{"id":10600,"date":"2012-10-28T23:10:08","date_gmt":"2012-10-28T23:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1683"},"modified":"2012-10-28T23:10:08","modified_gmt":"2012-10-28T23:10:08","slug":"para-pensar-a-partir-de-sao-paulo-nos-brasis-do-lulismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10600","title":{"rendered":"Para pensar, a partir de S\u00e3o Paulo, nos Brasis do lulismo"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Em-ato-com-Lula-e-Haddad-PT.jpg\" title=\"Fernando e Luiz In\u00e1cio, no momento do abra\u00e7o do prefeito paulistano agora eleito no padrinho pol\u00edtico.   - Foto:correiodemocraticonline \" alt=\"Fernando e Luiz In\u00e1cio, no momento do abra\u00e7o do prefeito paulistano agora eleito no padrinho pol\u00edtico.   - Foto:correiodemocraticonline \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Fernando e Luiz In\u00e1cio, no momento do abra\u00e7o do prefeito paulistano agora eleito no padrinho pol\u00edtico.  <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:correiodemocraticonline <\/small><\/figure>\n<p>28 de outubro de 2012, <em>Bruno Lima Rocha <\/em><\/p>\n<p><u>Pr&oacute;logo:<\/u> antes que algum desavisado assim afirme, este n&atilde;o &eacute; um texto de apoio a vit&oacute;ria de Haddad e nem tampouco uma celebra&ccedil;&atilde;o c&iacute;nica do in&iacute;cio do fim do tucanato em S&atilde;o Paulo. Infelizmente, as prefer&ecirc;ncias deste analista passam longe de serem realizadas neste pleito, ali&aacute;s, em qualquer pleito na forma da democracia representativa e procedimental. Aqui analisamos trajet&oacute;rias e capital simb&oacute;lico de uma ex-esquerda que, arrependida de si mesmo, ganha com as armas e aliados dos antigos advers&aacute;rios.<\/p>\n<p>O ex-ministro da Educa&ccedil;&atilde;o de Lula, Fernando Haddad derrotou no segundo turno para a prefeitura de S&atilde;o Paulo, ao ex-ministro do Planejamento e da Sa&uacute;de de Fernando Henrique Cardoso, Jos&eacute; Serra. Eu mesmo escrevi que Lula elegera um poste falante, e n&atilde;o me arrependo do conceito. &Eacute; &oacute;bvio que a forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica de Haddad e sua trajet&oacute;ria na interna do partido o qualificam como operador pol&iacute;tico. Tamb&eacute;m passa pela obviedade que as pol&iacute;ticas advindas do Enem, do Prouni e a implanta&ccedil;&atilde;o das cotas, criaram uma relevante camada intermedi&aacute;ria na popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Tamb&eacute;m &eacute; abissal a compara&ccedil;&atilde;o de trajet&oacute;rias do ex-presidente da UNE no governo Jo&atilde;o Goulart e economista com doutorado por Cornell (Serra) e do bacharel em direito pelo XI de Agosto. Haddad &eacute; fruto da pol&iacute;tica p&oacute;s-Abertura e reorganiza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria de 1979. Serra &eacute; herdeiro da transitologia de FHC e Juan Linz, passando da A&ccedil;&atilde;o Popular (AP) para as pol&iacute;ticas cepalinas e logo ap&oacute;s, para um corte desenvolvimentista sem conflito de classes. <\/p>\n<p>Poder&iacute;amos ficar aqui por mais de uma centena de laudas comparando e acrescentando detalhes em ambos os curr&iacute;culos, tanto na pol&iacute;tica partid&aacute;ria, como em teses acad&ecirc;micas, terreno este onde, por sinal, Haddad tem mais familiaridade recente. Mas, elei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o trata disso, ali&aacute;s, elei&ccedil;&atilde;o pouco ou nada se relaciona com carreiras pol&iacute;ticas. No estado de S&atilde;o Paulo, o eleitorado, massivamente, vem optando por quase duas d&eacute;cadas pela sa&iacute;da &agrave; la tucana. Ap&oacute;s o desastre da heran&ccedil;a quercista, com Luiz Ant&ocirc;nio Fleury Filho (ent&atilde;o no PMDB de Orestes, em cujo governo tivera atua&ccedil;&atilde;o destacada o ex-guerrilheiro Aloysio Nunes Ferreira, hoje senador pelo PSDB-SP) e o Carandiru (02 de outubro de 1992), antecedido da fal&ecirc;ncia do Banespa (!), o  malufismo deparou-se com o discurso ainda egresso do MDB de M&aacute;rio Covas. Dotados de brio paulista e paulistano, parte da &ldquo;esquerda&rdquo; apoiara o ex-prefeito de Santos no rumo do Pal&aacute;cio dos Bandeirantes. Inaugurava-se ali, no hoje long&iacute;nquo