{"id":10534,"date":"2011-07-11T17:13:40","date_gmt":"2011-07-11T17:13:40","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1476"},"modified":"2011-07-11T17:13:40","modified_gmt":"2011-07-11T17:13:40","slug":"coluna-alem-das-quatro-linhas-semana-de-04-de-julho-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10534","title":{"rendered":"Coluna Al\u00e9m das Quatro Linhas &#8211; Semana de 04 de julho de 2011"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/blogdoseridocombr.jpg\" title=\"Torcedores do River Plate, que possui uma das barra bravas mais violentas, se revoltaram a ponto de mal deixarem a partida terminar - Foto:blogdoserido.com.br\" alt=\"Torcedores do River Plate, que possui uma das barra bravas mais violentas, se revoltaram a ponto de mal deixarem a partida terminar - Foto:blogdoserido.com.br\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Torcedores do River Plate, que possui uma das barra bravas mais violentas, se revoltaram a ponto de mal deixarem a partida terminar<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:blogdoserido.com.br<\/small><\/figure>\n<p>Dijair Brilhantes &amp; Anderson Santos<\/p>\n<p><strong>A queda de dois gigantes sul-americanos<\/strong><\/p>\n<style type=\"text\/css\">p { margin-bottom: 0.21cm; }<\/style>\n<p><em>O empate que levou o River Plate &agrave; segunda divis&atilde;o do Campeonato Argentino apenas selou o ato final de uma crise que dura quase uma d&eacute;cada. Pela primeira vez em sua hist&oacute;ria de 110 anos, um dos maiores clubes da Am&eacute;rica do Sul, duas vezes campe&atilde;o da Ta&ccedil;a Libertadores da Am&eacute;rica (&eacute;, evitaremos o nome do banco quando se tratar de hist&oacute;ria), conhecer&aacute; a segundona. A maior torcida argentina se revoltou contra o fato. Uns choraram, mas outros apelaram para a viol&ecirc;ncia num est&aacute;dio que recebia mais pessoas que a sua capacidade. Uma das maiores barra bravas argentinas n&atilde;o teve como exercer a sua for&ccedil;a, que est&aacute; al&eacute;m das quatro linhas do campo.<\/em><\/p>\n<p>A rela&ccedil;&atilde;o das torcidas organizadas argentinas &eacute; diferente do que ocorre no Brasil, em que as a&ccedil;&otilde;es delas geralmente s&atilde;o alvo de &ldquo;negocia&ccedil;&otilde;es&rdquo; entre dire&ccedil;&atilde;o e oposi&ccedil;&atilde;o dos clubes.<\/p>\n<p>L&aacute;, as principais s&atilde;o chamadas de barra bravas, que cantam o jogo inteiro, independente do resultado, mas possuem uma teia de rela&ccedil;&otilde;es de poder quase inimagin&aacute;vel, a ponto de as mesmas levaram faixas com um K em forma de apoio aos Kirschner, que presidem o pa&iacute;s, N&eacute;stor e Cristina Hernandez, h&aacute; tr&ecirc;s gest&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Ref&eacute;m de organizadas<\/strong><\/p>\n<p>A brava do River, a Los Borrachos Del Tabl&oacute;n, &eacute; a maior torcida do clube e uma das mais violentas do pa&iacute;s. Fazendo uma busca pela internet, em portugu&ecirc;s se pode encontrar como defini&ccedil;&atilde;o para esta torcida, fundada na d&eacute;cada de 1960, que esta &eacute; uma das barras mais famosas de todo mundo. Al&eacute;m disso, a fonte de financiamento incluiria &ldquo;a revenda de bilhetes para os jogos, venda de droga e o funcionamento como grupo de choque para alguns partidos pol&iacute;ticos&rdquo;.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria dessa hincha &eacute; marcada pelo orgulho de ser uma das maiores e mais violentas&nbsp; barra bravas do mundo, com v&aacute;rias hist&oacute;rias de confrontos, inclusive um no Morumbi, em que acabaram deixando 15 policiais feridos num combate em que o River jogava pela Ta&ccedil;a Libertadores de 2005.<\/p>\n<p>Nem os &ldquo;carapintadas&rdquo;, movimento de militares na ativa que inclusive se revoltarou contra julgamento de oficiais no governo de Ramon Alfons&iacute;n, teria conseguido tir&aacute;-los do clube. Ainda assim, as rivais a acusam de terem liga&ccedil;&otilde;es com a Secretaria de Intelig&ecirc;ncia do Estado (SIDE) e com a pol&iacute;cia, mesmo tendo seus l&iacute;deres presos por v&aacute;rias vezes.