{"id":10549,"date":"2011-09-21T11:21:24","date_gmt":"2011-09-21T11:21:24","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1520"},"modified":"2011-09-21T11:21:24","modified_gmt":"2011-09-21T11:21:24","slug":"zonas-cinzas-da-contra-informacao-a-cobertura-jornalistica-da-revista-epoca-sobre-a-fraude-no-leilao-do-sistema-telebras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10549","title":{"rendered":"Zonas cinzas da contra-informa\u00e7\u00e3o: a cobertura jornal\u00edstica da revista \u00c9poca sobre a fraude no leil\u00e3o do Sistema Telebr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/grampo.jpg\" title=\"O grampo do BNDES teve grande repercuss\u00e3o e pareceu ser emblem\u00e1tico da presen\u00e7a do aparelho de Estado para a fun\u00e7\u00e3o de defesa interna, assim como demonstra a materializa\u00e7\u00e3o do conceito de rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas somadas com o patrimonialismo. - Foto:pjpontes.blogspot\" alt=\"O grampo do BNDES teve grande repercuss\u00e3o e pareceu ser emblem\u00e1tico da presen\u00e7a do aparelho de Estado para a fun\u00e7\u00e3o de defesa interna, assim como demonstra a materializa\u00e7\u00e3o do conceito de rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas somadas com o patrimonialismo. - Foto:pjpontes.blogspot\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">O grampo do BNDES teve grande repercuss\u00e3o e pareceu ser emblem\u00e1tico da presen\u00e7a do aparelho de Estado para a fun\u00e7\u00e3o de defesa interna, assim como demonstra a materializa\u00e7\u00e3o do conceito de rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas somadas com o patrimonialismo.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:pjpontes.blogspot<\/small><\/figure>\n<p><em>21 de setembro, da Vila Setembrina a terra dos papa-m&eacute;is, Bruno Lima Rocha e Rafael Cavalcanti<\/em><\/p>\n<p>O artigo pretende situar, minimamente, as rela&ccedil;&otilde;es da ind&uacute;stria da m&iacute;dia com os organismos de intelig&ecirc;ncia brasileiros a partir da an&aacute;lise de cobertura jornal&iacute;stica da revista &Eacute;poca sobre o epis&oacute;dio do grampo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES). O caso ocorreu durante o leil&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s em julho de 1999 e as mat&eacute;rias da revista foram publicadas no ano de 2001. Tal escolha se deu por dois motivos: a visibilidade que a Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (ABIN) obteve nesta cobertura jornal&iacute;stica e a caracteriza&ccedil;&atilde;o de um conflito intra-elites na disputa pelo controle do Sistema Telebr&aacute;s em leil&atilde;o de privatiza&ccedil;&atilde;o, levando a conclus&atilde;o de que o sistema privado nasce com v&iacute;cio de origem em sua composi&ccedil;&atilde;o de capitais e concorr&ecirc;ncia monopol&iacute;stica fraudulenta. <\/p>\n<p>O seguinte texto foi publicado em 2010 no livro <strong>TV Digital, Economia Pol&iacute;tica e Democracia<\/strong>, organizado por Val&eacute;rio Cruz Brittos, professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).<\/p>\n<p>O objetivo do artigo &eacute; fazer uma cr&iacute;tica emp&iacute;rica da cobertura, n&atilde;o sobre a exposi&ccedil;&atilde;o dos fatos em si, mas sim a constru&ccedil;&atilde;o de sentido a respeito dos temas. A revista das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo demonstra &quot;espanto ou surpresa&quot; nas suas p&aacute;ginas oficiais sobre o comportamento de organismos de intelig&ecirc;ncia e de seu sistema interno de defesa. Essa rea&ccedil;&atilde;o acaba se mostra equivocada ao longo de uma leitura anal&iacute;tica de duas mat&eacute;rias do peri&oacute;dico, tornando o argumento central das reportagens absurdo. Ora se a hip&oacute;tese que fundamenta a abordagem jornal&iacute;stica &eacute; desmentida pela pr&oacute;pria estrutura a qual diz estar cobrindo, que conceito melhor denominaria o seu uso como base de um esc&acirc;ndalo nacional?  <\/p>\n<p>Basta observar, simples e objetivamente, como funciona a defesa interna no Brasil para entender os erros da cobertura jornal&iacute;stica sobre o seu acionar. Independente do caso do grampo telef&ocirc;nico em si, &eacute; importante ressaltar alguns aspectos do seu funcionamento, que tornam este caso sintom&aacute;tico e a a&ccedil;&atilde;o dos agentes envolvidos, sist&ecirc;mico e corriqueiro. A come&ccedil;ar pela defesa interna e seus organismos. <\/p>\n<p>O Sistema Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es (SISNI) tinha em sua espinha dorsal alguns aparelhos de Estado. O principal era o Servi&ccedil;o Nacional de Informa&ccedil;&atilde;o (SNI) em si, comandado a partir da Ag&ecirc;ncia Central e com atua&ccedil;&atilde;o em todo o pa&iacute;s atrav&eacute;s das ag&ecirc;ncias regionais (nos estados). O Servi&ccedil;o se complementava com o Sistema, composto por todos os organismos de intelig&ecirc;ncia do pa&iacute;s. O complemento direto do Servi&ccedil;o eram as Diretorias de Seguran&ccedil;a e Informa&ccedil;&otilde;es (DSIs) dos minist&eacute;rios e as Assessorias de Seguran&ccedil;a e Informa&ccedil;&otilde;es (ASIs) nas autarquias e estatais federais al&eacute;m de estatais estaduais de maior import&acirc;ncia.<\/p>\n<p>&Eacute; p&uacute;blico e not&oacute;rio este funcionamento, que por sinal permaneceu vigente mesmo com o desmonte dos Centros de Opera&ccedil;&otilde;es de Defesa Interna (CODIs). Parece claro que, em n&atilde;o sendo v&aacute;lida a hip&oacute;tese de independ&ecirc;ncia total entre os campos, os mandos militares da ditadura publicizaram uma disputa entre os setores hegem&ocirc;nicos no processo conhecido como abertura lenta, gradual e restrita. Voltando &agrave;s ASIs, estas existiam em autarquias e estatais mais sens&iacute;veis, como a antiga empresa de Telecomunica&ccedil;&otilde;es do Rio de Janeiro (Telerj), cujo edif&iacute;cio central foi sede do grampo e das ofertas de comercializa&ccedil;&atilde;o das fitas realizadas posteriormente.