{"id":1056,"date":"2009-06-22T03:12:40","date_gmt":"2009-06-22T03:12:40","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1056"},"modified":"2009-06-22T03:12:40","modified_gmt":"2009-06-22T03:12:40","slug":"jovens-futebol-e-adolescencia-perdida-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1056","title":{"rendered":"Jovens, futebol e adolesc\u00eancia perdida"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/favela_futebol.jpg\" title=\"Quanto vale ou \u00e9 por quilo; quanto custa investir em uma centena de meninos e retirar um ou dois para investimento futuro. A deforma\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia brasileira come\u00e7a nos sonhos de jogar para transnacionais e ser uma commodity andante, m\u00f3vel de valor para lavar o dinheiro digital. - Foto:\" alt=\"Quanto vale ou \u00e9 por quilo; quanto custa investir em uma centena de meninos e retirar um ou dois para investimento futuro. A deforma\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia brasileira come\u00e7a nos sonhos de jogar para transnacionais e ser uma commodity andante, m\u00f3vel de valor para lavar o dinheiro digital. - Foto:\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Quanto vale ou \u00e9 por quilo; quanto custa investir em uma centena de meninos e retirar um ou dois para investimento futuro. A deforma\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia brasileira come\u00e7a nos sonhos de jogar para transnacionais e ser uma commodity andante, m\u00f3vel de valor para lavar o dinheiro digital.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:<\/small><\/figure>\n<p>1&ordm; de abril de 2009, tarde do jogo do time de Ricardo Teixeira contra a sele&ccedil;&atilde;o peruana<\/p>\n<p>Bruno Lima Rocha e Felipe Fonseca<\/p>\n<p>Este singelo texto est&aacute; sendo fechado na tarde em que a sele&ccedil;&atilde;o de Ricardo Teixeira joga no Beira Rio. Mais do que um artigo, isso &eacute; uma reflex&atilde;o, pensando em voz alta, e tocando no nicho sagrado da cultura de massas no Brasil. Sim, falamos das quatro linhas e da overdose sofrida pelos receptores do esporte bret&atilde;o por aqui. Desde o in&iacute;cio do profissionalismo, o futebol tem sido levado como sa&iacute;da para a situa&ccedil;&atilde;o de mis&eacute;ria de muitos garotos, tanto em nosso pa&iacute;s como em boa parte do mundo que joga bola com os p&eacute;s. O sonho se transforma em sa&iacute;da para a estagna&ccedil;&atilde;o pessoal. Cada vez mais cedo os meninos s&atilde;o estimulados a dar o m&aacute;ximo de si. A pr&aacute;tica esportiva torna-se carreira profissional, desde o in&iacute;cio.<\/p>\n<p><font><font class=\"txt\">H&aacute; press&otilde;es para todos os gostos. Primeiramente a expectativa dos pais, depois do clube, de empres&aacute;rios e procuradores, da m&iacute;dia especializada, da torcida, de si pr&oacute;prios, e assim sucessivamente. Tudo isso quando tem apenas 15, 16 anos. Est&atilde;o em pleno processo de forma&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica e at&eacute; mesmo f&iacute;sica. A rela&ccedil;&atilde;o que envolve um horizonte de poucas perspectivas, ou o meio termo entre a gl&oacute;ria e o limbo, ataca a forma&ccedil;&atilde;o de personalidades de gente que deveria se preocupar somente em passar de ano. Pura ilus&atilde;o, n&atilde;o d&aacute; mais tempo para ser jovem e boleiro. Talvez nunca tenha dado. <\/p>\n<p>Trazendo esse fato para a realidade do nosso pa&iacute;s de 3&ordm; mundo, o horizonte do subdesenvolvimento se configura a partir dos garotos aspirantes a craques, em torno de um sistema de pura explora&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho e talentos. Se a psique dos boleiros atuais, aqueles dos times da s&eacute;rie A do brasileir&atilde;o e da sele&ccedil;&atilde;o do genro de Jo&atilde;o Havelange, &eacute; abalada, agrade&ccedil;a-se &agrave;s formas como se implanta a ambi&ccedil;&atilde;o e a poss&iacute;vel frustra&ccedil;&atilde;o daqueles que podem n&atilde;o entrar na profiss&atilde;o. <\/p>\n<p>A verdade &eacute; dura. Em troca das canelas roxas, esse sistema cria monstros infantis, que muitas vezes n&atilde;o se desenvolvem nem como jogadores, nem como seres humanos. Sem inf&acirc;ncia, n&atilde;o h&aacute; adolesc&ecirc;ncia, sem o tempo para o l&uacute;dico infantil, os adultos que florescem nas quatro linhas se portam como cidad&atilde;os idiotizados. Tr&ecirc;s celular, quatro computadores port&aacute;teis, MP4s e outras quinquilharias eletr&ocirc;nicas, sendo portados por quase marginais becados e com pouca ou nenhuma capacidade de formar opini&atilde;o sobre nenhum tema relevante. Quem podou a &aacute;rvore? F&aacute;cil culpar a sociedade desigual. Al&eacute;m das &ldquo;for&ccedil;as de mercado&rdquo;, h&aacute; que se buscar o acionar dos operadores dos mercados da bola, como &ldquo;empres&aacute;rios&rdquo;, &ldquo;investidores&rdquo;, &ldquo;olheiros&rdquo; e , por mais cruel que seja