{"id":1053,"date":"2009-06-22T03:04:48","date_gmt":"2009-06-22T03:04:48","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1053"},"modified":"2009-06-22T03:04:48","modified_gmt":"2009-06-22T03:04:48","slug":"o-pan-acabou-e-agora-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1053","title":{"rendered":"O Pan acabou. E agora?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/engenhao_Pan_rio.jpg\" title=\"O lindo est\u00e1dio ol\u00edmpico conhecido como Engenh\u00e3o \u00e9 mais uma obra do estado da arte da arquitetura brasileira. Se 10% dessa criatividade fosse aplicada na urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas, a sensa\u00e7\u00e3o de respeito aos direitos coletivos aumentaria muito.  - Foto:\" alt=\"O lindo est\u00e1dio ol\u00edmpico conhecido como Engenh\u00e3o \u00e9 mais uma obra do estado da arte da arquitetura brasileira. Se 10% dessa criatividade fosse aplicada na urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas, a sensa\u00e7\u00e3o de respeito aos direitos coletivos aumentaria muito.  - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O lindo est\u00e1dio ol\u00edmpico conhecido como Engenh\u00e3o \u00e9 mais uma obra do estado da arte da arquitetura brasileira. Se 10% dessa criatividade fosse aplicada na urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas, a sensa\u00e7\u00e3o de respeito aos direitos coletivos aumentaria muito. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>4&ordf;, 1&ordm; de agosto de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de S&atilde;o Sep&eacute;<\/p>\n<p>Todo grande evento demonstra a capacidade de realiza&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s. Ao mesmo tempo, exp&otilde;e as mazelas de uma popula&ccedil;&atilde;o que se acostuma a viver momentaneamente melhor. Foi o que ocorreu com os XV Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Aumentou a &quot;sensa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a&quot; e os n&uacute;meros do crime ca&iacute;ram 60%. &Eacute; a par&aacute;bola do Brasil, deixando tr&ecirc;s li&ccedil;&otilde;es, que ressalto no artigo.<\/p>\n<p>A primeira li&ccedil;&atilde;o &eacute; simples. Temos capacidade realizadora e recursos humanos de sobra. O que n&atilde;o temos &eacute; prioridade e planejamento estrat&eacute;gico. Quando mandantes e gestores do Brasil conseguem formar um consenso em torno de id&eacute;ias simples, a realiza&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel. A associa&ccedil;&atilde;o de um grande evento com apoio midi&aacute;tico e fortes investimentos do Estado sempre levam a um bom resultado. Para o Pan, assim como na Confer&ecirc;ncia Mundial sobre o Meio Ambiente ( Eco 92), o Rio de Janeiro deu exemplos de urbanidade. Ap&oacute;s os Jogos, tudo volta ao normal. &Eacute; como no poema de Drummond: &quot; a festa acabou, e agora Jos&eacute;?&quot;<\/p>\n<p>Na d&eacute;cada passada aconteceu o mesmo. Menos de dois anos ap&oacute;s os chefes de Estado terem ido embora, sofremos com as chacinas da Candel&aacute;ria e de Vig&aacute;rio Geral. A chamada &quot;sensa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a&quot; se foi juntamente com os visitantes e as lentes do mundo. Porque vivemos a espetaculariza&ccedil;&atilde;o da vida cotidiana, &eacute; mais f&aacute;cil mobilizar recursos para as Olimp&iacute;adas de 2016 e a Copa de 2014 do que para assegurar os direitos da cidadania. N&atilde;o se trata de chav&atilde;o, mas do contrato social republicano.