{"id":10659,"date":"2015-11-12T12:20:22","date_gmt":"2015-11-12T14:20:22","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=93"},"modified":"2015-11-12T12:20:22","modified_gmt":"2015-11-12T14:20:22","slug":"a-presenca-dos-eua-na-america-latina-e-a-mentalidade-colonizada-da-elite-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10659","title":{"rendered":"A presen\u00e7a dos EUA na Am\u00e9rica Latina e a mentalidade colonizada da elite brasileira"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Bruno Lima Rocha<\/strong><\/p>\n<p>Abertura: Neste texto, realizo uma reflex\u00e3o ao estilo ensa\u00edstico, observando como a juventude das classes subalternas brasileiras termina por se mimetizar com o andar de cima e, atrav\u00e9s deste, sendo duplamente alvo de ataques ideol\u00f3gicos, na forma tanto da acultura\u00e7\u00e3o como da incorpora\u00e7\u00e3o de valores de mercado no dia a dia. O consumo suntuoso e a bolha de cr\u00e9dito, bandeiras do pacto lulista (conservador e capitalista), operam refor\u00e7ando esta carga valorativa. Vamos ao debate.<\/p>\n<p>Um tema recorrente<\/p>\n<p>Em artigos anteriores com esta mesma tem\u00e1tica abordei o Tratado Transpac\u00edfico (TPP) e a necessidade da superpot\u00eancia em tentar o contra-ataque \u00e0 expans\u00e3o chinesa e sua alian\u00e7a que se solidifica com a R\u00fassia. Em outros momentos, analisei o avan\u00e7o das propostas de tipo economia integrada com pouco ou nenhum valor agregado, como \u00e9 o caso da chamada Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, composta por Chile, Bol\u00edvia, Peru e M\u00e9xico. Dentre estes, dois pa\u00edses, M\u00e9xico e Col\u00f4mbia, s\u00e3o os dois mais afetados pela inger\u00eancia dos Estados Unidos, especificamente atrav\u00e9s de sua agressiva pol\u00edtica anti-drogas, ou alegadamente anti-narc\u00f3ticos, comandada pela for\u00e7a conjunta da Ag\u00eancia Federal Antidrogas (DEA) e da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA).<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, observamos no caso completo latino-americano, temos atualmente a interdepend\u00eancia de todos os nossos pa\u00edses para com a China e sua enorme capacidade de investimento, al\u00e9m da eterna \u201cdoen\u00e7a holandesa\u201d, quando nossos pa\u00edses, Brasil \u00e0 frente, insiste em operar como plataforma agro-exportadora e extrativista, focando no mercado chin\u00eas como novas fronteiras comerciais. J\u00e1 foi debatido neste espa\u00e7o a absurda primariza\u00e7\u00e3o das estruturas produtivas brasileiras e dos pa\u00edses Hermanos, assim como o equ\u00edvoco de apostar em solu\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias do pacto de classes, onde o populismo (ou o conceito de lideran\u00e7a carism\u00e1tica policlassista) quase sempre termina por roer a corda.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 uma rara exce\u00e7\u00e3o deste \u00e9 o caso venezuelano, onde ao menos o governo de Ch\u00e1vez e seu sucessor montaram uma retaguarda mobilizada. Fica a cr\u00edtica para Venezuela, Bol\u00edvia e Equador no sentido da necessidade de lideran\u00e7a carism\u00e1tica, de permanente manuten\u00e7\u00e3o das estruturas de poder e da falta de protagonismo do povo organizado. Se estas condi\u00e7\u00f5es se materializassem, seria poss\u00edvel pensar em sa\u00eddas de democracia semidireta e formas de poder emanados sem a intermedia\u00e7\u00e3o das burocracias profissionais.<\/p>\n<p>A Doutrina Monroe agora se aplica atrav\u00e9s dos \u201cDi\u00e1logos Interamericanos\u201d e do capital financeiro<\/p>\n<p>Se j\u00e1 n\u00e3o temos a presen\u00e7a ostensiva do Imp\u00e9rio, sendo que as amea\u00e7as de aplica\u00e7\u00e3o da Doutrina Monroe n\u00e3o se fazem t\u00e3o presentes como no per\u00edodo da Guerra Fria, \u00e9 um terr\u00edvel engano subestimar a proje\u00e7\u00e3o de poder de Washington sobre nossas sociedades. O M\u00e9xico \u00e9 um caso a parte, pa\u00eds dilacerado pela expans\u00e3o sub-imperialista ainda no per\u00edodo do Destino Manifesto e hoje tem grande parcela de sua economia \u2013 legal e ilegal \u2013 vinculada ao fluxo de capitais dos EUA. J\u00e1 os pa\u00edses do sistema Caribe-Antilhas, incluindo os centro-americanos, ainda t\u00eam toda sua hist\u00f3ria no tempo presente vinculada aos des\u00edgnios e posicionamentos do Comando Sul do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul, atrav\u00e9s do Plano Col\u00f4mbia e do Di\u00e1logo Interamericano e seu programa de \u201cpreven\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas\u201d (ver: dialogo-americas.com) as ag\u00eancias de espionagem e as for\u00e7as regulares realizam um cerco estrat\u00e9gico sobre a Amaz\u00f4nia, especificamente cercando a Amaz\u00f4nia Brasileira com tropas terrestres. J\u00e1 no Paraguai, ainda com a alega\u00e7\u00e3o de combate contra il\u00edcitos e atrav\u00e9s