{"id":10610,"date":"2013-02-02T23:17:26","date_gmt":"2013-02-02T23:17:26","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1714"},"modified":"2013-02-02T23:17:26","modified_gmt":"2013-02-02T23:17:26","slug":"acabem-logo-com-a-alegria-do-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10610","title":{"rendered":"Acabem logo com a alegria do futebol"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Gremio-LDU-Foto-Ricardo-Rimoli_LANIMA20130131_0043_1.jpg\" title=\"H\u00e1 limites para o torcer nos est\u00e1dios? - Foto:Ricardo R\u00edmoli\" alt=\"H\u00e1 limites para o torcer nos est\u00e1dios? - Foto:Ricardo R\u00edmoli\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">H\u00e1 limites para o torcer nos est\u00e1dios?<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Ricardo R\u00edmoli<\/small><\/figure>\n<p><em>Por Dijair Brilhantes<\/em><\/p>\n<p>Quarta feira, 30 de janeiro de 2013. Era dia de Gr&ecirc;mio. Termo adotado pela torcida gremista em dias de jogos do clube. Passo os dia contando as horas para que chegue o momento do jogo.<\/p>\n<p>Como de costume, tudo combinado, era esperar minha esposa chegar do trabalho, nos vestir a rigor, entrar no carro e seguir para a Arena. Pela primeira torcer pelo Gr&ecirc;mio por l&aacute;.<\/p>\n<p>Torcer, este &eacute; o termo. Nunca fui a um jogo do Gr&ecirc;mio para assistir. Nem mesmo de casa &eacute; poss&iacute;vel somente assistir. O torcedor de verdade sempre acredita que o pensamento positivo emitido mesmo que a quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia ajuda a bola a entrar.<\/p>\n<p>Chego &agrave; nova casa por volta das 19h30. Um movimento intenso aos arredores da perif&eacute;rica zona onde foi constru&iacute;do um dos est&aacute;dios mais modernos da Am&eacute;rica do Sul. A aglomera&ccedil;&atilde;o nesta ocasi&atilde;o nunca costuma nos incomodar, quase todos est&atilde;o ali pelo mesmo motivo: torcer. Mas claro que alguns s&oacute; para assistir.<\/p>\n<p>O que me deixa muito irritado s&atilde;o os guardadores de carro que ficam em torno da cancha tentando extorquir quem tenta estacionar. Os pre&ccedil;os ali variam entre R$ 20,00 e R$ 30,00 para estacionar na via p&uacute;blica! Sem garantias de seguran&ccedil;a, pois a PM nada faz para intervir. Nem mesmo a a&ccedil;&atilde;o dos cambistas &eacute; coagida, eles vendem a pre&ccedil;os exorbitantes, mas como quem comprar&aacute; esses ingressos s&atilde;o pessoas de padr&atilde;o de vida elevado, a pol&iacute;cia entende que estes n&atilde;o dar&atilde;o trabalho a eles no est&aacute;dio, pois v&atilde;o para assistir.<\/p>\n<p>Opto pelo estacionamento privado, que nesta noite custou R$ 40,00. &Eacute; mais seguro. Posso guardar minhas preocupa&ccedil;&otilde;es exclusivamente para o jogo.<\/p>\n<p>Depois de muita espera, conseguimos acessar as depend&ecirc;ncias da Arena. As dificuldades se d&atilde;o porque a revista da BM &eacute; feita nas rampas que d&atilde;o acessos aos in&uacute;meros port&otilde;es.<\/p>\n<p>J&aacute; acomodado no local ao qual tenho direito ap&oacute;s a migra&ccedil;&atilde;o do velho Ol&iacute;mpico, tento relaxar, apesar do clima tenso que paira pelo ar em jogos decisivos, somado ao tr&aacute;gico acidente ocorrido tr&ecirc;s dias antes no cora&ccedil;&atilde;o do estado.<\/p>\n<p>Confesso que &eacute; estranho, apesar de toda a modernidade e o conforto que a nova casa oferece. &Eacute; muito dif&iacute;cil sentir-se em casa.<\/p>\n<p>Ficamos em cima da Geral do Gr&ecirc;mio. Esta foi proibida pela Brigada Militar de levar as faixas e a charanga, devido aos incidentes provocados por integrantes em um jogo pelo campeonato ga&uacute;cho no Est&aacute;dio Ol&iacute;mpico. Ao inv&eacute;s de prender os baderneiros, opta-se por proibir as faixas e instrumentos, como se estes fossem os culpados.<\/p>\n<p>Depois de todas as justas homenagens &agrave;s pessoas que perderam a vida em Santa Maria, a bola rola. A tens&atilde;o continua. Jogar contra times que n&atilde;o querem &ldquo;jogar&rdquo; sempre &eacute; mais dif&iacute;cil. A LDU veio, como gostam de dizer os comentaristas, fechada, esperando contra-ataques. A tal da &ldquo;cera&rdquo; era de dar inveja a qualquer time catimbeiro argentino. A torcida cantava, apoiava, mas nada de ocorrer o momento m&aacute;gico do futebol.