{"id":10564,"date":"2011-12-16T00:38:21","date_gmt":"2011-12-16T00:38:21","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1564"},"modified":"2011-12-16T00:38:21","modified_gmt":"2011-12-16T00:38:21","slug":"o-apartheid-climatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10564","title":{"rendered":"O Apartheid Clim\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/16_12_2011_00_38_08.jpg\" title=\"Os Estados Unidos s\u00e3o de longe o pa\u00eds que mais consome energia por pessoa. Superam at\u00e9 a China, que \u00e9 a maior poluidora em quantidade absoluta, na emiss\u00e3o de CO2 per capita. Na ECO-92, Bush pai afirmou que seu pa\u00eds n\u00e3o iria abandonar o estilo de vida. A cada dia que passa, as decis\u00f5es de Obama refor\u00e7am tal pensamento. E o estilo de vida estadunidense de ser trar\u00e1 seu pre\u00e7o um dia para todas as na\u00e7\u00f5es pagarem a conta, a come\u00e7ar pelas mais pobres, as africanas. - Foto:acus.org\" alt=\"Os Estados Unidos s\u00e3o de longe o pa\u00eds que mais consome energia por pessoa. Superam at\u00e9 a China, que \u00e9 a maior poluidora em quantidade absoluta, na emiss\u00e3o de CO2 per capita. Na ECO-92, Bush pai afirmou que seu pa\u00eds n\u00e3o iria abandonar o estilo de vida. A cada dia que passa, as decis\u00f5es de Obama refor\u00e7am tal pensamento. E o estilo de vida estadunidense de ser trar\u00e1 seu pre\u00e7o um dia para todas as na\u00e7\u00f5es pagarem a conta, a come\u00e7ar pelas mais pobres, as africanas. - Foto:acus.org\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os Estados Unidos s\u00e3o de longe o pa\u00eds que mais consome energia por pessoa. Superam at\u00e9 a China, que \u00e9 a maior poluidora em quantidade absoluta, na emiss\u00e3o de CO2 per capita. Na ECO-92, Bush pai afirmou que seu pa\u00eds n\u00e3o iria abandonar o estilo de vida. A cada dia que passa, as decis\u00f5es de Obama refor\u00e7am tal pensamento. E o estilo de vida estadunidense de ser trar\u00e1 seu pre\u00e7o um dia para todas as na\u00e7\u00f5es pagarem a conta, a come\u00e7ar pelas mais pobres, as africanas.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:acus.org<\/small><\/figure>\n<p>16 de dezembro, de Durban, <em>Amy Goodman e Denis Moynihan<\/em><\/p>\n<p>&ldquo;Somos a maioria silenciada. Deram-nos um lugar neste audit&oacute;rio, mas nossos interesses n&atilde;o est&atilde;o representados aqui. O que precisamos fazer para poder participar deste jogo? Ser lobista, uma empresa com influ&ecirc;ncia ou ter dinheiro? Est&atilde;o negociando desde que nasci&rdquo;, discursou Anjali Appadurai na plen&aacute;ria da 17&ordf; Confer&ecirc;ncia das Partes da ONU, a COP 17, nome oficial da Confer&ecirc;ncia sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Durban, &Aacute;frica do Sul. Appadurai &eacute; uma estudante do instituto College of the Atlantic de Bar Harbor, Maine, nos Estados Unidos, especializado em ecologia, que se dirigiu aos participantes do evento em nome da delega&ccedil;&atilde;o de jovens. Completou: &ldquo;Durante todo esse tempo, n&atilde;o cumpriram com as responsabilidades assumidas, n&atilde;o deram conta das metas e romperam com suas promessas. Mas j&aacute; escutaram isso antes. Estamos na &Aacute;frica, onde vivem as comunidades mais amea&ccedil;adas pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Os pa&iacute;ses mais pobres do mundo necessitam de fundos para adapta&ccedil;&atilde;o agora&rdquo;.<\/p>\n<p>Quando acabou o discurso, a estudante se p&ocirc;s ao lado do p&uacute;lpito e com o microfone desligado gritou para a enorme sala repleta de diplomatas s&eacute;rios: &ldquo;Testando o microfone!