{"id":1061,"date":"2009-06-30T23:49:06","date_gmt":"2009-06-30T23:49:06","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1061"},"modified":"2009-06-30T23:49:06","modified_gmt":"2009-06-30T23:49:06","slug":"honduras-golpe-resistencia-e-possibilidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1061","title":{"rendered":"Honduras: golpe, resist\u00eancia e possibilidades"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/hondusiete.jpg\" title=\"Os hondurenhos se mobilizam apesar dos riscos. Sabem que a arena pol\u00edtica priorit\u00e1ria \u00e9 o controle das ruas, tirando legitimidade dos golpistas amparados pelo cerco midi\u00e1tico.  - Foto:Alba TV\" alt=\"Os hondurenhos se mobilizam apesar dos riscos. Sabem que a arena pol\u00edtica priorit\u00e1ria \u00e9 o controle das ruas, tirando legitimidade dos golpistas amparados pelo cerco midi\u00e1tico.  - Foto:Alba TV\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Os hondurenhos se mobilizam apesar dos riscos. Sabem que a arena pol\u00edtica priorit\u00e1ria \u00e9 o controle das ruas, tirando legitimidade dos golpistas amparados pelo cerco midi\u00e1tico. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Alba TV<\/small><\/figure>\n<p>30 de junho de 2009, Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>O governo golpista, encabe&ccedil;ado por Roberto Micheletti &#8211; presidente do Congresso unicameral &#8211; al&eacute;m de decretar toque de recolher (n&atilde;o obedecido), j&aacute; pediu a pris&atilde;o de conhecidos sindicalistas e militantes. Ao amea&ccedil;ar dirigentes do Bloco Popular, Via Campesina, Movimento pelos Direitos Humanos e do poderoso Conselho C&iacute;vico de Organiza&ccedil;&otilde;es Populares e Ind&iacute;genas de Honduras, a oligarquia hondurenha alimentada oficiosamente pela CIA, desafia a disputa territorial nas ruas da capital Tegucigalpa e nas estradas e cidades dos 18 departamentos. Por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, o ato gorila pode implica no aumento da unidade dos setores populares e de esquerda organizados. Nunca &eacute; demais lembrar que Manuel Zelaya &eacute; um convertido, mais um, &agrave;s propostas da ALBA e do enfoque latinoamericanista gravitado por Hugo Ch&aacute;vez.<\/p>\n<p>Desse modo, a esquerda hondurenha atua em duas arenas simult&acirc;neas. Uma, imediata, &eacute; a defesa popular contra o golpe c&iacute;vico-militar. A outra, se dar&aacute; no caso de retorno e vit&oacute;ria de Manuel Zelaya, de modo que o presidente n&atilde;o retroceda na convocat&oacute;ria da consulta popular e na mudan&ccedil;a do marco jur&iacute;dico atrav&eacute;s da reforma constitucional. Neste caso, em havendo triunfo de Zelaya e do recalcitrante Partido Liberal, a luta pol&iacute;tica poder&aacute; se encaminhar no sentido de constru&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os decis&oacute;rios &agrave; margem do Estado de Direito, buscando algo pr&oacute;ximo do pluralismo e experimentalismo jur&iacute;dico que se d&aacute; em Bol&iacute;via, com menos intensidade no Equador e que deveria dar-se na Venezuela. <\/p>\n<p>Mas, antes de fazer a luta contra a direita end&oacute;gena do entorno presidencial, o povo hondurenho tem de vencer o desafio do golpe gorila. <\/p>\n<p><u>O golpe hondurenho, antecedentes e seus tent&aacute;culos externos <\/p>\n<p><\/u>Quase todo conflito de legitimidade passa por momentos de como&ccedil;&atilde;o popular. A resist&ecirc;ncia ao golpe de Estado, grosseira manobra de tipo gorila, imitando em parte o intento frustrado que teve Pedro Carmona e a entidade empresarial venezuelana (Fedecameras) &agrave; frente do putsch de abril de 2002, sempre tem de ser imediata e irrepreens&iacute;vel. Houvesse algo semelhante no Brasil em 1&ordm; de abril de 1964 e n&atilde;o sofrer&iacute;amos com 21 anos de ditadura. Pode-se perder ou ganhar um contra golpe, como foi na derrota briosa do povo uruguaio na greve geral de resposta ao golpe de 1973. Mas, se um povo deixa de pelear por n&atilde;o ter convocat&oacute;ria, as entidades de base e os movimentos populares desse pa&iacute;s caem em um descr&eacute;dito igual ou maior do que a &ldquo;esquerda&rdquo; de base parlamentar se encontra na Am&eacute;rica Latina. N&atilde;o