<\/p>\n<p>Eles sempre v&atilde;o &agrave;s Copas do Mundo. Curiosamente, em 2006, os chefes de um grupo com 42 torcedores teriam ficado em Munique na casa do ex-jogador do River Martin Demichelis. Eles n&atilde;o puderam ir &agrave; partida das oitavas de final, em que a sele&ccedil;&atilde;o argentina enfrentou o M&eacute;xico por terem sido identificados vendendo ingressos falsos e ocupando lugares que n&atilde;o lhes correspondiam.<\/p>\n<p><strong>O poder econ&ocirc;mico e a estreita rela&ccedil;&atilde;o com plantel e dirigentes deu o monop&oacute;lio da for&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>A Barra Brava est&aacute; dividida. A disputa para revender os ingressos cedidos pelos cartolas fez com que brigassem entre si nos jogos, deixando o clube em segundo plano. A guerra pela lideran&ccedil;a da torcida, que seria disputada pelos grupos dos irm&atilde;os Schlenker e de Adrien Rosseau, ambos oriundos da classe m&eacute;dia argentina, seria a respons&aacute;vel pelo assass&iacute;nio em agosto de 2007 de um elemento da pr&oacute;pria barra brava e bra&ccedil;o direito do l&iacute;der de um dos grupos.<\/p>\n<p>A torcida teria uma entrada fixa entre 60 e 80 mil pesos com seus s&oacute;cios, al&eacute;m de revenda de ingressos para partidas e espet&aacute;culos musicais que ocorram no Monumental e o controle de estacionamentos. Extraoficialmente se diz que tamb&eacute;m cobrariam uma porcentagem na venda de jogadores, caso, por exemplo, do atacante Higua&iacute;n, atualmente no Real Madrid. O que daria um total de 300 mil pesos mensais somado ao benef&iacute;cio de terem hoteis e at&eacute; viagens ao exterior pagas.<\/p>\n<p>Foram duas as tentativas de legaliza&ccedil;&atilde;o da torcida. A primeira teria ocorrido em 2001, onde uma &ldquo;segunda linha&rdquo; se constitui como sociedade sem fins lucrativos e estabeleceu rifas, doa&ccedil;&otilde;es e visitas dos jogadores do River a hospitais. Em mar&ccedil;o, a pol&iacute;cia deteve 45 torcedores dessa linha em viagem para um jogo contra o Talleres, com armas de grosso calibre, armas brancas, coca&iacute;na e ingressos falsos.<\/p>\n<p>Em setembro de 2005, os que hoje disputam a lideran&ccedil;a formaram uma sociedade para explorar o merchandising da barra, batizando a empresa de &ldquo;Del Tablon SRL&rdquo;, com um capital inicial de 11 mil pesos. Os produtos eram vendidos inclusive na sede do clube argentino, mas tiveram proibida a utiliza&ccedil;&atilde;o da marca da empresa por quest&otilde;es de direitos autorais.<\/p>\n<p>O River Plate tem a maior torcida da Argentina, com cerca de 14 milh&otilde;es de torcedores e o segundo maior quadro social da Am&eacute;rica do Sul, cerca 70.000 s&oacute;cios, perdendo apenas para o Internacional. Os homens do futebol sabiam que o risco existia, mas preferiram acreditar no clube que sempre orgulhou-se de se proclamar &ldquo;el m&aacute;s grande&rdquo; .<\/p>\n<p><strong>O in&iacute;cio da decad&ecirc;ncia <\/strong><\/p>\n<p>Um dos maiores respons&aacute;veis pela decad&ecirc;ncia do futebol dos Millonarios &eacute; Jos&eacute; Maria Aguilar, presidente do clube de 2001 a 2009. Foi em sua gest&atilde;o que o River come&ccedil;ou a acumular d&iacute;vidas e montar elencos modestos.<\/p>\n<p>No final de 2009, o ex-jogador e &iacute;dolo do clube nas d&eacute;cadas de 70 e 80, Daniel Passarella foi eleito presidente do clube (o mesmo que no in&iacute;cio da &ldquo;parceria&rdquo; Corinthians-MSI foi contratado a peso de ouro como t&eacute;cnico, numa &ldquo;argentiniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; corintiana que contou com Tevez, Seb&aacute; Domingues e Mascherano, e saiu com poucos dias de trabalho).