{"id":10587,"date":"2012-05-09T00:01:26","date_gmt":"2012-05-09T00:01:26","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1622"},"modified":"2012-05-09T00:01:26","modified_gmt":"2012-05-09T00:01:26","slug":"the-economist-e-a-farsa-com-nome-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10587","title":{"rendered":"The Economist e a farsa com nome de crise"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/economist-cover.jpg\" title=\"A revista inglesa por vezes ousa em suas capas, ainda sem expor as rela\u00e7\u00f5es causais mais b\u00e1sicas a respeito dos fen\u00f4menos pelo ve\u00edculo narrados.  - Foto:articles.businessinsider.com\" alt=\"A revista inglesa por vezes ousa em suas capas, ainda sem expor as rela\u00e7\u00f5es causais mais b\u00e1sicas a respeito dos fen\u00f4menos pelo ve\u00edculo narrados.  - Foto:articles.businessinsider.com\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A revista inglesa por vezes ousa em suas capas, ainda sem expor as rela\u00e7\u00f5es causais mais b\u00e1sicas a respeito dos fen\u00f4menos pelo ve\u00edculo narrados. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:articles.businessinsider.com<\/small><\/figure>\n<p>Val&eacute;rio Cruz Brittos e Bruno Lima Rocha<\/p>\n<p>O texto a seguir tem o car&aacute;ter de introdut&oacute;rio, iniciando uma s&eacute;rie de abordagens com rigor de an&aacute;lise, mas intencionalmente produzidas para darem conta da difus&atilde;o da cr&iacute;tica midi&aacute;tica atrav&eacute;s de um portal de internet especializado na mat&eacute;ria. O per&iacute;odo temporal localiza-se no segundo semestre de 2008, especificamente a partir de setembro, quando se marca o pior momento do capitalismo em sua etapa de financeiriza&ccedil;&atilde;o. No auge da chamada crise, os agentes econ&ocirc;micos e ideol&oacute;gicos liderados pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o ocupando posi&ccedil;&atilde;o de alcance em escala global tornam-se fundamentais para a compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno e a interpreta&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es causais deles derivados.<\/p>\n<p>Nesta s&eacute;rie de artigos analisa-se uma por&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do comportamento da revista TheEconomist, observando-se suas capas durante o per&iacute;odo descrito. O documento a ser desenvolvido nas semanas seguintes, analisa as dezesseis capas produzidas pela revista, a partir de 6 de setembro de 2008, para concluir a quest&atilde;o do mesmo ano em 20 de dezembro. Tais capas se localizam no portal The Economist. Desde o princ&iacute;pio, adota-se a postura de n&atilde;o concordar com o conceito de crise inexor&aacute;vel, reproduzindo em portugu&ecirc;s a consigna dos jovens espanh&oacute;is polarizados atrav&eacute;s do 15-M (15 de maio de 2011), que caracterizam este processo hist&oacute;rico de tempo recente como &ldquo;a fraude com nome de crise&rdquo; (em castelhano, la estafa con nombre de crisis, que tamb&eacute;m poderia ser traduzida como &ldquo;farsa com nome de crise&rdquo;).<\/p>\n<p><strong>Teoria das portas girat&oacute;rias<\/strong><\/p>\n<p>Nesta s&eacute;rie, procura-se expor tr&ecirc;s vari&aacute;veis, sendo a vari&aacute;vel de controle a que aponta para uma exposi&ccedil;&atilde;o (ou n&atilde;o) de rela&ccedil;&otilde;es causais simples, localizando os geradores de agentes da crise alegada e se estes manifestam ou n&atilde;o a sua posi&ccedil;&atilde;o. A partir desta vari&aacute;vel de controle, o n&iacute;vel secund&aacute;rio de an&aacute;lise &eacute; a naturaliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas nas negocia&ccedil;&otilde;es entre os agentes econ&ocirc;micos e financeiros operando como jogadores decisivos (big players) e sua rela&ccedil;&atilde;o com o pagador de &uacute;ltima inst&acirc;ncia, ou seja, o Estado como controlador das reservas coletivas impostas e a &uacute;nica entidade (institui&ccedil;&atilde;o social) autorizada a impor novos impostos sobre a popula&ccedil;&atilde;o, o que atinge uma sociedade como um todo. A vari&aacute;vel conclusiva &eacute; relativamente simples, sendo quase que uma conclus&atilde;o redundante. Em n&atilde;o havendo a identifica&ccedil;&atilde;o de agentes e causas, de modo que o fen&ocirc;meno (da &ldquo;crise&rdquo;) &eacute; narrado a partir da premissa de determinar o n&iacute;vel do desvio na racionalidade dos mercados, portanto, o teorema de crise c&iacute;clica e sua inevitabilidade ser&atilde;o vistas como v&aacute;lidas.