{"id":1051,"date":"2009-06-22T03:00:36","date_gmt":"2009-06-22T03:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1051"},"modified":"2009-06-22T03:00:36","modified_gmt":"2009-06-22T03:00:36","slug":"o-esporte-de-base-e-a-omissao-do-estado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1051","title":{"rendered":"O esporte de base e a omiss\u00e3o do Estado"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/canto_reacao_rocinha.jpg\" title=\"Exemplos como este, deveriam passar pela rede p\u00fablica de ensino, e n\u00e3o apenas contar com a boa vontade e o voluntarismo de atletas de ponta, como o judoca Fl\u00e1vio Canto. - Foto:\" alt=\"Exemplos como este, deveriam passar pela rede p\u00fablica de ensino, e n\u00e3o apenas contar com a boa vontade e o voluntarismo de atletas de ponta, como o judoca Fl\u00e1vio Canto. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Exemplos como este, deveriam passar pela rede p\u00fablica de ensino, e n\u00e3o apenas contar com a boa vontade e o voluntarismo de atletas de ponta, como o judoca Fl\u00e1vio Canto.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>Vila Setembrina dos Farrapos, Continente do Rio Grande de S&atilde;o Sep&eacute;, 27 de junho de 2006<\/p>\n<p>A Copa do Mundo da Alemanha apresenta investimentos astron&ocirc;micos destinados ao esporte de alto rendimento. Assim acontece no Brasil, do futebol ao esporte menos praticado. O mau exemplo come&ccedil;a na pr&oacute;pria CBF, gestora do &ldquo;produto&rdquo; sele&ccedil;&atilde;o brasileira de futebol. Repete-se o problema no tratamento dado ao esporte de base no Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Brasileiro (COB) e no pr&oacute;prio Minist&eacute;rio do Esporte.<\/p>\n<p>Por ironia da hist&oacute;ria, puseram um homem do PC do B neste minist&eacute;rio. Agnelo Queiroz n&atilde;o fez jus &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses do extinto Leste Europeu, ou mesmo de Cuba, com bloqueio econ&ocirc;mico h&aacute; mais de 40 anos e ainda assim pot&ecirc;ncia ol&iacute;mpica. A alian&ccedil;a com as oligarquias mais atrasadas do Brasil foi reproduzida nos acordos do governo Lula com a bancada da bola e os holofotes de Carlos Arthur Nuzman. Na berlinda ficou quem j&aacute; estava, as milh&otilde;es de crian&ccedil;as em situa&ccedil;&atilde;o de risco urgentemente necessitadas do apoio do Minist&eacute;rio para o esporte de base.<\/p>\n<p>O exemplo da CBF &eacute; emblem&aacute;tico. O produto sele&ccedil;&atilde;o &eacute; super explorado, muito bem gerido e globalizado. Agora, a gest&atilde;o da entidade maior do esporte mais praticado no Brasil, al&eacute;m de suas habituais &ldquo;jogadas&rdquo;, n&atilde;o organiza e planifica as categorias de base, que por sinal, nem calend&aacute;rio nacional tem. Isto sem falar na falta de regula&ccedil;&atilde;o das transa&ccedil;&otilde;es, envolvendo jogadores menores de idade. Proporcionalmente, ocorre nas sele&ccedil;&otilde;es o mesmo que na profissional. Cuidado com o produto final e descaso com a sociedade que o formou. O padr&atilde;o de nosso time &eacute; de primeira, do roupeiro ao t&eacute;cnico, s&atilde;o todos profissionais muito capacitados. As instala&ccedil;&otilde;es da Granja Comary, da sede da Confedera&ccedil;&atilde;o, o acompanhamento m&eacute;dico, a nutri&ccedil;&atilde;o, enfim, tudo o que pode fazer uma equipe competitiva, e na maioria das vezes vencedora, o Brasil tem. Mas, lembremos, essa &eacute; a ponta. J&aacute; na base, a bola &eacute; a par&oacute;dia da vida brasileira, correto? Portanto, como haveria de estar a base?<\/p>\n<p>N&atilde;o pretendemos ficar respondendo a perguntas &oacute;bvias, nem tampouco nos concentrando apenas em falar de futebol para pegar carona na copa organizada pelo lugar-tenente de Jo&atilde;o Havelange. O problema do esporte est&aacute; al&eacute;m das gloriosas conquistas da canarinho. &Eacute; um tema de fundo, e pela gravidade da situa&ccedil;&atilde;o de nossas periferias, se torna quest&atilde;o de Estado. A encruzilhada est&aacute; justamente a&iacute;. Ningu&eacute;m sabe o que quer e como cobrar o rendimento do esporte de base no Brasil. Os indicadores, quando os projetos s&atilde;o bem feitos, apontam n&uacute;meros