{"id":10555,"date":"2011-10-15T10:21:49","date_gmt":"2011-10-15T10:21:49","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1536"},"modified":"2011-10-15T10:21:49","modified_gmt":"2011-10-15T10:21:49","slug":"a-copa-do-mundo-e-um-problema-de-soberania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10555","title":{"rendered":"A Copa do Mundo \u00e9 um problema de soberania"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mexico-3.jpg\" title=\"Em 1968, no M\u00e9xico, h\u00e1 dez dias do in\u00edcio das Olimp\u00edadas, mais de 300 pessoas foram assassinadas, alguns falam em mais de mil mortos, e centenas foram espancadas por protestarem em meio aos Jogos Ol\u00edmpicos. Foi a forma do Estado mexicano mostrar seu controle social para a comunidade internacional. - Foto:Hist\u00f3ria do Esporte\" alt=\"Em 1968, no M\u00e9xico, h\u00e1 dez dias do in\u00edcio das Olimp\u00edadas, mais de 300 pessoas foram assassinadas, alguns falam em mais de mil mortos, e centenas foram espancadas por protestarem em meio aos Jogos Ol\u00edmpicos. Foi a forma do Estado mexicano mostrar seu controle social para a comunidade internacional. - Foto:Hist\u00f3ria do Esporte\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Em 1968, no M\u00e9xico, h\u00e1 dez dias do in\u00edcio das Olimp\u00edadas, mais de 300 pessoas foram assassinadas, alguns falam em mais de mil mortos, e centenas foram espancadas por protestarem em meio aos Jogos Ol\u00edmpicos. Foi a forma do Estado mexicano mostrar seu controle social para a comunidade internacional.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Hist\u00f3ria do Esporte<\/small><\/figure>\n<p>15 de outubro de 2011, da Vila Setembrina, <em>Bruno Lima Rocha<\/em><\/p>\n<p>Fico &agrave; vontade para tecer cr&iacute;ticas sobre a realiza&ccedil;&atilde;o de grandes eventos esportivos no Brasil porque, nesta publica&ccedil;&atilde;o, desde o fat&iacute;dico Pan de 2007 no Rio, venho analisando as estruturas de poder que faturam &ndash; e muito &ndash; nestas ocasi&otilde;es.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, seria leviano afirmar que organizar competi&ccedil;&otilde;es dessa magnitude seja pouco relevante tanto para o esporte brasileiro como para a proje&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s e o desenvolvimento de nossa auto-estima. O problema &eacute; outro e diz respeito aos modelos de neg&oacute;cios implantados pelas entidades internacionais e o abrir m&atilde;o de soberania dos Estados anfitri&otilde;es.<\/p>\n<p>N&atilde;o vale &agrave; pena entrar aqui em detalhes contratuais e tampouco retomar uma periodiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica para provar que a complexa realiza&ccedil;&atilde;o de um grande evento internacional opera como rolo compressor na interna de um pa&iacute;s. Basta recordar um caso. Se organizar algo desta envergadura fosse reden&ccedil;&atilde;o nacional, o M&eacute;xico j&aacute; teria completado seu ciclo de &ldquo;moderniza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>A capital mexicana recebeu os Jogos Ol&iacute;mpicos de 1968, e dezenas de cidades foram sedes das Copas do Mundo de 1970 e de 1986. Nenhuma destas ocasi&otilde;es modificou as formas de dom&iacute;nio interno. Justo ao contr&aacute;rio.<\/p>\n<p>O conceito se materializa no m&oacute;rbido Massacre da Pra&ccedil;a de Tlatelolco &ndash; exemplo latino-americano de terrorismo de Estado &#8211; que ocorrera em 2 de outubro de 1968, faltando apenas dez dias para as Olimp&iacute;adas.<\/p>\n<p>No Brasil atual, vivemos o pacto de governabilidade e um elevado grau de conten&ccedil;&atilde;o social. Portanto, os poderes de fato n&atilde;o devem temer a rebeldia de seus cidad&atilde;os e sim, ao contr&aacute;rio, &eacute; a cidadania que deveria chocar-se com os desmandos dos governantes e os oligop&oacute;lios econ&ocirc;micos a estes associados.<\/p>\n<p>No caso da Copa do Mundo, o problema ultrapassa os contratos super faturados e os or&ccedil;amentos infind&aacute;veis.Trata-se da aplica&ccedil;&atilde;o de mecanismos de chantagens caso os poderes leg&iacute;timos da rep&uacute;blica n&atilde;o acatem as determina&ccedil;&otilde;es da &ldquo;mui nobre e ilibada&rdquo; FIFA, vide o &uacute;ltimo processo sucess&oacute;rio e o affaire Joseph Blatter e Andrew Jennings.<\/p>\n<p>O modelo de neg&oacute;cios imposto por esta entidade &eacute; um contrato de porteira fechada, onde os patrocinadores oficiais do evento subordinam a vontade popular antes e durante sua realiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o espanta tamanha pol&ecirc;mica para a aprova&ccedil;&atilde;o da Lei Geral da Copa e as terr&iacute;veis conseq&uuml;&ecirc;ncias para pa&iacute;ses sede em termos de d&eacute;ficit e incapacidade de manuten&ccedil;&atilde;o dos equipamentos esportivos. Realizar a Copa sob comando da FIFA e da CBF &eacute; como reabrir os portos para as &ldquo;na&ccedil;&otilde;es amigas&rdquo; e os aliados internos.<\/p>\n<p>Este artigo foi originalmente publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1968, no M\u00e9xico, h\u00e1 dez dias do in\u00edcio das Olimp\u00edadas, mais de 300 pessoas foram assassinadas, alguns falam em mais de mil mortos, e centenas foram espancadas por protestarem em meio aos Jogos Ol\u00edmpicos. Foi a forma do Estado mexicano mostrar seu controle social para a comunidade internacional. 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