{"id":10513,"date":"2011-03-04T08:49:49","date_gmt":"2011-03-04T08:49:49","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1397"},"modified":"2011-03-04T08:49:49","modified_gmt":"2011-03-04T08:49:49","slug":"24-de-fevereiro-de-2011-coluna-de-amy-goodman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10513","title":{"rendered":"24 de fevereiro de 2011 &#8211; Coluna de Amy Goodman"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/egyptwisconsin.jpg\" title=\"Em um dos protestos no Cairo, jovem exibe cartaz solid\u00e1rio \u00e0 luta dos sindicatos estadunidenses: \u201cEgito ap\u00f3ia os trabalhadores de Wisconsin: o mesmo mundo, a mesma dor\u201d. - Foto:leftcom\" alt=\"Em um dos protestos no Cairo, jovem exibe cartaz solid\u00e1rio \u00e0 luta dos sindicatos estadunidenses: \u201cEgito ap\u00f3ia os trabalhadores de Wisconsin: o mesmo mundo, a mesma dor\u201d. - Foto:leftcom\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Em um dos protestos no Cairo, jovem exibe cartaz solid\u00e1rio \u00e0 luta dos sindicatos estadunidenses: \u201cEgito ap\u00f3ia os trabalhadores de Wisconsin: o mesmo mundo, a mesma dor\u201d.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:leftcom<\/small><\/figure>\n<p><strong>Levantes populares: do Oriente M&eacute;dio ao Meio-Oeste<\/strong><\/p>\n<p>Cerca de oitenta mil pessoas marcharam no s&aacute;bado, 19 de fevereiro, ao Capit&oacute;lio do estado de Wisconsin, em Madison, como parte de um crescente protesto contra a tentativa brilhante do governador republicano Scott Walker n&atilde;o s&oacute; de acossar os sindicatos que agregam empregados p&uacute;blicos, mas tamb&eacute;m de desarticul&aacute;-los. O levante popular de Madison ocorre imediatamente ap&oacute;s acontecimentos do Oriente M&eacute;dio. Um estudante universit&aacute;rio, veterano da guerra do Iraque, levava um cartaz que dizia &ldquo;Fui ao Iraque e regressei para o Egito?&rdquo;. Outro dizia: &ldquo;Walker: o Mubarak do Meio-Oeste&rdquo;.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, em Madison circulou a foto de um jovem numa manifesta&ccedil;&atilde;o no Cairo com um cartaz que dizia &ldquo;Egito ap&oacute;ia os trabalhadores de Wisconsin: o mesmo mundo, a mesma dor&rdquo;. Enquanto isso, na tentativa de destituir o eterno ditador Muammar Gaddafi, os l&iacute;bios seguem desafiando a ofensiva violenta do governo, ao mesmo tempo em que mais de 10 mil pessoas marcharam na ter&ccedil;a-feira, 22 de fevereiro, em Columbus, Ohio, para oporem-se &agrave; tentativa do governador republicano John Kasich de dar um golpe de estado via legislativo contra as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais. <\/p>\n<p>H&aacute; apenas algumas semanas, a solidariedade entre jovens eg&iacute;pcios e policiais de Wisconsin, ou entre trabalhadores l&iacute;bios e empregados p&uacute;blicos de Ohio, seria inacredit&aacute;vel. <\/p>\n<p>O levante na Tun&iacute;sia foi provocado pelo suic&iacute;dio de um jovem chamado Mohamed Bouazizi, universit&aacute;rio egresso de 26 anos, que n&atilde;o conseguiu encontrar trabalho em sua profiss&atilde;o. Enquanto vendia frutas e verduras no mercado, em diversas oportunidades fora v&iacute;tima de maltrato por parte das autoridades tunisianas, que em dado momento acabaram lhe confiscando a balan&ccedil;a. Completamente desesperado, ateou fogo em si mesmo, fa&iacute;sca que incendiou os protestos que se converteram em uma onda revolucion&aacute;ria no Oriente M&eacute;dio e Norte da &Aacute;frica. H&aacute; d&eacute;cadas a popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o vive sob ditaduras &ndash; muitas das quais recebem ajuda militar dos Estados Unidos. O povo sofre com viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos, al&eacute;m de padecerem com baixos sal&aacute;rios, altas taxas de desemprego e praticamente nenhuma liberdade de express&atilde;o. Tudo isto enquanto as elites acumulam fortunas. <\/p>\n<p>Nos conflitos que vemos hoje em Wisconsin e Ohio existe um plano de fundo semelhante. A &ldquo;Grande Recess&atilde;o&rdquo; de 2008, segundo o economista Dean Baker, come&ccedil;ou seu trig&eacute;simo s&eacute;timo m&ecirc;s sem sinais de melhoria. Em um documento recente, Baker disse que, devido &agrave; crise financeira, &ldquo;muitos pol&iacute;ticos argumentam que &eacute; necess&aacute;rio reduzir de forma dr&aacute;stica as generosas aposentadorias do setor p&uacute;blico, e que &eacute; poss&iacute;vel n&atilde;o cumprir com as obriga&ccedil;&otilde;es previdenci&aacute;rias j&aacute; assumidas. Boa parte do d&eacute;ficit no sistema previdenci&aacute;rio deve-se &agrave; queda da bolsa de valores nos anos 2007-2009&rdquo;. <\/p>\n<p>Em outras