"O general do radinho, dividia o Caneco com uma das m\u00e3os, na outra ajudava a operar a repress\u00e3o sistem\u00e1tica. - Foto:\" alt=\"O general do radinho, dividia o Caneco com uma das m\u00e3os, na outra ajudava a operar a repress\u00e3o sistem\u00e1tica. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O general do radinho, dividia o Caneco com uma das m\u00e3os, na outra ajudava a operar a repress\u00e3o sistem\u00e1tica.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Vila Setembrina dos Farrapos, Continente do Rio Grande de S&atilde;o Sep&eacute;,<\/p>\n<p>14 de junho de 2006<\/p>\n<p>Imagino que voc&ecirc; leitor, ainda deve estar com taquicardia ap&oacute;s a partida de estr&eacute;ia do Brasil na Copa da Alemanha. Este foi o advers&aacute;rio mais dif&iacute;cil. Tivemos pela frente a Cro&aacute;cia e a tens&atilde;o dos mais de 180 milh&otilde;es de t&eacute;cnicos da sele&ccedil;&atilde;o. O magro 1 x 0 foi o suficiente para antever o que vem por a&iacute;. Mas, ao inv&eacute;s do lugar comum destas palavras, este artigo se dedica a observar comportamentos e casos reveladores das entrelinhas da maior paix&atilde;o nacional. A bola como par&oacute;dia da vida &eacute; mais profunda do que imaginamos.<\/p>\n<p>O primeiro destaque &eacute; para o comportamento da m&iacute;dia brasileira ao longo dos &uacute;ltimos anos. Depois de duas CPIs do futebol brasileiro, uma na C&acirc;mara e outra no Senado, por &ldquo;m&aacute;gica&rdquo; foram suspensas as investiga&ccedil;&otilde;es a respeito da gest&atilde;o de Ricardo Teixeira &agrave; frente da CBF. Na mesma f&oacute;rmula de desaparecimento, sumiram os dezessete pedidos de indiciamento barrados pelo Judici&aacute;rio do Rio de Janeiro, protegendo assim, o presidente da entidade, que comanda o futebol no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Nunca &eacute; demais lembrar, que Ricardo Teixeira &eacute; o ex-genro de Jo&atilde;o Havelange; este por sinal quando jovem, foi atleta de p&oacute;lo aqu&aacute;tico do Fluminense Football Club. Quando da conquista do tricampeonato em 1970, Havelange comandava a ent&atilde;o Confedera&ccedil;&atilde;o Brasileira de Desportos (CBD), M&aacute;rio Jorge Lobo Zagallo era o t&eacute;cnico e Carlos Alberto Parreira fazia parte da equipe de prepara&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. E, para n&atilde;o esquecer do &oacute;bvio, viv&iacute;amos o governo do general Em&iacute;lio Garrastaz&uacute; M&eacute;dici, da arma da cavalaria e natural de Bag&eacute;.<\/p>\n<p>Tudo isto desapareceu por m&aacute;gica, vindo a fazer parte mais do folclore do futebol do que de seus bastidores. O mesmo ocorre com os chamados cartolas e suas mete&oacute;ricas e um tanto estapaf&uacute;rdias carreiras pol&iacute;ticas. A paix&atilde;o nacional se v&ecirc; &ldquo;representada&rdquo; por seus dirigentes &ldquo;amadores&rdquo; tamb&eacute;m dubl&ecirc;s de pol&iacute;ticos profissionais. A promo&ccedil;&atilde;o de um dirigente da bola para o cargo de dirigente pol&iacute;tico &eacute; algo controverso. A quem ele representa? Quais interesses defende? Se fosse um gestor profissional, teria a obriga&ccedil;&atilde;o de apresentar rendimentos, balan&ccedil;os, contratos registrados e, minimamente, ter uma boa gest&atilde;o financeira. Como s&atilde;o &ldquo;amadores&rdquo;, n&atilde;o prestam contas daquilo que fazem.<\/p>\n<p>Para sanear o ambiente, poder&iacute;amos pensar em duas normas imediatas. Uma delas, seria a exig&ecirc;ncia de quarentena para os dirigentes de futebol. O precedente j&aacute; est&aacute; aberto. Os altos tecnocratas, ap&oacute;s exercerem fun&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas no Estado, tem de esperar um certo tempo at&eacute; voltarem para a iniciativa privada. &Eacute; certo que o tempo &eacute; curto, e os contatos e influ&ecirc;ncias n&atilde;o se esgotam em um ano. Mas, que j&aacute; &eacute; uma boa medida, isto &eacute;.<\/p>\n<p>O mesmo grassa para jornalistas que se candidatam a cargos p&uacute;blicos, tendo eles de se afastar da m&iacute;dia alguns meses antes das elei&ccedil;&otilde;es. J&aacute; os dirigentes desportivos, possuem um palanque de risco, com p&uacute;blico cativo, duas ou tr&ecirc;s vezes por semana de acordo com o time que controlam. Ficassem de quarentena por dois anos no m&iacute;nimo, impedidos de concorrer a cargos p&uacute;blicos logo ap&oacute;s a gest&atilde;o de um clube de futebol, e haveriam altera&ccedil;&otilde;es profundas.<\/p>\n<p>No Rio Grande, temos v&aacute;rios exemplos de carreira e trajet&oacute;ria pol&iacute;tica vinculada ao futebol. Distinto do que ocorre em demais estados da Uni&atilde;o, aqui o modelo &eacute; mais parecido com o Uruguai e a Argentina. O ex-presidente da Banda Oriental, J&uacute;lio Maria Sanguinetti, &eacute; t&atilde;o, umbilicalmente, ligado ao Partido Colorado como &agrave; diretiva do Pe&ntilde;arol. Exemplos assim s&atilde;o identific&aacute;veis tamb&eacute;m com pol&iacute;ticos do Partido Blanco e o Clube Nacional de Futebol.