<\/p>\n<p>Outro fator essencial para compreender este caso como sist&ecirc;mico e n&atilde;o an&ocirc;malo, corresponde &agrave; presen&ccedil;a de &quot;profissionais do mercado&quot; em altos escal&otilde;es de decis&atilde;o p&uacute;blica, pol&iacute;ticos com proje&ccedil;&atilde;o nacional que simultaneamente s&atilde;o controladores ou s&oacute;cios de grupos econ&ocirc;micos (como Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es, Paulo Maluf, Tasso Jereissati) e a atitude &quot;agressiva e arrojada&quot; dos executivos de corpora&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;mico-financeiras em leil&otilde;es de privatiza&ccedil;&atilde;o ou situa&ccedil;&otilde;es semelhantes.<\/p>\n<p>O realmente an&ocirc;malo neste caso &eacute; o fato de a ABIN ter ganho notoriedade cr&iacute;tica em uma situa&ccedil;&atilde;o de capitalismo concorrencial. Ou seja, a Ag&ecirc;ncia deixou perceber publicamente seu <em>modus-operandi<\/em> de vigil&acirc;ncia da sociedade e do pr&oacute;prio Estado. Embora a situa&ccedil;&atilde;o pare&ccedil;a complexa, ela se revela simples. Sistematicamente, segundo as tradi&ccedil;&otilde;es do SNI, a ABIN e o conjunto do Sistema exercem vigil&acirc;ncia sobre os aparelhos de Estado mais sens&iacute;veis e importantes, seus &oacute;rg&atilde;os de primeiro escal&atilde;o e os poss&iacute;veis advers&aacute;rios dentro do projeto a ser implementado pelo pr&oacute;prio poder. Estas disputas s&atilde;o ideol&oacute;gicas, corporativas, fisiol&oacute;gicas ou de capitalismo concorrencial. <\/p>\n<p>As fitas de escuta telef&ocirc;nica &quot;vazaram&quot; porque foram comercializadas. &quot;Moura disse que a grava&ccedil;&atilde;o fora feita por quatro arapongas. Insinuou que se tratava do mesmo grupo envolvido nos grampos do BNDES&quot; (1).  Quem ordenou e executou a a&ccedil;&atilde;o de vigil&acirc;ncia foi o organismo oficial, como rotineiramente faz. Esta afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; apontada pela pr&oacute;pria revista &Eacute;poca. O fato de ter contado com agentes da ativa e da reserva para a&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; fator de espanto para leigos no tema de intelig&ecirc;ncia e seguran&ccedil;a. <\/p>\n<p>A autoria intelectual da opera&ccedil;&atilde;o, ou seja, os mandantes, n&atilde;o foi comprovada pelo inqu&eacute;rito de 27 meses. &quot;O procurador Artur Gueiros explica: conseguimos apenas coisas vagas sobre quem teria pago pelas grava&ccedil;&otilde;es, insuficientes para estar na den&uacute;ncia&quot; (2).  Este &eacute; outro fator bastante comum, uma vez que a a&ccedil;&atilde;o de vigil&acirc;ncia tem de continuar, e algum n&iacute;vel de corrup&ccedil;&atilde;o sempre existe em todos os &oacute;rg&atilde;os da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. A &quot;promiscuidade&quot; entre os organismos de intelig&ecirc;ncia e o capital corporativo, mais do que somente corrup&ccedil;&atilde;o ou conflu&ecirc;ncia de interesses, est&aacute; na forma&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio aparelho.\t<\/p>\n<p>Para completar estas considera&ccedil;&otilde;es iniciais, &eacute; preciso fazer duas observa&ccedil;&otilde;es. H&aacute; a hip&oacute;tese de que as fitas &quot;vazaram&quot; como instrumento de disputa intra-elites, do capitalismo concorrencial brasileiro. A situa&ccedil;&atilde;o mais prov&aacute;vel &eacute; a de que os grupos que comp&otilde;em o cons&oacute;rcio vencedor (o Telemar), em especial o grupo La Fonte (comandado por Carlos Jereissati, irm&atilde;o do ex-governador do Cear&aacute;, Tasso Jereissati) as comprou e difundiu pela m&iacute;dia, para for&ccedil;ar o Poder Executivo a &quot;fritar&quot; Lu&iacute;s Carlos Mendon&ccedil;a de Barros e Andr&eacute; Lara Resende, na &eacute;poca, respectivamente, ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es e presidente BNDES. A realiza&ccedil;&atilde;o das grava&ccedil;&otilde;es foi obra da ABIN, sendo o fator de corrup&ccedil;&atilde;o a venda das mesmas.<\/p>\n<p>Outro aspecto foi o mercado de fitas e grampos telef&ocirc;nicos, tidos pela m&iacute;dia como &quot;absurdo e escandaloso&quot;. Apenas como exemplo do verdadeiro absurdo deste espanto &eacute; o fato de que em um dia comum do corrente ano, como 25 de setembro de 2001, consta na p&aacute;gina 15 do Caderno de Classificados, se&ccedil;&atilde;o 5 (Casa &amp; Voc&ecirc;), subse&ccedil;&atilde;o 572 (Servi&ccedil;os Diversos), ao longo de uma coluna de publicidade, nove an&uacute;ncios de detetives particulares, os quais seis oferecem grava&ccedil;&otilde;es telef&ocirc;nicas (3).  Pode o jornal O Globo surpreender-se com algo que o mesmo ve&iacute;culo divulga todos os dias?<\/p>\n<p>Completando as observa&ccedil;&otilde;es, compreende-se como excelente hist&oacute;ria-cobertura o esc&acirc;ndalo pelo &quot;vazamento&quot; das fitas. Se estas n&atilde;o tivessem sido comercializadas e posteriormente publicadas na m&iacute;dia impressa, muito possivelmente n&atilde;o haveria fato algum. Ou seja, a vigil&acirc;ncia apenas teria sido mais um fato corriqueiro no cotidiano da ABIN atrav&eacute;s de sua ag&ecirc;ncia no Rio.<\/p>\n<p><strong>Neg&oacute;cios de gangue\t<\/strong><\/p>\n<p>A primeira mat&eacute;ria da Revista &Eacute;poca escolhida para an&aacute;lise data de 2 de abril de 2001 e tem a chamada o t&iacute;tulo de capa de &quot;Como negocia a gangue do grampo&quot; (4).  Neste texto, os rep&oacute;rteres se dizem interessados na compra de fitas de grava&ccedil;&otilde;es telef&ocirc;nicas, oferecidas pelos intermedi&aacute;rios da quadrilha, o advogado carioca Jorge Moura e ex-funcion&aacute;ria do estado da Bahia, Yolanda Santana Lopes (5).  