palavras, os mascates de Wall Street que vendiam as complexas a&ccedil;&otilde;es respaldadas por hipotecas respons&aacute;veis por provocar o colapso financeiro s&atilde;o os culpados pelo d&eacute;ficit nas pens&otilde;es. O jornalista vencedor do pr&ecirc;mio Pulitzer, David Cay Johnston, disse recentemente: &ldquo;O servidor estatal m&eacute;dio de Wisconsin ganha U$ 24,5 mil ao ano. N&atilde;o se trata de uma grande aposentadoria; 15% do valor anual s&atilde;o repassados a Wall Street pela administra&ccedil;&atilde;o da soma total. &Eacute; realmente uma porcentagem demasiada alta para pagar Wall Street por administrar o dinheiro&rdquo;. <\/p>\n<p>Assim, enquanto a banca de truques retira uma enorme porcentagem dos fundos previdenci&aacute;rios, os trabalhadores s&atilde;o demonizados e lhes pedem que fa&ccedil;am sacrif&iacute;cios. Os que provocaram o problema vigente logo obtiveram resgates generosos, recebem agora alt&iacute;ssimos sal&aacute;rios e bonifica&ccedil;&otilde;es e sequer s&atilde;o responsabilizados. Se rastrearmos a origem do dinheiro, chegaremos &agrave; conclus&atilde;o de que a campanha de Walker foi financiada pelos tristemente c&eacute;lebres irm&atilde;os Koch, grandes patrocinadores das organiza&ccedil;&otilde;es que formam o movimento conservadortea party. Al&eacute;m disso, doaram um milh&atilde;o de d&oacute;lares &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o de Governadores Republicanos, que outorgou um apoio significativo &agrave; campanha de Walker. Seria por acaso surpreendente que Walker ap&oacute;ie &agrave;s empresas ao lhes outorgar isen&ccedil;&otilde;es impositivas e que lance uma grande campanha contra os empregados do setor p&uacute;blico sindicalizados? <\/p>\n<p>Um dos sindicatos que Walter e Kasich (em Ohio) t&ecirc;m na mira &eacute; a Federa&ccedil;&atilde;o Estadunidense de Empregados Estatais, de Condados e Municipais (AFSCME, em sua sigla em ingl&ecirc;s). O sindicato foi fundado em 1932, em meio &agrave; Grande Depress&atilde;o, em Madison. Tem 1,6 milh&otilde;es de filiados, entre os quais enfermeiros, agentes penitenci&aacute;rios, pessoal de creches, t&eacute;cnicos de emerg&ecirc;ncias m&eacute;dicas e trabalhadores da sa&uacute;de. <\/p>\n<p>Vale recordar, neste m&ecirc;s da Hist&oacute;ria Negra, que a luta dos trabalhadores da sa&uacute;de do local n&ordm; 1733 de AFSCME fez com que Dr. Martin Luther King Jr. fosse a Memphis, Tennessee, em abril de 1968. Como me disse o Reverendo Jesse Jackson quando march&aacute;vamos juntos aos estudantes e seus professores sindicalizados em Madison na ter&ccedil;a-feira passada: &ldquo;O &uacute;ltimo ato do Dr. King sobre a terra, sua viagem a Memphis, Tennessee, se dera pelo direito dos trabalhadores de negociar conv&ecirc;nios coletivos de trabalho e o direito ao desconto da cota sindical de seu sal&aacute;rio. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel beneficiar os ricos, enquanto se deixa os pobres sem nada&rdquo;. <br \/>\nOs trabalhadores do Egito, formando uma coaliz&atilde;o extraordin&aacute;ria com os jovens, tiveram um papel decisivo na derrubada do regime desse pa&iacute;s. Nas ruas de Madison, diante da c&uacute;pula do Capit&oacute;lio, est&aacute; se produzindo outra mostra de solidariedade. Os trabalhadores de Wisconsin fizeram concess&otilde;es em seus sal&aacute;rios e aposentadorias, mas n&atilde;o renunciar&atilde;o ao direito de negociar conv&ecirc;nios coletivos de trabalho. Neste momento seria inteligente que Walker negociasse. N&atilde;o &eacute; uma boa &eacute;poca para os tiranos.<\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <br \/>\nDenis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto en ingl&ecirc;s traducido por Mercedes Camps, editado por Gabriela D&iacute;az Cortez y Democracy Now! en espa&ntilde;ol, spanish@democracynow.org <\/p>\n<p>Texto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha. Publicado originalmente em portugu&ecirc;s e com autoriza&ccedil;&atilde;o de Democracy Now! sempre por Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um dos protestos no Cairo, jovem exibe cartaz solid\u00e1rio \u00e0 luta dos sindicatos estadunidenses: \u201cEgito ap\u00f3ia os trabalhadores de Wisconsin: o mesmo mundo, a mesma dor\u201d. Foto:leftcom Levantes populares: do Oriente M&eacute;dio ao Meio-Oeste Cerca de oitenta mil pessoas marcharam no s&aacute;bado, 19 de fevereiro, ao Capit&oacute;lio do estado de Wisconsin, em Madison, como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10513","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10513"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10513\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}