<\/p>\n<p>Exposta esta premissa oculta, vamos mostrar o teorema (nosso) de que n&atilde;o pode haver mal-entendido (desinforma&ccedil;&atilde;o, equ&iacute;voco decis&oacute;rio) quando os l&iacute;deres de um oligop&oacute;lio s&atilde;o detentores de informa&ccedil;&atilde;o perfeita (e coordenam os tempos e movimentos dos jogadores decisivos). Como assumido que n&atilde;o h&aacute; um erro, a est&oacute;ria-cobertura que pretende explicar (atrav&eacute;s dos porta-vozes oficiais e oficiosos do capital financeiro), traz uma posi&ccedil;&atilde;o e opini&otilde;es que deformam a abrang&ecirc;ncia sobre o fen&ocirc;meno, tornando-se um elemento de refor&ccedil;o de rela&ccedil;&otilde;es assim&eacute;tricas, justificando as barreiras pol&iacute;tico-institucionais operadas a partir da teoria das portas girat&oacute;rias (cuja comprova&ccedil;&atilde;o &eacute; &oacute;bvia), estando em posi&ccedil;&otilde;es-chave os tomadores de decis&atilde;o (top rank executives, CEOs, big shots etc.) decidindo sobre o destino de grandes or&ccedil;amentos coletivos. Esses tomadores de decis&atilde;o, muitas vezes tamb&eacute;m s&atilde;o ex-executivos localizados no topo da ind&uacute;stria de capital fict&iacute;cio, sendo os pr&oacute;prios co-respons&aacute;veis pela &ldquo;fraude com nome de crise&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Rela&ccedil;&otilde;es financeiras de causa e efeito<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de hegemonia &eacute; de aplica&ccedil;&atilde;o perfeita nesta an&aacute;lise porque observa-se a naturaliza&ccedil;&atilde;o das barreiras pol&iacute;tico-institucionais exercidas pelos agentes econ&ocirc;mico-financeiros (como bancos transnacionais, fundos de hedge, fundos de investimento); sendo que esta naturaliza&ccedil;&atilde;o adquire divulga&ccedil;&atilde;o e credibilidade atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio da barreira t&eacute;cnico-est&eacute;tica (mesclando o jarg&atilde;o do econom&ecirc;s com fontismo das autoridades monet&aacute;rias e econ&ocirc;micas) em funcionamento atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o dos l&iacute;deres mundiais de m&iacute;dia. Estas s&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es privadas, de car&aacute;ter econ&ocirc;mico-ideol&oacute;gico, representadas hoje pela lideran&ccedil;a incontest&aacute;vel de uma pot&ecirc;ncia de difus&atilde;o do pensamento neocl&aacute;ssico revigorado como o grupo The Economist.<\/p>\n<p>Apenas como dado comparativo, um efeito ideol&oacute;gico semelhante hoje &eacute; produzido pelo Wall Street Journal (com &ecirc;nfase dentro dos EUA), pertencendo a News Corp (de Rupert Murdoch), e que se alinha a favor de interpreta&ccedil;&otilde;es absurdas como a da &ldquo;exuber&acirc;ncia irracional&rdquo; dos mercados, relembrando Alan Greenspan narrando a bolha das empresas ponto.com e retomando-se do &ldquo;susto&rdquo; de 1987 e de 1997 (crise da R&uacute;ssia, deflagrada antes pelo Banco Barrings, na Mal&aacute;sia).<br \/>\nNossas conclus&otilde;es iniciais, e elas ser&atilde;o expostas ao longo da s&eacute;rie, apontam que a revista e seus meios de comunica&ccedil;&atilde;o digitais operam como parte de interpreta&ccedil;&otilde;es legitimadoras e &ldquo;solu&ccedil;&otilde;es derivadas&rdquo; para a insolv&ecirc;ncia do sistema financeiro na zona euro e os EUA e, portanto, embora n&atilde;o sejam os tomadores de decis&atilde;o, terminam por refor&ccedil;ar (e muito) as decis&otilde;es tomadas em desafio consulta p&uacute;blica para a aloca&ccedil;&atilde;o de recursos coletivos sob controle corpora&ccedil;&otilde;es privadas e benef&iacute;cios. V&ecirc;-se isso como um agendamento perverso (agenda setting pr&oacute;-capital fict&iacute;cio) j&aacute; que o ve&iacute;culo The Economist, assim como seus pares, a exemplo do citado Wall Street Journal, The Examiner, dentre outros poucos e seletos &oacute;rg&atilde;os oficiosos do pensamento econ&ocirc;mico neocl&aacute;ssico, termina por demarcar os temas de debate em alto n&iacute;vel decis&oacute;rio.<\/p>\n<p>A perversidade desta imposi&ccedil;&atilde;o de pauta se d&aacute; por uma postura normativa nossa, reconhecendo que as vontades das pessoas e o exerc&iacute;cio da sua decis&atilde;o soberana, em uma democracia em qualquer escala, haver&aacute; sempre um obst&aacute;culo &agrave; livre circula&ccedil;&atilde;o de capitais em geral e do capital em sua forma financeira em particular. &Eacute; justamente por isso que os ve&iacute;culos que defendem a direita financeira t&ecirc;m de esconder, em suas coberturas e an&aacute;lise, as rela&ccedil;&otilde;es financeiras de causa e efeito, ocultando alguma explica&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel para os fatos reais.<\/p>\n<p>artigo originalmente publicado no Observat&oacute;rio da Imprensa em 02\/05\/2012<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista inglesa por vezes ousa em suas capas, ainda sem expor as rela\u00e7\u00f5es causais mais b\u00e1sicas a respeito dos fen\u00f4menos pelo ve\u00edculo narrados. 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