{"id":1057,"date":"2009-06-22T03:14:38","date_gmt":"2009-06-22T03:14:38","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1057"},"modified":"2009-06-22T03:14:38","modified_gmt":"2009-06-22T03:14:38","slug":"no-pais-do-futebol-a-culpa-e-do-ensino-ou-da-ausencia-dele-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1057","title":{"rendered":"No pa\u00eds do futebol, a culpa \u00e9 do ensino (ou da aus\u00eancia dele)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/futebol adolescente.jpg\" title=\"Os jogos entranhados na cultura de um povo, tanto formam parte de sua identidade maior como podem ser sua perdi\u00e7\u00e3o, na falta de maiores expectativas de vida al\u00e9m das 4 linhas. - Foto:Cordeir\u00f3polis\" alt=\"Os jogos entranhados na cultura de um povo, tanto formam parte de sua identidade maior como podem ser sua perdi\u00e7\u00e3o, na falta de maiores expectativas de vida al\u00e9m das 4 linhas. - Foto:Cordeir\u00f3polis\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os jogos entranhados na cultura de um povo, tanto formam parte de sua identidade maior como podem ser sua perdi\u00e7\u00e3o, na falta de maiores expectativas de vida al\u00e9m das 4 linhas.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Cordeir\u00f3polis<\/small><\/figure>\n<p>24 de abril de 2009, Andr&eacute; Carvalho e Bruno Lima Rocha<\/p>\n<p>Que o Brasil &eacute; o pa&iacute;s do futebol, todo mundo sabe. O que o &ldquo;resto do mundo&rdquo; n&atilde;o entende e se espanta, &eacute; como esta terra repete o fen&ocirc;meno de fabricar tantos craques. Uma verdade &eacute; ler esta panac&eacute;ia ao inverso. Ou seja, o que acontece n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno, e sim uma trag&eacute;dia.<\/p>\n<p>O futebol est&aacute; muito mais presente na vida destas crian&ccedil;as do que podemos imaginar. &Eacute; comum escutar da boca de meninos de todas as classes sociais, que no futuro &ldquo;eles v&atilde;o ser jogadores de futebol&rdquo;. A diferen&ccedil;a est&aacute; nas op&ccedil;&otilde;es. O pa&iacute;s tem ensino p&uacute;blico universalizado, mas de p&eacute;ssima qualidade. No caso, o chamado contra turno &eacute; ocupado pela crian&ccedil;a de qualquer maneira. Um pa&iacute;s com turno integral na rede de ensino n&atilde;o teria o problema do Brasil.<\/p>\n<p>Para a pobreza brasileira, a bola est&aacute; ali como socializa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e miragem do futuro do bolso farto e da cabe&ccedil;a vazia. Na pouca v&aacute;rzea que sobrou, nasce e ressurge a esperan&ccedil;a, na rua e nos campinhos de terra com areia e pedra. Ao inv&eacute;s de se dedicarem aos estudos, como as crian&ccedil;as de outras classes sociais, desde muito cedo passam o tempo que deveria ser destinado ao ensino e mais o resto do tempo que tem para brincar, em campos de pelada com seus amigos. Concorrendo com a bola e as declara&ccedil;&otilde;es idiotizadas de craques precoces, jogos eletr&ocirc;nicos e a TV. O Estado tira da reta e deixa o entorno deformar por conta pr&oacute;pria.<\/p>\n<p>Em outros paises, por mais que o ensino seja prec&aacute;rio, as crian&ccedil;as passam pelo menos 10h do seu tempo dentro delas. Al&eacute;m das aulas formais, s&atilde;o proporcionadas atividades extra-classe. Al&eacute;m disso, elas recebem incentivos ao ensino e a pr&aacute;tica do esporte. Por exemplo, para uma crian&ccedil;a poder fazer parte do time de futebol de sua escola, ela precisa tirar boas notas. No Brasil, se fosse feito isso, ter&iacute;amos a massa de praticantes com socializa&ccedil;&atilde;o desportiva para preencher a lacuna da overdose do futebol e da pouca presen&ccedil;a do conjunto dos esportes ol&iacute;mpicos. Sem um modelo de base escolar, ficamos &agrave; merc&ecirc; do alto rendimento e das bolsas do Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Brasileiro.