{"id":10519,"date":"2011-05-04T17:32:04","date_gmt":"2011-05-04T17:32:04","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1435"},"modified":"2011-05-04T17:32:04","modified_gmt":"2011-05-04T17:32:04","slug":"refletindo-a-respeito-da-execucao-de-bin-laden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10519","title":{"rendered":"Refletindo a respeito da execu\u00e7\u00e3o de Bin Laden"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/osama.jpg\" title=\"A elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Bin Laden foi objeto de espetaculariza\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e n\u00e3o de cobertura investigativa. Muito parecido com o comportamento da m\u00eddia ocidental ap\u00f3s o 11 de setembro. - Foto:newsnet5\" alt=\"A elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Bin Laden foi objeto de espetaculariza\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e n\u00e3o de cobertura investigativa. Muito parecido com o comportamento da m\u00eddia ocidental ap\u00f3s o 11 de setembro. - Foto:newsnet5\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Bin Laden foi objeto de espetaculariza\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e n\u00e3o de cobertura investigativa. Muito parecido com o comportamento da m\u00eddia ocidental ap\u00f3s o 11 de setembro.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:newsnet5<\/small><\/figure>\n<p>04 de maio de 2011, da Vila Setembrina, <em>Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p><\/em>H&aacute; momentos na hist&oacute;ria da humanidade em que o ato de analisar na forma de texto um acontecimento pode ser enfadonho por repetitivo. Passaram-se poucos dias do assassinato de Osama Bin Laden na cidade de Abbotabad, local esse, como &eacute; j&aacute; sabido, localizado a cerca de 50 quil&ocirc;metros da capital Islamabad e sede de uma prestigiada Academia Militar Paquistanesa. O que nos resta agora, neste segundo texto de an&aacute;lise (o primeiro a ser postado, mas o segundo a ser escrito), &eacute; fazer ila&ccedil;&otilde;es mais que delicadas, buscando entender a complexidade desse mundo quase unipolar e para nada multipolarizado. O desafio &eacute; faz&ecirc;-lo sem deixar de nos posicionarmos, pois toda an&aacute;lise dever produzida com a mesma frieza operacional de quem executa sua predi&ccedil;&atilde;o. Para tanto, modestamente elencamos tr&ecirc;s fatores &ndash; dos v&aacute;rios que aqui poderiam estar presentes &ndash; reconhecendo-os como complementares do argumento principal exposto em outro artigo. Vejamos.<\/p>\n<p><strong>A m&iacute;dia do Ocidente &eacute; uma ind&uacute;stria c&uacute;mplice de seu complexo industrial-militar <\/p>\n<p><\/strong>Houve e segue existindo mais do mesmo. Falo dos ocorridos ap&oacute;s o 11 de setembro de 2001 novamente. E n&atilde;o apenas da Fox News e sua cobertura esdr&uacute;xula e absurda. Podemos generalizar a cumplicidade de sempre da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica de fala inglesa. O assassinato de Osama Bin Laden, membro da fam&iacute;lia real saudita e ex-aliado dos EUA foi o evento de maior repercuss&atilde;o do ano. Ap&oacute;s o an&uacute;ncio, quase tudo j&aacute; foi dito tamb&eacute;m do ponto de vista da cr&iacute;tica da m&iacute;dia e do vi&eacute;s informativo como em an&aacute;lises e predi&ccedil;&otilde;es futuras a respeito do comportamento desses agentes econ&ocirc;micos de produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o acelerada de bens simb&oacute;licos. <\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o da narrativa passa por descrever e identificar o personagem em quest&atilde;o como alvo da opera&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a&iacute; que mora a omiss&atilde;o da verdade. Embora seja um factual hist&oacute;rico irrefut&aacute;vel, os maiores conglomerados midi&aacute;ticos de l&iacute;ngua inglesa, durante as posteriores 48 horas do an&uacute;ncio da elimina&ccedil;&atilde;o de Osama, pouca ou nenhuma refer&ecirc;ncia fizeram a rede dos