{"id":10494,"date":"2010-03-28T21:50:17","date_gmt":"2010-03-28T21:50:17","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1204"},"modified":"2010-03-28T21:50:17","modified_gmt":"2010-03-28T21:50:17","slug":"o-tripe-das-miserias-politicas-no-brasil-como-vitoria-da-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10494","title":{"rendered":"O trip\u00e9 das mis\u00e9rias pol\u00edticas no Brasil como vit\u00f3ria da direita"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Candangos1.jpg\" title=\"Se a hist\u00f3ria pol\u00edtica dos Candangos tivesse por base as revoltas populares do in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da cidade tombada como patrim\u00f4nio da humanidade e cujas cidades-sat\u00e9lites s\u00e3o parte das mis\u00e9rias do Brasil brasileiro, afirmo com rigor que n\u00e3o haveria espa\u00e7o para boiadas partid\u00e1rias de nenhuma esp\u00e9cie.  - Foto:historia-net\" alt=\"Se a hist\u00f3ria pol\u00edtica dos Candangos tivesse por base as revoltas populares do in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da cidade tombada como patrim\u00f4nio da humanidade e cujas cidades-sat\u00e9lites s\u00e3o parte das mis\u00e9rias do Brasil brasileiro, afirmo com rigor que n\u00e3o haveria espa\u00e7o para boiadas partid\u00e1rias de nenhuma esp\u00e9cie.  - Foto:historia-net\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Se a hist\u00f3ria pol\u00edtica dos Candangos tivesse por base as revoltas populares do in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da cidade tombada como patrim\u00f4nio da humanidade e cujas cidades-sat\u00e9lites s\u00e3o parte das mis\u00e9rias do Brasil brasileiro, afirmo com rigor que n\u00e3o haveria espa\u00e7o para boiadas partid\u00e1rias de nenhuma esp\u00e9cie. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:historia-net<\/small><\/figure>\n<p>28 de mar&ccedil;o de 2010, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>A inten&ccedil;&atilde;o desse texto &eacute; provocar uma reflex&atilde;o &#8211; e inclusive esta pode tomar forma de indigna&ccedil;&atilde;o &#8211; a respeito das pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas mais arraigadas na &ldquo;esquerda&rdquo; dedicada &agrave;s pol&iacute;ticas de massas (partidos eleitorais) e inferir seus efeitos nefastos para a esquerda social como vetor do povo organizado em movimento. Tomamos como exemplo, o fato gerador em linguagem de Paulo Freire, &agrave;s den&uacute;ncias pronunciadas pelo deputado federal Geraldo Magela (PT-DF), e a j&aacute; conhecida nota oficial desse parlamentar sobre uso e abuso do poder econ&ocirc;mico dentro das pr&eacute;vias de sua legenda na capital da rep&uacute;blica no ato da escolha do candidato ao governo distrital. N&atilde;o quero com isso afirmar de maneira imediata que o mesmo tem raz&atilde;o no epis&oacute;dio pontual (ind&iacute;cios dizem que sim, n&atilde;o tenho provas contundentes), e sim entrar em debate te&oacute;rico e construindo uma hip&oacute;tese.<\/p>\n<p><strong>Esta hip&oacute;tese &eacute;: a pr&aacute;tica pol&iacute;tica de conduzir a uma massa de pessoas por interesses imediatos, mata a pol&iacute;tica de longo prazo e qualquer potencial estrat&eacute;gico ou transformador? A manipula&ccedil;&atilde;o de massas opera como mecanismo de mobiliza&ccedil;&atilde;o que refor&ccedil;a o trip&eacute; das mis&eacute;rias pol&iacute;ticas no Brasil, sendo que este trip&eacute; &eacute; estruturado pelo clientelismo, o patrimonialismo e o fisiologismo (incluindo neste o nepotismo)? <\/p>\n<p>A resposta &eacute; sim e sim, e a fundamento na seq&uuml;&ecirc;ncia. <br \/>\n<\/strong><br \/>\nVoltando ao tema, isso n&atilde;o implica afirmar que todas as formas de transporte de manifestantes sejam equivocadas, muito pelo contr&aacute;rio. Apenas refor&ccedil;o a id&eacute;ia que, com maior ou menor compreens&atilde;o, as pessoas devem saber minimamente dos porqu&ecirc;s de estarem lutando. Do contr&aacute;rio, n&atilde;o significa que a luta foi muito ou pouco eficaz. Ali&aacute;s, essa terminologia carrega um conceito essencialmente mercadol&oacute;gico. O problema &eacute; de outra ordem. A experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica libertadora implica na transforma&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica. Se a Id&eacute;ia + o Logos carregando de significa&ccedil;&atilde;o para os que as recebem e transmitem n&atilde;o tiver um horizonte de c&acirc;mbio, ou ao menos de luta reivindicativa, ent&atilde;o est&atilde;o mortas (se est&aacute; por nascer, veio ao mundo j&aacute; moribunda) as vontades de pot&ecirc;ncia de transforma&ccedil;&atilde;o social. Nada estrutural pode ser atingido se a maioria em movimento agir sob maneira tutelada e no curt&iacute;ssimo prazo. <\/p>\n<p>Voltando &agrave;s pr&eacute;vias do PT no DF, quando o ex-ministro dos Esportes de Lula e ex-afiliado ao PC do B ganhara a indica&ccedil;&atilde;o para tentar pousar sobre a carca&ccedil;a de Jos&eacute; Roberto Arruda, tendo ao mui nobre e ilibado ex-senador Joaquim Roriz como concorrente direto, tomemos o epis&oacute;dio como algo ilustrativo. Entendo que o modelo de condu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica atrav&eacute;s