{"id":1066,"date":"2009-07-13T12:16:21","date_gmt":"2009-07-13T12:16:21","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1066"},"modified":"2009-07-13T12:16:21","modified_gmt":"2009-07-13T12:16:21","slug":"abordando-o-conceito-de-dominacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1066","title":{"rendered":"Abordando o conceito de domina\u00e7\u00e3o \u2013 2"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/marionetes.jpg\" title=\"beth cruz - Foto:Na complexidade do conceito de domina\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o e o contrato entre dominadores e dominados s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes do que o ato de reprimir ou os aparatos materiais de controle. \" alt=\"beth cruz - Foto:Na complexidade do conceito de domina\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o e o contrato entre dominadores e dominados s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes do que o ato de reprimir ou os aparatos materiais de controle. \" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">beth cruz<\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Na complexidade do conceito de domina\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o e o contrato entre dominadores e dominados s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes do que o ato de reprimir ou os aparatos materiais de controle. <\/small><\/figure>\n<p>30 de junho de 2009, Bruno Lima Rocha, cientista pol&iacute;tico <\/p>\n<p>Neste artigo dou seq&uuml;&ecirc;ncia ao texto publicado com este mesmo t&iacute;tulo no portal do IHU, quando fa&ccedil;o uma primeira apresenta&ccedil;&atilde;o do conceito de domina&ccedil;&atilde;o, tomando por base a produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do especifismo praticado no Uruguai somado com o aporte do tamb&eacute;m uruguaio Alfredo Errandonea. &Eacute; importante ressaltar que as formas de domina&ccedil;&atilde;o operam sobre uma estrutura de classes. Assim, por mais que os neoliberais, p&oacute;s-modernos e afins intentem afirmar o contr&aacute;rio, a categoria que comp&otilde;e a estrutura de classes &eacute; o pr&oacute;prio conceito de classe. E, &eacute; parte da ess&ecirc;ncia deste breve texto e da teoria que a expressa (a matriz libert&aacute;ria de base hist&oacute;rico-estrutural), a defini&ccedil;&atilde;o deste conceito e a constru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o economicista dessa importante ferramenta para analisar e incidir na transforma&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Para come&ccedil;ar, &eacute; fundamental compreender que o conceito de classe &eacute; relativo &agrave; exist&ecirc;ncia de outras classes. A estrutura de classes sociais se manifesta sobre a distribui&ccedil;&atilde;o daquilo que &eacute; desigual nesta mesma sociedade. Esta desigualdade n&atilde;o tem exist&ecirc;ncia somente na distribui&ccedil;&atilde;o dos bens, mercadorias e recursos materiais. &Oacute;bvio que a desigualdade de distribui&ccedil;&atilde;o material tanto &eacute; quantitativa (montante, total bruto) como qualitativa (total l&iacute;quido, valor agregado e simb&oacute;lico) de meios, bens, mercadorias e divisas de v&aacute;rias formas. <\/p>\n<p>Mas, a estrutura de classes se manifesta de forma mais ampla, sobre tudo o que se distribui desigualmente: podemos citar o acesso diferenciado ou exposi&ccedil;&atilde;o aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o; no exercer do poder pol&iacute;tico; na barganha e correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as na defesa dos interesses; nas aspira&ccedil;&otilde;es de prest&iacute;gio e papel na sociedade; na representa&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica das classes oprimidas dentro do capitalismo; na coa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica; no funcionamento e na falsa &quot;isen&ccedil;&atilde;o&quot; do judici&aacute;rio e na inexistente &quot;corre&ccedil;&atilde;o&quot; dos desvios da sociedade; na significa&ccedil;&atilde;o