&rdquo;, como se fazia nos protestos do movimento Occupy. Ent&atilde;o uma multid&atilde;o de jovens se levantou e come&ccedil;ou a repetir com Appadurai: &ldquo;Igualdade j&aacute;&rdquo;, &ldquo;N&atilde;o h&aacute; desculpa&rdquo;, &ldquo;Corremos contra o tempo&rdquo; e &ldquo;Fa&ccedil;am-no j&aacute;&rdquo;.<\/p>\n<p>Isso aconteceu na sexta-feira passada durante a sess&atilde;o de encerramento da COP 17. As negocia&ccedil;&otilde;es se prolongaram quase sem pausa at&eacute; o domingo, com a esperan&ccedil;a de se evitar um fracasso total. Debateu-se muito sobre a reda&ccedil;&atilde;o e a melhor constru&ccedil;&atilde;o de frases &ndash; por exemplo, a substitui&ccedil;&atilde;o da express&atilde;o &ldquo;acordo legal&rdquo; por &ldquo;um resultado acordado com for&ccedil;a legal&rdquo;, que parece ter sido o preferido na Plataforma de Durban apesar das obje&ccedil;&otilde;es da &Iacute;ndia.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses participantes determinaram um calend&aacute;rio que supostamente conduzir&aacute; a um acordo em 2015, este respons&aacute;vel por comprometer todas as na&ccedil;&otilde;es a reduzir suas emiss&otilde;es atuais a partir de 2020, ou seja, daqui a oitos anos.<\/p>\n<p>O ambientalista nigeriano Nnimmo Bassey, Presidente dos Amigos da Terra Internacional, disse-me: &ldquo;Um prazo de oito anos &eacute; uma senten&ccedil;a de morte para a &Aacute;frica&rdquo;. E desabafou: &ldquo;Toda essa negocia&ccedil;&atilde;o se d&aacute; sobre um grande palco de hipocrisia, falta de seriedade e desconsidera&ccedil;&atilde;o ao fato de que nosso continente est&aacute; sendo gravemente afetado. A cada aumento na temperatura, a &Aacute;frica recebe um impacto maior. Bassey descreve a gravidade das amea&ccedil;as iminentes ao territ&oacute;rio africano em seu livro intitulado &ldquo;To Cook a Continent&rdquo; (Cozinhar um continente).<\/p>\n<p>Bassey &eacute; um das muitas pessoas que se preocupam com a completa falta de ambi&ccedil;&atilde;o da Plataforma de Durban. O acordo posterga para 2020 a redu&ccedil;&atilde;o real e legalmente vinculante das emiss&otilde;es, mesmo que cientistas de todo o mundo consensuem que a meta fixada de limitar o aumento da temperatura m&eacute;dia do planeta em dois graus Celsius j&aacute; seja imposs&iacute;vel de se conseguir. Em seu peri&oacute;dico Perspectiva Mundial da Energia, publicado em novembro, a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia prev&ecirc; que &ldquo;a acumula&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de CO2 (di&oacute;xido de carbono) nos pr&oacute;ximos 25 anos representar&aacute; 75% do total acumulado nos &uacute;ltimos 110 anos, o que vai provocar um aumento a longo prazo de 3,5 graus Celsius na temperatura m&eacute;dia&rdquo;.<\/p>\n<p>Apesar das declara&ccedil;&otilde;es otimistas que os contradizem, muitos pensam que o Protocolo de Kyoto morreu em Durban. Pablo Sol&oacute;n, ex-embaixador da Bol&iacute;via nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas e ex-principal negociador do clima do pa&iacute;s sul-americano, afirmou: &ldquo;Decidiram n&atilde;o fazer redu&ccedil;&otilde;es dr&aacute;sticas agora. Vamos ser testemunhas de um grave aumento de temperatura nos pr&oacute;ximos anos e esta d&eacute;cada ser&aacute; lembrada como a d&eacute;cada perdida&rdquo;. No dia seguinte ap&oacute;s a conclus&atilde;o das negocia&ccedil;&otilde;es, o Ministro do Meio Ambiente do Canad&aacute;, Peter Kent, anunciou que seu pa&iacute;s se retirava formalmente do Protocolo de Kyoto. Espera-se que R&uacute;ssia e Jap&atilde;o (pa&iacute;s anfitri&atilde;o das negocia&ccedil;&otilde;es em 1997 e que deu o nome de sua cidade ao acordo) fa&ccedil;am o mesmo.