{"id":10492,"date":"2010-03-07T00:08:52","date_gmt":"2010-03-07T00:08:52","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1193"},"modified":"2010-03-07T00:08:52","modified_gmt":"2010-03-07T00:08:52","slug":"o-conflito-da-materia-direitos-humanos-no-governo-da-esquerda-uruguaia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10492","title":{"rendered":"O conflito da mat\u00e9ria Direitos Humanos no governo da esquerda uruguaia"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/coracerosgolpeando.jpg\" title=\"Os sabres dos Coraceros da Guardia Republicana sa\u00edram das bainhas e confrontaram com a parcela de povo oriental organizado que sa\u00edra para as ruas na defesa do direito de asilo. Fernando Morroni e Roberto Facal pagaram com suas vidas diante da sanha repressiva de um co-governo repressor e corrupto com o Blanco Alberto Lacalle \u00e0 frente   - Foto:elpais.com.uy\" alt=\"Os sabres dos Coraceros da Guardia Republicana sa\u00edram das bainhas e confrontaram com a parcela de povo oriental organizado que sa\u00edra para as ruas na defesa do direito de asilo. Fernando Morroni e Roberto Facal pagaram com suas vidas diante da sanha repressiva de um co-governo repressor e corrupto com o Blanco Alberto Lacalle \u00e0 frente   - Foto:elpais.com.uy\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os sabres dos Coraceros da Guardia Republicana sa\u00edram das bainhas e confrontaram com a parcela de povo oriental organizado que sa\u00edra para as ruas na defesa do direito de asilo. Fernando Morroni e Roberto Facal pagaram com suas vidas diante da sanha repressiva de um co-governo repressor e corrupto com o Blanco Alberto Lacalle \u00e0 frente  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:elpais.com.uy<\/small><\/figure>\n<p>&nbsp;<br \/>\n05 de mar&ccedil;o de 2010, da Vila Setembrina de Farrapos tra&iacute;dos em Ponche Verde e Lanceiros entregues em Porongos, Del Territ&oacute;rio de La Liga Federal de los Pueblos Libres de Artigas y Guacuray&iacute;, Bruno Lima Rocha, <\/p>\n<p>Neste artigo abordamos a pol&iacute;tica antag&ocirc;nica da Frente Ampla no exerc&iacute;cio do governo uruguaio. Na primeira parte, fazemos o elogio da puni&ccedil;&atilde;o de Bordaberry, Goyo Alvarez e outros criminosos. Na segunda parte, realizo a cr&iacute;tica quanto &agrave; conduta no plebiscito pelo referendo revogat&oacute;rio da Lei de Caducidade e a promo&ccedil;&atilde;o dos oficiais comandantes quando dos assassinatos do Hospital Filtro em agosto de 1994. Esta postagem diz respeito somente para a parte conclusiva do texto.<\/p>\n<p><strong>O inverso na mat&eacute;ria: ao n&atilde;o punir os postos interm&eacute;dios, fazer meia campanha na Lei de Caducidade e promover a hierarquia da Guarda Republicana <br \/>\n<\/strong><br \/>\nEm artigo anterior abordamos o primeiro turno nas elei&ccedil;&otilde;es gerais do Uruguai a partir da &oacute;tica de Mem&oacute;ria, Verdade, Justi&ccedil;a e Puni&ccedil;&atilde;o aos torturadores e autores de crimes de lesa-humanidade. Neste primeiro texto, se reflete o conflito de punir quem fez e n&atilde;o quem faz ou recebeu ordens para fazer. Recordando as vari&aacute;veis que cruzamos, demos &ecirc;nfase que o aumento do quociente eleitoral da Frente Ampla n&atilde;o acompanhou a profundidade punitiva que uma parte desta mesma base frenteamplista estava esperando. Deu-se o oposto. Jos&eacute; Mujica ganhou de Alberto Lacalle no segundo turno de lavada, mas na primeira volta, quando o tema em pauta poderia esquentar a pol&iacute;tica nacional, a FA apostou pouco no referendo revogat&oacute;rio da Lei de Caducidade. Isto, na pr&aacute;tica em se aprovando, poderia levar a uma puni&ccedil;&atilde;o transversal em todo o aparato repressivo do pa&iacute;s que teve o maior n&uacute;mero absoluto de presos durante a Opera&ccedil;&atilde;o Condor. <\/p>\n<p>O problema nesse caso era que quem pedia calma era um ex-ref&eacute;m do governo quando fora preso pol&iacute;tico. Quando Mujica era ministro da Agricultura, Ganader&iacute;a e Pesca, foi seguidas vezes na TV comparando o pagamento da d&iacute;vida externa do Uruguai com a d&iacute;vida que os vizinhos teriam com o dono do armaz&eacute;m da esquina. Na pr&aacute;tica, sua linguagem popular tamb&eacute;m serve de colch&atilde;o para os temas estrat&eacute;gicos absorvendo a simpatia que, somada a pachorra de tipo provinciana e comunit&aacute;ria, acalma os bairros de tradi&ccedil;&atilde;o militante. O mesmo se deu &ndash; e se d&aacute; &ndash; quando o tema gira e torno da puni&ccedil;&atilde;o aos postos interm&eacute;dios da repress&atilde;o no per&iacute;odo duro (pr&eacute; e durante a ditadura uruguaia). <\/p>\n<p>&Eacute; &oacute;bvio que as solu&ccedil;&otilde;es da Frente Ampla s&atilde;o paliativas se compararmos com as demandas da milit&acirc;ncia por direitos humanos no Uruguai. O mesmo vem se dando no governo dos Kirchner