{"id":10508,"date":"2010-12-02T17:51:05","date_gmt":"2010-12-02T17:51:05","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1351"},"modified":"2010-12-02T17:51:05","modified_gmt":"2010-12-02T17:51:05","slug":"um-problema-chave-apos-a-acao-belica-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10508","title":{"rendered":"Um problema-chave ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica no Rio"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/21_MHG_rio_bope2.jpg\" title=\"O BOPE sobe o morro, retomando a a\u00e7\u00e3o do Estado na Vila Cruzeiro. A tropa de elite da PM carioca se notabiliza pela viol\u00eancia e n\u00e3o necessariamente pela corrup\u00e7\u00e3o. A dicotomia entre a caveira e o arrego \u00e9 falsa. O conflito de interesses est\u00e1 entre o pleno exerc\u00edcio dos direitos e o ato estatal de p\u00f4r sob suspeita toda uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cr\u00ea numa institui\u00e7\u00e3o policial corrupta.  - Foto:extra\" alt=\"O BOPE sobe o morro, retomando a a\u00e7\u00e3o do Estado na Vila Cruzeiro. A tropa de elite da PM carioca se notabiliza pela viol\u00eancia e n\u00e3o necessariamente pela corrup\u00e7\u00e3o. A dicotomia entre a caveira e o arrego \u00e9 falsa. O conflito de interesses est\u00e1 entre o pleno exerc\u00edcio dos direitos e o ato estatal de p\u00f4r sob suspeita toda uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cr\u00ea numa institui\u00e7\u00e3o policial corrupta.  - Foto:extra\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O BOPE sobe o morro, retomando a a\u00e7\u00e3o do Estado na Vila Cruzeiro. A tropa de elite da PM carioca se notabiliza pela viol\u00eancia e n\u00e3o necessariamente pela corrup\u00e7\u00e3o. A dicotomia entre a caveira e o arrego \u00e9 falsa. O conflito de interesses est\u00e1 entre o pleno exerc\u00edcio dos direitos e o ato estatal de p\u00f4r sob suspeita toda uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cr\u00ea numa institui\u00e7\u00e3o policial corrupta. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:extra<\/small><\/figure>\n<p>02 de dezembro de 2010, da Vila Setembrina de Lanceiros Negros tra&iacute;dos por latifundi&aacute;rios entreguistas, do Continente de Sep&eacute; e Artigas, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>Desde a quinta-feira, 25 de novembro, o pa&iacute;s assiste em tempo real a ofensiva b&eacute;lica contra territ&oacute;rios que s&atilde;o redutos do narcotr&aacute;fico. A grande m&iacute;dia, em especial a televis&atilde;o aberta, afirma convicta que o carioca est&aacute; confiante e ap&oacute;ia a a&ccedil;&atilde;o policial com emprego militar de tipo guerra de baixa intensidade. Como n&atilde;o vi ou li nenhum censo e nem sequer as mais que duvidosas pesquisas de opini&atilde;o (a n&atilde;o ser a pesquisa &ldquo;m&aacute;gica&rdquo; do Ibope, que deu 88% de aprova&ccedil;&atilde;o dos cariocas &agrave; a&ccedil;&atilde;o), este analista resguarda-se ao benef&iacute;cio da d&uacute;vida quanto &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o em massa das medidas tomadas como resposta ao acionar da rede de quadrilhas conhecida como Comando Vermelho (CV). O que sim podemos afirmar sem risco, diz respeito a problemas-chave at&eacute; agora n&atilde;o respondidos por &oacute;rg&atilde;os oficiais, oficiosos, especialistas ou pesquisadores da &aacute;rea. A lista de perguntas &eacute; ampla e ultrapassa o espa&ccedil;o de um artigo. Ressalto aqui a um problema-chave, o do reconhecimento da legitimidade do Estado como ente organizador da vida social destas comunidades.