Tratam-se de conversas a respeito da Petrobr&aacute;s, do caso que gerou a perda da plataforma P-36, co-gerida pela empresa Mar&iacute;tima, uma das concession&aacute;rias terceirizadas da estatal brasileira do petr&oacute;leo. <br \/>\n<em><br \/>\nEntre as personagens grampeadas estavam o ex-presidente da Petrobr&aacute;s Joel Renn&oacute; e o assessor especial da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica Wellington Moreira Franco. O empres&aacute;rio German Efromovich, dono da Mar&iacute;tima, empresa de constru&ccedil;&atilde;o naval contratada pela Petrobr&aacute;s, e o ex-diretor da estatal, Ant&ocirc;nio Carlos de Agostini, tamb&eacute;m participam das conversas grampeadas (6). <\/em><\/p>\n<p>Os negociadores prometem que as fitas podem gerar at&eacute; um processo de impeachment do presidente da Rep&uacute;blica e dizem ter sido feitas pelo mesmo grupo que fizera o grampo do BNDES. Destaca-se o fato dos rep&oacute;rteres terem reproduzido a vers&atilde;o dos negociadores e assim afirmarem que a opera&ccedil;&atilde;o de escuta ilegal fora iniciativa &quot;feita por quatro arapongas&rdquo;. Insinuaram que se tratava do mesmo grupo envolvido nos grampos do BNDES. Entre os acusados por essa escuta figura o agente Tem&iacute;lson Resende (o Telmo), que trabalhava no Rio <\/p>\n<p>Segundo a reportagem, Jorge Moura teria o papel de intermedi&aacute;rio, utilizando sua prima Yolanda, ex-chefe do setor de pessoal das Volunt&aacute;rias Sociais da Bahia, no per&iacute;odo de 1990-1994, governo de ACM. Nesta fun&ccedil;&atilde;o, era subordinada &agrave; Teresa Mata Pires (filha do ent&atilde;o governador), o que lhe propiciaria alguma entrada com o pol&iacute;tico baiano. Yolanda foi recebida junto de Moura por Cristine Tanaka, secret&aacute;ria do jornal Correio da Bahia, de propriedade do senador, em 22 de mar&ccedil;o daquele ano. <\/p>\n<p>Na reda&ccedil;&atilde;o do jornal, ligaram para um celular clonado e na outra ponta da quadrilha, ligaram um gravador com a fita de uma conversa do ent&atilde;o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Imediatamente a secret&aacute;ria acionou o gabinete em Bras&iacute;lia e, em 23 de mar&ccedil;o, Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es (ACM) enviou um oficial da Pol&iacute;cia Militar baiana &agrave; casa de Yolanda. L&aacute;, o policial falou com Moura ao telefone e recebeu a oferta de R$ 20 milh&otilde;es por uma fita com FHC e R$ 12 milh&otilde;es por uma conversa que ocorrera na Petrobr&aacute;s. ACM n&atilde;o deu andamento ao neg&oacute;cio da compra e, segundo a revista, &quot;no dia 24 (de mar&ccedil;o) foram reveladas as tentativas de venda do suposto grampo&rdquo; (7). <\/p>\n<p>&quot;Jorge Moura ligou para a &lsquo;prima&rsquo; em Salvador preocupado com a divulga&ccedil;&atilde;o por &Eacute;poca de que o material era falso. Temia n&atilde;o mais achar clientes interessados nas escutas&quot; (8).  Ou seja, a reportagem de &Eacute;poca serviria tamb&eacute;m de an&uacute;ncio publicit&aacute;rio para a quadrilha que negocia as fitas. Comprovadas como aut&ecirc;nticas atrav&eacute;s da &quot;credibilidade do jornalismo investigativo&quot; das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo, os interesses de comercializa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o facilitados com a divulga&ccedil;&atilde;o de &Eacute;poca.<\/p>\n<p>As ofertas das fitas foram enviadas para grupos pol&iacute;ticos e empresariais atrav&eacute;s de um endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico. Rastreada a mensagem pelo Departamento de Telem&aacute;tica da Pol&iacute;cia Civil de S&atilde;o Paulo (9),  os especialistas chegaram a um endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico da Telemar, do edif&iacute;cio da empresa na Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio (10).  Mesmo com a evid&ecirc;ncia de que o local &eacute; o mesmo onde ficava lotada a antiga Diretoria de Seguran&ccedil;a e Informa&ccedil;&otilde;es (DSI) da empresa de Telecomunica&ccedil;&otilde;es do Rio de Janeiro (Telerj), sendo tamb&eacute;m o local onde fora efetuado o grampo do BNDES, a reportagem de &Eacute;poca aceitou a vers&atilde;o de que estas fitas foram feitas por &quot;quatro arapongas&quot; e n&atilde;o pelo pr&oacute;prio aparelho de Estado, vers&atilde;o tida como v&aacute;lida pela mesma revista dois anos antes na mat&eacute;ria &ldquo;Grampo feito em casa&rdquo; (11). <\/p>\n<p>A mat&eacute;ria traz uma coluna em destaque abordando os pre&ccedil;os baixos (R$ 100 reais em m&eacute;dia) dos equipamentos de escuta telef&ocirc;nica, o que permitiria a banaliza&ccedil;&atilde;o do grampo (12).  Isto corrobora a vers&atilde;o dada pelos negociadores que as grava&ccedil;&otilde;es seriam obra de arapongas agindo independentes da Ag&ecirc;ncia ou de qualquer outro organismo. <\/p>\n<p>A escuta telef&ocirc;nica vira objeto animado, sendo chamado pela reportagem de &quot;Grampos viraram ingrediente para crises pol&iacute;ticas&rdquo; (13).  Afirma em um destaque de p&aacute;gina dupla a invers&atilde;o dos fatos, quando diz que &quot;esc&acirc;ndalos causados por escutas telef&ocirc;nicas come&ccedil;aram em 1995 e tiveram escalada nos &uacute;ltimos meses, amea&ccedil;ando governo, pol&iacute;ticos e empres&aacute;rios&rdquo; (14).  Exp&otilde;e uma seq&uuml;&ecirc;ncia cronol&oacute;gica a partir de 1995, com o caso da concorr&ecirc;ncia para a implementa&ccedil;&atilde;o do Sistema de Vigil&acirc;ncia da Amaz&ocirc;nia (SIVAM), levando a &quot;fritura&quot; do embaixador J&uacute;lio C&eacute;sar Gomes, ent&atilde;o chefe de Cerimonial da Presid&ecirc;ncia, acusado de tr&aacute;fico de influ&ecirc;ncia; em 1997 foi a vez de deputados acreanos serem grampeados quando negociavam seus votos para votar a favor da emenda da reelei&ccedil;&atilde;o, S&eacute;rgio Motta (ent&atilde;o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es) foi acusado de comandar a opera&ccedil;&atilde;o, mas nada sofreu; o t&atilde;o falado grampo do BNDES que levou a &quot;fritura&quot; de Mendon&ccedil;a de Barros e Andr&eacute; Lara Resende; e os tr&ecirc;s casos de 2001, quando deputados baianos foram grampeados negociando sua filia&ccedil;&atilde;o ao PMDB; escuta telef&ocirc;nica sobre Inoc&ecirc;ncio de Oliveira, l&iacute;der do antigo PFL na C&acirc;mara dos Deputados e o grampo na resid&ecirc;ncia do auditor do Banco Central, Abrah&atilde;o Patruni J&uacute;nior, investigando o senador J&aacute;der Barbalho no caso do Banco do Estado do Par&aacute; (Banpar&aacute;) (15). <\/p>\n<p>Buscando oferecer an&aacute;lises pr&oacute;prias a respeito desta mat&eacute;ria,observa-se que a mesma usa a hist&oacute;ria do &quot;bode expiat&oacute;rio&quot;. Telmo e outros tr&ecirc;s agentes teriam realizado sozinhos, uma opera&ccedil;&atilde;o desta envergadura. A reportagem se concentra nos perfis dos personagens do enredo, ao inv&eacute;s de expor um mecanismo sistem&aacute;tico de vigil&acirc;ncia estatal sobre o pr&oacute;prio Estado. Se a a&ccedil;&atilde;o em si &eacute; ilegal, para o universo da espionagem isto &eacute; o que menos importa. O caso de corrup&ccedil;&atilde;o seria a venda das fitas (t&atilde;o ilegal quanto a escuta), mas esta comercializa&ccedil;&atilde;o aparentemente estaria voltada para interesses privados.