<\/p>\n<p>J&aacute; na Argentina, a mescla incendi&aacute;ria de peronismo e paix&atilde;o boquense levou &agrave; cen&aacute;rios muito interessantes. Tanto do campo popular como do aparelhamento do Partido Justicialista pelas m&aacute;fias menemistas. Exemplo claro disso &eacute; a trajet&oacute;ria do senhor Carlos Macri, dubl&ecirc; de presidente do Club Boca Jrs. e dirigente e candidato parlamentar do PJ ligado a Carlos Saul Menem. Me recordo de uma campanha pol&iacute;tica Argentina ocorrida no ano de 1997. Nos muros da Bombonera estava pichado:<\/p>\n<p>Vota Macri! De Boca y peronista como tu!<\/p>\n<p>Do lado de c&aacute; do Rio Uruguay, ocorre o mesmo. A oligarquia ga&uacute;cha, em geral sobre-representada por seu campo jur&iacute;dico, assiste uma leva de advogados com carreira pol&iacute;tica entreverada com a dirig&ecirc;ncia de Internacional e Gr&ecirc;mio. O modo de funcionar de pol&iacute;ticos ligados ao futebol ga&uacute;cho &eacute; institucionalizado. Exemplos atuais s&atilde;o v&aacute;rios, como Paulo Odone, atual presidente do Gr&ecirc;mio e vereador pelo PPS em Porto Alegre; Jos&eacute; Ot&aacute;vio Germano, deputado federal pelo PP e ex-dirigente tricolor; Fernando Z&aacute;chia, deputado estadual pelo PMDB, ex-dirigente colorado e figura presente na m&iacute;dia esportiva; e o mais not&oacute;rio de todos a n&iacute;vel nacional, o ex-deputado federal e atual vereador pelo mesmo partido, o colorado Ibsen Pinheiro.<\/p>\n<p>Os exemplos s&atilde;o distintos, porque estes dirigentes e pol&iacute;ticos, longe de serem folcl&oacute;ricos, s&atilde;o muito competentes. Nem por isso deixam de praticar uma certa demagogia futeboleira. Mas, o problema de fundo &eacute; outro. No Rio Grande do Sul existe e &eacute; aceit&aacute;vel, a no&ccedil;&atilde;o de que &eacute; leg&iacute;timo fazer pol&iacute;tica na interna de um clube de futebol e ao mesmo tempo transplantar essa &ldquo;representa&ccedil;&atilde;o&rdquo; para as urnas. Ou seja, se alguma medida houvesse para combater este tipo de pr&aacute;tica pol&iacute;tica, o maior foco contr&aacute;rio sairia daqui.<\/p>\n<p>Mas, sejamos justos, a cegueira e surdez da m&iacute;dia n&atilde;o &eacute; exclusividade ga&uacute;cha. A cr&ocirc;nica esportiva, sem d&uacute;vida uma das mais belas e tocantes formas narrativas contempor&acirc;neas, deriva mais para a f&aacute;bula do que para o jornalismo investigativo. Das vezes que se encheu de coragem, nos ofereceu belos exemplos.<\/p>\n<p>Me lembro da revista Placar dos anos &lsquo;80, ainda semanal e sob a batuta de Juca Kfouri. Naquelas linhas, muitos como eu, tanto aprendemos a tomar o gosto pela leitura, como nos iniciamos na pol&iacute;tica atrav&eacute;s da apura&ccedil;&atilde;o dos esc&acirc;ndalos da loteria esportiva. Na literatura social brasileira, Edilberto Coutinho, escritor divino e esquecido, fez poesia urbana nas cr&ocirc;nicas do cl&aacute;ssico do g&ecirc;nero, &ldquo;Maracan&atilde; Adeus&rdquo;. Os exemplos s&atilde;o muitos, mas absurdamente minorit&aacute;rios se comparados com a m&iacute;dia desportiva chapa branca. A mesma que destina laudas sem fim apurando quantas bolhas estouraram nos p&eacute;s de Ronaldo, e nenhum linha sobre o contrato da Nike com a Confedera&ccedil;&atilde;o Brasileira de Futebol.<\/p>\n<p>Longe de defender uma cr&ocirc;nica esportiva s&eacute;ria e sisuda, gostaria de ver a investiga&ccedil;&atilde;o t&atilde;o precisa e detalhada quanto a an&aacute;lise das varia&ccedil;&otilde;es t&aacute;ticas em cada coletivo da sele&ccedil;&atilde;o. Mas, fica a pergunta, haveria anunciante para um jornalismo assim?<\/p>\n<p>Creio que sim. N&atilde;o apenas anunciante como um p&uacute;blico ainda mais fiel, bem informado e fiscalizador dos desmandos da cartolagem. O radinho de pilha colado ao ouvido do general n&atilde;o maculou a conquista do tri no M&eacute;xico. Mais forte que M&eacute;dici e Orlando Geisel estava a presen&ccedil;a do alegretense Jo&atilde;o Saldanha. Al&ccedil;ado ao Olimpo da gl&oacute;ria, optou por ficar entre os mortais. Deixou o posto de treinador da sele&ccedil;&atilde;o brasileira mas n&atilde;o a dignidade. Mandou o presidente escalar o minist&eacute;rio, pois o time quem escalava era ele.<\/p>\n<p>Que Jo&atilde;o Saldanha sirva de exemplo para os pol&iacute;ticos e assessores de campanha de 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O general do radinho, dividia o Caneco com uma das m\u00e3os, na outra ajudava a operar a repress\u00e3o sistem\u00e1tica. 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