<\/p>\n<p>A percep&ccedil;&atilde;o advinda da obrigatoriedade de ter de morar junto ou perto do conflito pelo controle do com&eacute;rcio ilegal &eacute; distinta. Os moradores do &ldquo;asfalto&rdquo;, categoria onde me inclu&iacute;a at&eacute; mudar-me para o Rio Grande do Sul, percebiam a domina&ccedil;&atilde;o territorial das redes de quadrilha que atuam no varejo do tr&aacute;fico de forma espor&aacute;dica. Caso sejam vizinhos de comunidades (morros, favelas e conjuntos habitacionais favelizados), existe o risco de bala perdida (tiros de fuzil a esmo!) e por tanto, chances reais de perder a vida. J&aacute; para os habitantes das chamadas &ldquo;&aacute;reas de risco&rdquo;, a percep&ccedil;&atilde;o do conflito &eacute; permanente. <\/p>\n<p>Entramos aqui no problema, o da legitimidade das for&ccedil;as da ordem diante de uma popula&ccedil;&atilde;o abandonada &agrave; pr&oacute;pria sorte por quase trinta anos. Os moradores de comunidades viram como em pouco mais de uma gera&ccedil;&atilde;o, transformou-se em cultura aquilo que era c&oacute;digo de sobreviv&ecirc;ncia. A domina&ccedil;&atilde;o territorial de um espa&ccedil;o da cidade embora n&atilde;o urbanizado leva ao conflito de identidades e a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o de ter de obedecer a dois poderes simult&acirc;neos. Digo mais, n&atilde;o apenas obedecer, mas gerar ades&atilde;o, sentindo-se c&uacute;mplices ou pelo menos &ldquo;compreensivos&rdquo; das exig&ecirc;ncias de um ou outro poder. &Eacute; sabido que quando os narcotraficantes t&ecirc;m arraigo nos seus locais, a sensa&ccedil;&atilde;o de ordem e bem estar &eacute; maior do que o abandono do Estado ou, para piorar, a &ldquo;invas&atilde;o&rdquo; de for&ccedil;as externas, como a pr&oacute;pria PM, uma fac&ccedil;&atilde;o rival ou os paramilitares. J&aacute; a rela&ccedil;&atilde;o com o Estado, al&eacute;m de ser deficiente, &eacute; sempre de desconfian&ccedil;a. Como &eacute; poss&iacute;vel confiar numa institui&ccedil;&atilde;o policial cuja imagem, at&eacute; o in&iacute;cio da a&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica, era avaliada como sendo violenta e endemicamente corrupta? <\/p>\n<p>Esse &eacute; o problema de fundo, e para a ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, trata-se do leg&iacute;timo exerc&iacute;cio da autoridade. Se os moradores de comunidades n&atilde;o puderem ver uma pol&iacute;tica transparente por parte das pol&iacute;cias, com puni&ccedil;&atilde;o severa, sum&aacute;ria e exemplar de atos conden&aacute;veis cometidos por seus membros (como saques tipo esp&oacute;lio de guerra); o fim da cobran&ccedil;a de suborno semanal junto ao tr&aacute;fico (o &ldquo;arrego&rdquo;); e acabar de vez com o famigerado &ldquo;esculacho&rdquo; (humilha&ccedil;&atilde;o violenta de indiv&iacute;duos &ldquo;suspeitos&rdquo; na frente de vizinhos), n&atilde;o h&aacute; a&ccedil;&atilde;o b&eacute;lica que devolva a legitimidade ao estado do Rio de Janeiro em &aacute;reas conflagradas. No caso do Rio, se n&atilde;o houver atendimento dos plenos direitos da popula&ccedil;&atilde;o sem criminalizar as reivindica&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas, n&atilde;o adianta p&ocirc;r tanque de guerra na viela porque a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vai aderir. E, como sabe todo e qualquer operador pol&iacute;tico, na aus&ecirc;ncia do consentimento, s&oacute; restar&aacute; o exerc&iacute;cio da tirania. Espero, sincera e honestamente, estar enganado quanto a estes progn&oacute;sticos. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/noblat\/posts\/2010\/12\/01\/um-problema-chave-apos-acao-belica-no-rio-345625.asp\">Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat <\/p>\n<p><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O BOPE sobe o morro, retomando a a\u00e7\u00e3o do Estado na Vila Cruzeiro. A tropa de elite da PM carioca se notabiliza pela viol\u00eancia e n\u00e3o necessariamente pela corrup\u00e7\u00e3o. A dicotomia entre a caveira e o arrego \u00e9 falsa. 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