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio refor&ccedil;ar a cr&iacute;tica ao subt&iacute;tulo do destaque nas p&aacute;ginas 38 e 39 da revista &Eacute;poca, &quot;esc&acirc;ndalos causados por escutas telef&ocirc;nicas&quot;, entendendo que este gera um sentido que inverte o fato. Se as den&uacute;ncias vieram a p&uacute;blico atrav&eacute;s de grampos &eacute; um aspecto, mas s&atilde;o fatos de esc&acirc;ndalos, independente de divulga&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o da m&iacute;dia. S&atilde;o mais do que &quot;esc&acirc;ndalos&quot;, porque quando algo se repete infinitas vezes, e n&atilde;o h&aacute; mais que um outro exemplo contr&aacute;rio, compreende-se que as exce&ccedil;&otilde;es (neste caso uma disputa intra-elites dentro de um padr&atilde;o moral alegado, mas nunca cumprido), apenas comprovam uma regra, velada ou n&atilde;o. O grampo sobre autoridades e demais membros das elites operando no Brasil, s&atilde;o, em nossa opini&atilde;o, tanto uma pol&iacute;tica do aparelho de Estado de vigil&acirc;ncia, como uma arma do capitalismo concorrencial, seguidas vezes utilizadas por grupos de interesse.<\/p>\n<p><strong>Central do grampo\t<\/strong><\/p>\n<p>A segunda mat&eacute;ria selecionada de &Eacute;poca data de 9 de abril de 2001 (16).  A ilustra&ccedil;&atilde;o de capa mostra uma montagem com o General Cardoso enrolado em fitas. Ela &eacute; a mais completa e por conseq&uuml;&ecirc;ncia, a mais contradit&oacute;ria. Se na reportagem da semana anterior os rep&oacute;rteres n&atilde;o se deram ao trabalho de expor uma segunda hip&oacute;tese para a vers&atilde;o da quadrilha de fitas, nesta o pr&oacute;prio t&iacute;tulo afirma quem s&atilde;o os autores e de onde partiu a ordem para faz&ecirc;-lo. &quot;Central do grampo&quot; se baseia na posi&ccedil;&atilde;o do juiz Alexandre Libonati de Abreu, da 2a Vara Criminal Federal, que &quot;semanas atr&aacute;s, aceitou as provas apresentadas pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico e pela Pol&iacute;cia Federal demonstrando que a ordem de escuta telef&ocirc;nica ilegal partiu do comando da se&ccedil;&atilde;o de Opera&ccedil;&otilde;es da ABIN&rdquo; (17). <\/p>\n<p>Repete ent&atilde;o &Eacute;poca uma mat&eacute;ria j&aacute; publicada em maio de 1999 (18)  a respeito da investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal levada a cabo durante 27 meses quando os procuradores da Rep&uacute;blica Artur Gueiros e Marcelo Freire, operada em campo pelos delegados federais Rubens Grandini e Cl&aacute;udio Nogueira, &quot;fizeram uma devassa na se&ccedil;&atilde;o de Opera&ccedil;&otilde;es da ABIN&rdquo; (19).  O inqu&eacute;rito resultou em quatro acusados diretos, chegando as poss&iacute;veis frituras em ordem crescente na hierarquia ao agente Ad&iacute;lson Alc&acirc;ntara de Matos, coordenador e analista da Ag&ecirc;ncia Rio Tem&iacute;lson Resende, chefe da Ag&ecirc;ncia Rio Jo&atilde;o Guilherme de Almeida e o diretor de Opera&ccedil;&otilde;es (1o escal&atilde;o da ABIN) Gerci Firmino da Silva (20). <\/p>\n<p>A mat&eacute;ria tampouco explicita qual a fun&ccedil;&atilde;o dos auxiliares de Telmo, se foram convocados de forma compartimentada pelo agente, com ordem oficial; ou foram chamados para formar a quadrilha na venda das fitas com conversas gravadas. Os personagens citados nesta parte da opera&ccedil;&atilde;o de escuta s&atilde;o: C&eacute;lio Ar&ecirc;as Rocha, carioca, 47 anos, ex-policial federal e ex-agente auxiliar do Centro de Intelig&ecirc;ncia do Ex&eacute;rcito (CIE) nos anos 1970; Jos&eacute; Armando Taddei, paulista, 50 anos, s&iacute;ndico do edif&iacute;cio-sede do BNDES, comandando a seguran&ccedil;a patrimonial no im&oacute;vel; o j&aacute; citado Ad&iacute;lson Alc&acirc;ntara de Matos, carioca, 38 anos, cabo da Marinha, ex-agente do Centro de Informa&ccedil;&otilde;es da Marinha (CENIMAR) e Waldeci Alves de Oliveira (sua ficha n&atilde;o consta na revista). Estes auxiliares foram convocados por Tem&iacute;lson Resende, paraibano, 51 anos, agente do SNI (e em seq&uuml;&ecirc;ncia da ABIN) desde 1978; com ordem de seu superior direto, Jo&atilde;o Guilherme de Almeida, ga&uacute;cho, 52 anos e chefe da Ag&ecirc;ncia Rio da ABIN, que segundo consta no inqu&eacute;rito federal, &quot;foi incumbido por seus superiores hier&aacute;rquicos&rdquo; (21)  para realizar a opera&ccedil;&atilde;o. Isto leva diretamente a Gerci Firmino da Silva, mineiro, 48 anos, diretor de opera&ccedil;&otilde;es da ABIN, baseado em Bras&iacute;lia. Acima dele, o coronel do Ex&eacute;rcito, Ariel de Cunto, diretor da ABIN; e sobre este o general Alberto Cardoso, paulista de 52 anos, ministro-chefe do Gabinete de Seguran&ccedil;a Institucional (GSI) (22). <\/p>\n<p>Em tese, as fitas vendidas (supostamente as duas primeiras, e que foram editadas) renderam aos negociadores R$ 7 milh&otilde;es. C&eacute;lio Ar&ecirc;as, um dos que delataram os ex-colegas, alegou ter recebido R$ 100.000 de Telmo. Outro a delatar a opera&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m por brigas financeiras com o paraibano, Waldeci dep&ocirc;s aos delegados federais sobre a atua&ccedil;&atilde;o da ABIN (23).  <\/p>\n<p>Os grampos aos quais a revista se refere cobrem o leil&atilde;o da Tele Norte Leste, grampeando o BNDES, e tamb&eacute;m escutas no Banco do Brasil e Petrobr&aacute;s. Estes s&atilde;o os temas que vieram &agrave; tona. As primeiras vendas resultaram na divulga&ccedil;&atilde;o de duas fitas, e ap&oacute;s um ano e meio do ocorrido, outras 46 fitas foram decupadas e publicadas na Folha de S&atilde;o Paulo. Apenas as duas primeiras, cobriram conversas entre Mendon&ccedil;a de Barros, Lara Resende e Fernando Henrique Cardoso (24).  <\/p>\n<p>A reportagem alega que o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (MJ) resolveu-se por abrir um inqu&eacute;rito a partir da reportagem anterior de &Eacute;poca, a que se referia a gangue dos grampos (25).  