{"id":10576,"date":"2012-02-20T21:14:51","date_gmt":"2012-02-20T21:14:51","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1591"},"modified":"2012-02-20T21:14:51","modified_gmt":"2012-02-20T21:14:51","slug":"nove-vitimas-da-guerra-do-afeganistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10576","title":{"rendered":"Nove v\u00edtimas da guerra do Afeganist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/soldadosurinamemcorpos.jpg\" title=\"Soldados dos Estados Unidos urinam sobre corpos de v\u00edtimas afeg\u00e3os. Epis\u00f3dios como esse eram comuns durante a ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e novamente chamam a aten\u00e7\u00e3o mundial, agora, no Afeganist\u00e3o.  - Foto:Jornal do Brasil\" alt=\"Soldados dos Estados Unidos urinam sobre corpos de v\u00edtimas afeg\u00e3os. Epis\u00f3dios como esse eram comuns durante a ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e novamente chamam a aten\u00e7\u00e3o mundial, agora, no Afeganist\u00e3o.  - Foto:Jornal do Brasil\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Soldados dos Estados Unidos urinam sobre corpos de v\u00edtimas afeg\u00e3os. Epis\u00f3dios como esse eram comuns durante a ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e novamente chamam a aten\u00e7\u00e3o mundial, agora, no Afeganist\u00e3o. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Jornal do Brasil<\/small><\/figure>\n<p><span style=\"font-style: italic;\">20 de fevereiro de 2012, de Nova York, Amy Goodman, com tradu&ccedil;&atilde;o de Rafael Cavalcanti<\/span><\/p>\n<p>Oito adolescentes que guiavam suas ovelhas nos campos nevados do Afeganist&atilde;o foram assassinados no in&iacute;cio do m&ecirc;s durante um ataque a&eacute;reo da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (OTAN) no distrito de Najrab, prov&iacute;ncia de Kapisa, ao leste do pa&iacute;s. A maioria dos garotos tinha entre 6 e 14 anos. No momento do ataque, eles buscavam ref&uacute;gio junto a uma grande pedra sob a qual fizeram uma fogueira para se proteger do frio. Em princ&iacute;pio, os oficiais da OTAN afirmaram que se tratava de homens armados. O governo afeg&atilde;o condenou a a&ccedil;&atilde;o militar e publicou fotos de algumas das v&iacute;timas. Logo a organiza&ccedil;&atilde;o expressou em um comunicado &agrave; imprensa &ldquo;suas sentidas condol&ecirc;ncias aos familiares e parentes de v&aacute;rios adolescentes afeg&atilde;os que morreram no ataque a&eacute;reo de 08 de fevereiro na prov&iacute;ncia de Kapisa&rdquo;.<\/p>\n<p>Os garotos assassinados tinham quase a mesma idade do soldado Osbrany Montes de Oca, 20 anos, cidad&atilde;o de Nova Jersey, que morreu em combate dois dias depois na prov&iacute;ncia de Helmand. A morte desses nove jovens &eacute; o incidente mais recente da guerra mais longa da hist&oacute;ria dos Estados Unidos. Uma guerra que, segundo um corajoso oficial do Ex&eacute;rcito estadunidense respons&aacute;vel por denunciar a dita institui&ccedil;&atilde;o, perpetua-se com base em &ldquo;uma l&oacute;gica de mentiras expl&iacute;citas e substanciais&rdquo; por parte de &ldquo;v&aacute;rios l&iacute;deres militares norte-americanos de alta patente no Afeganist&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Essas s&atilde;o as palavras escritas pelo tenente-coronel Danny Davis no seu relat&oacute;rio de 84 p&aacute;ginas denominado &ldquo;Abandono de fun&ccedil;&otilde;es II: A perda da integridade dos l&iacute;deres militares de alta patente prejudica o esfor&ccedil;o de guerra no Afeganist&atilde;o&rdquo;. A revista Rolling Stone conseguiu um rascunho do relat&oacute;rio no dia 27 de janeiro, mas o gabinete de Assuntos P&uacute;blicos do Ex&eacute;rcito dos Estados Unidos n&atilde;o aprovou sua publica&ccedil;&atilde;o, apesar de Davis negar que o conte&uacute;do seja secreto. O tenente-coronel apresentou uma vers&atilde;o confidencial aos membros do Congresso. Militar desde os 17 anos, Davis &eacute; um veterano com quatro combates nas costas. Esteve a servi&ccedil;o de seu pa&iacute;s por um ano no Afeganist&atilde;o com a For&ccedil;a de Equipamento R&aacute;pido do Ex&eacute;rcito quando percorreu mais de 14 mil quil&ocirc;metros em meio aos setores mais ativos da ocupa&ccedil;&atilde;o estadunidense, o que lhe permitiu conhecer diretamente as urg&ecirc;ncias dos soldados.