{"id":10546,"date":"2011-09-09T00:03:29","date_gmt":"2011-09-09T00:03:29","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1511"},"modified":"2011-09-09T00:03:29","modified_gmt":"2011-09-09T00:03:29","slug":"cheney-rumsfeld-e-a-obscura-arte-da-propaganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10546","title":{"rendered":"Cheney, Rumsfeld e a obscura arte da propaganda"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/11 de setembro 2.jpg\" title=\"A implos\u00e3o das Torres G\u00eameas no atentado do 11 de Setembro s\u00f3 n\u00e3o matou mais estadunidenses do que os Governos de Bush e Obama com suas guerras no Oriente M\u00e9dio. - Foto:usurpadores.blogspot\" alt=\"A implos\u00e3o das Torres G\u00eameas no atentado do 11 de Setembro s\u00f3 n\u00e3o matou mais estadunidenses do que os Governos de Bush e Obama com suas guerras no Oriente M\u00e9dio. - Foto:usurpadores.blogspot\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A implos\u00e3o das Torres G\u00eameas no atentado do 11 de Setembro s\u00f3 n\u00e3o matou mais estadunidenses do que os Governos de Bush e Obama com suas guerras no Oriente M\u00e9dio.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:usurpadores.blogspot<\/small><\/figure>\n<p><strong>Por Amy Goodman<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Quando se mente, deve-se mentir grande e ser fiel a essa mentira&rdquo;, escreveu Joseph Goebbels, o ministro da propaganda do Reich alem&atilde;o em 1941. O ex-Vice-presidente Dick Cheney parece ter tomado o famoso conselho nazista em seu novo livro: &ldquo;No meu tempo&rdquo;. Cheney continua fiel a suas convic&ccedil;&otilde;es em temas que v&atilde;o desde a invas&atilde;o do Iraque at&eacute; o uso da tortura. Durante uma entrevista no programa Dateline da NBC News, o republicano falou sobre as revela&ccedil;&otilde;es do livro: &ldquo;Muitas cabe&ccedil;as v&atilde;o rolar em Washington&rdquo;. As mem&oacute;rias de Cheney seguem as de seu colega e amigo Donald Rumsfeld. Enquanto ambos promovem sua pr&oacute;pria vers&atilde;o da hist&oacute;ria, h&aacute; quem os desafie e os enfrente.<\/p>\n<p>O t&iacute;tulo do livro de Rumsfeld, &ldquo;Conhecido e desconhecido&rdquo;, adv&eacute;m de uma resposta infame que deu durante uma confer&ecirc;ncia de imprensa no Pent&aacute;gono quando ainda era ministro da Defesa. Em 12 de fevereiro de 2002, Rumsfeld tentava explicar a falta de evid&ecirc;ncias que vincularam o Iraque a armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa: &ldquo;H&aacute; conhecidos que conhecemos, h&aacute; coisas que sabemos que sabemos. Tamb&eacute;m sabemos que h&aacute; conhecidos que desconhecemos, o que quer dizer que sabemos que h&aacute; algumas coisas que n&atilde;o sabemos. Mas tamb&eacute;m h&aacute; coisas desconhecidas que desconhecemos, aquilo que n&atilde;o sabemos que n&atilde;o sabemos&rdquo;.<\/p>\n<p>A enigm&aacute;tica declara&ccedil;&atilde;o de Rumsfeld se fez famosa e emblem&aacute;tica por seu desd&eacute;m aos jornalistas. &Eacute; considerada um s&iacute;mbolo das mentiras e manipula&ccedil;&otilde;es que levaram aos Estados Unidos &agrave; desastrosa invas&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o do Iraque.<\/p>\n<p>Uma pessoa que foi convencida gra&ccedil;as &agrave; ret&oacute;rica de Rumsfeld foi Jared August Hagemann.<\/p>\n<p>Hagemann se alistou no ex&eacute;rcito para servir seu pa&iacute;s, a fim de fazer frente &agrave;s amea&ccedil;as que repetidamente o Ministro da Defesa mencionava. Quando o soldado estadunidense recebeu o chamado para mais uma miss&atilde;o (sua esposa n&atilde;o se lembra se era a s&eacute;tima ou a oitava), a press&atilde;o foi demasiada. No dia 28 de junho de 2011, Jared Hagemann, de 25 anos, atirou em si mesmo na Base Conjunta Lewsi-McChord, pr&oacute;ximo de Seattle. O Pent&aacute;gono deu a entender que Hagemann morreu por causa de uma ferida de bala &ldquo;auto-infligida&rdquo;, mas ainda assim n&atilde;o chamou o fato de suic&iacute;dio. <\/p>\n<p>Jared amea&ccedil;ou suicidar-se v&aacute;rias vezes. N&atilde;o foi o &uacute;nico. Segundo informa&ccedil;&otilde;es, cinco soldados cometeram suic&iacute;dio no Fort Lewis em julho. Estima-se que mais de trezentos mil soldados que voltaram da guerra padecem de transtornos por estresse p&oacute;s-traum&aacute;tico ou depress&atilde;o.