de acordos bilaterais, duas bases estadunidenses est\u00e3o assentadas sobre o Aqu\u00edfero Guarani. A todo este potencial de agress\u00e3o somemos o cerco ao Atl\u00e2ntico Sul (EUA e Inglaterra) e a agressividade da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, costurada com Tratados de Livre Com\u00e9rcio (TLCs) de seus membros com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Mesmo com todo o poderio militar e a tradi\u00e7\u00e3o imperial, ouso afirmar que o maior dano dos EUA sobre nossos pa\u00edses n\u00e3o est\u00e1 hoje em sua dimens\u00e3o econ\u00f4mica ou b\u00e9lica, e sim no \u00e2mbito financeiro (pelo regramento e o esquema de fraude estrutural articulado no eixo Nova York-Londres) e, em escala superior, no plano da cultura e proje\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. O conceito de soft power \u2013 poder branco ou suave &#8211; cunhado pelo professor de Harvard Joseph Nye, forma a melhor defini\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio difuso dos Estados Unidos no Continente. N\u00e3o haveria concord\u00e2ncia total e por vezes sequer parcial com a pol\u00edtica externa de Washington, mas \u00e9 tamanha a difus\u00e3o de valores, cultura, presen\u00e7a institucional e educacional (incluindo o sistema universit\u00e1rio), al\u00e9m da obrigatoriedade do dom\u00ednio da l\u00edngua inglesa que \u00e9 percept\u00edvel esta onipresen\u00e7a simb\u00f3lica do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio est\u00e1 presente em todas as classes sociais brasileiras<\/p>\n<p>A onipresen\u00e7a acaba por influenciar na forma\u00e7\u00e3o de mentalidades, com especial efeito no maior pa\u00eds latino-americano. Ainda que exista uma maior aproxima\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos doze anos, estruturalmente a sociedade brasileira (atrav\u00e9s do colonialismo interno e subserviente da elite dirigente e das fra\u00e7\u00f5es de classe dominante), ainda reproduz as formas mais banais de colonialismo, colocando-se de costas para o Continente. Algumas evid\u00eancias deste doentio afastamento do Brasil para os pa\u00edses Hermanos podem ser facilmente verificadas: temos elevada desinforma\u00e7\u00e3o de nossas conjunturas comuns; boa parte da classe m\u00e9dia e quase toda a classe alta brasileira fala ingl\u00eas, mas sequer arranha o castelhano; o consumo cultural em l\u00edngua espanhola de Am\u00e9rica \u00e9 \u00ednfimo se comparado com o lixo cultural em l\u00edngua inglesa, incluindo todas as subculturas deste per\u00edodo da internet.<\/p>\n<p>Infelizmente o fen\u00f4meno atravessa todas as classes, incorporando na massa da periferia e subalterna os c\u00f3digos das juventudes do Imp\u00e9rio; mas sem trazer os elementos de rebeldia e antirracismo de latinos e afro-americanos. Os jovens nascidos na era da comunica\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica est\u00e3o com menos freios para incorporarem as marcas e a cultura do consumo suntuoso que marcam a vida cotidiana nas metr\u00f3poles dos EUA. Isto pode ser tristemente evidenciado observando a presen\u00e7a da juventude de periferias em shopping centers brasileiros, trajando roupas com m\u00edmicas e trejeitos estadunidenses.<\/p>\n<p>Acultura\u00e7\u00e3o e colonialismo de mentalidade formam o bin\u00f4mio que estruturam o andar de cima latino-americano e seu complexo de vira-latas. Para desgra\u00e7a coletiva, o pa\u00eds que mais adere ao c\u00f3digo simb\u00f3lico e proje\u00e7\u00e3o cultural euroc\u00eantrico e anglo-sax\u00e3o \u00e9 justamente o Brasil. Parece que vivemos sob a eterna maldi\u00e7\u00e3o do golpista de 1964 e general do Ex\u00e9rcito de Caxias, Juracy Magalh\u00e3es, ao proferir a ign\u00f3bil frase: \u201co que \u00e9 bom para os Estados Unidos, \u00e9 bom para o Brasil!\u201d. Mais estrat\u00e9gica do que a frase entreguista cl\u00e1ssica \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do Pent\u00e1gono e da Casa Branca a respeito do peso relativo do Brasil para o Continente: \u201cpara onde for o Brasil, ir\u00e1 a Am\u00e9rica do Sul e talvez toda a Am\u00e9rica Latina\u201d. As assertivas, j\u00e1 de dom\u00ednio comum e ultrapassando o terreno apenas de especialistas em hist\u00f3ria e geografia pol\u00edtica e rela\u00e7\u00f5es internacionais, indicam o \u00f3bvio. A forma\u00e7\u00e3o de mentalidades dos brasileiros \u00e9 o embate estrat\u00e9gico para os latino-americanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Lima Rocha Abertura: Neste texto, realizo uma reflex\u00e3o ao estilo ensa\u00edstico, observando como a juventude das classes subalternas brasileiras termina por se mimetizar com o andar de cima e, atrav\u00e9s deste, sendo duplamente alvo de ataques ideol\u00f3gicos, na forma tanto da acultura\u00e7\u00e3o como da incorpora\u00e7\u00e3o de valores de mercado no dia a dia. 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