<\/p>\n<p>O maior poluidor de todos os tempos, os Estados Unidos, nunca ratificou o Protocolo de Kyoto e ainda se nega a faz&ecirc;-lo. Tanto Bassey quanto Sol&oacute;n se referem ao resultado de Durban como um tipo de &ldquo;apartheid clim&aacute;tico&rdquo;.<br \/>\nMesmo com a promessa do Presidente Barack Obama de recolocar os Estados Unidos numa posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a frente &agrave;s discuss&otilde;es sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a trajet&oacute;ria percorrida desde Copenhagen em 2009 at&eacute; Durban neste ano, passando por Canc&uacute;n em 2010, refor&ccedil;a a declara&ccedil;&atilde;o realizada em 1992 pelo ent&atilde;o Presidente George H. W. Bush diante da C&uacute;pula da Terra do Rio (ECO-92), a antecessora da cimeira em que se estabeleceu o Protocolo de Kyoto. Naquele momento, o Presidente Bush afirmara: &ldquo;O estilo de vida dos estadunidenses &eacute; inegoci&aacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<p>O &ldquo;estilo de vida estadunidense&rdquo; pode se medir nas emiss&otilde;es de carbono per capita. Nos Estados Unidos, em m&eacute;dia, s&atilde;o liberadas por ano para a atmosfera cerca de 20 toneladas m&eacute;tricas de di&oacute;xido de carbono por pessoa, o que o torna um dos dez principais emissores de carbono do mundo. Foi da&iacute; que surgiu um trocadilho bem comentado em Durban: &ldquo;Detenham o CO2lonialismo&rdquo;, em refer&ecirc;ncia &agrave; sigla pela qual se conhece o di&oacute;xido de carbono, CO2.<br \/>\nPara se ter uma ideia, a China, que &eacute; atualmente a maior emissora em termos absolutos, tem emiss&otilde;es per capita de cerca de cinco toneladas m&eacute;tricas, o que a coloca na posi&ccedil;&atilde;o 80 do ranking. A popula&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia emite apenas 1,5 toneladas por pessoa, uma fra&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel em que os Estados Unidos se encontram.<\/p>\n<p>Assim parece que a intransig&ecirc;ncia dos Estados Unidos e sua falta de vontade de abandonar o v&iacute;cio pelos combust&iacute;veis f&oacute;sseis s&atilde;o os respons&aacute;veis por matar o Protocolo de Kyoto em Durban, uma cidade-chave na luta da &Aacute;frica do Sul contra o apartheid. &Eacute; pelo reconhecimento desta luta que as palavras de encerramento da estudante Appadurai estiveram imbu&iacute;das de um sentimento de esperan&ccedil;a que depositamos nesta nova gera&ccedil;&atilde;o de ativistas do clima: <\/p>\n<p>&ldquo;[Nelson] Mandela uma vez falou: &lsquo;Sempre parece imposs&iacute;vel at&eacute; que se consiga&rsquo;. Ent&atilde;o, distintos delegados e governos de todo o mundo, governos do mundo desenvolvido: redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica das emiss&atilde;o j&aacute;! Fa&ccedil;am-no!&rdquo;. <\/p>\n<p>_________<\/p>\n<p>Texto em ingl&ecirc;s traduzido por Mercedes Camps y <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/es\">Democracy Now! em espanhol<\/a>,<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol &eacute; traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto e revisado por Bruno Lima Rocha. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\">Democracy Now!<\/a>, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Estados Unidos s\u00e3o de longe o pa\u00eds que mais consome energia por pessoa. Superam at\u00e9 a China, que \u00e9 a maior poluidora em quantidade absoluta, na emiss\u00e3o de CO2 per capita. Na ECO-92, Bush pai afirmou que seu pa\u00eds n\u00e3o iria abandonar o estilo de vida. 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