religiosa e suas normas de comportamento e conduta e em todas as formas de disputa de poder e rela&ccedil;&otilde;es na sociedade de classes. <\/p>\n<p><u>A domina&ccedil;&atilde;o de classes &eacute; globalizada <br \/>\n<\/u><br \/>\nEmbora n&atilde;o seja o eixo central deste texto, &eacute; fundamental ao menos expor que a domina&ccedil;&atilde;o de classe &eacute; algo que se manifesta de forma global. Simultaneamente ao modo de produ&ccedil;&atilde;o, desenvolveu-se um modo de domin&acirc;ncia capitalista sobre o mundo, talvez nunca antes t&atilde;o desenvolvido como na atual etapa do sistema, mesmo ap&oacute;s a mega-estafa que os especuladores chamaram de crise financeira. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica deste trabalho abordar o tema da globaliza&ccedil;&atilde;o, embora se reconhe&ccedil;a a import&acirc;ncia do tema, em especial para a compreens&atilde;o do assim chamado de pensamento &uacute;nico neoliberal. Esta forma de intervir de base neoliberal (e neoinstitucionalista) seria grosso modo, a hegemonia mundializada a partir de uma base de id&eacute;ias estipuladas como fonte de argumento e racioc&iacute;nio. Estas mesmas formas de pensamento e a&ccedil;&atilde;o social da doutrina &ndash; o receitu&aacute;rio e sua aplicabilidade neoliberal &ndash; &eacute; legitimada atrav&eacute;s da m&iacute;dia capitalista e demais institui&ccedil;&otilde;es que elaboram discursos v&aacute;lidos que legitimam e d&aacute; suporte ideol&oacute;gico-doutrin&aacute;rio a forma de domina&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea. <\/p>\n<p><u>E como &eacute; composta a estrutura de classes da domina&ccedil;&atilde;o? <br \/>\n<\/u><br \/>\nEntendo que na atualidade existe uma estrutura contempor&acirc;nea, onde se d&aacute; uma composi&ccedil;&atilde;o de setores sociais, sujeitos sociais e fra&ccedil;&otilde;es de classe que conformam, de maneira posicional, as chamadas classes oprimidas, classes auxiliares e a classe dominante (nesta inclu&iacute;da as fra&ccedil;&otilde;es de elite dirigente). Para uma defini&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima desta hip&oacute;tese de trabalho, buscamos algo que exista e funcione. Assim, consideramos que s&atilde;o algumas classes (contando com v&aacute;rios setores de classe e dentro destes diversos sujeitos sociais) que sofrem um conjunto de domina&ccedil;&otilde;es. &Eacute; crit&eacute;rio de an&aacute;lise, portanto, n&atilde;o apenas o sal&aacute;rio, mas onde se situa o sujeito social no sistema capitalista, ou seja, sua fun&ccedil;&atilde;o social. <\/p>\n<p>Propomos inicialmente 3 fatores econ&ocirc;micos de an&aacute;lise para definir as Classes Dominantes (que &eacute; composta da Classe Burguesa + Elites Dirigentes: Elite Pol&iacute;tica, Elite Militar e Elite Tecno-Jur&iacute;dica): <br \/>\n&#8211; Ac&uacute;mulo de capital <br \/>\n&#8211; Ac&uacute;mulo de propriedade <br \/>\n&#8211; Explora&ccedil;&atilde;o do Trabalho <\/p>\n<p>\nAl&eacute;m dos fatores econ&ocirc;micos (Classe Burguesa), a domina&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m conta com fra&ccedil;&otilde;es de classe que conformam elites dirigentes. A soma destes exemplos s&atilde;o: Tecnocratas de 1&ordm;. Escal&atilde;o, elites pol&iacute;ticas e militares de alta patente (estes s&atilde;o a elite militar). Ao menos na Am&eacute;rica Latina podemos afirmar que este conjunto conforma uma Elite Nacional. Um exemplo generaliz&aacute;vel da elite nacional brasileira: oligarquias, grandes capitalistas brasileiros, elites pol&iacute;ticas fisiol&oacute;gicas, tecnocratas, novas elites convertidas vindas da oposi&ccedil;&atilde;o, altas patentes militares e a fra&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a do capital financeiro e multinacional operando no Brasil. <\/p>\n<p>Uma pol&ecirc;mica que necessita de maior defini&ccedil;&atilde;o &eacute; a id&eacute;ia de uma classe ou de um conjunto de classes oprimidas. Da&iacute; o debate a respeito do emprego do conceito Oprimidos ou Classes