Esta &eacute; uma raz&atilde;o de Estado usando como argumento de legitimidade p&uacute;blica um inqu&eacute;rito policial. A gangue do grampo j&aacute; era conhecida deste Minist&eacute;rio, lembrando que o Departamento de Pol&iacute;cia Federal (DPF) pertence ao MJ, justo por se tratar da mesma quadrilha que vem negociando ininterruptamente, as fitas gravadas no Rio, no m&iacute;nimo, desde 1998. Os rep&oacute;rteres tampouco questionam este argumento forjado (o de uma reportagem que cobre algo j&aacute; conhecido pelo aparelho policial de Estado) para &quot;justificar&quot; uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o tardia do Poder Executivo.<\/p>\n<p>Dois aspectos da investiga&ccedil;&atilde;o oficial s&atilde;o apenas citados pela mat&eacute;ria, que ao inv&eacute;s de se dedicar a tra&ccedil;ar o perfil de agentes eventuais (26)  (Ad&iacute;lson Matos e C&eacute;lio Ar&ecirc;as, respectivamente, o equivalente aos postos de soldado e cabo no Ex&eacute;rcito) ou coordenadores locais(como Telmo, equivalente a sargento) (27).   Ao inv&eacute;s de investigar como e porque n&atilde;o houve o depoimento do general Cardoso ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico assim como o mesmo n&atilde;o fez a acarea&ccedil;&atilde;o com seu subordinado Jo&atilde;o Guilherme. A ordem oficial para que a acarea&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fosse realizada (ou a legitima&ccedil;&atilde;o oficial para uma posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de n&atilde;o confrontar um general com um subalterno, tamb&eacute;m motiva&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica para n&atilde;o trazer &agrave; tona assuntos secretos por sua pr&oacute;pria natureza) foi dada com a assinatura do vice-procurador-geral, Haroldo Ferraz (28).  Partindo do princ&iacute;pio que uma ordem oficial &eacute; fruto de um processo institucional respaldado na respectiva burocracia, &eacute; inimagin&aacute;vel que o vice-procurador impediu o depoimento do ministro do GSI por vontade livre e pr&oacute;pria.<\/p>\n<p>A reportagem tamb&eacute;m cita a sindic&acirc;ncia interna da ABIN, a primeira que &quot;apurou&quot; o  caso do grampo, a mesma que &quot;descobriu&quot; que Telmo tinha envolvimento com o jogo do bicho (o caso j&aacute; havia sido apurado). Mesmo com essa &quot;descoberta&quot; a sindic&acirc;ncia, sob assinatura do coronel Ariel de Cunto, inocentou o agente Tem&iacute;lson Resende (29).  <\/p>\n<p>A reportagem cita e publica uma foto do engenheiro eletr&ocirc;nico Paulo Renault (30)   apontado como o perito judicial, especialista em grampos, que fora designado para auxiliar os delegados federais na investiga&ccedil;&atilde;o. Era bastante prov&aacute;vel uma possibilidade do mesmo sofrer um atentado ou amea&ccedil;a. E foi justo o que aconteceu. <\/p>\n<p><em>Renault auxiliou os delegados federais por um m&ecirc;s, no in&iacute;cio do inqu&eacute;rito. Depois, em uma madrugada de domingo, sofreu um atentado. Um grupo de homens &#8211; relata &#8211; tentou desembarcar de um bote de borracha com motor de popa no atracadouro de sua casa, que fica na Ilha do Ip&ecirc;, dentro do canal da Barra da Tijuca&#8230; &quot;Foi uma troca de tiros aqui danada, eu e o seguran&ccedil;a contra os caras, eles desistiram e eu dei queixa na Pol&iacute;cia Federal (31). <\/em><\/p>\n<p>Logo ap&oacute;s este epis&oacute;dio, o perito retirou-se do caso.<\/p>\n<p>Quem o designou para o caso, n&atilde;o foi perguntado ou &quot;investigado&quot; pela reportagem, nem tampouco a reportagem perguntou (ou divulgou) sua opini&atilde;o sobre quem seriam os compradores das fitas e se a opera&ccedil;&atilde;o foi oficial ou n&atilde;o. <\/p>\n<p>A &quot;penumbra de mist&eacute;rio&quot; segue nos depoimentos de Cl&aacute;udio Nogueira, delegado federal, quando o mesmo afirma ser imposs&iacute;vel chegar aos compradores das fitas. Segundo o delegado, o processo remete a &quot;terceiros que n&atilde;o puderam ser identificados&quot; (32).   &ldquo;Conseguimos apenas coisas vagas sobre quem teria pago pelas grava&ccedil;&otilde;es, insuficientes para estar na den&uacute;ncia&quot; (33),  acrescenta o procurador da rep&uacute;blica Artur Gueiros. T&atilde;o vagos e insuficientes, que seu colega delegado federal Wantuir Jancini entregou uma rela&ccedil;&atilde;o de empres&aacute;rios que teriam feito a compra, para o n&uacute;mero um do MJ, o ent&atilde;o ministro Renan Calheiros (34).  Caso houvesse o mesmo empenho na investiga&ccedil;&atilde;o empresarial como houve na &quot;devassa&quot; contra a ABIN, as probabilidades de encontrarem a base para uma den&uacute;ncia iria aumentar bastante.  <\/p>\n<p>Uma outra possibilidade, a investiga&ccedil;&atilde;o por dentro da Telemar, n&atilde;o houve. Segundo a reportagem apurou, os especialistas da Pol&iacute;cia Civil de S&atilde;o Paulo (Departamento de Telecomunica&ccedil;&otilde;es &#8211; Detel &#8211; e Setor de Crimes de Alta Tecnologia) chegaram ao endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico da companhia telef&ocirc;nica de onde foram enviadas as propostas de venda das fitas com muita facilidade. Por outro lado, segundo o delegado do Detel paulista Sidney Muniz, &quot;a Telemar n&atilde;o se manifestou, mesmo depois da reportagem publicada&quot; (35).  O absurdo torna-se ainda maior, pois o argumento para que a empresa se manifeste &eacute; a reportagem e n&atilde;o a evid&ecirc;ncia. E obviamente, como este argumento &eacute; aceito com passividade no texto de &Eacute;poca, o ve&iacute;culo se legitima em detrimento da evid&ecirc;ncia policial. Conclui-se que o fato jornal&iacute;stico &eacute; invertido, porque o que conta para a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; o fato de que uma evid&ecirc;ncia (a do endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico) n&atilde;o foi sequer investigada.<\/p>\n<p>Vale observar que a mat&eacute;ria conclui que:<br \/>\n<em><br \/>\nA a&ccedil;&atilde;o federal, anunciada pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, poder&aacute; acabar ajudando as investiga&ccedil;&otilde;es. O complicador pol&iacute;tico &eacute; o envolvimento direto do servi&ccedil;o secreto da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica na origem do grampo. De dentro do Pal&aacute;cio do Planalto, a Abin &quot;promove a espionagem governamental&quot;, segundo os procuradores e delegados federais (36). <\/em><\/p>\n<p>A primeira quest&atilde;o exposta na an&aacute;lise pormenorizada &eacute;, se a conclus&atilde;o do inqu&eacute;rito havia sido aceita pelo juiz semanas antes, como a revista n&atilde;o apresentou esta vers&atilde;o uma semana antes na reportagem sobre a &quot;gangue do grampo&quot;?