ano de 1994 &ndash; no auge do neoliberalismo em escala ideol&oacute;gica e pol&iacute;tica &ndash; a ascens&atilde;o dos ex-correligion&aacute;rios de Franco Montoro, no prumo de se tornarem partido de governo. Elei&ccedil;&otilde;es passadas, &aacute;guas corridas por debaixo das pontes sobre o Tiet&ecirc; e Pinheiros. Para compreender Haddad hoje e seu progenitor na cancha grande da pol&iacute;tica profissional, precisamos retornar um pouco mais no tempo recente. <\/p>\n<p>Na d&eacute;cada anterior a Era FHC, ocorre a maior vit&oacute;ria pol&iacute;tica da esquerda reformista brasileira desde o fat&iacute;dico Com&iacute;cio pela Reformas de Base, na central do Brasil (Rio de Janeiro), na fat&iacute;dica sexta-feira 13 de mar&ccedil;o de 1964. O PT ganhou a prefeitura de S&atilde;o Paulo em 1988 tendo &agrave; frente Luiza Erundina, assistente social, nordestina, militante da Vertente Socialista. A VS, como era chamada, j&aacute; no Congresso de 1990 torna-se ala moderada, aliada da Nova Esquerda, ex-PRC, cujo dirigente mais reconhecido era Jos&eacute; Geno&iacute;no e, no sul, Tarso Genro. Outrora, nos primeiros anos, a Vertente se conformava como no campo mais &agrave; esquerda da legenda que sempre operara como uma frente de tend&ecirc;ncias. O governo de Erundina foi o toque da virada (rumo ao centro poderiam dizer os capas arrependidos, mais &agrave; direita diria um analista pol&iacute;tico), quando as experi&ecirc;ncias  de democracia poss&iacute;vel deram de frente com o jogo duro da pol&iacute;tica profissional como ela &eacute;. Vale observar que na d&eacute;cada de &rsquo;80, poucos militantes poderiam galgar postos-chave ou projetarem-se sem estar afiliados a uma tend&ecirc;ncia ou corrente. At&eacute; 1989, uma boa parte delas tinha um funcionamento como partido pol&iacute;tico. O caso da Converg&ecirc;ncia Socialista (CS, cuja ala majorit&aacute;ria constr&oacute;i o PSTU na d&eacute;cada seguinte), era o mais emblem&aacute;tico. Ap&oacute;s o Congresso de 1990, veio o abre alas para a mete&oacute;rica escalada do pragmatismo e do possibilismo. Quase todas e quase todos os companheiros e companheiras tornam-se ent&atilde;o &ldquo;Mar&iacute;lias de um s&oacute; Dirceu&rdquo;. Estava aberto o caminho para a tal da governabilidade. <\/p>\n<p>Voltando aos anos 2000, especificamente a partir de 1&ordm; de janeiro de 2003, a Carta ao Povo Brasileiro dizia exatamente o que se percebia. Em agosto de 2002, em meio a dur&iacute;ssima campanha rumo ao Planalto, Palocci recebe a FEBRABAN de bra&ccedil;os abertos e estava aberto o caminho, rumo a uma transi&ccedil;&atilde;o lenta e gradual de parte da pol&iacute;tica econ&ocirc;mica. Enquanto se perdia na vers&atilde;o tupiniquim de Sodoma e Gomorra em busca de maioria parlamentar a qualquer custo (que o diga o ministro relator do STF, Joaquim Barbosa!), o partido de governo promovia seus caciques paulistas &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;o-vizires de Luiz In&aacute;cio. Este, a quem comparo explicitamente a um Lech Walesa dos tr&oacute;picos, recriava sua equipe em paralelo ao desastre de 2004 e 2005. A maioria no Congresso veio n&atilde;o sem seq&uuml;elas, como o racha que criara a legenda de Helo&iacute;sa Helena e Luciana Genro (PSOL, j&aacute; como uma frente de tend&ecirc;ncias), e a famigerada Reforma da Previd&ecirc;ncia, proeza que teve como cala a boca e tapa buraco o engavetamento da CPI do Banestado!<\/p>\n<p>Passada a tormenta, veio o calv&aacute;rio da legenda como ela pretendia ser (uma ferramenta pol&iacute;tica reivindicativa) para, rapidamente, forjar-se uma nova elite dirigente, subordinada ao l&iacute;der pol&iacute;tico e carism&aacute;tico mais relevante que este pa&iacute;s j&aacute; teve (e isto n&atilde;o &eacute; um elogio, apenas um reconhecimento). Habilmente, sem ferir setores-chave e sendo mordiscado pela m&iacute;dia do PIG (a quem o governo ado&ccedil;a, mas morde), Lula abre alas para, em 2006, despejar sobre o Chuchu Alckmin todas as realiza&ccedil;&otilde;es de seus quatro anos. Conspira&ccedil;&atilde;o Tabajara e Aloprados &agrave; parte, tal e qual o epis&oacute;dio da bolinha de papel e outras infames manobras midi&aacute;ticas de 2010, o lulismo vence de lavada. Garantida a