{"id":10560,"date":"2011-11-24T21:40:50","date_gmt":"2011-11-24T21:40:50","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1553"},"modified":"2011-11-24T21:40:50","modified_gmt":"2011-11-24T21:40:50","slug":"fim-das-contas-em-bancos-irresponsaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10560","title":{"rendered":"Fim das contas em bancos irrespons\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/protesto citibank.jpg\" title=\"Em meio aos protestos contra Wall Street, um grupo em Nova York defende que os clientes dos megabancos transfiram seu dinheiro para cooperativas financeiras locais e sem fins lucrativos. - Foto:Devin Smith (CC-BY)\" alt=\"Em meio aos protestos contra Wall Street, um grupo em Nova York defende que os clientes dos megabancos transfiram seu dinheiro para cooperativas financeiras locais e sem fins lucrativos. - Foto:Devin Smith (CC-BY)\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Em meio aos protestos contra Wall Street, um grupo em Nova York defende que os clientes dos megabancos transfiram seu dinheiro para cooperativas financeiras locais e sem fins lucrativos.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Devin Smith (CC-BY)<\/small><\/figure>\n<p>24 de novembro, de Nova York, <span style=\"font-style: italic;\">Amy Goodman<\/span><br style=\"font-style: italic;\" \/><br \/>\n<br \/>\nMenos de um m&ecirc;s ap&oacute;s o in&iacute;cio do Occupy Wall Street, um grupo de pessoas se reuniu no hist&oacute;rico Washington Square Park, em Nova York. Tratava-se de um momento de ascens&atilde;o do movimento, com cada vez mais participa&ccedil;&atilde;o de milhares de estudantes que v&atilde;o &agrave;s universidades da zona da Baixa Manhattan. Tomou-se a decis&atilde;o de marchar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s filiais locais de dois dos bancos &ldquo;grande demais para cair&rdquo; com o objetivo de que alguns ativistas encerrassem suas contas e os demais realizassem ali uma assembl&eacute;ia para falar sobre os problemas que estas institui&ccedil;&otilde;es irrespons&aacute;veis geraram.<\/p>\n<p>Segundo uma a&ccedil;&atilde;o federal apresentada esta semana em Nova York, Heather Carpenter &eacute; uma jovem que estuda para obter seu diploma de auxiliar de enfermagem e trabalha como assistente terap&ecirc;utica de pessoas com defici&ecirc;ncias mentais numa casa comunit&aacute;ria em Long Island para poder pagar seus estudos. Seu namorado, Julio Jos&eacute; Jim&eacute;nez-Artunduaga, &eacute; um imigrante colombiano em busca do sonho americano, que trabalha como gar&ccedil;om. Ambos marcharam de Washington Square Park at&eacute; a filial mais pr&oacute;xima do Citibank. Ao chegar no banco, Heather se dirigiu ao caixa para encerrar sua conta ap&oacute;s explicar sua decep&ccedil;&atilde;o com a nova tarifa mensal de 17 d&oacute;lares que o Citibank cobra &agrave;s contas com saldos inferiores a seis mil d&oacute;lares.<\/p>\n<p>Como descreve a a&ccedil;&atilde;o, a assembl&eacute;ia come&ccedil;ou com os &ldquo;participantes anunciando o montante de suas d&iacute;vidas. Falaram tamb&eacute;m de suas experi&ecirc;ncias com empr&eacute;stimos estudantis e enumeraram estat&iacute;sticas vinculadas &agrave; d&iacute;vida dos estudantes j&aacute; egressos&rdquo;. Quando o banco chamou a pol&iacute;cia, Julio saiu para evitar qualquer tipo de confus&atilde;o. Heather encerrou sua conta e tamb&eacute;m se mandou. Nesse momento, apareceu um grande n&uacute;mero de oficiais do Departamento de Pol&iacute;cia de Nova York, entre eles o Chefe de Departamento, Joseph J. Esposito, que, assim como outros policiais, estava vestido de civil. A pol&iacute;cia entrou no banco, trancou as portas e come&ccedil;ou a prender quem estava participando da assembl&eacute;ia.<\/p>\n<p>Apesar de Heather j&aacute; estar do lado de fora, um oficial vestido de civil a identificou como manifestante e lhe disse para voltar ao banco.  Ela falou que era uma cliente e mostrou seu recibo. Para seu espanto, como documentam as c&acirc;maras de v&iacute;deo, o oficial a pegou por tr&aacute;s e a empurrou para obrig&aacute;-la a voltar ao local. A estudante come&ccedil;ou a gritar e, em quest&atilde;o de segundos, apareceu no sagu&atilde;o cercada por uma d&uacute;zia de policiais onde foi algemada &agrave; for&ccedil;a e presa. Julio tamb&eacute;m foi tratado com brutalidade e preso. Tudo isso por encerrar uma conta no Citibank.