<\/p>\n<p>A vi&uacute;va de Hagemann, Ashley Joppa-Hagemann, soube que Rumsfeld disponibilizaria exemplares de seu livro na base. Na sexta-feira, 26 de agosto, Ashley entregou a Rumsfeld uma c&oacute;pia do programa dos servi&ccedil;os f&uacute;nebres em mem&oacute;ria de seu falecido esposo. Ela me descreveu o encontro: &ldquo;Disse-lhe que queria que visse meu esposo, e assim o conheceria, assim poderia lembrar-se do rosto de ao menos um dos soldados que perderam suas vidas em virtude das mentiras em rela&ccedil;&atilde;o ao 11 de Setembro&rdquo;.<\/p>\n<p>Perguntei-lhe sobre a resposta de Rumsfeld: &ldquo;Tudo o que lembro &eacute; ele dizendo &lsquo;Ah,sim! Ouvi algo disso&rsquo;. Em seguida, fui acossada por um de seus seguran&ccedil;as pessoais, expulsa do local e advertida para n&atilde;o mais voltar&rdquo;. Infelizmente, &eacute; o Sargento do Estado Maior Hagemann quem nunca mais vai voltar a sua esposa e a seus dois pequenos filhos.<\/p>\n<p>\nEm uma entrevista para a NBC, Cheney afirmou ter desempenhado um papel na ren&uacute;ncia do ent&atilde;o Secret&aacute;rio de Estado Colin Powell. Consultei a respeito junto ao ex-chefe de despacho de Powell, o Coronel Lawrence Wilkerson, que respondeu: &ldquo;Pelos trechos que li, vale dizer que n&atilde;o li o livro inteiro, o que o vice-presidente disse de mais impactante &eacute; que teve algo a ver com o afastamento de Colin Powell de seu cargo em janeiro de 2005. Isso &eacute; um disparate total&rdquo;. <\/p>\n<p>Mais importante, no entanto, &eacute; a cobran&ccedil;a de Wilkerson para que os respons&aacute;veis por levar o pa&iacute;s &agrave; guerra no Iraque sejam responsabilizados por seus atos, o que implicaria em um castigo a si mesmo. Um pilar central da invas&atilde;o do Iraque foi o discurso de Powell em 2003 diante das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em que exp&ocirc;s o caso das armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa. Wilkerson assume plena responsabilidade pela coordena&ccedil;&atilde;o do discurso de Powell: &ldquo;Infelizmente, e j&aacute; reconheci diversas vezes publicamente e em particular, fui a pessoa que preparou a apresenta&ccedil;&atilde;o de Powell ante Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Provavelmente foi o maior erro da minha vida. <br \/>\nLamento-o at&eacute; o dia de hoje. Lamento n&atilde;o ter renunciando naquele momento&rdquo;. Perguntei ao Coronel Wilkerson o que pensa de grupos como o Centro pelos Direitos Constitucionais e o advogado e blogueiro Glenn Greenwald que pediu o julgamento criminal de Cheney, Rumsfeld e outros funcion&aacute;rios do governo Bush. Respondeu-me: &ldquo;Estaria disposto a testemunhar, e estaria disposto a enfrentar qualquer castigo que mere&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p>O Coronel Wilkerson ainda comentou sobre o livro de Cheney: &ldquo;&Eacute; um livro escrito sem medo. Sem medo de que um dia algu&eacute;m fa&ccedil;a de Cheney um &lsquo;Pinochet&rsquo;&rdquo;. O Coronel Wilkerson se refere ao caso do ditador chileno Augusto Pinochet, que foi preso na Inglaterra e detido durante um ano antes de ser liberado. Um juiz espanhol queria que o extraditasse para julg&aacute;-lo por crimes contra a humanidade.<br \/>\nA poucos dias do d&eacute;cimo anivers&aacute;rio d0 11 de Setembro e enquanto aumenta o n&uacute;mero de v&iacute;timas de todos os lados envolvidos no conflito, os livros de Rumsfeld e Cheney nos lembram mais uma vez qual &eacute; a primeira baixa da guerra: a verdade.<\/p>\n<p>&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&mdash;&ndash; <\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna. <br \/>\n@2010 Amy Goodman <\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Fernanda Garpe y <a href=\"mailto:spanish@democracynow.org \">Democracy Now! em espanhol<\/a>.<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisado por Bruno Lima Rocha. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do Democracy Now!, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A implos\u00e3o das Torres G\u00eameas no atentado do 11 de Setembro s\u00f3 n\u00e3o matou mais estadunidenses do que os Governos de Bush e Obama com suas guerras no Oriente M\u00e9dio. 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