se iludam, as vit&oacute;rias eleitorais s&atilde;o, em sua maioria, &ldquo;de uma centro-esquerda n&atilde;o classista&rdquo; como sabiamente afirmam colunistas da direita portenha como James Neilsen (Revista Noticias, Grupo Perfil). Mesmo sendo bastante gorila muitas vezes, Neilsen acerta no conceito e na cr&iacute;tica. Que sirva de li&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Voltando ao golpe hondurenho, de imediato recordei de Oliver North e John Negroponte. Tamb&eacute;m veio &agrave; mente o Batalh&atilde;o 316 e os esquadr&otilde;es da morte da contra centro-americana, quando a Teoria do Domin&oacute; dava suporte conceitual &agrave;s triangula&ccedil;&otilde;es de traficantes de coca&iacute;na, generais sem machete (como o panamenho Manuel Noriega de triste mem&oacute;ria e nenhuma hombridade) e as ag&ecirc;ncias estadunidenses (CIA e DEA &agrave; frente). N&atilde;o por acaso o Imp&eacute;rio se mant&ecirc;m na c&iacute;nica posi&ccedil;&atilde;o de dualismo. Obama declara em alto e bom som que n&atilde;o reconhece outro governo que n&atilde;o o de Zelaya. J&aacute; a advogada Hillary Rodham &ldquo;Whitewater&rdquo; Clinton, secret&aacute;ria de Estado (equivalente a ministra de rela&ccedil;&otilde;es exteriores) se recusa a chamar de golpe militar o putsch encabe&ccedil;ado por Roberto Michelleti (presidente do congresso unicameral), o general Romeo V&aacute;zquez, os membros da Suprema Corte, da Procuradoria Geral, empres&aacute;rios de comunica&ccedil;&atilde;o e alta hierarquia eclesi&aacute;stica. Se os EUA classificam como golpe de Estado a tomada &agrave; for&ccedil;a do poder, seriam obrigados a retirar milh&otilde;es de d&oacute;lares em ajuda anual ao pa&iacute;s que nos anos &rsquo;80 teve para a Am&eacute;rica Central papel semelhante ao da Col&ocirc;mbia nos anos &rsquo;90 e primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI. <\/p>\n<p><u>A batalha pol&iacute;tica s&oacute; ser&aacute; ganha nas ruas <\/p>\n<p><\/u>Nesse momento, a peleia se d&aacute; de forma direta, na dureza dos embates de rua. A greve geral se mant&eacute;m e a tend&ecirc;ncia &eacute; o aumento da unidade solid&aacute;ria entre os que lutam no ch&atilde;o. Em geral, nestes epis&oacute;dios hist&oacute;ricos se forja uma vontade pol&iacute;tica coletiva, mais forte at&eacute; do que os la&ccedil;os com o mandat&aacute;rio derrubado. Quem resiste em Honduras deve estar levando em conta todos estes fatores. No momento em que escrevo estas palavras, militantes do Movimento pelos Direitos Humanos, do Bloco Popular, da Via Campesina e do Conselho C&iacute;vico das Organiza&ccedil;&otilde;es Populares e Ind&iacute;genas de Honduras, al&eacute;m de l&iacute;deres sindicais, est&atilde;o com suas pris&otilde;es decretadas pelo governo golpista. Apostar na repress&atilde;o, mesmo protegidos pelo cerco e da censura midi&aacute;tica, aumenta o risco entre os golpistas da dissid&ecirc;ncia dentro das For&ccedil;as Armadas e do aparecimento de negociadores &ldquo;sensatos&rdquo;. <\/p>\n<p>Al&eacute;m da polariza&ccedil;&atilde;o contra os golpistas, j&aacute; se constituiu um p&oacute;lo de poder que se reconhece na continuidade de quem foi deposto. Trata-se do Gabinete do Governo de Honduras em Resist&ecirc;ncia, e tem em sua composi&ccedil;&atilde;o a 27 atores pol&iacute;ticos de 1&ordm; e 2&ordm; escal&atilde;o do governo Zelaya. Para contrapor este p&oacute;lo &eacute; preciso confrontar a oligarquia, mas tamb&eacute;m compor outro p&oacute;lo de aglutina&ccedil;&atilde;o e poder decis&oacute;rio. Se houver tempo e sabedoria pol&iacute;tica, a coordena&ccedil;&atilde;o pontual para resist&ecirc;ncia civil ao golpe pode se consolidar em inst&acirc;ncia permanente, guinando o poder abaixo e &agrave; esquerda. Caso Zelaya retorne ao poder Executivo do Estado burgu&ecirc;s, os meses subseq&uuml;entes ser&atilde;o definidores do futuro pr&oacute;ximo de Honduras e de toda a regi&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os hondurenhos se mobilizam apesar dos riscos. Sabem que a arena pol\u00edtica priorit\u00e1ria \u00e9 o controle das ruas, tirando legitimidade dos golpistas amparados pelo cerco midi\u00e1tico. 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