{"id":10588,"date":"2012-07-04T12:44:08","date_gmt":"2012-07-04T12:44:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1643"},"modified":"2012-07-04T12:44:08","modified_gmt":"2012-07-04T12:44:08","slug":"os-fatores-que-traduzem-a-plutonomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10588","title":{"rendered":"Os fatores que traduzem a \u201cplutonomia\u201d"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Bitmap em Figura1.jpg\" title=\"N\u00e3o h\u00e1 racionalidade nas decis\u00f5es que movimentam a economia mundial - Foto:Kayser\" alt=\"N\u00e3o h\u00e1 racionalidade nas decis\u00f5es que movimentam a economia mundial - Foto:Kayser\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">N\u00e3o h\u00e1 racionalidade nas decis\u00f5es que movimentam a economia mundial<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Kayser<\/small><\/figure>\n<p><em>04 de julho, coletivo NIEG<\/em><\/p>\n<p>Em 2005, o Citigroup enviou tr&ecirc;s memorandos para seus investidores mais ricos. Nesses documentos constava a tese de que os EUA n&atilde;o eram mais uma democracia, e sim uma plutonomia, uma sociedade controlada exclusivamente por e pelo benef&iacute;cio do 1% que det&eacute;m a renda mais alta da popula&ccedil;&atilde;o, possuindo agora mais riqueza que os 95% restantes somados. O memorando exaltava a crescente diferen&ccedil;a entre ricos e pobres, que agora favorecia os investidores como a nova aristocracia estadunidense.<\/p>\n<p>Essencialmente, podemos dizer que essa plutonomia nasce quando h&aacute; fatores como: ganhos extraordin&aacute;rios de produtividade, desregulamenta&ccedil;&atilde;o das atividades financeiras, desenvolvimento tecnol&oacute;gico a favor da financeiriza&ccedil;&atilde;o e a legitima&ccedil;&atilde;o das atividades atrav&eacute;s das empresas de m&iacute;dia especializada.<\/p>\n<p>A concentra&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os de 1% da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada n&atilde;o apenas &agrave; movimenta&ccedil;&atilde;o de capital a favor dos bancos, mas tamb&eacute;m aos pr&oacute;prios agentes que movimentam diariamente fortunas. Um corretor hipotec&aacute;rio, por exemplo, pode comprar facilmente um &ldquo;empr&eacute;stimo mentiroso&rdquo;, recebendo por isso uma bonifica&ccedil;&atilde;o do banco detentor, por&eacute;m futuramente n&atilde;o se responsabilizar&aacute; sobre essa hipoteca. &Eacute; estabelecido ent&atilde;o o que chamamos de risco moral &ndash; o agente pode ser incentivado a apostar inapropriadamente sem ter responsabilidade sobre os efeitos negativos.<\/p>\n<p>Os maiores bancos de investimentos &ndash; Goldman Sachs, J. P. Morgan, Merrill Lynch, Lehman Brothers e Bear Stearns &ndash; pagaram US$ 25 bilh&otilde;es em 2005, US$ 36 bilh&otilde;es em 2006 e US$ 38 bilh&otilde;es em 2007, atrav&eacute;s de bonifica&ccedil;&atilde;o a seus funcion&aacute;rios, a rela&ccedil;&atilde;o entre bonifica&ccedil;&atilde;o e o sal&aacute;rio base alcan&ccedil;ou em 2006, 60% da remunera&ccedil;&atilde;o total dos cinco maiores bancos de investimentos.<\/p>\n<p>O Federal Reserve &eacute; o instrumento principal do governo para o controle da economia, em 1987 foi nomeado para o cargo de presidente ningu&eacute;m menos que Alan Greenspan, o homem por qual tinha fasc&iacute;nio pelo poder do livre mercado. Ap&oacute;s 4 meses de sua nomea&ccedil;&atilde;o o mercado de a&ccedil;&otilde;es entrou em colapso, caindo por terra a tese dos que defendiam a n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o do governo na economia.<\/p>\n<p>A anula&ccedil;&atilde;o da Lei Glass-Steagal, de 1933, deu in&iacute;cio a um processo de desregulamenta&ccedil;&atilde;o com favorecimento de bancos comerciais, esses agora poderiam apostar com dinheiro de correntistas. O catalizador da revoga&ccedil;&atilde;o da Lei Glass-Steagall foi a proposta de fus&atilde;o entre o Citicorp e o Travellers Group, um acordo de US$ 70 bilh&otilde;es formando o Citigroup, o maior banco do mundo.<\/p>\n<p>O mercado financeiro corre contra as imperfei&ccedil;&otilde;es nas transfer&ecirc;ncias de informa&ccedil;&atilde;o, pois &eacute; o principal meio por onde circulam dados. Para estabelecer esse equil&iacute;brio, bancos utilizam as mais avan&ccedil;adas tecnologias para compensa&ccedil;&atilde;o, como o Sistema Swift. A principal fun&ccedil;&atilde;o dessas TIs &eacute; diminuir os custos ligados a&#768; circula&ccedil;&atilde;o de valores e o aumentar da produtividade, deslocando o lucro para a remunera&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho dos agentes (b&ocirc;nus).<\/p>\n<p>Os procedimentos de troca de informa&ccedil;&atilde;o se tornam essenciais para o entendimento da economia mundial, a preocupa&ccedil;&atilde;o aparece quando a utiliza&ccedil;&atilde;o dessas redes &eacute; para especula&ccedil;&atilde;o financeira. Essa evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica internacionalizou a economia, reduziu as dist&acirc;ncias geogr&aacute;ficas e inseriu novas formas de trabalho, baseadas na transfer&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m esse avan&ccedil;o n&atilde;o contribuiu para a distribui&ccedil;&atilde;o igual da renda.<\/p>\n<p>Como legitimadores do capital financeiro, lideres de oligop&oacute;lios midi&aacute;ticos atuam conjuntamente com as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas neoliberais. Organiza&ccedil;&otilde;es privadas que possuem status de lideran&ccedil;a no mercado midi&aacute;tico, acabam por potencializar o pensamento neocl&aacute;ssico atrav&eacute;s de suas coberturas oficiosas sobre a economia nos EUA e zona do euro.<\/p>\n<p>Mesmo sem for&ccedil;a de decis&atilde;o nas atividades econ&ocirc;micas, esses grupos refor&ccedil;am e influenciam as decis&otilde;es na esfera p&uacute;blica (desinforma&ccedil;&atilde;o estrutural), inserem os interesses do mercado financeiro em formato de terrorismo social.<\/p>\n<p>Assim terminamos por concluir que a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo &ldquo;plutonomia&rdquo; pelo banco Citigroup &eacute; a articula&ccedil;&atilde;o entre bancos de investimentos, desregulamenta&ccedil;&atilde;o das leis, tecnologia a favor da financeiriza&ccedil;&atilde;o e cobertura midi&aacute;tica. Esses setores traduzem um ambiente onde n&atilde;o h&aacute; racionalidade nas decis&otilde;es que movimentam a economia mundial.<\/p>\n<p>*Texto originalmente publicado no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 racionalidade nas decis\u00f5es que movimentam a economia mundial Foto:Kayser 04 de julho, coletivo NIEG Em 2005, o Citigroup enviou tr&ecirc;s memorandos para seus investidores mais ricos. 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