<\/p>\n<p>O casal ficou por mais de 30 horas em cust&oacute;dia policial e foi acusado de resistir &agrave; pris&atilde;o e de invadir propriedade privada. Um m&ecirc;s depois, o escrit&oacute;rio da Promotoria do Distrito de Nova York afirmou que vai retirar as acusa&ccedil;&otilde;es quando Heather e Julio comparecerem ao julgamento. De todo modo, os dois querem ver no tribunal o Chefe Esposito e os demais oficiais que os prenderam para exigir-lhes uma explica&ccedil;&atilde;o pelo uso excessivo de for&ccedil;a exercido pelos policiais, al&eacute;m da pris&atilde;o ilegal.<\/p>\n<p>Semanas depois de sua pris&atilde;o, que ocorreu no dia 05 de novembro, milhares de pessoas de todo o pa&iacute;s participaram do chamado &ldquo;Dia da Transfer&ecirc;ncia Banc&aacute;ria&rdquo;. Kristen Christian estava furiosa com o an&uacute;ncio de que o Bank of America iria cobrar uma comiss&atilde;o mensal de cinco d&oacute;lares pelo uso do cart&atilde;o de d&eacute;bito. Criou um evento no Facebook e o compartilhou com seus amigos. Em pouco tempo, o Dia da Transfer&ecirc;ncia Banc&aacute;ria contava com 85 mil seguidores na Internet.<\/p>\n<p>Kristen informou que nesse dia foram criadas novas 40 mil contas em cooperativas de poupan&ccedil;a e cr&eacute;dito sem fins lucrativos em todo o pa&iacute;s. Afirmou que a cota de cinco d&oacute;lares, que o Bank of America tinha eliminado at&eacute; ent&atilde;o, &ldquo;mostra o pouco contato que os executivos dos grandes bancos possuem com as pessoas&#8230; No caso do Bank of America, a cota s&oacute; se aplicava a titulares que tinham menos de 20 mil d&oacute;lares depositados na soma de todas as suas contas. N&atilde;o podia apoiar uma empresa que tem como alvo direto de seus lucros os mais pobres e a classe trabalhadora&rdquo;.<\/p>\n<p>Pouco depois da crise financeira de 2008, ativistas do estado de Oregon come&ccedil;aram a defender a cria&ccedil;&atilde;o de um banco p&uacute;blico na regi&atilde;o, tomando por modelo o &uacute;nico banco estatal dos Estados Unidos, o de Dakota do Norte. Atualmente, as cidades de Portland e Seattle consideram sacar suas grandes contas municipais dos bancos de Wall Street. De acordo com um relat&oacute;rio, o Bank of America poderia perder U$ 185 bilh&otilde;es de clientes que encerrassem suas contas.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2010, foi criado o Move Your Money Project, um projeto que estimula as pessoas a passarem suas economias para bancos locais sem fins lucrativos a fim de acabar com o financiamento dos megabancos de Wall Street. Seus criadores publicaram um v&iacute;deo inspirado no filme de 1946 &ldquo;Que belo &eacute; viver!&rdquo; (It&rsquo;s a wonderful life), no qual o protagonista, George Bailey, luta para proteger os consumidores do mesquinho presidente do banco, o senhor Potter. Como Bailey diz na pel&iacute;cula: &ldquo;Esta cidade necessita desta miser&aacute;vel e insignificante institui&ccedil;&atilde;o ainda que seja t&atilde;o somente para que as pessoas venham a este lugar sem ter de cair de joelhos ante Potter&rdquo;. O v&iacute;deo do Move Your Money acaba com a seguinte mensagem: &ldquo;Se deixa seu dinheiro nos grandes bancos, eles o usar&atilde;o para pagar seus lobistas e assim evitar que o Congresso modifique o sistema&#8230; N&atilde;o apenas assista &lsquo;Que belo &eacute; viver!&rsquo;&#8230; Saque seu dinheiro do banco&rdquo;.<\/p>\n<p>_________<\/p>\n<p>Denis Moynihan colaborou na produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica desta coluna.<br \/>\n@2011 Amy Goodman<\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Mercedes Camps y <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/es\">Democracy Now! em espanhol<\/a>,<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol &eacute; traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto e revisado por Bruno Lima Rocha. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\">Democracy Now!<\/a>, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio aos protestos contra Wall Street, um grupo em Nova York defende que os clientes dos megabancos transfiram seu dinheiro para cooperativas financeiras locais e sem fins lucrativos. 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