afeganis. Este era o termo empregado pelos integristas que se voluntariavam como mudjahiddins da &ldquo;causa justa&rdquo; contra a ocupa&ccedil;&atilde;o do Afeganist&atilde;o pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. A controv&eacute;rsia se dava, porque, segundo o discurso mais &ldquo;patri&oacute;tico&rdquo; vindo do Imp&eacute;rio, fazer esta rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica entre criatura e criador, seria considerado um &ldquo;desrespeito&rdquo; com a mem&oacute;ria das v&iacute;timas do 11 de setembro de 2001. Ao omitir a origem da criatura, a ind&uacute;stria da m&iacute;dia do Ocidente porta-se como c&uacute;mplice dos crimes de lesa-humanidade de seus criadores. No caso, refiro-me as atividades sempre inconfess&aacute;veis dos servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia dos EUA, do Egito de Sadat e Mubarak e dos israelenses ao apoiar o esfor&ccedil;o da ent&atilde;o justa resist&ecirc;ncia afeg&atilde; contra a ocupa&ccedil;&atilde;o da extinta URSS. <br \/>\nO aliado estrat&eacute;gico em quem o Imp&eacute;rio n&atilde;o pode confiar. <\/p>\n<p>Embora seja um absurdo pela &oacute;tica do direito internacional, em termos b&eacute;licos a presun&ccedil;&atilde;o imperial tem sua raz&atilde;o de ser. Do ponto de vista operacional o Comando Conjunto das For&ccedil;as Especiais dos EUA n&atilde;o poderia ter avisado as autoridades em Islamabad. Se o aparelho de intelig&ecirc;ncia do Paquist&atilde;o est&aacute; seriamente comprometido com as redes integristas, &eacute; poss&iacute;vel ent&atilde;o tra&ccedil;ar um paralelo com as elites dirigentes de outro aliado hist&oacute;rico dos EUA, a Ar&aacute;bia Saudita. Considerando que a infiltra&ccedil;&atilde;o dentro de uma estrutura compartimentada n&atilde;o &eacute; tarefa simples e tampouco de prazo curto, pois ent&atilde;o se trata de um problema &ndash; do ponto de vista da intelig&ecirc;ncia estadunidense &ndash; com longa dura&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A rela&ccedil;&atilde;o entre identidade isl&acirc;mica, radicalidade no sentido da cren&ccedil;a e engajamento armado, no Paquist&atilde;o, &eacute; cercada pelos dois lados do territ&oacute;rio do pa&iacute;s. Na Caxemira, como elemento de liga&ccedil;&atilde;o e com controladores militares paquistaneses, operando com redes de militantes dentro de um terreno sob controle indiano e com fronteiras fict&iacute;cias. E no pr&oacute;prio Afeganist&atilde;o, com as redes advindas tanto das rela&ccedil;&otilde;es tribais &ndash; das fronteiras tamb&eacute;m como fic&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica em zonas de identidade tribal acima de qualquer no&ccedil;&atilde;o de Estado &ndash; como no esfor&ccedil;o de guerra oriundo da Guerra Fria. Ambas as formas de &ldquo;contamina&ccedil;&atilde;o&rdquo; da seguran&ccedil;a e intelig&ecirc;ncia paquistanesa v&ecirc;m sendo retroalimentas pelas &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es carnais&rdquo; dos dirigentes do Paquist&atilde;o oriundos das elites militares e os &ldquo;g&ecirc;nios&rdquo; de Langley, Washington DC e companhia. Na regra do vale tudo das pol&iacute;ticas de resultados dos espiocratas, dorme-se com o inimigo, alimenta-se o advers&aacute;rio e desconfia-se do &ldquo;amigo&rdquo;. Ou seja, n&atilde;o &eacute; nenhuma surpresa tanto a desconfian&ccedil;a dos EUA para com o Paquist&atilde;o como a penetra&ccedil;&atilde;o dos inimigos (ex-aliados) em postos-chave de regimes aparentemente pr&oacute;-Estados Unidos. <\/p>\n<p><strong>Contraponto e disputa pela hegemonia do protesto e rebeli&atilde;o no Mundo &Aacute;rabe e Isl&acirc;mico <\/p>\n<p><\/strong>Como t&oacute;pico de encerramento desta an&aacute;lise breve, reconhe&ccedil;o a necessidade de ater-me ao &oacute;bvio. &Eacute; no&ccedil;&atilde;o j&aacute; mais que batida, mas a amea&ccedil;a da hegemonia das v&aacute;rias seitas dos integrismos se localiza na convocat&oacute;ria das massas de jovens &ndash; visando algum tipo de democracia e participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &ndash; sendo estes a ocupar as ruas pessoas com bom n&iacute;vel educacional e ampla e perene amea&ccedil;a de desemprego. As raz&otilde;es para esta mobiliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o v&aacute;rias, mas podemos elencar que o acesso a certa educa&ccedil;&atilde;o formal em di&aacute;logo com os par&acirc;metros ocidentais somado ao uso regular e freq&uuml;ente da internet &ndash; inclusive para convocar pessoas e intercambiar elementos simb&oacute;licos de protesto &ndash; como um dos fatores primordiais para o caldo de cultura gerador dos movimentos com certo grau de espontane&iacute;smo e que receberam o termo de Primavera do Mundo &Aacute;rabe. <\/p>\n<p>Tenho a certeza de que tais movimentos, com o teor encontrado na disputa pela hegemonia das ruas de Tun&iacute;sia, Egito, L&iacute;bia (j&aacute; em guerra civil), Bahrein, S&iacute;ria e outros Estados &ndash; como a pr&oacute;pria Jord&acirc;nia e at&eacute; mesmo no Iraque &ndash; preocupa mais as cabe&ccedil;as pensantes e os estrategistas pol&iacute;ticos do integrismo do que a amea&ccedil;a militar do Imp&eacute;rio. A Al-Qaeda e os demais partidos de tipo fundamentalista, legais ou n&atilde;o, jihadistas ou n&atilde;o, podem ver-se contra a parede, ao menos nos pa&iacute;ses do Mundo &Aacute;rabe. <\/p>\n<p>J&aacute; em territ&oacute;rios de Estado falido ou ao menos n&atilde;o mais constitu&iacute;do, como a Som&aacute;lia, mil&iacute;cias como a Al-Shabab, vinculadas formalmente a proposta da Al-Qaeda, o mart&iacute;rio de Bin Laden opera como fator motivacional embora, como estrutura, a rede perde com certeza em carisma e qualidade de lideran&ccedil;a. Se o projeto societ&aacute;rio a ser oferecido pelos wahabitas, integristas sunis e salafistas &eacute; a governan&ccedil;a exercida na Som&aacute;lia, ou o modus vivendi do Afeganist&atilde;o ap&oacute;s a vit&oacute;ria militar do Talib&atilde; em 1995, ent&atilde;o certamente essa juventude &aacute;rabe que redescobre a for&ccedil;a do pan-arabismo revigorado n&atilde;o vai se encantar por mais repress&atilde;o de usos e costumes, al&eacute;m do desrespeito aos direitos humanos, mesmo que sem corrup&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. <\/p>\n<p><strong>Linha conclusiva &#8211; unilateralismo imperial e corrida eleitoral antecipada <\/p>\n<p><\/strong>Retomando ao tema das obviedades, &eacute; compreens&iacute;vel o entusiasmo da administra&ccedil;&atilde;o Clinton-Obama ao cumprir promessa de campanha e abrir a possibilidade tanto da reelei&ccedil;&atilde;o de Barack como da batalha acirrada nas pr&eacute;vias dos Democratas com a senhora Hillary ficando dia a dia cada vez mais fortalecida. O cad&aacute;ver de Bin Laden ajuda na luta pol&iacute;tica contra a outra direita localizada nos Republicanos em geral e no Tea Party em particular. A press&atilde;o do partido quase &uacute;nico empurra Obama para a centro-direita do universo pol&iacute;tico estadunidense, o que tamb&eacute;m lhe &ldquo;obriga&rdquo; a assumir posturas imperiais, s&oacute; que de forma mais executiva e menos espalhafatosa do que com Bush Jr. <\/p>\n<p>Ao raciocinar sobre o &oacute;bvio tamb&eacute;m se compreende que as rela&ccedil;&otilde;es tensas entre os governos dos EUA e do Paquist&atilde;o vir&atilde;o a ser ainda mais delicadas. Ao eleger como teatro de opera&ccedil;&otilde;es da guerra iniciada em 2001 os territ&oacute;rios cont&iacute;guos, a intelig&ecirc;ncia e os militares estadunidenses tamb&eacute;m atiram uma boa parte da popula&ccedil;&atilde;o ainda mais nos bra&ccedil;os dos seus inimigos diretos, em escala global e travando batalhas com rostos ocultos e sem limites.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Bin Laden foi objeto de espetaculariza\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e n\u00e3o de cobertura investigativa. Muito parecido com o comportamento da m\u00eddia ocidental ap\u00f3s o 11 de setembro. 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