<\/p>\n<p>Em um artigo que escreveu para a Revista das For&ccedil;as Armadas intitulado &ldquo;A verdade, as mentiras e o Afeganist&atilde;o&rdquo;, Davis falou sobre sua experi&ecirc;ncia: &ldquo;O que vi n&atilde;o tem nada a ver com as floridas declara&ccedil;&otilde;es oficiais dos l&iacute;deres das for&ccedil;as estadunidenses sobre as condi&ccedil;&otilde;es no campo de batalha&rdquo;. Dizer o que pensa &eacute; uma conduta fortemente desaconselhada nas for&ccedil;as armadas dos Estados Unidos, em particular se a opini&atilde;o vai de encontro a um superior. Seu relat&oacute;rio foi publicado pelo jornal The New York Times e pela revista Rolling Stone, cujo jornalista Michael Hastings me disse: &ldquo;A realidade &eacute; que estamos diante de um veterano de guerra que esteve 17 anos no Ex&eacute;rcito, que foi convocado quatro vezes (duas no Afeganist&atilde;o e duas no Iraque) e decidiu arriscar sua carreira (falta-lhe anos e meios para se aposentar) porque sente que tem a obriga&ccedil;&atilde;o moral de faz&ecirc;-lo&rdquo;.<\/p>\n<p>O tenente-coronel Davis entrevistou mais de 250 pessoas (militares estadunidenses e cidad&atilde;os afeg&atilde;os) em seu &uacute;ltimo ano na zona de guerra. Comparou seus testemunhos com as proje&ccedil;&otilde;es otimistas de oficiais como David Petraeus, ex-diretor do Comando Central e das for&ccedil;as norte-americanas no Afeganist&atilde;o, atualmente, diretor do servi&ccedil;o secreto dos Estados Unidos (CIA). Petraeus disse ao Congresso no dia 15 de mar&ccedil;o de 2011 que &ldquo;a influ&ecirc;ncia do Talib&atilde; no Afeganist&atilde;o vem diminuindo desde 2005 em grande parte do pa&iacute;s e perdeu espa&ccedil;o em v&aacute;rias localidades importantes&rdquo;. <\/p>\n<p>No seu artigo para a revista militar, Davis destaca: &ldquo;Na mudan&ccedil;a, fui testemunha da falta de &ecirc;xito em praticamente todos os n&iacute;veis. Os insurgentes controlavam praticamente todas as zonas do Afeganist&atilde;o fora do nosso campo visual ou da For&ccedil;a Internacional de Assist&ecirc;ncia &agrave; Seguran&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p>Suas observa&ccedil;&otilde;es coincidem com a morte do soldado Montes de Oca. Sua namorada, Maria Samaniego, disse ao jornal New York Daily News que o companheiro &ldquo;estava saindo da base quando atiraram de repente&rdquo;. S&atilde;o quase dois mil oficiais das for&ccedil;as armadas estadunidenses mortos no Afeganist&atilde;o, quase a mesma quantidade de civis assassinados a cada ano nesse pa&iacute;s. Nic Lee, diretor da ONG independente Gabinete de Seguran&ccedil;a do Afeganist&atilde;o, escreveu em seu relat&oacute;rio anual de 2011: &ldquo;Foi um ano importante por tratar-se do momento em que as for&ccedil;as armadas estadunidenses e da OTAN finalmente reconheceram que &eacute; imposs&iacute;vel ganhar a guerra contra o Talib&atilde;&rdquo;.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio de Defesa Leon Panetta declarou recentemente: &ldquo;Esperamos que no segundo semestre de 2013 possamos fazer a transi&ccedil;&atilde;o e passar da fun&ccedil;&atilde;o de combate &agrave; de treinamento, assessoramento e assist&ecirc;ncia&rdquo;.  Petraeus contradisse essa afirma&ccedil;&atilde;o ao dizer que os Estados Unidos continuam comprometidos em p&ocirc;r fim &agrave; miss&atilde;o de combate apenas no final de 2014. Enquanto isso, as mortes continuam e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o divulgam imagens de soldados da Marinha estadunidenses urinando sobre cad&aacute;veres afeg&atilde;os ou pousando junto &agrave; bandeira nazista da SS. O tenente-coronel Davis escreve: &ldquo;Quando tiver de decidir sobre a continua&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o da guerra, mudar os objetivos ou terminar uma campanha imposs&iacute;vel de ganhar sem um pre&ccedil;o consider&aacute;vel, nossos oficiais de alta patente t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de dizer a verdade para o Congresso e o povo estadunidense&rdquo;. <\/p>\n<p>_______<\/p>\n<p>O texto original contou com a colabora&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica de Denis Moynihan. Mercedes Camps y <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\/es\">Democracy Now! em espanhol<\/a> realizam a tradu&ccedil;&atilde;o para o espanhol.<\/p>\n<p>Esta vers&atilde;o &eacute; exclusiva de Estrat&eacute;gia &amp; An&aacute;lise para o portugu&ecirc;s. O texto em espanhol &eacute; traduzido para o portugu&ecirc;s por Rafael Cavalcanti Barreto e revisado por Bruno Lima Rocha. <\/p>\n<p>Amy Goodman &eacute; &acirc;ncora do <a href=\"http:\/\/www.democracynow.org\">Democracy Now!<\/a>, um notici&aacute;rio internacional que emite conte&uacute;do di&aacute;rio para mais de 650 emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o em ingl&ecirc;s, e mais de 250 em espanhol. &Eacute; co-autora do livro &ldquo;Os que lutam contra o sistema: Her&oacute;is ordin&aacute;rios em tempos extraordin&aacute;rios nos Estados Unidos&rdquo;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soldados dos Estados Unidos urinam sobre corpos de v\u00edtimas afeg\u00e3os. Epis\u00f3dios como esse eram comuns durante a ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque e novamente chamam a aten\u00e7\u00e3o mundial, agora, no Afeganist\u00e3o. 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