insuper&aacute;veis. E a&iacute; mora mais um perigo e problema. N&atilde;o temos um modelo de desenvolvimento desportivo; temos um neg&oacute;cio chamado terceiro setor, ocupando uma franja &ldquo;deixada ao Deus quem sabe um dia dar&aacute; algo&rdquo;. Isto &eacute;, mais uma omiss&atilde;o do poder p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Do mesmo modo que Ant&ocirc;nio Palocci afirmou nada poder fazer contra os rumos macro-econ&ocirc;micos pr&eacute;-tra&ccedil;ados, Agnelo Queiroz nada fez para combater a &ldquo;bancada da bola&rdquo; e a suc&ccedil;&atilde;o de recursos esportivos para o alto rendimento. Grandes resultados e mega-eventos trazem muita m&iacute;dia. Vitrine esta, bem mais barata do que os bilh&otilde;es gastos em &ldquo;propaganda institucional&rdquo; nos &uacute;ltimos meses de pr&eacute;-campanha eleitoral. Situa&ccedil;&atilde;o semelhante viveu o rec&eacute;m-falecido jornalista Daniel Herz, co-autor do programa de democracia na comunica&ccedil;&atilde;o cujas linhas, diretrizes e conceitos n&atilde;o foram aplicados em sequer uma v&iacute;rgula. O mesmo se deu no esporte. Luiz In&aacute;cio e Jos&eacute; Dirceu tiveram as melhores cabe&ccedil;as do jornalismo esportivo a seu favor. Usaram e abusaram de sua credibilidade, para depois n&atilde;o executar nada do que havia sido programado. Detalhe, assim como no programa escrito para a &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o, no esporte em geral e, especificamente, no futebol, o programa foi encomendado pelo ent&atilde;o &ldquo;N&uacute;cleo Duro&rdquo; do governo. Nada foi implementado e ainda por cima tentam a todo custo aprovar a Timemania. Salvar&atilde;o clubes da &ldquo;fal&ecirc;ncia&rdquo;, mas sem intervir em nenhuma institui&ccedil;&atilde;o cujas contas s&atilde;o no m&iacute;nimo suspeitas; sempre assegurando a co-gest&atilde;o ente clubes, empres&aacute;rios da bola e os cartolas &ldquo;amadores&rdquo; que enriquecem com o futebol.<\/p>\n<p>Do outro lado da grade, temos milh&otilde;es de jovens com pouca ou nenhuma forma&ccedil;&atilde;o, com muita chance de &ldquo;fazerem carreira&rdquo; na vida do subemprego estrutural e sonhando com uma chance no esporte profissional. Como n&atilde;o temos uma estrutura de base definida, a escola p&uacute;blica n&atilde;o d&aacute; conta de cumprir seu processo de socializa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica atrav&eacute;s do esporte. No artigo anterior, afirmamos as ra&iacute;zes do futebol amador e o tecido social brasileiro. Mas, e os outros esportes? E no pr&oacute;prio futebol, quem organiza a massa de jovens amadores? &Eacute; a escola, &eacute; a secretaria municipal ou estadual dos esportes, s&atilde;o os centros de excel&ecirc;ncia, as escolinhas privadas, os pr&oacute;prios clubes de competi&ccedil;&atilde;o ou nenhum deles?<\/p>\n<p>Na aus&ecirc;ncia de modelo, repetimos uma mescla de solu&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas, que n&atilde;o nos trazem estrutura&ccedil;&atilde;o definitiva. Nestes tempos de p&oacute;s-Consenso de Washington e &ldquo;admira&ccedil;&atilde;o&rdquo; gerencial do pa&iacute;s de Bush Jr., alguns modelos deles n&atilde;o s&atilde;o aqui implementados. Nos Estados Unidos, cabem as escolas p&uacute;blicas o papel de universalizar o acesso ao esporte de competi&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m das aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (obrigat&oacute;rias), todas as escolas de primeiro e segundo grau t&ecirc;m equipes das mais variadas modalidades e competem entre si em escala regional, estadual e cuja pir&acirc;mide chega &agrave;s finais nacionais. A partir do 2&ordm; grau, a peneira fica mais dif&iacute;cil, sendo que os programas de universidades, a&iacute; sim, privadas, estaduais ou &ldquo;comunit&aacute;rias&rdquo; (mas de fato todas pagas), d&atilde;o bolsas aos atletas de alto rendimento.<\/p>\n<p>Sabemos que este modelo tr&aacute;s em si uma carga de competi&ccedil;&atilde;o brutal, isso em uma sociedade com estrutura simb&oacute;lica menos diversificada do que a brasileira. Ainda assim, chamo a aten&ccedil;&atilde;o para um modelo coerente e que funciona, da base ao alto rendimento.