na Argentina. O tema das defesas e garantias individuais e a vigil&acirc;ncia sobre o aparato repressivo se voltam, nos governos de esquerda parlamentar, para o passado ditatorial. No Uruguai no momento n&atilde;o h&aacute; presos pol&iacute;ticos, embora o governo de esquerda j&aacute; prendeu gente mais &agrave; esquerda nos &uacute;ltimos quatro anos. J&aacute; o n&uacute;mero de militantes respondendo processos chega quase a uma centena, o que &eacute; muito para um pa&iacute;s com pouco mais de 3 milh&otilde;es e 200 mil residentes. Tamb&eacute;m &eacute; preciso reconhecer que, como de h&aacute;bito, no lado de l&aacute; do Rio da Prata, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais complicada, pois durante os dois mandatos do Justicialismo mais nacionalista e popular, houve mortos, desaparecidos e presos pol&iacute;ticos. Mas, h&aacute; uma semelhan&ccedil;a. <\/p>\n<p>Comparando as pol&iacute;ticas de Uruguai e Argentina atuais, h&aacute; um padr&atilde;o repetido. Ao mesmo tempo em que os pol&iacute;ticos frenteamplistas punem os reconhecidos autores de crimes de lesa-p&aacute;tria e lesa-humanidade de tr&ecirc;s d&eacute;cadas atr&aacute;s, se esquivam diante da defesa dos direitos humanos na democracia contempor&acirc;nea. O &uacute;ltimo assassinato do Estado uruguaio contra manifestantes foi em agosto de 1994, quando uma multid&atilde;o se reuniu para reivindicar o direito de asilo a refugiados pol&iacute;ticos do pa&iacute;s basco, no caso, ativistas ligados ao bra&ccedil;o civil e p&uacute;blico da organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-militar ETA. Era o pen&uacute;ltimo ano do governo blanco de Alberto Lacalle, o mesmo que perdera recentemente o segundo turno das elei&ccedil;&otilde;es para o ex-guerrilheiro Jos&eacute; Mujica tendo como vice ao economista neoliberal Alberto Astori. Na ocasi&atilde;o, em 24 de agosto de 1994, dois jovens com envolvimento em ativistas comunit&aacute;rias perderam a vida recebendo tiros pelas costas da tropa de choque do Minist&eacute;rio do Interior, a temida Guarda Republicana, especificamente do Regimento de Coraceros com apoio de Granaderos. <\/p>\n<p>Na ocasi&atilde;o, Fernando Morroni e Roberto Facal foram assassinados pelas tropas do Minist&eacute;rio do Interior do Uruguai. O primeiro, no correr da luta noturna entre povo e tropas e o segundo, no velho estilo, arrancado de sua casa por comandos policiais em trajes civis. A Justi&ccedil;a do pa&iacute;s reconheceu e condenou aos seguintes oficiais: capit&atilde;o Jacinto Omar Ojeda y o tenente-coronel Juan Miguel Rol&aacute;n que tinham poder de comando sobre os Coraceros, e os majores H&eacute;ctor Dar&iacute;o Dom&iacute;nguez e Miguel Nery Moura como exercendo poder de comando direto sobre os Granaderos. Como se sabe, ambos Regimentos, mais os GEO (na &eacute;poca ainda como vers&atilde;o dos GES) &ndash; for&ccedil;as especiais anti-dist&uacute;rbios e contra-terrorista &ndash; formam a ponta de lan&ccedil;a da repress&atilde;o no interior do pa&iacute;s Hermano. <\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o, pressionado pela sociedade civil, nenhum oficial superior do Regimento de Coraceros vinha sendo promovido. A pr&oacute;pria oligarquia da Banda Oriental, ainda no governo de Alberto Lacalle (Partido Nacional) e posteriormente com Sanguinetti e Jorge Battle (Partido Colorado), n&atilde;o se atrevera a promover os oficiais da unidade que deixou o pa&iacute;s em p&eacute; de guerra. J&aacute; o governo Tabar&eacute; V&aacute;zquez, segundo den&uacute;ncia que ouvi ao vivo de integrantes da Plen&aacute;ria Mem&oacute;ria e Justi&ccedil;a durante o 8&ordm; Encontro Latino Americano de Organiza&ccedil;&otilde;es Populares Aut&ocirc;nomas (Elaopa), realizado em Lagomar, Canelones em fevereiro &uacute;ltimo (2010), aplicou a receita oposta. <\/p>\n<p>O temido Regimento de Coraceros viu a promo&ccedil;&atilde;o na carreira progredir durante o governo do m&eacute;dico oncologista natural do hist&oacute;rico bairro de La Teja (zona oeste da capital). O que nem Lacalle, Sanguinetti ou Battle tiveram a coragem de realizar, mesmo durante a crise econ&ocirc;mica de 2002, a esquerda parlamentar termina por fazer. Os motivos? Uma hip&oacute;tese &eacute; sinalizar para as for&ccedil;as de ordem que uma parcela de seu Poder Moderador segue bem vinda. A outra &eacute; sinalizar para a esquerda mais radicalizada que existe um limite de toler&acirc;ncia no protesto social. No entender deste analista, ambas as respostas s&atilde;o v&aacute;lidas. <\/p>\n<p>\n<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=30362\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sabres dos Coraceros da Guardia Republicana sa\u00edram das bainhas e confrontaram com a parcela de povo oriental organizado que sa\u00edra para as ruas na defesa do direito de asilo. 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