{"id":10595,"date":"2012-08-28T23:52:06","date_gmt":"2012-08-28T23:52:06","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1665"},"modified":"2012-08-28T23:52:06","modified_gmt":"2012-08-28T23:52:06","slug":"a-farsa-exibida-nos-cinemas-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10595","title":{"rendered":"A farsa exibida nos cinemas (1)"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Too Big To Fail.JPG\" title=\"As logomarcas de parte das empresas respons\u00e1veis pela maior fraude e transfer\u00eancia indevida de recursos  da hist\u00f3ria da humanidade. - Foto:dailybail\" alt=\"As logomarcas de parte das empresas respons\u00e1veis pela maior fraude e transfer\u00eancia indevida de recursos  da hist\u00f3ria da humanidade. - Foto:dailybail\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">As logomarcas de parte das empresas respons\u00e1veis pela maior fraude e transfer\u00eancia indevida de recursos  da hist\u00f3ria da humanidade.<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:dailybail<\/small><\/figure>\n<p>27 de agosto de 2012, <em>Ivan Lemos<\/em>* e<em> Bruno Lima Rocha&dagger;<\/em> <\/p>\n<p>No trabalho do N&uacute;cleo Interdisciplinar de Estudos da Globaliza&ccedil;&atilde;o Transnacional (NIEG-CEPOS) optamos utilizar dois document&aacute;rios como forma de expans&atilde;o das alternativas de interpreta&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es causais, agentes envolvidos e efeitos da crise. Um &eacute; &ldquo;Capitalism: A Love Story&rdquo;, (2009, EUA), dirigido por Michael Moore. O diretor j&aacute; &eacute; conhecido internacionalmente por produzir document&aacute;rios que fazem cr&iacute;ticas &aacute;cidas ao sistema capitalista nos EUA e as estruturas de poder que o comp&otilde;em. Para fazer um contraponto escolhemos o document&aacute;rio &ldquo;Inside Job&rdquo; de Chales Ferguson (EUA, 2010), o qual ganhou o Oscar em 2010 de melhor document&aacute;rio. Detalhe importante &eacute; que Ferguson &eacute;, antes de diretor, matem&aacute;tico e cientista pol&iacute;tico, j&aacute; trabalhou como consultor para empresas de capital misto e o governo norte-americano.<\/p>\n<p>A partir da &ldquo;farsa com nome de crise&rdquo; que se assenta sobre toda Uni&atilde;o Europeia e EUA houve um aumento no n&iacute;vel de materiais audiovisuais que embasam todo o processo de colapso das potencias mundiais. O document&aacute;rio de Moore, por exemplo, tem um car&aacute;ter mais hist&oacute;rico sobre o funcionamento do sistema capitalista nos EUA, exp&otilde;e as fraudes causadas por empresas que est&atilde;o inseridas no mercado financeiro. <\/p>\n<p>As cenas iniciais traduzem o resultado de um sistema de especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria que fez com que um castelo de areia ru&iacute;sse. As casas hipotecadas eram agrupadas a outros tipos de investimentos e transformava &ndash; se em um pacote de investimento misto, os chamados (CDOs), que eram vendidos a diversos conglomerados financeiros, assim os propriet&aacute;rios dos que pagavam as parcelas das hipotecas logo se viram mergulhados em taxas alt&iacute;ssimas de juros. Se o propriet&aacute;rio do im&oacute;vel deixa de pagar, o primeiro banco que hipotecou n&atilde;o receberia e nem os outros bancos que compraram esses pacotes, os pre&ccedil;os dos im&oacute;veis n&atilde;o cessaram de crescer em cinco anos. As previs&otilde;es eram as melhores, as agencias de rating garantiam lucro certo, e isso contribuiu para uma massifica&ccedil;&atilde;o de compra, um comportamento de manada, que bombardeou as estruturas do sistema financeiro. <\/p>\n<p>O agora j&aacute; consolidado Estado-Na&ccedil;&atilde;o considerado o centro do capitalismo enfrentava uma grave &ldquo;crise&rdquo;. Vale lembrar que n&atilde;o faltaram avisos vindos de economistas de linha cr&iacute;tica ou mesmo de neocl&aacute;ssicos arrependidos. Em 2004 o FBI j&aacute; alertava George Bush Jr. de uma poss&iacute;vel fraude no sistema imobili&aacute;rio (mostrado no filme), logo ap&oacute;s o alerta quinhentos investigadores foram afastados. <\/p>\n<p>Nessa rela&ccedil;&atilde;o conseguimos observar como o governo est&aacute; entrela&ccedil;ado com o sistema financeiro, para garantir que os planos econ&ocirc;micos se concretizem &eacute; necess&aacute;rio a articula&ccedil;&atilde;o com estruturas de apoio e esse funciona como &oacute;rg&atilde;o legitimador do que podemos chamar de fraude de hipotecas. <\/p>\n<p>A inser&ccedil;&atilde;o do Estado com o papel de regulador