{"id":1059,"date":"2009-06-24T11:41:52","date_gmt":"2009-06-24T11:41:52","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1059"},"modified":"2009-06-24T11:41:52","modified_gmt":"2009-06-24T11:41:52","slug":"abordando-o-conceito-de-dominacao-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1059","title":{"rendered":"Abordando o conceito de domina\u00e7\u00e3o \u2013 1"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/dominacao_1.jpg\" title=\"A a\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio implica uma forma relacional, onde coexiste a manipula\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um sentido l\u00f3gico e a tutela que impede a autonomia decis\u00f3ria dos sujeitos.  - Foto:miracula\" alt=\"A a\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio implica uma forma relacional, onde coexiste a manipula\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um sentido l\u00f3gico e a tutela que impede a autonomia decis\u00f3ria dos sujeitos.  - Foto:miracula\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">A a\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio implica uma forma relacional, onde coexiste a manipula\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um sentido l\u00f3gico e a tutela que impede a autonomia decis\u00f3ria dos sujeitos. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:miracula<\/small><\/figure>\n<p>24 de junho de 2009, do Rio Grande outrora altaneiro, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Com este texto, inicio uma s&eacute;rie de tr&ecirc;s artigos breves abordando uma quest&atilde;o urgente para o pensamento cr&iacute;tico latino-americano e mundial. Trata-se do debate a respeito das formas de controle social e sua aplicabilidade. As palavras que seguem se ancoram politicamente na tradi&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria e cientificamente na escola hist&oacute;rico-estrutural.<\/p>\n<p>As rela&ccedil;&otilde;es sociais s&atilde;o o mais importante <\/p>\n<p>Se h&aacute; uma caracter&iacute;stica que pode ser criticada na ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica hegem&ocirc;nica na Am&eacute;rica Latina (neoinstitucionalista, e conforme j&aacute; disse antes, bra&ccedil;o pol&iacute;tico do neoliberalismo) &eacute; o fato de que esta corrente abandonou a dimens&atilde;o social da democracia. Ao mesmo tempo, entendemos que a dimens&atilde;o social n&atilde;o substitui e nem condiciona necessariamente um regime pol&iacute;tico ou uma modelagem de partilha de poder. Ainda assim, na aus&ecirc;ncia da sociedade, qualquer an&aacute;lise se torna excessivamente normativa, impossibilitando inclusive a adapta&ccedil;&atilde;o realista de um modelo poli&aacute;rquico ou democr&aacute;tico. <\/p>\n<p>Este artigo e o conjunto daquilo que esfor&ccedil;adamente produzo e me filio, se localiza dentro do campo normativo da radicaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e da defesa dos interesses coletivos. Justo por isso que compreendo a exist&ecirc;ncias de conflitos &ndash; latentes e declarados &ndash; nas sociedades de classes latino-americanas. E, por entender que a categoria explora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; absoluta e nem pode ser universal como vari&aacute;vel explicativa, vejo como urgente uma categoria de an&aacute;lise que englobe a explora&ccedil;&atilde;o e abarque outras formas de dom&iacute;nio dentro da estrutura de classes. Por isso apontamos a categoria de domina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Ao apontar este conceito de domina&ccedil;&atilde;o como ferramenta de an&aacute;lise para as maiorias da Am&eacute;rica Latina, aponta-se o papel da explora&ccedil;&atilde;o, do imperialismo e a coordena&ccedil;&atilde;o entre os campos de saber e atua&ccedil;&atilde;o. Estes fatores permitem e proporcionam a domina&ccedil;&atilde;o ser predominante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; resist&ecirc;ncia (dos dominados) e a mudan&ccedil;a do modo de produ&ccedil;&atilde;o, por aqueles que t&ecirc;m sua for&ccedil;a de trabalho explorada. <\/p>\n<p>A domina&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a sendo definida a partir da id&eacute;ia de legitimidade. Entendemos que deve haver vontade de obedi&ecirc;ncia, uma norma que permita aos dominados obedecer e aos dominantes exercer sua autoridade partindo de algo leg&iacute;timo. Por vezes esta legitimidade n&atilde;o tem base jur&iacute;dica formal, mas &eacute; uma norma social pr&eacute;via mesma do direito. <\/p>\n<p>A domina&ccedil;&atilde;o tampouco se d&aacute; necessariamente atrav&eacute;s do convencimento, mas pode ser tamb&eacute;m atrav&eacute;s da coer&ccedil;&atilde;o, ou da combina&ccedil;&atilde;o das mesmas. A &quot;naturaliza&ccedil;&atilde;o&quot; da exist&ecirc;ncia entre dominantes e dominados, concederia legitimidade para esta situa&ccedil;&atilde;o de fato. Se a pr&aacute;tica ao longo do tempo se torna ideologia e ganha legitimidade, 500 anos &eacute; um per&iacute;odo largo o bastante para &quot;naturalizar&quot; as formas de domina&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina. <\/p>\n<p>A domina&ccedil;&atilde;o se realiza sob forma de rela&ccedil;&atilde;o, sempre bilateral, onde h&aacute; um m&iacute;nimo de vontade (costume, h&aacute;bito incorporado, naturalizado) entre as partes e os setores. Numa rela&ccedil;&atilde;o normativa, constituindo uma probabilidade composta pelas m&uacute;tuas expectativas de: mandar e obedecer; explorar e ser explorado; dominar e ser dominado; excluir e se enxergar &agrave; margem; reprimir e sentir o peso da repress&atilde;o; deter a hegemonia e enfrentar as formas de resist&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Todas estas vari&aacute;veis (e muitas outras) se materializam e conformam em conte&uacute;dos poss&iacute;veis de fazer parte dos mandatos