{"id":10493,"date":"2010-03-11T19:05:00","date_gmt":"2010-03-11T19:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1196"},"modified":"2010-03-11T19:05:00","modified_gmt":"2010-03-11T19:05:00","slug":"retaliacao-ainda-que-tardia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10493","title":{"rendered":"Retalia\u00e7\u00e3o ainda que tardia"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/omc.jpg\" title=\"A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC-WTO) serve de arena para o pa\u00eds justificar um conflito limitado onde o discurso do Imp\u00e9rio para o mundo n\u00e3o vale para o interior do pr\u00f3prio Imp\u00e9rio - Foto:brasilescola\" alt=\"A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC-WTO) serve de arena para o pa\u00eds justificar um conflito limitado onde o discurso do Imp\u00e9rio para o mundo n\u00e3o vale para o interior do pr\u00f3prio Imp\u00e9rio - Foto:brasilescola\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC-WTO) serve de arena para o pa\u00eds justificar um conflito limitado onde o discurso do Imp\u00e9rio para o mundo n\u00e3o vale para o interior do pr\u00f3prio Imp\u00e9rio<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:brasilescola<\/small><\/figure>\n<p>11 de mar&ccedil;o de 2010, da Vila Setembrina dos Farrapos tra&iacute;dos e desenganados em Ponche Verde, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) autorizou o Brasil a aplicar san&ccedil;&otilde;es em produtos dos EUA como resposta a uma pol&iacute;tica imperial e desrespeitosa dos acordos internacionais. Entendo que isso &eacute; motivo para comemora&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; de hoje que o pa&iacute;s briga na OMC e em outros f&oacute;runs globais contra os subs&iacute;dios ao setor prim&aacute;rio dos Estados Unidos e de outros centros do capitalismo. Isso se d&aacute; porque, ao contr&aacute;rio do que pregam em receitu&aacute;rio, os pa&iacute;ses de economia desenvolvida admitem ser imposs&iacute;vel sustentar a agricultura sem subsist&ecirc;ncia e tamb&eacute;m destinam bilh&otilde;es em verbas estatais para financiar atividades econ&ocirc;micas, produtivas ou n&atilde;o. Infelizmente, nestas situa&ccedil;&otilde;es, sobram cr&iacute;ticos brasileiros quando temos a rara ocasi&atilde;o de ver o governo se portando de forma correta. Isto &eacute;, com postura de autodetermina&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o se inserindo no mundo de forma subordinada e subalterna. Se h&aacute; cr&iacute;tica, &eacute; pelo fato desse tipo de medida ser rara e n&atilde;o recorrente.<\/p>\n<p>Li com aten&ccedil;&atilde;o a longa lista divulgada pela C&acirc;mara de Com&eacute;rcio Exterior (Camex) contendo os produtos importados dos EUA a serem sobretaxados. Como se sabe, o valor destes itens totaliza US$ 591 milh&otilde;es e o restante do valor para atingir aos US$ 829 milh&otilde;es autorizados pela OMC ser&aacute; aplicado no setor de servi&ccedil;os ou propriedade intelectual. De tudo o que ali consta como importado, hoje n&atilde;o deve haver quase nenhum produto que n&atilde;o possamos produzir em escala consider&aacute;vel. Aquilo que consumimos e n&atilde;o alcan&ccedil;a nossa produ&ccedil;&atilde;o, como o trigo, ter&iacute;amos outras fontes de abastecimento. Ao mesmo tempo, &eacute; nestas horas que percebemos nossa vulnerabilidade diante de um espelho torcido. J&aacute; tem &ldquo;especialista&rdquo; alertando para uma poss&iacute;vel press&atilde;o inflacion&aacute;ria vinda da sobretaxa de produtos que podemos ou fazer aqui, ou comprar de pa&iacute;ses vizinhos (como o trigo argentino e uruguaio). A retalia&ccedil;&atilde;o em termos de balan&ccedil;a comercial tampouco implica em risco. O Brasil importa apenas 13% de seu PIB e exporta em volume proporcional, na ordem de 14% do que circula de riqueza aqui. J&aacute; o volume de exporta&ccedil;&otilde;es dos EUA para o mercado brasileiro representa apenas a 2,5% do que a pot&ecirc;ncia imperial vende. <\/p>\n<p>Um Estado com a pretens&atilde;o mundial do Brasil deve comportar-se como tal. Era de se esperar uma rea&ccedil;&atilde;o imediata dos EUA, mas a mesma foi declarat&oacute;ria, e por enquanto n&atilde;o belicista. Caso venha a sair uma solu&ccedil;&atilde;o negociada, esta ser&aacute; fruto da postura firme de nosso pa&iacute;s em cumprir a resolu&ccedil;&atilde;o da OMC e n&atilde;o em continuar cedendo em uma rela&ccedil;&atilde;o de trocas injustas. Ou seja, este n&atilde;o &eacute; um problema comercial, mas sim da pol&iacute;tica internacional. Est&aacute; aberto o precedente para outras batalhas brasileiras, ou do bloco latino-americano, no cen&aacute;rio mundial. Portanto, a simples decis&atilde;o de partir para a a&ccedil;&atilde;o de retaliar em torno do pre&ccedil;o do algod&atilde;o, como parte da pol&iacute;tica externa brasileira contra os pre&ccedil;os praticados e as condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;neros agr&iacute;colas estadunidenses, &eacute; uma vit&oacute;ria hist&oacute;rica. Aten&ccedil;&atilde;o, a vit&oacute;ria &eacute; sobre n&oacute;s mesmos, como povo e na&ccedil;&atilde;o que por vezes assim se assume. E, como toda poss&iacute;vel vit&oacute;ria pol&iacute;tica, a mesma cobra seu pre&ccedil;o, ainda que alto. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/03\/10\/retaliacao-ainda-que-tardia-272915.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC-WTO) serve de arena para o pa\u00eds justificar um conflito limitado onde o discurso do Imp\u00e9rio para o mundo n\u00e3o vale para o interior do pr\u00f3prio Imp\u00e9rio Foto:brasilescola 11 de mar&ccedil;o de 2010, da Vila Setembrina dos Farrapos tra&iacute;dos e desenganados em Ponche Verde, Bruno Lima Rocha A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10493","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10493\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}