<\/p>\n<p>O mesmo se d&aacute; em Cuba, cuja experi&ecirc;ncia foi reprodutora dos pa&iacute;ses de Capitalismo de Estado da antiga &ldquo;Cortina de Ferro&rdquo;. O conceito em si, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; muito nenhum saud&aacute;vel. Incentivando o esporte ol&iacute;mpico como proje&ccedil;&atilde;o de um Estado e forma de governo, tinha no desporto a v&aacute;lvula de escape das amarguras de uma sociedade fechada. Ainda assim, mais uma vez repetimos, &eacute; um modelo que funciona, mesmo sem condi&ccedil;&otilde;es materiais &agrave; altura, como &eacute; o caso cubano atual. Considerando a trajet&oacute;ria pol&iacute;tica do atual ministro Orlando Silva de Jesus, este como sucessor de seu correligion&aacute;rio de PC do B, Agnelo Queiroz, fica uma d&uacute;vida. Ser&aacute; que esta equipe esqueceu de seus pr&oacute;prios pressupostos? Isto porque, por mais horrorosa que fosse a experi&ecirc;ncia social stalinista, no esporte ela funcionou, e bem.<\/p>\n<p>Em quatro anos, ao menos um outro modelo poderia ter sido posto &agrave; prova. Poderia, mas n&atilde;o foi. Vejamos o belo projeto Escola Aberta. Feito na boa vontade, suor e ra&ccedil;a de milhares de volunt&aacute;rios em todo o Brasil, sua verba total em 2004 (a oriunda do governo da Uni&atilde;o) foi de R$ 6 milh&otilde;es, metade do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e a outra metade do Minist&eacute;rio do Trabalho e do Emprego. Detalhe &eacute; que de cada tr&ecirc;s atividades do Escola Aberta, duas s&atilde;o pr&aacute;ticas desportivas ou das chamadas &aacute;reas correlatas. N&atilde;o que este projeto seja exclusivamente voltado para o esporte, mas seus oficineiros, monitores, pais, professores e alunos terminam montando equipes nas escolas. Obviamente, na maioria das vezes, estes times de diversas modalidades s&atilde;o custeados com parcos recursos pr&oacute;prios. Como sempre, nas finais de torneios escolares abundam nobres representantes da classe pol&iacute;tica, posando de eficientes gestores do suor alheio.<\/p>\n<p>&Eacute; certo que o Projeto Escola Aberta &eacute; realizado em co-gest&atilde;o com a Unesco e em parceria com governos estaduais e municipais. Muitas vezes, os estados afirmam estes conv&ecirc;nios por conta pr&oacute;pria, vinculando-se &agrave;s mega empresas do chamado terceiro setor. Outra vez, n&atilde;o remuneram aos seus oficineiros e apontam a &ldquo;grande sa&iacute;da&rdquo; para o desenvolvimento da cultura, do esporte e da sociedade civil brasileira. Mais isen&ccedil;&atilde;o fiscal. N&atilde;o precisamos perder tempo aqui identificando as super ONGs, sempre ativas parceiras volunt&aacute;rias de gabinetes de primeiras damas e outras estruturas de &ldquo;grande utilidade&rdquo; no aparelho estatal brasileiro. Tamanha aus&ecirc;ncia de governo acaba gerando mais frustra&ccedil;&atilde;o para milhares de estagi&aacute;rios de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, ainda jovens idealistas do esporte como forma de socializa&ccedil;&atilde;o e que quase nunca recebem suas &ldquo;vultosas&rdquo; bolsas de R$ 130,00 por m&ecirc;s.<\/p>\n<p>Por fim, cabe uma reflex&atilde;o. As faculdades de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica est&atilde;o super lotadas, o mercado de trabalho para estes profissionais diminui a cada dia, temos uma academia de gin&aacute;stica por esquina e ainda assim n&atilde;o existe um plano nacional de desenvolvimento do esporte de base, que funcione. V&atilde;o p&ocirc;r a culpa na heran&ccedil;a maldita, ali&aacute;s, deveras amaldi&ccedil;oada. Mas, ap&oacute;s quatro anos, algo distinto da adula&ccedil;&atilde;o de cartolas e empres&aacute;rios, poderia ter sido feito.<\/p>\n<p>Como nada fizeram e possivelmente quase nada far&atilde;o, nos resta apoiar aos oficineiros e volunt&aacute;rios do esporte, an&ocirc;nimos ativistas que fazem a diferen&ccedil;a nas quadras e terrenos baldios Brasil adentro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exemplos como este, deveriam passar pela rede p\u00fablica de ensino, e n\u00e3o apenas contar com a boa vontade e o voluntarismo de atletas de ponta, como o judoca Fl\u00e1vio Canto. 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