{"id":10556,"date":"2011-10-21T17:15:36","date_gmt":"2011-10-21T17:15:36","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1539"},"modified":"2011-10-21T17:15:36","modified_gmt":"2011-10-21T17:15:36","slug":"o-arco-do-universo-moral-de-martin-luther-king-ao-movimento-de-protestos-em-wall-street","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10556","title":{"rendered":"O Arco do Universo Moral, de Martin Luther King ao movimento de protestos em Wall Street"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/obama-mlk-monumento-Larry Downing-Reuters.jpg\" title=\"Fam\u00edlia Obama acompanha lan\u00e7amento de monumento nacional em homenagem a King. O que diria o l\u00edder negro estadunidense ao saber que o primeiro presidente negro do seu pa\u00eds faz um governo para a elite, tal como seus antecessores brancos? - Foto:Reuters\" alt=\"Fam\u00edlia Obama acompanha lan\u00e7amento de monumento nacional em homenagem a King. O que diria o l\u00edder negro estadunidense ao saber que o primeiro presidente negro do seu pa\u00eds faz um governo para a elite, tal como seus antecessores brancos? - Foto:Reuters\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Fam\u00edlia Obama acompanha lan\u00e7amento de monumento nacional em homenagem a King. O que diria o l\u00edder negro estadunidense ao saber que o primeiro presidente negro do seu pa\u00eds faz um governo para a elite, tal como seus antecessores brancos?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Reuters<\/small><\/figure>\n<p><em>Por Amy Goodman<\/em><\/p>\n<p>No domingo passado, foi inaugurado o monumento nacional em homenagem a Martin Luther King Jr. O Presidente Barack Obama falou sobre o Dr. King: &ldquo;Se estivesse vivo hoje, creio que nos lembraria que o trabalhador desempregado tem todo o direito de denunciar os excessos em Wall Street, mas sem demonizar aqueles que trabalham ali&rdquo;. A inaugura&ccedil;&atilde;o oficial ocorreu no momento em que o movimento &ldquo;Ocupemos Wall Street&rdquo; soma cada vez mais adeptos e se transforma em um fen&ocirc;meno mundial. O que Obama n&atilde;o disse &eacute; que se King estivesse vivo provavelmente estaria se manifestando contra as pol&iacute;ticas de seu governo.<\/p>\n<p>A poucos passos da cerim&ocirc;nia de inaugura&ccedil;&atilde;o, Cornel West, pastor, acad&ecirc;mico, escritor e ativista foi preso nas escadas da Suprema Corte dos Estados Unidos. Antes de ser enviado &agrave; pris&atilde;o, disse: &ldquo;Queremos registrar hoje que conhecemos a rela&ccedil;&atilde;o existente entre a cobi&ccedil;a empresarial e o que acontece frequentemente nas decis&otilde;es da Suprema Corte. &Eacute; significativo que neste dia de homenagem a Martin Luther King Jr. algu&eacute;m seja enviado a pris&atilde;o porque Martin King estaria aqui, disposto a lutar conosco e o faria pelo seu profundo amor.&rdquo;<\/p>\n<p>O professor West, que foi preso junto a outras 18 pessoas, declarou: &ldquo;Estamos aqui para expressar nossa solidariedade com o movimento de protesto em todo o mundo porque amamos os mais pobres, amamos os trabalhadores e queremos que Martin Luther King Jr. saiba que n&atilde;o esquecemos de sua luta e sorria de sua tumba&rdquo;.<\/p>\n<p>Durante esse mesmo fim de semana, a campanha de ataques com avi&otilde;es n&atilde;o tripulados das for&ccedil;as armadas estadunidenses e a CIA, sob as ordens do Comandante-Chefe Obama, lan&ccedil;ou o que foi chamado pelo Escrit&oacute;rio de Jornalismo Investigativo (BIJ, sigla do nome original em ingl&ecirc;s, uma organiza&ccedil;&atilde;o independente sem fins lucrativos com sede em Londres) de &ldquo;o ataque de n&uacute;mero 300&rdquo; com desses avi&otilde;es, o 248&ordm; desde que Obama assumiu a presid&ecirc;ncia. Segundo a BIJ, das 2328 pessoas mortas pelos ataques, entre 386 e 775 s&atilde;o civis, entre elas, 175 crian&ccedil;as. Imagine como iria responder King, Pr&ecirc;mio Nobel da Paz assim como Obama, a estas cifras cruas.