{"id":10521,"date":"2011-05-16T15:53:10","date_gmt":"2011-05-16T15:53:10","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1439"},"modified":"2011-05-16T15:53:10","modified_gmt":"2011-05-16T15:53:10","slug":"energia-suja-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10521","title":{"rendered":"Energia suja em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/u1_wartsila-rgb72.jpg\" title=\"A gigante finlandesa W\u00e4rtsil\u00e4 ir\u00e1 construir a Usina de Termel\u00e9trica de Suape II, a caminho do aumento da produ\u00e7\u00e3o de energia suja e de concentra\u00e7\u00e3o de capital atrav\u00e9s de oligop\u00f3lio co-financiado atrav\u00e9s de recursos estatais.  - Foto:ngncareers.com \" alt=\"A gigante finlandesa W\u00e4rtsil\u00e4 ir\u00e1 construir a Usina de Termel\u00e9trica de Suape II, a caminho do aumento da produ\u00e7\u00e3o de energia suja e de concentra\u00e7\u00e3o de capital atrav\u00e9s de oligop\u00f3lio co-financiado atrav\u00e9s de recursos estatais.  - Foto:ngncareers.com \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A gigante finlandesa W\u00e4rtsil\u00e4 ir\u00e1 construir a Usina de Termel\u00e9trica de Suape II, a caminho do aumento da produ\u00e7\u00e3o de energia suja e de concentra\u00e7\u00e3o de capital atrav\u00e9s de oligop\u00f3lio co-financiado atrav\u00e9s de recursos estatais. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:ngncareers.com <\/small><\/figure>\n<p>16 de maio de 2011, do Recife, <em>Heitor Scalambrini Costa<\/em>, Professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco <\/p>\n<p>As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas relacionadas com a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental ser&aacute; o tema dominante a ser discutido nos pr&oacute;ximos anos pela humanidade. N&iacute;veis crescentes de emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono e g&aacute;s metano na atmosfera t&ecirc;m provocado conseq&uuml;&ecirc;ncias desastrosas &agrave; ra&ccedil;a humana, resultando no aumento da intensidade e da freq&uuml;&ecirc;ncia dos fen&ocirc;menos como terremotos, furac&otilde;es, erup&ccedil;&otilde;es, tornados, inunda&ccedil;&otilde;es, entre outros.<\/p>\n<p><strong>Leia ao final o coment&aacute;rio dos editores<\/strong><\/p>\n<p>Boa parte dos atuais problemas &eacute; provocada pelas atividades humanas, particularmente devido ao modo de produzir e consumir. O que esta levando o planeta a uma situa&ccedil;&atilde;o tal, que poder&aacute; se nada for feito, provocar uma altera&ccedil;&atilde;o irrevers&iacute;vel no clima com conseq&uuml;&ecirc;ncias f&iacute;sicas, econ&ocirc;micas e sociais catastr&oacute;ficas. S&atilde;o as fontes energ&eacute;ticas atuais como o petr&oacute;leo\/derivados, g&aacute;s natural, carv&atilde;o mineral respons&aacute;veis por mais de 2\/3 das emiss&otilde;es de gases de efeito estufa no mundo. <\/p>\n<p>O atual momento de investimentos e crescimento econ&ocirc;mico que passa o Estado de Pernambuco deve ser analisado criticamente, pois obedece a uma mentalidade desenvolvimentista, ainda calcada na vis&atilde;o do s&eacute;culo passado do &ldquo;crescimento a qualquer custo&rdquo;, ignorando a dimens&atilde;o s&oacute;cio-ambiental. Temos que posicionar contra clich&ecirc;s alardeados e flagrantemente falsos, que diz respeito ao modo de governar o Estado, de ser o novo, de se proclamar como exemplo para &ldquo;um novo caminho para um novo Brasil&rdquo;. <\/p>\n<p>Alem do desmatamento permitido (mangues e o pouco que resta de fragmentos da Mata Atl&acirc;ntica) para a amplia&ccedil;&atilde;o do Complexo Industrial e Portu&aacute;rio de Suape, o governo do Estado tem incentivado e justificado empreendimentos de gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica, como a implanta&ccedil;&atilde;o das termoel&eacute;tricas movidas a combust&iacute;veis f&oacute;sseis. Em maio de 2010 foi anunciado pelo grupo finland&ecirc;s W&auml;rtsil&auml;, a