<\/p>\n<p>Veio a segunda etapa. Com um pouco mais de um ter&ccedil;o dela, aconteceu o &aacute;pice. Em um belo chute, Elano, que trajava a m&iacute;stica camisa 7, que j&aacute; foi de Renato Portallupi, leva a massa ao &ecirc;xtase! Casais se beijam, desconhecidos se abra&ccedil;am. O Gr&ecirc;mio consegue o empate no placar de 180 minutos.<\/p>\n<p>A&iacute; come&ccedil;aram os problemas. O novo est&aacute;dio n&atilde;o suportou a press&atilde;o da massa. Ap&oacute;s o gol, a avalanche feita no setor mais popular do est&aacute;dio ocasionou a queda do fr&aacute;gil alambrado. Um momento de p&acirc;nico tomou conta de parte do Rio Grande do Sul. Digo parte porque tem pessoas que n&atilde;o conseguem separar a rivalidade nem nesses momentos. O autor do gol pede calma &agrave; torcida. O Corpo de Bombeiros, assim como o servi&ccedil;o privado de ambul&acirc;ncia, t&eacute;cnicos em enfermagem e param&eacute;dicos agem r&aacute;pido. Cinco pessoas foram encaminhadas para o hospital por quest&otilde;es de precau&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o volta ao controle. O alto-falante do est&aacute;dio a todo o momento pedia para que os torcedores n&atilde;o fizessem o movimento da avalanche em caso de outros gols, que n&atilde;o ocorreriam.<\/p>\n<p>Na r&aacute;dio ao qual eu escutava os acontecimentos, o narrador dizia que naquele momento era importante a retirada das pessoas para que a partida recome&ccedil;asse. Neste momento, lembrei-me de Eurico Miranda na queda do alambrado do S&atilde;o Janu&aacute;rio em 2000, quando pedia para que retirassem as pessoas para que o jogo continuasse.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a dram&aacute;tica, como de costume, vit&oacute;ria nos p&ecirc;naltis, veio a classifica&ccedil;&atilde;o. Novos pedidos nos auto-falantes para que n&atilde;o houvesse nova avalanche. Os comentaristas locais come&ccedil;avam a fazer campanhas pelo fim da avalanche. Muitos deles h&aacute; tempo pedem o fim do espa&ccedil;o mais popular do est&aacute;dio. Teses s&atilde;o feitas em cima do futebol europeu, como se tudo tivesse que ser copiado daquele continente. A frieza dos est&aacute;dios ingleses parecem encantar a m&iacute;dia esportiva ga&uacute;cha. Esquecem os mesmos que h&aacute; quase uma d&eacute;cada a avalanche &eacute; feita no mais que cinquenten&aacute;rio Ol&iacute;mpico, e nunca houve um acidente de grandes propor&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Comentaristas imploram pelo fim da popularidade do esporte bret&atilde;o, pedem a coloca&ccedil;&atilde;o de cadeiras em todo o est&aacute;dio, sob a alega&ccedil;&atilde;o que espa&ccedil;os populares n&atilde;o quer dizer sentar no cimento, mas quem disse a eles que o setor destinado a Geral &eacute; para sentar?<\/p>\n<p>Ser&aacute; que &eacute; imposs&iacute;vel para uma grande construtora adaptar o local para que a avalanche ocorra sem maiores problemas? Se ocorresse em qualquer setor da Arena o mesmo que no est&aacute;dio do Vasco em 2000 o alambrado cederia, e qual seria a solu&ccedil;&atilde;o? Sugiro que consultem os engenheiros que projetaram o velho Ol&iacute;mpico, l&aacute; a arquibancada nunca caiu.<\/p>\n<p>Acabar com manifesta&ccedil;&otilde;es de massa &eacute; o esporte preferido da seguran&ccedil;a p&uacute;blica. Doutrinar torcedores &eacute; ver o fim da alegria no futebol. Tudo se encaminha para isso, com cl&aacute;ssicos de torcida &uacute;nica, proibi&ccedil;&atilde;o de faixas de protesto e o fim da avalanche mesmo que um dos feridos tenha pedido no telejornal esportivo local de maior audi&ecirc;ncia para que isso n&atilde;o ocorresse.<\/p>\n<p><em>*N.E. Eu (Anderson Santos) sabia que o Dijair estava na Arena na quarta-feira e pedir um relato, enquanto torcedor gremista, do que foi aquele momento da avalanche mais falada dos &uacute;ltimos tempos &#8211; mais at&eacute; que a de todos os torcedores na despedida do Ol&iacute;mpica. A ideia era acrescer &agrave; coluna semanal, mas ficou t&atilde;o bom o texto que precisava ser publicada em separado.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 limites para o torcer nos est\u00e1dios? Foto:Ricardo R\u00edmoli Por Dijair Brilhantes Quarta feira, 30 de janeiro de 2013. Era dia de Gr&ecirc;mio. Termo adotado pela torcida gremista em dias de jogos do clube. Passo os dia contando as horas para que chegue o momento do jogo. 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