{"id":1052,"date":"2009-06-22T03:02:56","date_gmt":"2009-06-22T03:02:56","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1052"},"modified":"2009-06-22T03:02:56","modified_gmt":"2009-06-22T03:02:56","slug":"o-esporte-olimpico-como-politica-de-estado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1052","title":{"rendered":"O esporte ol\u00edmpico como pol\u00edtica de Estado"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Navegar_vitoria.jpg\" title=\"As crian\u00e7as que aprendem a arte dos esportes n\u00e1uticos poderiam ser regra, e n\u00e3o exce\u00e7\u00e3o, caso o pa\u00eds tivesse um sistema nacional de esportes ol\u00edmpicos.  - Foto:\" alt=\"As crian\u00e7as que aprendem a arte dos esportes n\u00e1uticos poderiam ser regra, e n\u00e3o exce\u00e7\u00e3o, caso o pa\u00eds tivesse um sistema nacional de esportes ol\u00edmpicos.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As crian\u00e7as que aprendem a arte dos esportes n\u00e1uticos poderiam ser regra, e n\u00e3o exce\u00e7\u00e3o, caso o pa\u00eds tivesse um sistema nacional de esportes ol\u00edmpicos. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>4&ordf;, 18 de julho de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S&atilde;o Sep&eacute;<\/p>\n<p>No dia 27 de junho de 2006, em plena Copa do Mundo, tive a oportunidade de escrever para este blog um artigo chamado: &ldquo;O esporte de base e a omiss&atilde;o do Estado&rdquo;. Tratava justo da aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a pr&aacute;tica desportiva no Brasil. Neste exato momento, quando atletas brasileiros de alto rendimento disputam medalhas nos Jogos Panamericanos mais caros da hist&oacute;ria, sou obrigado a voltar ao assunto.<\/p>\n<p>A motiva&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passa apenas pela grandeza do evento, as vaias ao presidente ou a mais que discutida e controversa presta&ccedil;&atilde;o de contas. Tem na edi&ccedil;&atilde;o de junho do Jornal da Universidade a sua raiz. Em seu n&uacute;mero 99, o &oacute;rg&atilde;o oficial da UFRGS traz na capa oito crian&ccedil;as remando em caiaques no Lago Gua&iacute;ba. Trata-se do Projeto Navegar, vinculado ao Minist&eacute;rio do Esporte e que no Rio Grande do Sul est&aacute; sob a responsabilidade da Escola de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica (Esef\/Ufrgs)da mais antiga federal do estado. Como quase todo projeto bem feito, os custos s&atilde;o baixos e os resultados impressionantes. Remunerados pelo Projeto s&atilde;o tr&ecirc;s professores, um para cada modalidade, al&eacute;m de 14 bolsistas de gradua&ccedil;&atilde;o. O pacote do Minist&eacute;rio do Esporte inclui dez barcos a remo, dez &agrave; vela, dez caiaques, coletes salva-vidas e dois barcos infl&aacute;veis com motor de popa para acompanhar as aulas e prestar socorro.<\/p>\n<p>O p&uacute;blico alvo s&atilde;o 160 crian&ccedil;as vindas de dez escolas p&uacute;blicas e moradoras de bairros ribeirinhos, como as Ilhas do Delta e Navegantes. O Navegar, iniciado h&aacute; tr&ecirc;s anos, conta com 37 n&uacute;cleos em 18 estados, e est&aacute; inclu&iacute;do dentro do Programa Esporte na Escola. Ex-alunos desta escolinha passaram a treinar como atletas de competi&ccedil;&atilde;o nos clubes de Porto Alegre e hoje est&atilde;o disputando os Jogos Panamericanos. Ou seja, do ponto de vista do alto rendimento, o caso &eacute; de sucesso.<\/p>\n<p>Tomo a liberdade de citar textualmente um trecho da entrevista, feita pela rep&oacute;rter Ana Chala com o professor Ricardo Petersen, coordenador do Projeto em Porto Alegre e diretor da prestigiada Esef. A &iacute;ntegra consta na p&aacute;gina 8 da edi&ccedil;&atilde;o No.99, junho de 2007 do Jornal da Universidade:<\/p>\n<p>&ldquo;&#8230;n&atilde;o vemos outra possibilidade (de difus&atilde;o dos esportes ol&iacute;mpicos) sen&atilde;o nas escolas ou em projetos desse tipo, que atingem milhares de crian&ccedil;as em todo pa&iacute;s. Eles t&ecirc;m que ter continuidade e se tornar parte de uma pol&iacute;tica. S&oacute; assim come&ccedil;aremos a desenvolver o gosto pelo esporte. Isso &eacute; muito mais importante do que a realiza&ccedil;&atilde;o do Pan, apesar da visibilidade que ele traz para o pa&iacute;s.