<\/p>\n<p>Em 1963, King publicou uma recopila&ccedil;&atilde;o de serm&otilde;es intitulada &ldquo;A for&ccedil;a de amar&rdquo;. O pref&aacute;cio come&ccedil;a assim: &ldquo;Nestes dias de revoltas e incertezas, os g&ecirc;nios malignos da guerra e da injusti&ccedil;a econ&ocirc;mica e racial amea&ccedil;am inclusive a sobreviv&ecirc;ncia da ra&ccedil;a humana&rdquo;. Tr&ecirc;s dos 15 serm&otilde;es foram escritos nos c&aacute;rceres da Georgia, entre eles &ldquo;Sonhos destro&ccedil;ados&rdquo;. Nele, escreveu: &ldquo;Cooperar passivamente com um sistema injusto converte o oprimido em um ser t&atilde;o malvado como o opressor&rdquo;. King retomou a ideia dos sonhos destro&ccedil;ados quatro anos mais tarde, e oito meses antes de ser assassinado, em seu discurso chamado &ldquo;Para onde vamos&rdquo;. &ldquo;Em certas ocasi&otilde;es, nossos sonhos ser&atilde;o destro&ccedil;ados e nossas esperan&ccedil;as et&eacute;reas, quebradas. Quando nossos dias se tornarem tristes e nos invadir uma nuvem de desesperan&ccedil;a, e quando nossas noites se tornem mais obscuras que mil meias-noites, lembraremos de que h&aacute; uma for&ccedil;a criativa do universo que trabalha para derrubar as enormes montanhas do mal, um poder que &eacute; capaz de superar qualquer obst&aacute;culo e converter o passado obscuro em radiante porvir. O arco do universo moral &eacute; amplo, mas se inclina para o lado da justi&ccedil;a&rdquo;. <\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, 1967, um ano antes de ser assassinado, King fez seu discurso &ldquo;Muito al&eacute;m do Vietn&atilde;&rdquo; na Igreja Riverside da cidade de Nova York, onde proclamou: &ldquo;Descobri que nunca mais vou poder lan&ccedil;ar minha voz contra a viol&ecirc;ncia dos oprimidos nos bairros marginais sem antes falar do principal respons&aacute;vel pela viol&ecirc;ncia do mundo atual, meu pr&oacute;prio governo&rdquo;.<\/p>\n<p>Essas palavras e esse discurso marcaram o estado de &acirc;nimo que iria caracterizar o &uacute;ltimo e fatal ano da vida de King. Apesar das amea&ccedil;as de morte e do conselho de seus assessores para que n&atilde;o fosse a Memphis, King participou da marcha em solidariedade aos garis dessa cidade. No dia 04 de abril de 1968, morreu assassinado de um disparo no balc&atilde;o do Motel Lorraine.<\/p>\n<p>Dois jovens daquela &eacute;poca, que foram profundamente afetados pelo assassinato de King, permitiram-nos percorrer o caminho que vai do arco de justi&ccedil;a moral do Dr. King at&eacute; o movimento &ldquo;Ocupemos Wall Street&rdquo;. Um deles &eacute; John Carlos, um velocista ol&iacute;mpico estadunidense. Carlos ganhou a medalha de bronze na corrida de 200 metros do atletismo nos Jogos Ol&iacute;mpicos de 1968 na Cidade do M&eacute;xico. Carlos e seu companheiro de equipe, Tommie Smith, que ganhou a medalha de ouro, voltaram mundialmente famosos por terem feito a sauda&ccedil;&atilde;o do Poder Negro no p&oacute;dio. Ambos subiram para receber suas medalhas sem sapatos, um sinal de protesto pela situa&ccedil;&atilde;o de pobreza das crian&ccedil;as afrodescendentes nos Estados Unidos. Na semana passada, John Carlos se manifestou no &ldquo;Ocupemos Wall Street&rdquo;. Em seguida me disse: &ldquo;Estou t&atilde;o feliz de ver tantas pessoas aqui, reunidas para dizer: &lsquo;N&atilde;o pedimos mudan&ccedil;as. Exigimos mudan&ccedil;as&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p>O outro &eacute; o Reverendo Jesse Jackson, que estava junto a King quando o assassinaram. Na segunda-feira de madrugada, o Departamento de Pol&iacute;cia de Nova York parecia tentar avan&ccedil;ar sobre a barraca de primeiros socorros do &ldquo;Ocupemos Wall Street&rdquo;. O Reverendo Jackson estava ali. Apenas dias depois de completar 70 anos, Jackson se somou aos jovens manifestantes para enfrentar a pol&iacute;cia. A pol&iacute;cia se retirou e o arco do universo moral se inclinou um pouco mais para o lado da justi&ccedil;a. <\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna.<br \/>\n@2010 Amy Goodman<\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Mercedes Camps y <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/es\/\">Democracy Now! em espanhol<\/a>,<br \/>\nspanish@democracynow.org<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisado por Bruno Lima Rocha. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\">Democracy Now!<\/a>, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia Obama acompanha lan\u00e7amento de monumento nacional em homenagem a King. O que diria o l\u00edder negro estadunidense ao saber que o primeiro presidente negro do seu pa\u00eds faz um governo para a elite, tal como seus antecessores brancos? 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