{"id":10491,"date":"2010-03-06T11:22:12","date_gmt":"2010-03-06T11:22:12","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1191"},"modified":"2010-03-06T11:22:12","modified_gmt":"2010-03-06T11:22:12","slug":"mapa-analitico-da-america-latina-contemporanea-uma-perspectiva-da-matriz-libertaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10491","title":{"rendered":"Mapa anal\u00edtico da Am\u00e9rica Latina contempor\u00e2nea \u2013 uma perspectiva da matriz libert\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/insatisfacao.jpg\" title=\"As sociedades de classes dos pa\u00edses latino-americanos possuem problemas em comum, tais como o grau de informalidade, o desemprego estrutural, a aus\u00eancia de direitos b\u00e1sicos e a insatisfa\u00e7\u00e3o com a democracia representativa. - Foto:blog do favre\" alt=\"As sociedades de classes dos pa\u00edses latino-americanos possuem problemas em comum, tais como o grau de informalidade, o desemprego estrutural, a aus\u00eancia de direitos b\u00e1sicos e a insatisfa\u00e7\u00e3o com a democracia representativa. - Foto:blog do favre\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As sociedades de classes dos pa\u00edses latino-americanos possuem problemas em comum, tais como o grau de informalidade, o desemprego estrutural, a aus\u00eancia de direitos b\u00e1sicos e a insatisfa\u00e7\u00e3o com a democracia representativa.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:blog do favre<\/small><\/figure>\n<p><font color=\"#006633\">04 de mar&ccedil;o&nbsp;de 2010, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/font><\/p>\n<p><font color=\"#006633\">Retorno para a contribui&ccedil;&atilde;o semanal de difus&atilde;o te&oacute;rica e de pensamento pol&iacute;tico de base epistemol&oacute;gica compartilhando uma possibilidade de mapa anal&iacute;tico do terreno onde os conceitos operacionais aos quais me filio sejam aplic&aacute;veis. Para operacionalizar as formula&ccedil;&otilde;es que tem como objetivo permanente a constru&ccedil;&atilde;o de um Poder Popular onde implique a radicalidade da democracia elevada &agrave; sua m&aacute;xima exponencial, o instrumental te&oacute;rico se apresenta na seq&uuml;&ecirc;ncia, na forma de mapa anal&iacute;tico, apresentando elementos que s&atilde;o generaliz&aacute;veis na Am&eacute;rica Latina. Vamos aos elementos na forma de texto cont&iacute;nuo. <br \/>\n<\/font><\/p>\n<p>A sociedade capitalista &eacute; dividida em classes, sendo que as sociedades de capitalismo perif&eacute;rico e semi-perif&eacute;rico que se encontram nos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina tamb&eacute;m se dividem em classes com distintos cortes como n&iacute;vel de escolaridade, elite posicional, propriedade e meios de acumula&ccedil;&atilde;o da oriundos tanto da financeiriza&ccedil;&atilde;o, da propriedade direta de meios ou recursos estatais. Mesmo com esta divis&atilde;o de classes, seguindo os padr&otilde;es contempor&acirc;neos do Brasil, sub-divididas em A, B, C, D e E; sendo que a n&atilde;o ser a A, as demais variam sua posi&ccedil;&atilde;o diante dos poderes reais constitu&iacute;dos, h&aacute; elementos de transcend&ecirc;ncia do problema de classes, sua diferencia&ccedil;&atilde;o e a possibilidade destas terem suas minorias organizadas para a luta social. A pr&oacute;pria dimens&atilde;o ideol&oacute;gica transcende a divis&atilde;o de classes, mas &eacute; fundamental para este tipo de embate, visto que classe implica em antagonismo e todo o conflito, para superar o imediatismo da t&aacute;tica e das urg&ecirc;ncias sempre presentes, deve conter um marco estrat&eacute;gico e um longo prazo.<\/p>\n<p>Por isso afirmamos que entre estas sociedades, existe um grau de unidade e identidade. Como todo conceito, signo, s&iacute;mbolo ou refer&ecirc;ncia, a unidade e identidade est&atilde;o em disputa, e tem distintas significa&ccedil;&otilde;es. No caso do Continente, mesmo admitindo que o tema pode entrar em controv&eacute;rsias, este analista se filia na tradi&ccedil;&atilde;o que assume por tanto que existe a disputa do conceito identit&aacute;rio e que sim, existe Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>No Continente, as sociedades de classes dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina s&atilde;o desiguais entre si, mas tem alguns eixos e bases semelhantes. Destaco duas como estruturais: n&atilde;o importando o grau de desenvolvimento econ&ocirc;mico, &eacute; alto o grau de informalidade e o desemprego &eacute; estrutural; n&atilde;o importando o grau de desenvolvimento pol&iacute;tico, &eacute; alto o grau de insatisfa&ccedil;&atilde;o com a democracia representativa. As desigualdades extremas entre classes sociais &eacute; algo padr&atilde;o nestas sociedades, havendo tamb&eacute;m camadas inteiras da popula&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o ou desprovidas, ou pouco assistidas, em seus direitos b&aacute;sicos.