<\/p>\n<p>Em tese, a acusa&ccedil;&atilde;o &eacute; quanto a opera&ccedil;&atilde;o de escuta ilegal, mas feita com ordem oficial da ABIN. Portanto, toda a estrutura est&aacute; envolvida, por algo conhecido em quart&eacute;is como obedi&ecirc;ncia devida (mesma alega&ccedil;&atilde;o dos militares acusados de tortura na &uacute;ltima ditadura Argentina, de 1976 a 1983). Assim, o processo l&oacute;gico seria contra a Ag&ecirc;ncia, e n&atilde;o contra quatro operadores. Por mais autonomia t&aacute;tica que tenha uma se&ccedil;&atilde;o, ag&ecirc;ncia ou setor local, uma opera&ccedil;&atilde;o desta envergadura n&atilde;o ocorre a n&atilde;o ser em duas possibilidades. A primeira &eacute; de que ela &eacute; rotineira, pr&oacute;pria do modus-operandi do &oacute;rg&atilde;o. A segunda &eacute; que a opera&ccedil;&atilde;o foi extraordin&aacute;ria, uma miss&atilde;o encomendada pela dire&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia, ou seja, veio de cima, em &uacute;ltima an&aacute;lise, com ordem ou aval do general Alberto Cardoso. Mais curioso, &eacute; que segundo a revista, o coronel Ariel de Cunto, diretor-geral da ABIN e n&uacute;mero dois da hierarquia da espionagem governamental, inocentara Tem&iacute;lson em sindic&acirc;ncia interna, mesmo ap&oacute;s o agente ter sido &quot;descoberto em 1998&quot; (tr&ecirc;s anos depois de processado e denunciado), como um dos que recebiam propina e prestavam servi&ccedil;o ao bicheiro Castor de Andrade.<\/p>\n<p>Observa-se o fato de haver na reportagem um tom &quot;surpreendido&quot; com o mundo ou &quot;submundo&quot; (segundo o texto do inqu&eacute;rito federal publicado parcialmente em &Eacute;poca) da espionagem oficial. <\/p>\n<p><em>A estrat&eacute;gia levada a efeito &#8211; como, de resto, toda a investiga&ccedil;&atilde;o policial &#8211; descortinou o mundo, ou submundo, da chamada&quot; comunidade de informa&ccedil;&otilde;es&quot;, chegando a um conhecido endere&ccedil;o a ABIN &#8211; Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia, &oacute;rg&atilde;o sucessor do antigo SNI &#8211; Servi&ccedil;o Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es, que sem solu&ccedil;&atilde;o da comunidade, promove a espionagem governamental no Brasil (37).  <\/em><\/p>\n<p>Utilizar pessoas que n&atilde;o s&atilde;o servidores est&aacute;veis, mas tem v&iacute;nculos com o &oacute;rg&atilde;o &eacute; pr&aacute;tica comum no meio. N&atilde;o se pode esquecer (como a revista &quot;esqueceu&quot;) que no in&iacute;cio de 1990, mais de dois mil agentes sem estabilidade foram demitidos de suas fun&ccedil;&otilde;es no SNI, aumentando e muito o &quot;mercado de espionagem privada&quot; no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Um dos &quot;investigados&quot;, Ad&iacute;lson Alc&acirc;ntara de Matos &eacute; qualificado, corretamente, como agente do &oacute;rg&atilde;o. Mas o mesmo &eacute; propriet&aacute;rio de um escrit&oacute;rio de investiga&ccedil;&atilde;o privada, com an&uacute;ncio publicado em ve&iacute;culo de grande circula&ccedil;&atilde;o como o Rio Listas Assinantes, de Servi&ccedil;os e Neg&oacute;cios (38)  onde o agente anuncia, &quot;Detetive Particular Ad&iacute;lson Alc&acirc;ntara, investiga&ccedil;&otilde;es civis, sigilo completo e confiabilidade. O endere&ccedil;o &eacute; no Largo de S&atilde;o Francisco de Paula, n&ordm;. 26, Centro do Rio, um edif&iacute;cio repleto de pequenos escrit&oacute;rios, v&aacute;rios prost&iacute;bulos e nenhum controle de acesso ou seguran&ccedil;a interna.  O detalhe &eacute; que esta vers&atilde;o do cat&aacute;logo &eacute; do ano de 2000, ou seja, ap&oacute;s a sindic&acirc;ncia interna da ABIN e durante o inqu&eacute;rito de investiga&ccedil;&atilde;o federal. Parece muito &quot;curioso&quot; o fato da reportagem n&atilde;o abordar o fato de que Alc&acirc;ntara tem um escrit&oacute;rio privado oferecendo servi&ccedil;os no mesmo ramo do &oacute;rg&atilde;o governamental ao qual serve.<\/p>\n<p>A revista n&atilde;o apresenta uma vers&atilde;o definitiva, se as fitas foram encomendadas por compradores interessados no leil&atilde;o da Tele Norte Leste ou ent&atilde;o foram vendidas posteriormente. Se foram encomendadas, a negocia&ccedil;&atilde;o ocorreu na primeira hierarquia da ABIN; se foram desviadas pelo pessoal do Rio, o neg&oacute;cio pode se resumir ao desvio das fitas gravadas ap&oacute;s a ordem oficial. <\/p>\n<p>Os interesses diretos defendidos com esta divulga&ccedil;&atilde;o foram os do cons&oacute;rcio vencedor (Telemar) do leil&atilde;o da maior parte do antigo Sistema Telebr&aacute;s. O endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico, assim como o grampo, se localizou nas depend&ecirc;ncias e no tronco auxiliar das linhas da Telerj (hoje Telemar, no caso a Esta&ccedil;&atilde;o dos Arcos da Lapa), mas lembrando que as instala&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas s&atilde;o as mesmas. As ofertas de vendas continuam saindo de endere&ccedil;os eletr&ocirc;nicos do edif&iacute;cio da Telemar (este o localizado na Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio), igualmente controlados pelo cons&oacute;rcio vencedor do leil&atilde;o t&atilde;o disputado. <\/p>\n<p>&Eacute; t&atilde;o dif&iacute;cil assim concluir qual a hip&oacute;tese mais prov&aacute;vel de compra direta (ou mesmo encomenda) das fitas do leil&atilde;o? &Eacute; uma suposi&ccedil;&atilde;o absurda imaginar um acordo t&aacute;cito que leva aos controladores da Telemar permitirem o funcionamento de uma c&eacute;lula de intelig&ecirc;ncia dentro de suas instala&ccedil;&otilde;es (a mesma DSI s&oacute; que agora no ramo privado, algo v&aacute;lido de acordo com o SISBIN). Uma vez que esta c&eacute;lula &eacute; comprovadamente corrompida (a mesma que vendeu as fitas gravadas ilegalmente sob ordem da Ag&ecirc;ncia), publicamente negociadora de escutas telef&ocirc;nicas, n&atilde;o parece &oacute;bvio que h&aacute; um acordo entre a Ag&ecirc;ncia e os controladores da Telemar? Para corroborar esta hip&oacute;tese, a pr&oacute;pria &Eacute;poca