das atividades financeiras fica na razoabilidade das a&ccedil;&otilde;es, ocultam as poss&iacute;veis gravidades de um sistema que tem como item principal de valoriza&ccedil;&atilde;o a informa&ccedil;&atilde;o. Quando as pol&iacute;ticas do governo permitem que bolhas imobili&aacute;rias se desenvolvam e mesmo sendo descobertas, deixam de ser investigadas, uma fraude &eacute; instalada, primeiro pelos agentes que atuam livremente dentro do mercado, segundo pelo governo fechar os olhos para os alertas dados pelas pr&oacute;prias estruturas de fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Estado. <\/p>\n<p>Al&eacute;m dos alertas sobre um emergente perigo de estouro da bolha imobili&aacute;ria, os investidores n&atilde;o hesitaram, continuaram a jogatina de forma livre e desregulada. Na maioria das produ&ccedil;&otilde;es audiovisuais sobre crise exibem as rela&ccedil;&otilde;es que possibilitaram o desencadear de um colapso, em todos eles os principais investidores constroem a imagem de um profissional coerente com sua atua&ccedil;&atilde;o no mercado, por&eacute;m quando o plano &eacute; geral, o que vemos &eacute; um sistema de compensa&ccedil;&atilde;o de valores mais avan&ccedil;ado do mundo, onde circula informa&ccedil;&atilde;o que deveria ser perfeita.<\/p>\n<p>Moore tamb&eacute;m fala sobre os tr&ecirc;s memorandos que o Citigroup enviou para seus investidores mais ricos. Nesses documentos constava a tese de que os EUA n&atilde;o eram mais uma democracia, e sim uma plutonomia, uma sociedade controlada exclusivamente por e pelo benef&iacute;cio do 1% que det&eacute;m a renda mais alta da popula&ccedil;&atilde;o, possuindo agora mais riqueza que os 95% restantes somados. O memorando exaltava a crescente diferen&ccedil;a entre ricos e pobres, que agora favorecia os investidores como a nova aristocracia estadunidense.<\/p>\n<p>A concentra&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os de 1% da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada n&atilde;o apenas &agrave; movimenta&ccedil;&atilde;o de capital a favor dos bancos, mas tamb&eacute;m aos pr&oacute;prios agentes que movimentam diariamente fortunas. Um corretor hipotec&aacute;rio, por exemplo, pode comprar facilmente um &ldquo;empr&eacute;stimo mentiroso&rdquo;, recebendo por isso uma bonifica&ccedil;&atilde;o do banco detentor, por&eacute;m futuramente n&atilde;o se responsabilizar&aacute; sobre essa hipoteca. &Eacute; estabelecido ent&atilde;o o que chamamos de risco moral &ndash; o agente pode ser incentivado a apostar inapropriadamente sem ter responsabilidade sobre os efeitos negativos. Os maiores bancos de investimentos &ndash; Goldman Sachs, J. P. Morgan, Merrill Lynch, Lehman Brothers e Bear Stearns &ndash; pagaram US$ 25 bilh&otilde;es em 2005, US$ 36 bilh&otilde;es em 2006 e US$ 38 bilh&otilde;es em 2007, atrav&eacute;s de bonifica&ccedil;&atilde;o a seus funcion&aacute;rios, a rela&ccedil;&atilde;o entre bonifica&ccedil;&atilde;o e o sal&aacute;rio base alcan&ccedil;ou em 2006, 60% da remunera&ccedil;&atilde;o total dos cinco maiores bancos de investimentos.<\/p>\n<p>Os procedimentos de troca de informa&ccedil;&atilde;o se tornam essenciais para o entendimento da economia mundial, a preocupa&ccedil;&atilde;o aparece quando a utiliza&ccedil;&atilde;o dessas redes &eacute; para especula&ccedil;&atilde;o financeira. Essa evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica internacionalizou a economia, reduziu as dist&acirc;ncias geogr&aacute;ficas e inseriu novas formas de trabalho, baseadas na transfer&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m esse avan&ccedil;o n&atilde;o contribuiu para a distribui&ccedil;&atilde;o igual da renda.<\/p>\n<p>Este artigo foi originalmente publicado na Coluna do Cepos, Revista do  IHU, edi&ccedil;&atilde;o de 27 de agosto de 2012. <\/p>\n<p>\n* Ivan Lemos &eacute; graduando em publicidade pela Unisinos, foi bolsista do Grupo Cepos e um dos fundadores do NIEG. E-mail: lemos.ivan@gmail.com<\/p>\n<p>&dagger; Bruno Lima Rocha &eacute; cientista pol&iacute;tico com doutorado e mestrado pela UFRGS, jornalista graduado pela UFRJ e docente de comunica&ccedil;&atilde;o social da Unisinos. Atual vice-l&iacute;der do Grupo Cepos &eacute; um dos fundadores do NIEG. E-mail: blimarocha@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As logomarcas de parte das empresas respons\u00e1veis pela maior fraude e transfer\u00eancia indevida de recursos da hist\u00f3ria da humanidade. 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