de domina&ccedil;&atilde;o. &Eacute; como se mesmo a mais cruel e s&aacute;dica forma de dominar o homem sobre o homem tenha limites de efic&aacute;cia, dentro das expectativas causadas pelas normas (impostas ou subliminares) desta mesma domina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A legitimidade &eacute; o requisito imprescind&iacute;vel para gerar o consenso necess&aacute;rio, tanto para dar a continuidade como para institucionalizar as formas v&aacute;rias de domina&ccedil;&atilde;o. O consentimento que gera o consenso, como nos explica Noam Chomsky, &eacute; aquele que desenvolve, o consentimento sobre uma base de id&eacute;ias permitidas pelos opressores. Esta &eacute; a base necess&aacute;ria para a estabilidade das normas de domina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>E como romper com essa normativa de domina&ccedil;&atilde;o? A quebra dos mecanismos de consenso possibilitaria a resist&ecirc;ncia e a ruptura dos dominados, sejam estes, mecanismos de id&eacute;ias, pura for&ccedil;a bruta, contrato social da desigualdade, ou a mais comum, a combina&ccedil;&atilde;o complexa entre ambas as formas de domina&ccedil;&atilde;o. O consenso dominante &eacute; a base da autoridade opressora, o fundamento que se faz notar em distintos n&iacute;veis, a todos os setores de uma sociedade cuja for&ccedil;a criadora e produtiva &eacute; dominada por uma minoria hegem&ocirc;nica. <\/p>\n<p>Tr&ecirc;s formas iniciais de domina&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p>O soci&oacute;logo uruguaio Alfredo Errandonea nos apresenta em seu livro &ldquo;Sociologia da Domina&ccedil;&atilde;o&rdquo; (1986, Nordan Editorial, Montevid&eacute;u, pp. 94 e 95) de forma exemplar e gen&eacute;rica, a tipos de sistemas de domina&ccedil;&atilde;o mais encontrados no capitalismo. Seriam estes: <\/p>\n<p>1) Explora&ccedil;&atilde;o &#8211; esta forma prevalece nas sociedades com economia de mercado e tem um papel de determinante quase exclusivo no capitalismo do tipo gerado na Europa a partir do s&eacute;culo XIX. N&atilde;o se deve omitir a exist&ecirc;ncia de outras formas de domina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, menos freq&uuml;entes &eacute; verdade. <\/p>\n<p>2) Coa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica &#8211; &eacute; seguramente o mais antigo da hist&oacute;ria, e est&aacute; presente como &uacute;ltima medida de qualquer sistema de domina&ccedil;&atilde;o de fato. Sua maior limita&ccedil;&atilde;o consiste em que seu uso efetivo &eacute; muito desgastante. Os aparelhos policiais-repressivos e as organiza&ccedil;&otilde;es militares modernas s&atilde;o a manifesta&ccedil;&atilde;o atual desta forma de domina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>3) Pol&iacute;tica-burocr&aacute;tica &#8211; &eacute; a capacidade de acionar as decis&otilde;es que afetam a toda uma sociedade, &eacute; geralmente constitu&iacute;da pelo conjunto de mecanismos que conformam os organismos de governo e o sistema pol&iacute;tico-legal, somados com a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o que implica o aparelho de Estado como um todo, assim se caracterizaria o tipo de domina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-burocr&aacute;tico. <\/p>\n<p>A estrutura de classes <\/p>\n<p>A forma mais generalizada de domina&ccedil;&atilde;o na atual etapa do capitalismo &eacute; a estrutura de classes. Esta forma se manifesta quando a probabilidade est&aacute;vel (o consenso atrav&eacute;s do consentimento) de obter obedi&ecirc;ncia cont&iacute;nua se institucionaliza e opera sobre rotinas produtivas. Estas rotinas se baseiam na explora&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a e potencial de trabalho das maiorias pelas minorias propriet&aacute;rias dos meios. <\/p>\n<p>N&atilde;o nos referimos somente aos meios de produ&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m os de viol&ecirc;ncia (coa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica) distribui&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o de bens (materiais e simb&oacute;licos) e capacidades decis&oacute;rias (organismos internacionais e estatais, instrumentos de normatiza&ccedil;&atilde;o da vida social). Assim se d&aacute; a rela&ccedil;&atilde;o de domina&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>J&aacute; esta institui&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de domina&ccedil;&atilde;o atua e se constitui sobre a maioria dominada as classes sociais. O sistema onde estas ocorrem configura uma estrutura de classes. &Eacute; fundamental compreender que o conceito de classe &eacute; relativo &agrave; exist&ecirc;ncia de outras classes. A estrutura de classes sociais se manifesta sobre a distribui&ccedil;&atilde;o daquilo que &eacute; desigual nesta mesma sociedade. Esta desigualdade n&atilde;o se manifesta somente na distribui&ccedil;&atilde;o dos bens, mercadorias e recursos materiais. &Oacute;bvio que a desigualdade de distribui&ccedil;&atilde;o material tanto &eacute; quantitativa (montante, total bruto) como qualitativa (total l&iacute;quido, valor agregado e simb&oacute;lico) de meios, bens, mercadorias e divisas de v&aacute;rias formas. <\/p>\n<p>Mas, a estrutura de classes se manifesta de forma mais ampla, conforme veremos nos artigos seq&uuml;entes. <\/p>\n<p>\nEste artigo foi originalmente publicado no portal do<a href=\"http:\/\/www.unisinos.br\/ihu\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=23346\">Instituto Humanitas da Unisinos. <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A a\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio implica uma forma relacional, onde coexiste a manipula\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de um sentido l\u00f3gico e a tutela que impede a autonomia decis\u00f3ria dos sujeitos. 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