afirma que o delegado federal Wantuir Jacini entregou uma lista ao ent&atilde;o ministro da Justi&ccedil;a Renan Calheiros contendo uma rela&ccedil;&atilde;o de empres&aacute;rios que teriam comprado as fitas. Estes empres&aacute;rios sequer foram ouvidos em inqu&eacute;rito, a &quot;devassa&quot; dos federais foi apenas sobre o aparelho de Estado mas n&atilde;o seus usu&aacute;rios, clientes no jarg&atilde;o do servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>O que n&atilde;o foi aprofundado &eacute; o fato de que antes de passar a inqu&eacute;rito federal, o caso foi entregue como algo de ordem interna da pr&oacute;pria Ag&ecirc;ncia. Ou seja, a absurda situa&ccedil;&atilde;o de uma opera&ccedil;&atilde;o oficial ser investigada por seus pr&oacute;prios autores. As condi&ccedil;&otilde;es em que o caso foi passado para as m&atilde;os do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e da Pol&iacute;cia Federal igualmente n&atilde;o foram reveladas. Ou seja, a mat&eacute;ria explica o caso do grampo, de como foi feita uma opera&ccedil;&atilde;o corriqueira, mas n&atilde;o os processos desenvolvidos antes e ap&oacute;s esta a&ccedil;&atilde;o, sendo que o resultado dos processos podem ou n&atilde;o ser &quot;revelados&quot; posteriormente.<\/p>\n<p>Um dado que deveria ser exposto &eacute; a disputa corporativa entre o DPF e a ABIN, e a centralidade da Ag&ecirc;ncia no Sistema e Subsistemas de seguran&ccedil;a existentes no pa&iacute;s. Na p&aacute;gina oficial da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF), consta no Programa Sindical, Linha de A&ccedil;&atilde;o, Novas Bandeiras, 1o Ponto: &quot;Lutar contra o processo de subordina&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal &agrave; casa Militar&quot; (39).  Esta disputa simboliza a luta entre uma pol&iacute;cia judici&aacute;ria e uma pol&iacute;cia de seguran&ccedil;a de Estado, sendo que o &quot;ideal&quot; de pol&iacute;cia judici&aacute;ria n&atilde;o consta no modelo federal de seguran&ccedil;a. Assim, quando a reportagem afirma que &quot;fizeram uma devassa na se&ccedil;&atilde;o de Opera&ccedil;&otilde;es da ABIN, sucessora do extinto SNI&quot;, comete dois erros. Um &eacute; prim&aacute;rio, pois quem sucedeu o Servi&ccedil;o foi a Ag&ecirc;ncia, sendo que Opera&ccedil;&otilde;es &eacute; uma parte da ABIN. O segundo &eacute; n&atilde;o explicar que n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o o fato de Telmo ser da &eacute;poca do SNI, pois ele e a todos os demais 1.340 servidores regulares, a n&atilde;o ser os 80 analistas concursados em 1995 e 2000, tamb&eacute;m s&atilde;o.<\/p>\n<p>Se houve grampo generalizado e oficial sobre a Presid&ecirc;ncia, GSI e ABIN, por que n&atilde;o haveria a mesma quebra de sigilo sobre a Telemar, ou ao menos, a verifica&ccedil;&atilde;o nos arquivos de liga&ccedil;&otilde;es, algo que todo e qualquer profissional com segundo grau t&eacute;cnico em eletr&ocirc;nica ou eletrot&eacute;cnica sabe que existe? O texto diz que &quot;a a&ccedil;&atilde;o federal, anunciada pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, poder&aacute; acabar ajudando as investiga&ccedil;&otilde;es&rdquo; (40).  Ou seja, o texto afirma que um inqu&eacute;rito iniciado pelo MJ a partir de uma reportagem de &Eacute;poca poder&aacute; ajudar uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre a companhia telef&ocirc;nica, suspeita direta por ser interessada no grampo, corrigindo algo que n&atilde;o houve em 27 meses de investiga&ccedil;&atilde;o federal? Tamanho absurdo n&atilde;o pode ser casualidade, mas sim inten&ccedil;&atilde;o. Portanto &eacute; uma pol&iacute;tica, a de n&atilde;o investigar os grupos empresariais envolvidos no caso.<\/p>\n<p>Para completar as observa&ccedil;&otilde;es a partir da an&aacute;lise desta reportagem vale citar que a fun&ccedil;&atilde;o de ministro-chefe do GSI &eacute; cargo de confian&ccedil;a do presidente. Ou seja, &eacute; dever institucional do Gabinete, portanto do comando do general Cardoso, de fazer a seguran&ccedil;a f&iacute;sica e patrimonial de FHC. E &eacute; responsabilidade do presidente manter ou retirar o general do posto de n&uacute;mero um da espionagem brasileira. Houve uma opera&ccedil;&atilde;o de vigil&acirc;ncia oficial (embora ilegal) tornada p&uacute;blica, algo corriqueiro tido como an&ocirc;malo, e a posi&ccedil;&atilde;o do presidente foi de refor&ccedil;ar o general na fun&ccedil;&atilde;o. Isto aponta para duas conclus&otilde;es. A primeira &eacute; que vale a pena para o regime, no segundo mandato, pagar o &ocirc;nus pol&iacute;tico de manter o militar na fun&ccedil;&atilde;o. A segunda, que parece &oacute;bvia, n&atilde;o pode causar surpresa para um presidente que &eacute; profissional altamente gabaritado nas ci&ecirc;ncias sociais, o funcionamento do aparelho de intelig&ecirc;ncia de um Estado como o brasileiro. Por compreens&atilde;o subentende-se concord&acirc;ncia, uma vez que a montagem da ABIN e SISBIN foi uma das primeiras medidas deste governo ainda no primeiro mandato. Nenhuma surpresa tamb&eacute;m o fato de &Eacute;poca n&atilde;o haver questionado nada a este respeito.<\/p>\n<p><strong>Considera&ccedil;&otilde;es Conclusivas<\/strong>\t<\/p>\n<p>Entende-se que houve uma opera&ccedil;&atilde;o de tipo est&oacute;ria-cobertura, sendo primeira difundida a vers&atilde;o de que os grampos foram autoria de maus servidores. Ap&oacute;s o processo federal, &quot;descobriu-se&quot; que era invi&aacute;vel este tipo de a&ccedil;&atilde;o partir de indiv&iacute;duos operando por conta pr&oacute;pria. Para constatar esta evid&ecirc;ncia, bastaria contabilizar as horas de grampo e o tempo destinado para acompanhar o processo. Se uma parte dos agentes era servidor oficial, como poderia ser liberado de suas fun&ccedil;&otilde;es por tanto tempo? Contabilizando os custos da opera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o era l&oacute;gica a conclus&atilde;o de que era imposs&iacute;vel realiz&aacute;-la por conta pr&oacute;pria? Constata-se que a resposta evidente &eacute; a negativa, sendo que se trata de uma opera&ccedil;&atilde;o oficial e corriqueira, de vigil&acirc;ncia sobre o primeiro escal&atilde;o do Estado e os capitais a&iacute; operantes. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; uma novidade o fato de haver corrup&ccedil;&atilde;o em organismos de seguran&ccedil;a, em todos os n&iacute;veis, sendo que a intelig&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o.  O emprego de agentes irregulares, na propor&ccedil;&atilde;o de um para tr&ecirc;s, sendo que o de carreira opera como enlace e tem um coordenador da opera&ccedil;&atilde;o de campo, n&atilde;o &eacute; nenhuma exce&ccedil;&atilde;o, mas uma regra de tipo procedimento operacional da &uacute;ltima fase do SNI transferido para o per&iacute;odo de democracia representativa.<\/p>\n<p>A conclus&atilde;o, no que diz respeito da cobertura jornal&iacute;stica, &eacute; que a &quot;revela&ccedil;&atilde;o de fatos&quot; &eacute; o contra senso com a &quot;investiga&ccedil;&atilde;o de processos&quot;. Da forma que &eacute; difundida, o p&uacute;blico receptor, caso n&atilde;o conhe&ccedil;a minimamente o assunto, acompanha os fatos por fora da din&acirc;mica dos processos reais. Desse modo, afirma-se que os sentidos gerados nos textos impossibilitam ao leitor compreender a realidade. Ao n&atilde;o informar as rela&ccedil;&otilde;es complexas e seus mecanismos de controle, os processos do Jogo Real da Pol&iacute;tica ficam subsumidos entre a fraca ironia e o factual no sentido epis&oacute;dico, e n&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o estrutura-estruturante. As &ldquo;zonas cinzas&rdquo; do Estado, conforme afirmara o ent&atilde;o presidente (e soci&oacute;logo professor titular da USP) Fernando Henrique Cardoso, embora vari&aacute;vel independente do tema, pouco ou nada aparece e menos ainda ficam transparecidas seu modus vivendi no interior do aparelho estatal. Assim, o jornalismo de tipo &ldquo;pol&iacute;tico ou investigativo&rdquo;, nem investiga a fundo e tampouco explicita os conflitos intra-elites e por parcelas de poder. Portanto, as reportagens dificultam ao m&aacute;ximo a interven&ccedil;&atilde;o da cidadania sobre a mesma.<\/p>\n<p>* Bruno Lima Rocha &eacute; jornalista graduado pela UFRJ; mestre e doutorando em ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica pela UFRGS. Editor do portal de an&aacute;lise pol&iacute;tica Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise (www.estrategiaeanalise.com.br) e membro do coletivo de forma&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria (ABRA&Ccedil;O). Editor do jornal Rep&oacute;rter Popular, colabora na constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de comunica&ccedil;&atilde;o popular atrav&eacute;s do coletivo de mesmo nome e &eacute; membro do Grupo de Pesquisa em Comunica&ccedil;&atilde;o, Economia, Pol&iacute;tica e Sociedade (CEPOS\/UNISINOS).<\/p>\n<p>** Rafael Cavalcanti &eacute; jornalista graduado pela FITS. Editor-assistente do portal de an&aacute;lise pol&iacute;tica Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise (www.estrategiaeanalise.com.br) e membro do Grupo de Pesquisa em Comunica&ccedil;&atilde;o, Economia, Pol&iacute;tica e Sociedade (CEPOS\/UNISINOS).<\/p>\n<p><strong><br \/>\nNotas<\/strong><\/p>\n<p>1 FORTES, Leandro; KRIEGER, Gustavo; FERRARI, Pollyana. Mercadores de fitas. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n. 150, p. 36-40, 02 abr. 2001. p. 40.<\/p>\n<p>2 CASADO, Jos&eacute;; et al. Central do Grampo. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.151, p. 36-43, 09 abr. 2001. <br \/>\np. 40.<\/p>\n<p>3 CLASSIFICADOS. O Globo, Rio de Janeiro, 25 set. 2001. p. 15.<\/p>\n<p>4 FORTES, Leandro; KRIEGER, Gustavo; FERRARI, Pollyana. Mercadores de fitas. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n. 150, p. 36-40, 02 abr. 2001.<\/p>\n<p>5 Ibid., p. 36.<\/p>\n<p>6 Ibid., p. 36-37.<\/p>\n<p>7 Ibid., p. 38-39.<\/p>\n<p>8 FORTES, Leandro; KRIEGER, Gustavo; FERRARI, Pollyana. Mercadores de fitas. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n. 150, p. 36-40, 02 abr. 2001. p. 39.<\/p>\n<p>9 Ibid., p. 38.<\/p>\n<p>10 Ibid., p. 40.<\/p>\n<p>11 BARROS, Guilherme; et al. Grampo feito em casa. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.54, p.20-27, 31 maio 1999.<\/p>\n<p>12 FORTES, Leandro; KRIEGER, Gustavo; FERRARI, Pollyana. Mercadores de fitas. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n. 150, p. 36-40, 02 abr. 2001. p. 40.<\/p>\n<p>13 Ibid., p. 38-39.<\/p>\n<p>14 Ibid., p. 38-39.<\/p>\n<p>15 FORTES, Leandro; KRIEGER, Gustavo; FERRARI, Pollyana. Mercadores de fitas. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n. 150, p. 36-40, 02 abr. 2001. p. 38-39.<\/p>\n<p>16 CASADO, Jos&eacute;; et al. Central do Grampo. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.151, p. 36-43, 09 abr. 2001. <\/p>\n<p>17 CASADO, Jos&eacute;; et al. Central do Grampo. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.151, p. 36-43, 09 abr. 2001. p. 37.<\/p>\n<p>18 BARROS, Guilherme; et al. Grampo feito em casa. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.54, p.20-27, 31 maio 1999. <\/p>\n<p>19 CASADO, Jos&eacute;; et al. Central do Grampo. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.151, p. 36-43, 09 abr. 2001. p. 37.<\/p>\n<p>20 Ibid., p. 37.<\/p>\n<p>21 Ibid., p. 39.<\/p>\n<p>22 Ibid., p. 36-37.<\/p>\n<p>23 CASADO, Jos&eacute;; et al. Central do Grampo. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.151, p. 36-43, 09 abr. 2001. p. 39.<\/p>\n<p>24 Ibid., p. 38.<\/p>\n<p>25 Ibid., p. 40.<\/p>\n<p>26 Ibid., p. 40.<\/p>\n<p>27 Ibid., p. 40.<\/p>\n<p>28 Ibid., p. 42.<\/p>\n<p>29 CASADO, Jos&eacute;; et al. Central do Grampo. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.151, p. 36-43, 09 abr. 2001. p. 42.<\/p>\n<p>30 Ibid., p. 42.<\/p>\n<p>31 CASADO, Jos&eacute;; et al. Central do Grampo. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.151, p. 36-43, 09 abr. 2001. p. 37.<\/p>\n<p>32 RIO DE JANEIRO. Listas OESP. Grande Rio. Se&ccedil;&atilde;o Classificada. Rio de Janeiro, [s.n.], 2000. p.458. <\/p>\n<p>33 FENAPEF. Programa Sindical. Dispon&iacute;vel em: &lt;http:\/\/www.fenapef.org.br\/htm\/modelo.asp?link=sind_linhaacao#8&gt;. Acesso em: 05 set. 2001.<\/p>\n<p>34 CASADO, Jos&eacute;; et al. Central do Grampo. &Eacute;poca, Rio de Janeiro, n.151, p. 36-43, 09 abr. 2001. p. 42.<\/p>\n<p>\n<strong>Refer&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>\nABREU, Hugo. 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