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, existem lugares de n&atilde;o-Justi&ccedil;a e territ&oacute;rios onde, por diversas raz&otilde;es &ndash; desde insurg&ecirc;ncia armada at&eacute; paramilitarismo &ndash; o Estado &eacute; visto com desconfian&ccedil;a, n&atilde;o presta assist&ecirc;ncia aos seus cidad&atilde;os e muitas vezes, o ente estatal atua como for&ccedil;a de ocupa&ccedil;&atilde;o. A n&atilde;o assist&ecirc;ncia, a n&atilde;o-Justi&ccedil;a e a falta de direitos leva a id&eacute;ia de na&ccedil;&atilde;o como coletividade de semelhantes com ancestralidade e sentido comum em algo muito figurado. Perante este conflito latente, a opera&ccedil;&atilde;o dos poderes de fato materializa o conceito de dividir para reinar.<\/p>\n<p>Portanto, a configura&ccedil;&atilde;o da atual sociedade de classes &eacute; fragmentada e fragmentadora. Existe assim uma l&oacute;gica estruturante da fragmenta&ccedil;&atilde;o social, agindo sobre as mais diversas camadas e setores de classe. A fragmenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno isolado nem localizado, &eacute; transversal a toda a sociedade. Por conseq&uuml;&ecirc;ncia, os elementos de unidade s&atilde;o escassos e sua posse, um fator estrat&eacute;gico.<\/p>\n<p>Isto se d&aacute;, mesmo com a evid&ecirc;ncia de que a maioria das popula&ccedil;&otilde;es da Am&eacute;rica Latina encontra-se nas classes mais baixas (C, D e E). Deste modo, os distintos setores de classe t&ecirc;m dificuldade em se verem de forma unit&aacute;ria, suas demandas t&ecirc;m um custo pol&iacute;tico, organizacional e comunicacional maior que em etapas anteriores do capitalismo. Na bipolaridade e no per&iacute;odo das fronteiras ideol&oacute;gicas, o custo repressivo era maior, mas em compensa&ccedil;&atilde;o, as sociedades de classes sendo menos complexas permitiam o aumento do poder de barganha e conquista das classes subalternas.<\/p>\n<p>A aus&ecirc;ncia de maior unidade nas classes mais baixas facilita a domina&ccedil;&atilde;o de fato embora dificulte a institucionaliza&ccedil;&atilde;o da democracia representativa. J&aacute; o inverso tamb&eacute;m &eacute; v&aacute;lido, pois quando h&aacute; maior unidade nas classes mais baixas, e h&aacute; interesse estrat&eacute;gico, a democracia representativa pode ser ou n&atilde;o refor&ccedil;ada por esta unidade de classes oprimidas. Longe de negar a luta de classes, o que fa&ccedil;o &eacute; o exerc&iacute;cio do reconhecimento de que esta atual configura&ccedil;&atilde;o de classes fragmentadas implica formas tamb&eacute;m atuais na luta de classes, que segue existindo, mas de forma mais complexa do que no per&iacute;odo da bipolaridade e da industrializa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta luta de classes atual na Am&eacute;rica Latina se v&ecirc; permeada por temas identit&aacute;rios, de forma&ccedil;&atilde;o nacional e &eacute;tnica, de territorializa&ccedil;&atilde;o; tamb&eacute;m de disputa por concep&ccedil;&atilde;o de democracia, com distintos graus de viol&ecirc;ncia, com disputa de projeto nacional e outras formas de luta associadas (n&atilde;o subordinadas) &agrave; luta econ&ocirc;mica e reivindicativa. Este analista sempre parte do pressuposto da n&atilde;o-determin&acirc;ncia de uma esfera (Econ&ocirc;mica, Pol&iacute;tica, Ideol&oacute;gica) sobre outra e defende a an&aacute;lise baseada na complexifica&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica.<\/p>\n<p>Neste contexto, o conflito das formas de democracia direta com a democracia representativa &eacute; latente ou j&aacute; deflagrado, uma vez que os operadores da pol&iacute;tica institucional t&ecirc;m interesse em desorganizar as entidades do tecido social das classes baixas, aumentando sua fragmenta&ccedil;&atilde;o e subordinando-o (ao tecido e suas camadas organziadas) a pol&iacute;tica institucional. Ao defender a democracia representativa como conceito v&aacute;lido, tanto a ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica hegem&ocirc;nica como o sentido gerado na m&iacute;dia corporativa (incluindo seus &ldquo;especialistas&rdquo;) termina por fazer a fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica desta desorganiza&ccedil;&atilde;o de cima para baixo, na medida em que estes centros de saberes ignoram o fazer pol&iacute;tico al&eacute;m da democracia representativa e at&eacute; certo ponto institucionalizada, como a pol&iacute;tica de conselhos ou mesas t&eacute;cnicas.