constru&ccedil;&atilde;o da usina termel&eacute;trica Suape II, com uma pot&ecirc;ncia instalada de 380 MW, em um terreno localizado &agrave;s margens da rodovia PE-60, funcionando com &oacute;leo combust&iacute;vel: uma sujeira s&oacute; para o meio ambiente. O projeto do tipo &ldquo;chave na m&atilde;o&rdquo; (turnkey) pertence a um grupo formado pela Petrobr&aacute;s e a Nova Cibe Energia (Grupo Bertin), prevendo o in&iacute;cio de opera&ccedil;&atilde;o comercial para 1&ordm; de janeiro de 2012. <\/p>\n<p>O &oacute;leo combust&iacute;vel, que dentre os combust&iacute;veis f&oacute;sseis &eacute; o que mais contribui ao efeito estufa e para as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, emite para cada 0,96 m3 de &oacute;leo consumido 3,34 toneladas de CO2, segundo a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia. Estima-se que a emiss&atilde;o anual desta instala&ccedil;&atilde;o ser&aacute; de pelo menos 2 milh&otilde;es de toneladas de CO2. <\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o no munic&iacute;pio do Cabo da Usina Termoel&eacute;trica Suape II, e com previs&atilde;o de outra Termoel&eacute;trica a Suape (III ?) tamb&eacute;m movida com &oacute;leo combust&iacute;vel, s&atilde;o exemplos de empreendimentos que v&atilde;o na contram&atilde;o do grande desafio atual que &eacute; da substitui&ccedil;&atilde;o dos combust&iacute;veis fosseis pelas fontes renov&aacute;veis de energia. <\/p>\n<p>Em nome de alavancar o desenvolvimento do Estado, com investimentos sendo realizados na regi&atilde;o e a cria&ccedil;&atilde;o de novos postos de trabalho e gera&ccedil;&atilde;o de renda, se perpetua um modelo predat&oacute;rio, cujas conseq&uuml;&ecirc;ncias podem ser traduzidas na acelera&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e no aumento das emiss&otilde;es de gases de efeito estufa, respons&aacute;vel pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; al&eacute;m de pressionar os problemas econ&ocirc;micos e sociais com mais concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza gerada. <\/p>\n<p>Apesar do discurso pela busca de sustentabilidade entre empresas e governo ser cada vez mais recorrente, Pernambuco tem aumentado a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo de energia suja. Aqui o crescimento econ&ocirc;mico n&atilde;o combina com preserva&ccedil;&atilde;o ambiental, pois tem gerado um aumento da polui&ccedil;&atilde;o, que torna seu desenvolvimento insustent&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio dos editores <br \/>\n<\/strong>N&atilde;o surpreende a rela&ccedil;&atilde;o amb&iacute;gua entre o discurso de &ldquo;sustentabilidade|&rdquo; e a gera&ccedil;&atilde;o de energia suja promovida a qualquer custo, vide o caso &#8211; no nosso entender criminoso &ndash; da Usina de Belo Monte e das hidrel&eacute;tricas no estado de Rond&ocirc;nia. Este princ&iacute;pio de promover a gera&ccedil;&atilde;o de energia poluente vai ao encontro dos modelos de fus&atilde;o e joint-ventures onde os recursos do Estado terminam por fortalecer a concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica em pequenas e poderosas empresas, aumentando o perfil de capitalismo de oligop&oacute;lios, como temos aqui no Brasil. &Eacute; urgente implantar esta pauta como exig&ecirc;ncia m&iacute;nima para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e os licenciamentos no pa&iacute;s. Do contr&aacute;rio, na esteira da Copa do Mundo, viveremos o vale tudo empresarial brasileiro em seu modelo mais selvagem, incluindo a gera&ccedil;&atilde;o de energia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gigante finlandesa W\u00e4rtsil\u00e4 ir\u00e1 construir a Usina de Termel\u00e9trica de Suape II, a caminho do aumento da produ\u00e7\u00e3o de energia suja e de concentra\u00e7\u00e3o de capital atrav\u00e9s de oligop\u00f3lio co-financiado atrav\u00e9s de recursos estatais. 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