{"id":10541,"date":"2011-08-19T23:59:50","date_gmt":"2011-08-19T23:59:50","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1498"},"modified":"2011-08-19T23:59:50","modified_gmt":"2011-08-19T23:59:50","slug":"de-nagasaki-a-fukushima-o-legado-nuclear-do-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10541","title":{"rendered":"De Nagasaki a Fukushima: o legado nuclear do Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/vitima nuclear.jpg\" title=\"Os japoneses usam o termo \u201chibakusha\u201d, que significa \u201cpessoa afetada por explos\u00e3o\u201d, para se referirem \u00e0s v\u00edtimas das bombas at\u00f4micas lan\u00e7adas em Hiroshima e Nagasaki. Passados 67 anos do ataque estadunidense, o Jap\u00e3o ainda sofre com a amea\u00e7a nuclear. - Foto:Connection World\" alt=\"Os japoneses usam o termo \u201chibakusha\u201d, que significa \u201cpessoa afetada por explos\u00e3o\u201d, para se referirem \u00e0s v\u00edtimas das bombas at\u00f4micas lan\u00e7adas em Hiroshima e Nagasaki. Passados 67 anos do ataque estadunidense, o Jap\u00e3o ainda sofre com a amea\u00e7a nuclear. - Foto:Connection World\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os japoneses usam o termo \u201chibakusha\u201d, que significa \u201cpessoa afetada por explos\u00e3o\u201d, para se referirem \u00e0s v\u00edtimas das bombas at\u00f4micas lan\u00e7adas em Hiroshima e Nagasaki. Passados 67 anos do ataque estadunidense, o Jap\u00e3o ainda sofre com a amea\u00e7a nuclear.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Connection World<\/small><\/figure>\n<p><strong>Amy Goodman<\/strong><\/p>\n<p>Os n&iacute;veis de radia&ccedil;&atilde;o nos reatores nucleares de Fukushima, no Jap&atilde;o, aumentaram nas &uacute;ltimas semanas, alcan&ccedil;ando patamares de at&eacute; 10.000 milisieverts (mSv) por hora no mesmo lugar. Este foi o n&iacute;vel m&aacute;ximo informado pela Companhia El&eacute;trica de T&oacute;quio, a TECO, desprestigiada empresa propriet&aacute;ria da central nuclear, embora caiba dizer que esse n&uacute;mero &eacute; o m&aacute;ximo que o Contador Geisel possa medir. Em outras palavras, os n&iacute;veis de radia&ccedil;&atilde;o literalmente ultrapassam todas as medi&ccedil;&otilde;es. A exposi&ccedil;&atilde;o a 10.000 milisieverts durante um curto per&iacute;odo de tempo tem conseq&uuml;&ecirc;ncias fatais: provoca a morte em apenas semanas (a t&iacute;tulo de compara&ccedil;&atilde;o, a radia&ccedil;&atilde;o total de uma radiografia dental &eacute; de 0,005 mSV e a de uma tomografia computadorizada do c&eacute;rebro &eacute; de 5). O jornal The New York Times informou que, ap&oacute;s o desastre, funcion&aacute;rios do governo japon&ecirc;s ocultaram os progn&oacute;sticos oficiais sobre para onde se dirigia a chuva radioativa devido ao vento e ao clima para evitar o caro deslocamento de centenas de milhares de habitantes.<\/p>\n<p>&ldquo;O segredo, uma vez aceito, converte-se em v&iacute;cio&rdquo;. Essas palavras bem que podiam descrever a manobra realizada pelo governo japon&ecirc;s diante da cat&aacute;strofe nuclear. A fala pertence ao cientista at&ocirc;mico Edward Teller, um dos principais respons&aacute;veis pela cria&ccedil;&atilde;o das duas primeiras bombas at&ocirc;micas. A bomba de ur&acirc;nio conhecida por &ldquo;Little Boy&rdquo; foi lan&ccedil;ada no dia 06 de agosto de 1945 sobre a cidade de Hiroshima, Jap&atilde;o.<\/p>\n<p>Tr&ecirc;s dias mais tarde foi lan&ccedil;ada a segunda bomba, desta vez de plut&ocirc;nio e denominada &ldquo;Fat Man&rdquo;, sobre a cidade de Nagasaki. Cerca de 250 mil pessoas morreram por causa das explos&otilde;es e dos efeitos imediatos. Ningu&eacute;m sabe exatamente a quantidade de pessoas que morreram ou padeceram de enfermidades nos anos seguintes em virtude das explos&otilde;es, que v&atilde;o desde as dolorosas queimaduras, que sofreram milhares de sobreviventes, at&eacute; os efeitos tardios como doen&ccedil;as provocadas pela radia&ccedil;&atilde;o e c&acirc;ncer.