<\/p>\n<p>Este &eacute; um dos fatores que fazem com que recursos pol&iacute;ticos como o clientelismo, somado com a criminaliza&ccedil;&atilde;o da pobreza, somado ao conflito entre pobres e a dissemina&ccedil;&atilde;o da economia ilegal (capitaneada pelo tr&aacute;fico de drogas de baixo custo, fragmenta ainda mais o tecido social &#8211; em especial o das regi&otilde;es conurbadas e metropolitanas &ndash; diminuindo a capacidade das teias de atarem e unificarem o tecido social-produtivo e refor&ccedil;a um comportamento pol&iacute;tico baseado em cultura individualista, paroquial e de curt&iacute;ssimo prazo. Neste universo, o senso comum e a l&oacute;gica da sobreviv&ecirc;ncia operam como barreira de entrada das id&eacute;ias de transforma&ccedil;&atilde;o estrutural da sociedade.<\/p>\n<p>Nesta legitima&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o-pol&iacute;tica como &ldquo;&uacute;nica pol&iacute;tica democr&aacute;tica&rdquo; v&aacute;lida, a a&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia corporativa, comercial e de massa, refor&ccedil;a e acentua este comportamento pol&iacute;tico narrado acima. Pelos pressupostos deste analista, a esfera ideol&oacute;gica &eacute; considerada como estrat&eacute;gica para qualquer tipo de altera&ccedil;&atilde;o social profunda. Assim o trabalho comunicacional deixa de ser subordinado a um determinado projeto espec&iacute;fico e utilit&aacute;rio e se torna a pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o de disputa de hegemonia. Sem vit&oacute;rias t&aacute;ticas de relev&acirc;ncia na Guerra de 4&ordf; Gera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; sequer possibilidade de vit&oacute;ria insurgente. N&atilde;o h&aacute; como incidir de forma profunda em nenhum setor social sem a elabora&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o e troca simb&oacute;lica a partir de um discurso-s&iacute;ntese. Tal discurso s&oacute; pode existir no cotidiano das maiorias desorganizadas atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o comunicacional.<\/p>\n<p>A mat&eacute;ria prima onde se materializa o Poder Popular necessita da recomposi&ccedil;&atilde;o deste tecido social, realizada a partir de objetivos comuns e inimigos comuns, podendo refor&ccedil;ar ou recriar formas atuais de luta de classes. O emprego dos pressupostos da interdepend&ecirc;ncia das esferas Econ&ocirc;mica, Pol&iacute;tica e Ideol&oacute;gica aponta para uma an&aacute;lise onde os distintos temas confluem para uma poss&iacute;vel nova acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as. Supera-se assim as premissas de uma falsa pol&ecirc;mica, porque as quest&otilde;es que em tese estariam separadas na an&aacute;lise e no discurso praticado hoje se veriam confluindo a partir da possibilidade de um discurso-s&iacute;ntese e de uma meta palp&aacute;vel no longo prazo (o Poder Popular atrav&eacute;s da Democracia Participativa, Direta, Substantiva e Deliberativa).<\/p>\n<p>A recria&ccedil;&atilde;o destas formas de luta de classes, praticando a luta reivindicativa concomitante da extra&ccedil;&atilde;o de parcelas da oligarquia para o povo organizado, pode implicar em situa&ccedil;&otilde;es limite tanto para o sistema pol&iacute;tico como para a concep&ccedil;&atilde;o de democracia representativa. &Eacute; por isso que este analista, dentro do rigor necess&aacute;rio, se v&ecirc; tamb&eacute;m como instrumental de incid&ecirc;ncia para a radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica (contribuindo com seu gr&atilde;o de areia no mundo das id&eacute;ias e das an&aacute;lises de maior f&ocirc;lego), visando o aumento de participa&ccedil;&atilde;o das maiorias e dando formas reais para que os setores de classes oprimidas tomem parte nas decis&otilde;es fundamentais das sociedades concretas onde vivem.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=30328 \">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU). <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As sociedades de classes dos pa\u00edses latino-americanos possuem problemas em comum, tais como o grau de informalidade, o desemprego estrutural, a aus\u00eancia de direitos b\u00e1sicos e a insatisfa\u00e7\u00e3o com a democracia representativa. 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