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a segunda li&ccedil;&atilde;o. Mobilizamos recursos e prestamos contas para terceiros, e n&atilde;o para n&oacute;s mesmos. O manto do cinismo e da &quot;invisibilidade&quot; traz a uma outra poesia, esta de Marina Colassanti: &quot; eu sei que a gente se acostuma, mas n&atilde;o devia&quot;. N&atilde;o basta culpar ao governo de turno. Como quase sempre acontece, a iniciativa privada se coloca na posi&ccedil;&atilde;o de observadora, agindo apenas na lacuna das contas de governo. Por 17 dias a metr&oacute;pole carioca teve dias maravilhosos. Depois dos Jogos, mais de 2 milh&otilde;es de brasileiros residentes no Rio continuam sem direito a quase nada.<\/p>\n<p>N&atilde;o sou psicanalista, mas suponho que esta falta de alteridade deve ter origens profundas no inconsciente coletivo. Porque n&atilde;o nos enxergamos como iguais perante a lei, aplicamos a vontade de pot&ecirc;ncia em tudo menos nesta igualdade de direitos e deveres. &Eacute; a mesma energia de realiza&ccedil;&atilde;o que vibrou com os 90 milh&otilde;es em a&ccedil;&atilde;o e terminou endividando o Brasil nas obras fara&ocirc;nicas do &quot; Milagre Econ&ocirc;mico&quot;. Est&aacute;vamos sob ditadura e a dissid&ecirc;ncia se expressava em armas. O surpreendente &eacute; que agora, em regime de democracia representativa, ocorra o mesmo.<\/p>\n<p>N&atilde;o sou contra o esporte, menos ainda o ol&iacute;mpico. Muito pelo contr&aacute;rio. Artigos anteriores neste mesmo blog provam o que digo. Ressalto apenas o absurdo. N&atilde;o podemos ter uma emo&ccedil;&atilde;o maior em um jogo de basquete do que com uma chacina policial. Mas temos. Depois das medalhas de ouro, as pessoas v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia sistem&aacute;tica continuam sem ter o direito a ligar 190 &agrave;s duas da manh&atilde; e ver uma r&aacute;dio-patrulha chegar ao seu aux&iacute;lio.<\/p>\n<p>&Eacute; a terceira e &uacute;ltima li&ccedil;&atilde;o debatida neste texto. O tema em pauta &eacute; sempre o inverso. Escolhemos o &quot;bife e deixamos o boi&quot;, como afirmava o jornalista Alo&iacute;sio Biondi. No quesito seguran&ccedil;a p&uacute;blica no Rio de Janeiro, o exemplo &eacute; &oacute;bvio. Com 10.000 policiais na rua a &quot;sensa&ccedil;&atilde;o de tranq&uuml;ilidade&quot; estava garantida. Isso custou para a Uni&atilde;o R$ 562 milh&otilde;es de reais . S&atilde;o gastas fortunas em pol&iacute;tica reativa e nada na proativa. Traduzindo. Se os tr&ecirc;s n&iacute;veis de governo tivessem investido paulatinamente na urbaniza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de favelas, com certeza o custo da &quot;id&eacute;ia de seguran&ccedil;a&quot; seria muito menor.<\/p>\n<p>Para um estrangeiro desavisado, isso pode ser visto como burrice estrutural. N&atilde;o &eacute;. &Eacute; uma op&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica e constitutiva das elites brasileiras. O Estado pode fazer pol&iacute;tica e o governo pode governar, mas sempre cumprindo uma regra. Tudo ser&aacute; mudado desde que permane&ccedil;a no mesmo lugar. No caso do Rio, &eacute; gritante. Podem investir bilh&otilde;es de reais em seguran&ccedil;a, desde que o modelo policial n&atilde;o mude e a favela continue favelizada.<\/p>\n<p>A antiga capital do Imp&eacute;rio exagera na aus&ecirc;ncia de Estado e falta do exerc&iacute;cio de autoridade. &Eacute; uma par&aacute;bola do Brasil que sequer consegue controlar duas empresas de avia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lindo est\u00e1dio ol\u00edmpico conhecido como Engenh\u00e3o \u00e9 mais uma obra do estado da arte da arquitetura brasileira. Se 10% dessa criatividade fosse aplicada na urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas, a sensa\u00e7\u00e3o de respeito aos direitos coletivos aumentaria muito. 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