&rdquo;<\/p>\n<p>O depoimento de um acad&ecirc;mico consagrado e entusiasta dos esportes ol&iacute;mpicos &eacute; mais do que convincente. De forma sutil e educada, o professor Petersen manda um recado e uma exig&ecirc;ncia. Uma pol&iacute;tica p&uacute;blica para o esporte de base como parte de uma pol&iacute;tica de Estado com a proje&ccedil;&atilde;o ol&iacute;mpica do Brasil. Ou seja, os Jogos Panamericanos, a realiza&ccedil;&atilde;o de uma Olimp&iacute;ada aqui, deveriam ser ponto de chegada e n&atilde;o de partida. N&atilde;o se trata de m&aacute; vontade, mas de cr&iacute;tica feita a partir de centenas de experi&ecirc;ncias como as descritas acima.<\/p>\n<p>Quando o debate entra no quesito volume de recursos, o terreno fica espinhento. Segundo o rep&oacute;rter Luiz Carlos Azenha, a previs&atilde;o de gastos iniciais para o Pan era de R$375 milh&otilde;es. O evento acabou custando quase dez vezes mais. &Eacute; certo que os equipamentos e instala&ccedil;&otilde;es desportivas v&atilde;o permanecer no lugar, catapultando o Rio para sediar a Olimp&iacute;ada de 2016. Mas, e o material humano?<\/p>\n<p>Voltando &agrave; simplicidade e efici&ecirc;ncia do Projeto Navegar, o entusiasmo com o resultado gerou uma segunda etapa local, chamado Navega Tch&ecirc;. Os profissionais de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica formularam um segundo momento, com oficinas profissionalizantes de carpintaria naval e treinamento em barcos de competi&ccedil;&atilde;o. O or&ccedil;amento necess&aacute;rio &eacute; da ordem de R$600 mil, para um pacote fechado de dois anos de dura&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o R$25.000,00 por m&ecirc;s, incluindo remunera&ccedil;&atilde;o, combust&iacute;vel, alimenta&ccedil;&atilde;o, instala&ccedil;&otilde;es e equipamentos. Se fosse um empreendimento comercial, o Navega Tch&ecirc; seria uma micro-empresa, e das mais modestas. Proponho um exerc&iacute;cio de proje&ccedil;&atilde;o, imaginando que estamos em um pa&iacute;s que faz planejamento no longo prazo, coisa que &eacute; rara por aqui.<\/p>\n<p>Se imaginarmos um n&uacute;cleo deste projeto por capital do pa&iacute;s, ter&iacute;amos um or&ccedil;amento anual de R$ 8 milh&otilde;es e 100 mil reais. Cada n&uacute;cleo, mantendo a propor&ccedil;&atilde;o dos colegas ga&uacute;chos, atenderia a uma m&eacute;dia de 150 crian&ccedil;as por estado, dando um total de 4050 em todo o pa&iacute;s. Cada um deles custaria ao pa&iacute;s, ao longo de 12 meses, uma m&eacute;dia de R$2000 mensais. Em dez anos, o Brasil poderia ter uma nova safra de atletas, custando pouco mais de R$81 milh&otilde;es. Multiplicando esse custo para vinte modalidades ol&iacute;mpicas, e em uma d&eacute;cada, o investimento inicial de R$1bilh&atilde;o e 620 milh&otilde;es de reais iria colher uma chuva de medalhas. Por ano, o or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio do Esporte teria de investir apenas R$162 milh&otilde;es de reais. Representa menos de 10% dos lucros trimestrais de um grande banco brasileiro.<\/p>\n<p>Com um ter&ccedil;o dos gastos iniciais previstos para o Pan e em dez anos ser&iacute;amos uma pot&ecirc;ncia ol&iacute;mpica. O governo de Luiz In&aacute;cio j&aacute; entra em seu segundo mandato e fez a op&ccedil;&atilde;o errada. Aplicando o dinheiro do Estado em megaeventos, O Minist&eacute;rio do Esporte capta recursos para um momento e n&atilde;o para a sociedade.<\/p>\n<p>Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As crian\u00e7as que aprendem a arte dos esportes n\u00e1uticos poderiam ser regra, e n\u00e3o exce\u00e7\u00e3o, caso o pa\u00eds tivesse um sistema nacional de esportes ol\u00edmpicos. 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