<\/p>\n<p>Voltando ao fen&ocirc;meno dos &ldquo;boleiros precoces&rdquo;, cabe observar o papel da fam&iacute;lia. Os pais, que deveriam ser &agrave; base da boa educa&ccedil;&atilde;o, dando todo o apoio e incentivo necess&aacute;rio para irem as escolas, se omitem da quest&atilde;o. Ou, de t&atilde;o ocupados por terem de acordar cedo para trabalhar e voltarem tarde para casa, pensam que elas foram para a aula, mas mal sabem que nem chegaram perto dos port&otilde;es do col&eacute;gio. Se os parentes diretos percebem que h&aacute; chance real do menino vir a se profissionalizar, o talento e o gosto do guri se tornam investimento. E a expectativa familiar &eacute; transferida para uma crian&ccedil;a que deveria ter como &uacute;nica responsabilidade o desempenho escolar.<\/p>\n<p>Para agravar ainda mais a situa&ccedil;&atilde;o, apesar de todo o problema financeiro, a fam&iacute;lia n&atilde;o pode deixar de ter uma televis&atilde;o. E no centro das salas de suas casas, ela reprisa propagandas quem dizem: &ldquo;compre isso&rdquo;, &ldquo;tenha aquilo&rdquo;, &quot;a melhor marca&quot;, &quot;o melhor brinquedo&quot;, &quot;a comida mais saborosa&quot;, &quot;a roupa da moda&quot;. As crian&ccedil;as t&ecirc;m consci&ecirc;ncia que seus pais n&atilde;o podem lhe dar aquilo que a televis&atilde;o diz, mas isso n&atilde;o impede de que cres&ccedil;a o interesse de ter aquilo que gostariam de ter.<\/p>\n<p>O exemplo e a sa&iacute;da para escapar da pobreza est&atilde;o ali tamb&eacute;m. Al&eacute;m disso, assistem pelo menos duas vezes por semana, partidas de futebol que s&atilde;o televisionadas, mostrando por 90 minutos, pessoas que, assim como eles, sa&iacute;ram das favelas e &ldquo;cresceram na vida&rdquo;, jogando futebol. Nestas condi&ccedil;&otilde;es, &eacute; muito f&aacute;cil compreender como nasce o interesse pelo esporte, que ignoram todos os sacrif&iacute;cios que ter&atilde;o que passar, que na realidade, para estas crian&ccedil;as, nada &eacute; mais dif&iacute;cil do que a vida que levam. Elas acabam acreditando que este &eacute; o caminho mais f&aacute;cil para a felicidade. Como se a felicidade, e a culpa de todos os seus problemas fosse o dinheiro.<\/p>\n<p>Contudo, sonhar com o futebol &eacute; f&aacute;cil, dif&iacute;cil &eacute; chegar l&aacute;. Dos milhares de garotos que dividem o mesmo sonho, apenas alguns conseguem chegar ao profissionalismo. Destes, um n&uacute;mero ainda mias &iacute;nfimo se revela como grande jogador. A partir da&iacute; o funil s&atilde;o os contratos com o exterior, quando a commoditye que chuta bola lastreia a lavagem de dinheiro de gente como Berlusconi, Abramovitch e Cia. Neste ponto, as chances de se ganhar fortunas aumenta.<\/p>\n<p>Se f&ocirc;ssemos p&ocirc;r na balan&ccedil;a da sociedade brasileira o volume de frustra&ccedil;&atilde;o pela aus&ecirc;ncia de uma estrutura esportiva de base e a mir&iacute;ade do futebol profissional para a crian&ccedil;ada, talvez mudasse a nossa pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno das quatro linhas. No pa&iacute;s dos boleiros, at&eacute; o futebol perde com tamanha expectativa sobre apenas um jogo profissional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os jogos entranhados na cultura de um povo, tanto formam parte de sua identidade maior como podem ser sua perdi\u00e7\u00e3o, na falta de maiores expectativas de vida al\u00e9m das 4 linhas. Foto:Cordeir\u00f3polis 24 de abril de 2009, Andr&eacute; Carvalho e Bruno Lima Rocha Que o Brasil &eacute; o pa&iacute;s do futebol, todo mundo sabe. 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