<\/p>\n<p>O sucesso ficou dentro de campo, os torcedores acreditaram muito no ent&atilde;o presidente, mas sem um bom planejamento Passarella naufragou junto com a equipe. Os constantes desentendimentos com empres&aacute;rios fez com que jogadores como Villablae e Bordagary quase n&atilde;o jogassem. O rebaixamento parecia quest&atilde;o de tempo, tanto Aguilar quanto Passarella equivocaram-se na contrata&ccedil;&atilde;o de jogadores e treinadores, atletas importantes foram vendidos e n&atilde;o foram substitu&iacute;dos.<\/p>\n<p>No ano de 2008, o fantasma da segunda divis&atilde;o come&ccedil;ou a rondar o multicampe&atilde;o. O &uacute;ltimo lugar no torneio Apertura s&oacute; n&atilde;o rebaixou o River devido ao sistema de pontua&ccedil;&atilde;o da AFA, que leva em conta a m&eacute;dia de pontos dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos.<\/p>\n<p>Curiosamente esse sistema foi criado em 1983 para salvar o pr&oacute;prio River, que teve uma p&eacute;ssima campanha naquela temporada. A solu&ccedil;&atilde;o seria uma &ldquo;garantia&rdquo; de que nenhum grande argentino ca&iacute;sse (Esse sistema de m&eacute;dia de pontos teve r&aacute;pida presen&ccedil;a no Brasil no final da d&eacute;cada de 1990 e que salvou o Corinthians de um rebaixamento em 1997).<\/p>\n<p>Na temporada seguinte, mais campanhas ruins, 8&ordm; lugar do Clausura e 14&ordm; no Apertura. Se parecia pouco, os cartolas dos Millonarios pareciam acreditar na m&iacute;stica da camisa. Al&eacute;m disso, o clube passava anos fora de torneios sulamericanos, por mais benesses que ele e o Boca Juniors tivessem na Argentina.<\/p>\n<p>A 13&ordm; coloca&ccedil;&atilde;o no primeiro semestre de 2010 foi crucial para a queda em 2011, j&aacute; que nem mesmo a 4&ordm; coloca&ccedil;&atilde;o do Apertura 2010 foi suficiente para salvar o clube do decesso. No Clausura 2011, o River ficou na 9&deg; coloca&ccedil;&atilde;o o que lhe renderia um vaga na Copa Nissan Sul Americana.<\/p>\n<p><strong>Mesmo com muitas op&ccedil;&otilde;es veio o rebaixamento<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo sistema de pontos que salvou o clube nos anos anteriores, levou o maior vencedor do campeonato argentino a disputar a perman&ecirc;ncia&nbsp; na elite atrav&eacute;s da repescagem. No Promoci&oacute;n, o River Plate teria sua &uacute;ltima chance, num mata-mata contra o Belgrano.<\/p>\n<p>O time perdeu por 2 a 0 o primeiro jogo e s&oacute; conseguiu empatar por 1 a 1 o segundo, jogando num Est&aacute;dio Monumental de Nu&ntilde;es mais que lotado &ndash; j&aacute; que havia, pelo menos, oito mil pessoas a mais que a capacidade m&aacute;xima &ndash;, com um p&ecirc;nalti desperdi&ccedil;ado.<\/p>\n<p>O resultado n&atilde;o s&oacute; decretou o rebaixamento do vencedor de mais campeonatos argentinos, como acendeu a ira dos torcedores, que mal deixaram a partida acabar, como mostram as imagens que se espalharam mundo a fora a partir daquele momento. Nem fam&iacute;lias deixaram de ser alvo do arremesso de objetos pelos torcedores.<\/p>\n<p>Alguns grandes clubes do Brasil, capitaneados por Palmeiras e Botafogo em 2002, foram rebaixados e voltaram mais organizados e com torcidas mais apaixonadas do que nunca. Os exemplos por aqui (pois &eacute;, o Brasil tem algum exemplo bom) podem ajudar o River a se reeguer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Torcedores do River Plate, que possui uma das barra bravas mais violentas, se revoltaram a ponto de mal deixarem a partida terminar Foto:blogdoserido.com.br Dijair Brilhantes &amp; Anderson Santos A queda de dois gigantes sul-americanos O empate que levou o River Plate &agrave; segunda divis&atilde;o do Campeonato Argentino apenas selou o ato final de uma crise [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10534","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10534","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10534"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10534\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}