admitir isso, o papel dos pais e &ldquo;respons&aacute;veis&rdquo; pelas jovens promessas. <\/p>\n<p>Mesmo que seja estipulada a idade m&iacute;nima de 16 anos para firmar contratos profissionais, os garotos j&aacute; s&atilde;o tratados como mercadoria antes dessa idade. S&atilde;o commodities que andam, comem, saem de balada e falam muita besteira. Basta observar o exemplo do argentino Lionel Messi, que com 13 anos j&aacute; treinava em Barcelona, no clube hom&ocirc;nimo da cidade. Por&eacute;m este &eacute; um exemplo desportivamente &ldquo;positivo&rdquo;, pois Messi parece n&atilde;o se deixar levar pela fama, pelo dinheiro e pela press&atilde;o de atuar sempre em alto n&iacute;vel. No caso brasileiro, o atleta exemplar de Kak&aacute; n&atilde;o o isenta da cumplicidade alienada com a Igreja &ldquo;Crist&atilde;&rdquo; Apost&oacute;lica Renascer. Lembremos do exemplo do craque ao lado e em defesa da Bispa S&ocirc;nia Hernandes e do Ap&oacute;stolo Estevam Hernandes, os grandes operadores da mutreta do dinheiro sumido e com a passagem da pris&atilde;o em Miami. Isto sem falar no teto do templo de prosperidade do Cambuci que desabou na cabe&ccedil;a de uma multid&atilde;o, matando 9 pessoas e ferindo outras 100 v&iacute;timas de extors&atilde;o mediante captura da f&eacute; alheia que ca&iacute;ra em S&atilde;o Paulo. <\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio de Messi e Kak&aacute;, bom atletas e cidad&atilde;os incapazes de opinar sobre nada relevante, quantos exemplos negativos temos de jovens jogadores que, sendo t&atilde;o ou mais idiotizados fora de campo, eram tratados como futuros Maradonas, Garrinchas, Pel&eacute;s, Ronaldinhos, Kempes, Di Stefano e n&atilde;o vingaram nas quatro linhas? Quantas pr&eacute;-estrelas do futebol mundial se perderam no caminho para a gl&oacute;ria mundana? <\/p>\n<p>Essa pergunta se faz pertinente no momento em que o mundo volta suas aten&ccedil;&otilde;es para o garoto Neymar, do Santos, apenas apenas um exemplo. At&eacute; quando garotos como este, de apenas 17 anos, ainda em idade de terminar o Ensino M&eacute;dio, ser&atilde;o objeto e agentes de jogatina com sua pr&oacute;pria vida, dando mal ou p&eacute;ssimo exemplo para os receptores dos pacotes futebol&iacute;sticos? N&atilde;o seria esta a forma sofisticada de ter adolescentes obrigados a sustentar a casa vendendo bala e chiclete nas ruas? A diferen&ccedil;a &eacute; qualitativa, no valor agregado que a sociedade d&aacute; para um pi&aacute; vendendo titica industrializada no sinal e o valor absurdo que esta mesma sociedade aposta expectativas e esperan&ccedil;as em guris que chutam uma bola e beijam escudos de clubes, trocando de camisa a cada 6 ou 9 meses. Tiv&eacute;ssemos o direito a adolesc&ecirc;ncia assegurado em lei e nada disso ocorreria. No Brasil, a lei, quando existe, chega atrasada ao pr&oacute;prio enterro. <\/p>\n<p>Tanto a FIFA, quanto a CBF n&atilde;o fazem nada para defender os jovens jogadores. Ao contr&aacute;rio, as grandes entidades do futebol operam como agenciadoras de navios negreiros, profiss&atilde;o esta que na costa atl&acirc;ntica da &aacute;frica era conhecida no s&eacute;culo XIX como sendo &ldquo;brasileiro&rdquo;. Ah quando for aberta a caixa preta do cl&atilde; Havelange, jogador de p&oacute;lo aqu&aacute;tico, e de Ricardo Teixeira, apostador falido da extinta Bolsa de Valores do Rio, ser&aacute; o mesmo efeito dos arquivos de St&aacute;lin e da revis&atilde;o de Nikita Krushev a partir de 1953. Enquanto isso, at&eacute; existe uma proposta de alguns clubes europeus, independente de qualquer organiza&ccedil;&atilde;o, de n&atilde;o mais contratar jogadores estrangeiros antes dos 18 anos. Mas, se a FIFA n&atilde;o apertar &#8211; o que n&atilde;o far&aacute; &#8211; o tr&aacute;fico de adolescentes para as concentra&ccedil;&otilde;es de clubes-empresas patrocinados por transnacionais fraudulentas &ndash; como a AIG falida e seu patroc&iacute;nio no Manchester United, propriedade do amigo de George Bush Pai, o empres&aacute;rio estadunidense Malcolm Irving Glazer. <\/p>\n<p>Bruno Lima Rocha &eacute; cientista pol&iacute;tico e jornalista, professor de comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos <br \/>\nFelipe Fonseca &eacute; acad&ecirc;mico de jornalismo da Unisinos<\/font><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto vale ou \u00e9 por quilo; quanto custa investir em uma centena de meninos e retirar um ou dois para investimento futuro. A deforma\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia brasileira come\u00e7a nos sonhos de jogar para transnacionais e ser uma commodity andante, m\u00f3vel de valor para lavar o dinheiro digital. Foto: 1&ordm; de abril de 2009, tarde do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1056","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1056"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1056\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}