da manipula&ccedil;&atilde;o particular de infra-estrutura em tese coletiva transcende o ocorrido e precisa ser debatido. <\/p>\n<p>O dif&iacute;cil de ver e ainda mais a ser admitido pelo senso comum &eacute; saber que o utilitarismo reina e abunda. Isto se d&aacute; tanto no interior das legendas, como em sua rela&ccedil;&atilde;o com a coisa p&uacute;blica quando ocupando postos-chave ou administrando parcelas do poder estatal. Da&iacute; a abrir m&atilde;o de qualquer forma de estrat&eacute;gia (= a luta de longo prazo com inten&ccedil;&otilde;es finalistas), &eacute; um salto &iacute;nfimo. &Eacute; por isso tamb&eacute;m e n&atilde;o apenas para formar maioria no Congresso o porqu&ecirc; de supostos advers&aacute;rios hist&oacute;ricos, ajudarem a empurrar mesma roda de moinho, esmagando as sementes nativas (literalmente) e girando cada vez mais para a direita. Terminam por consolidar esta nova recomposi&ccedil;&atilde;o de camadas dirigentes com fra&ccedil;&otilde;es de classe num grande encontro materializado na mesma composi&ccedil;&atilde;o ministerial. <\/p>\n<p>Se as pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas s&atilde;o marcadas pelo habitus da cultura pol&iacute;tica e as bases da estrat&eacute;gia n&atilde;o existem sem a incorpora&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos e rotinas, ent&atilde;o n&atilde;o deixa de ser uma transfer&ecirc;ncia de m&eacute;todo, uma manipula&ccedil;&atilde;o grosseira, oriunda do cabresto e manifesta na boiada. &Eacute; uma ilus&atilde;o supor que volume &eacute; igual a poder do povo em movimento. Volume de gente pode n&atilde;o significar muito porque, se n&atilde;o houver uma carga m&iacute;nima de compreens&atilde;o dos mobilizados, tudo n&atilde;o passa de um ritual epid&eacute;rmico. <\/p>\n<p>Toda escolha implica a n&atilde;o-escolha de outras partes da mesma decis&atilde;o. O mesmo se d&aacute; quando agregamos uma carga valorativa a um fen&ocirc;meno. Grita-se e com raz&atilde;o: &ldquo;&Agrave;quela maioria que n&atilde;o passa de boiada tocada pelo berrante do chefete pol&iacute;tico!&rdquo; Nesse sentido, os atos de tipo &ldquo;boiada&rdquo; acabam sendo vistos de forma desmerecida. E, se est&aacute; desmoralizada a mobiliza&ccedil;&atilde;o, est&aacute; enterrada a id&eacute;ia de esquerda como vetor social. Para reverter isso &eacute; preciso uma postura de inflexibilidade. <\/p>\n<p><strong>Dialogando por caminhos j&aacute; antes percorridos <br \/>\n<\/strong><br \/>\nA compreens&atilde;o das causas &eacute; a certeza da ades&atilde;o volunt&aacute;ria. Est&aacute; aberto o caminho para coletivos de irredut&iacute;veis, um tipo de afinidade para al&eacute;m dos discursos e proclamas. A ala esquerda da 1&ordf; Internacional (federalista-coletivista) chamava isso de &ldquo;c&iacute;rculo invis&iacute;vel&rdquo;, cuja tradi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica remonta &agrave;s carbon&aacute;rias, que por sua vez beberam na ma&ccedil;onaria liberal-radical francesa (em oposi&ccedil;&atilde;o aos ma&ccedil;ons conservadores de linha inglesa-escocesa). O acionar de minorias de volunt&aacute;rios pode ser a for&ccedil;a motor de uma libera&ccedil;&atilde;o para a atividade pol&iacute;tica a tempo completo em conta gotas e a reeduca&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para reinventar a luta de sentido coletivo. <\/p>\n<p>Repito o que afirmei centenas de vezes. O horizonte ideol&oacute;gico &eacute; a perspectiva de c&acirc;mbio, do contr&aacute;rio, reina o pragmatismo de pior tipo. Na aus&ecirc;ncia de meta pr&oacute;pria, s&oacute; se reage, ou pior, se comp&otilde;e o calend&aacute;rio pol&iacute;tico j&aacute; dado. A aus&ecirc;ncia de conte&uacute;do program&aacute;tico n&atilde;o &eacute; exclusiva dos cons&oacute;rcios econ&ocirc;mico-eleitorais, mas por desgra&ccedil;a das minorias ativas, terminam por ser vistos como basilares para a maioria de movimentos, sindicatos e o associativismo em geral. <\/p>\n<p>A id&eacute;ia de esquerda parlamentar como vers&atilde;o do partido de tipo burgu&ecirc;s (intermedi&aacute;rio composto por operadores pol&iacute;ticos profissionais e de carreira) est&aacute; moribunda e j&aacute; n&atilde;o resta pouco ou nada de estrat&eacute;gico para ser disputado levando em conta apenas vias institucionais. &Eacute; preciso um novo (antigo) processo de acumula&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, sendo que a permeabilidade do aparelho de Estado se d&aacute; mais no convencimento dos trabalhadores do servi&ccedil;o p&uacute;blico do que na ocupa&ccedil;&atilde;o transit&oacute;ria de partes &ndash; grandes ou pequenas &ndash; dos poderes estatais. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=30995\">Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a hist\u00f3ria pol\u00edtica dos Candangos tivesse por base as revoltas populares do in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da cidade tombada como patrim\u00f4nio da humanidade e cujas cidades-sat\u00e9lites s\u00e3o parte das mis\u00e9rias do Brasil brasileiro, afirmo com rigor que n\u00e3o haveria espa\u00e7o para boiadas partid\u00e1rias de nenhuma esp\u00e9cie. 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