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria dos bombardeios em Hiroshima e Nagasaki &eacute; em si mesma a hist&oacute;ria da censura e da propaganda militar estadunidense. Al&eacute;m das filmagens que foram ocultadas, as for&ccedil;as armadas impediram o acesso de jornalistas &agrave;s zonas de explos&otilde;es. Quando o jornalista vencedor do Pr&ecirc;mio Pulitzer George Weller conseguiu chegar a Nagasaki, seu artigo foi pessoalmente censurado pelo General Douglas MacArthur. O jornalista australiano Wildred Burchett conseguiu entrar em Hiroshima pouco depois das explos&otilde;es e dali mesmo escreveu sua famosa &ldquo;advert&ecirc;ncia ao mundo&rdquo;, na qual descreveu a propaga&ccedil;&atilde;o massiva das enfermidades como uma &ldquo;praga at&ocirc;mica&rdquo;. Mas as for&ccedil;as armadas estadunidenses disseminaram sua pr&oacute;pria praga. Acontece que William Laurence, jornalista do New York Times, tamb&eacute;m era empregado do Departamento de Guerra. Laurence informou precisamente a posi&ccedil;&atilde;o do governo estadunidense, insistindo que os &ldquo;japoneses descreviam &lsquo;sintomas&rsquo; que n&atilde;o pareciam verdadeiros&rdquo;. Lamentavelmente, ganhou o Pr&ecirc;mio Pulitzer por sua propaganda.<\/p>\n<p>Greg Mitchell escreveu sobre a hist&oacute;ria e as seq&uuml;elas de Hiroshima e Nagasaki durante d&eacute;cadas. Neste novo anivers&aacute;rio do bombardeio &agrave; Nagasaki, perguntei-o sobre seu mais recente livro &ldquo;Dissimula&ccedil;&atilde;o at&ocirc;mica: Dois soldados estadunidenses, Hiroshima e Nagasaki, e o melhor filme jamais rodado&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Parece que tudo que &eacute; tocado pelas armas nucleares ou pela energia nuclear provoca oculta&ccedil;&atilde;o e perigo para o p&uacute;blico&rdquo;. Mitchell disse que durante anos buscou imagens filmadas pelas for&ccedil;as armadas estadunidenses nos meses posteriores ao lan&ccedil;amento das bombas; rastreou os envelhecidos produtores cinematogr&aacute;ficos e, apesar de d&eacute;cadas de classifica&ccedil;&atilde;o de documentos por parte do governo, foi um dos jornalistas que publicizou os incr&iacute;veis arquivos cinematogr&aacute;ficos em cor. Como parte do Relat&oacute;rio sobre Bombardeios Estrat&eacute;gicos dos Estados Unidos, as equipes de filmagem documentaram n&atilde;o s&oacute; a devasta&ccedil;&atilde;o das cidades, como tamb&eacute;m realizaram um documenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica com tomadas das graves queimaduras e as feridas degenerativas sofridas por civis, entre eles crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>Em uma cena, v&ecirc;-se um homem jovem com feridas em carne viva por todas as suas costas, enquanto recebe tratamento. Apesar das graves queimaduras e de ter sido realmente tratado apenas meses mais tarde, o homem sobreviveu.<\/p>\n<p>Sumiteru Taniguchi, que agora tem 82 anos de idade, &eacute; diretor do Conselho de Pessoas Afetadas pela Bomba At&ocirc;mica de Nagasaki. Mitchell reproduziu coment&aacute;rios recentes de Taniguchi em um jornal japon&ecirc;s que relacionam &agrave; bomba at&ocirc;mica ao atual desastre de Fukushima:<\/p>\n<p>O senhor de idade foi citado dizendo: &ldquo;A energia nuclear e o ser humano n&atilde;o podem coexistir. N&oacute;s, os sobreviventes da bomba at&ocirc;mica, sempre o dissemos. E, no entanto, o uso da energia nuclear foi disfar&ccedil;ado de &lsquo;pac&iacute;fico&rsquo; e continuou avan&ccedil;ando. Nunca se sabe quando haver&aacute; um desastre natural. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel dizer que nunca haver&aacute; um acidente nuclear&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste doloroso encontro de novos e velhos desastres, dever&iacute;amos escutar as v&iacute;timas sobreviventes de ambas as cat&aacute;strofes.<\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash;<\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Mercedes Camps y <a href=\"mailto:spanish@democracynow.org \">Democracy Now! em espanhol<\/a>. <\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por <a href=\"mailto:rafael.estrategiaeanalise@gmail.com\">Rafael Cavalcanti Barreto<\/a>, e revisado por <a href=\"mailto:bruno.estrategiaeanalise@gmail.com\">Bruno Lima Rocha<\/a>. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/\">Democracy Now!<\/a>, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os japoneses usam o termo \u201chibakusha\u201d, que significa \u201cpessoa afetada por explos\u00e3o\u201d, para se referirem \u00e0s v\u00edtimas das bombas at\u00f4micas lan\u00e7adas em Hiroshima e Nagasaki. 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