reelei&ccedil;&atilde;o, constata-se que o l&iacute;der carism&aacute;tico descola-se da legenda a qual ajudara a fundar em 1980! Por em cima das for&ccedil;as sociais organizadas do povo brasileiro, desorganizando o tecido social j&aacute; fr&aacute;gil, promovendo uma ascens&atilde;o social sem precedentes atrav&eacute;s do ingresso pela via do consumo e renda, a vida das maiorias melhorou consideravelmente. E, para espanto das elites, incluindo a alegria ampla geral e irrestrita de arrivistas empresariais (como a Delta), setores consolidados (como montadoras e mega-empreiteiras), e financistas (nunca antes na hist&oacute;ria deste pa&iacute;s os bancos faturaram tanto), a massa de cr&eacute;dito e sal&aacute;rio n&atilde;o abala o modelo de endividamento interno e financeiriza&ccedil;&atilde;o da economia real. N&atilde;o tem TFP e UDN marchando com Deus pela Democracia, at&eacute; por que, uma boa parte destes herdeiros pol&iacute;ticos no Planalto est&aacute;.  <\/p>\n<p>N&atilde;o resta d&uacute;vida. Materialmente, em dez anos vivemos muito melhor do que nas d&eacute;cadas anteriores. H&aacute; alguma socializa&ccedil;&atilde;o da riqueza, mas por dentro e com rubrica, atrav&eacute;s do, insisto, consumo e cr&eacute;dito pessoal. Quando h&aacute; uma melhoria nas condi&ccedil;&otilde;es de vida sem isto passar por enfrentamentos populares, conflitos sociais e escalada de sindicaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; porque a regra do jogo mudou. E, como se vira na campanha de Haddad (tal e qual em centenas de outras pelo Brasil), as fotos de Lula e Dilma aparecem em propaganda eletr&ocirc;nica afirmando: &ldquo;Eles indicam!&rdquo; Luiz In&aacute;cio ganhou a elei&ccedil;&atilde;o em S&atilde;o Paulo. Dilma Rousseff ganhou o pleito paulistano. O ex-ministro da Educa&ccedil;&atilde;o passeara ao lado de vampiros &ndash; como o esquema quercista e malufista (a Interpol que resolva!) &ndash; e com estes comemorara a vit&oacute;ria. Kassab, filho pol&iacute;tico das circunst&acirc;ncias de Serra no rumo Pal&aacute;cio dos Bandeirantes (2006), descola-se de seu ex-padrinho e galga proje&ccedil;&atilde;o nacional. Serra parte sombrio rumo ao enterro pol&iacute;tico, com FHC sorrindo ao lado do caix&atilde;o simb&oacute;lico. De algum canto, M&aacute;rio Covas tamb&eacute;m deve estar comemorando, e, ao seu lado, Geraldo Chuchu sorri discretamente. Do lado petista, caciques e dirigentes &ldquo;paulistoc&ecirc;ntricos&rdquo; abandonam o que resta (se &eacute; que ainda resta, parodiando Roberto Ribeiro) de sua identidade e partem para a prefeitura. Perdem tucanos e udenistas, sim. Ganham ex-udenistas e arenistas, tamb&eacute;m. Orestes, sorri nas profundezas; Adhemar de Barros tamb&eacute;m. <\/p>\n<p>Infelizmente, nossa hist&oacute;ria n&atilde;o passa por um per&iacute;odo onde as mudan&ccedil;as na estrutura da sociedade s&atilde;o precedidas de fortes movimentos populares ou celebra&ccedil;&atilde;o do conflito social em nome de justi&ccedil;a. N&atilde;o, pagamos tributo &agrave;s ra&iacute;zes conciliadoras de uma pol&iacute;tica de profissionais (Jos&eacute; Bonif&aacute;cio e os acordos do Congresso do Porto assim afirmam), cuja cultura &eacute; t&atilde;o forte a ponto de transformar um l&iacute;der oper&aacute;rio pragm&aacute;tico, num cacique pol&iacute;tico cuja capacidade de manobra ultrapassa qualquer barreira org&acirc;nica. O maior partido de &ldquo;esquerda&rdquo; (ex-partido reformista, hoje, quando muito, social-democrata) latino-americano, o PT, aproxima-se perigosamente do PSOE espanhol (e isso n&atilde;o &eacute; um elogio pol&iacute;tico, muito pelo contr&aacute;rio). &Agrave; sua frente, Luiz In&aacute;cio da Silva, cacique que elegera ao seu ex-ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Fernando Haddad. Como prefeito paulistano, o professor-doutor da USP (mais um entre tantos), comandar&aacute; o terceiro maior or&ccedil;amento de governo da Am&eacute;rica Latina. Est&aacute; aberto o caminho para o retorno de Lula aos holofotes de campanha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando e Luiz In\u00e1cio, no momento do abra\u00e7o do prefeito paulistano agora eleito no padrinho pol\u00edtico. 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