Oprimidas? Usamos Classes Oprimidas para fazer o recorte que define com quais oprimidos haveria o interesse estrat&eacute;gico de trabalhar. V&aacute;rias s&atilde;o as Classes Oprimidas, e n&atilde;o uma &uacute;nica classe que sofre opress&atilde;o. As Classes Oprimidas s&atilde;o compostas por mais de um sujeito social. Quem s&atilde;o estes sujeitos sociais? Minimamente, ao menos em termos de sal&aacute;rio, emprego, renda e fun&ccedil;&atilde;o, definimos que as Classes Oprimidas s&atilde;o compostas dos setores de Classe Exclu&iacute;da + os setores de Classe Trabalhadora. Assim, os sujeitos sociais das Classes Oprimidas s&atilde;o: <\/p>\n<p>&#8211; Trabalhador Assalariado <br \/>\n&#8211; Trabalhador Informal <br \/>\n&#8211; Trabalhador Precarizado <br \/>\n&#8211; Exclu&iacute;dos (que no crit&eacute;rio econ&ocirc;mico s&atilde;o os desempregados, pecarizados ou subempregados). <\/p>\n<p>Assim, ainda propomos tr&ecirc;s crit&eacute;rios para pensar a condi&ccedil;&atilde;o de classe a partir do pr&oacute;prio sujeito social: <br \/>\n&#8211; Identidade de Classe e sentido de pertencimento <br \/>\n&#8211; Possibilidades (de sa&iacute;das coletivas ou de mobilidade social) <br \/>\n&#8211; Necessidades materiais (urgentes e de consumo) <br \/>\n&#8211; Demandas pol&iacute;ticas (que podem vir a se tornar um projeto coletivo) <\/p>\n<p>A soma destes 4 fatores acima, mais a origem e a posi&ccedil;&atilde;o social, influenciam diretamente na forma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia de classe. <\/p>\n<p>Portanto, n&atilde;o ca&iacute;mos no risco de confundir as Classes Oprimidas apenas com aqueles\/aquelas que est&atilde;o sob situa&ccedil;&atilde;o seja de explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, seja de mis&eacute;ria e exclus&atilde;o. Mas sim um conjunto de sujeitos sociais, setores de classe, incluindo desde os mais pobres at&eacute; aqueles que ainda est&atilde;o no mundo do trabalho e do emprego. Todos estes conformam as Classes Oprimidas. <\/p>\n<p>Pela pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o da palavra, as classes oprimidas est&atilde;o sob condi&ccedil;&atilde;o de Opress&atilde;o, o que implica a soma destas 4 formas de dom&iacute;nio: <br \/>\n&#8211; Explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica <br \/>\n&#8211; Domina&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (repressiva-jur&iacute;dico-militar) <br \/>\n&#8211; Exclus&atilde;o da sociedade capitalista, de seus servi&ccedil;os e direitos <br \/>\n&#8211; Aliena&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica + Domina&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica (administrativa-burocr&aacute;tica), desde a forma de aus&ecirc;ncia do direito de se organizar, at&eacute; a exist&ecirc;ncia deste direito e a impossibilidade concreta disto acontecer. <\/p>\n<p>No conceito empregado neste trabalho, &eacute; a exist&ecirc;ncia conjunta destas 4 formas que geram as Classes Oprimidas. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=23546\">Artigo originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) <br \/>\n<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>beth cruz Foto:Na complexidade do conceito de domina\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o e o contrato entre dominadores e dominados s\u00e3o t\u00e3o ou mais importantes do que o ato de reprimir ou os aparatos materiais de controle. 30 de junho de 2009, Bruno Lima Rocha, cientista pol&iacute;tico Neste artigo dou seq&uuml;&ecirc;ncia ao texto publicado com este mesmo t&iacute;tulo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1066","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1066","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1066"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1066\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1066"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1066"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1066"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}