{"id":10677,"date":"2016-01-04T23:20:41","date_gmt":"2016-01-05T01:20:41","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=310"},"modified":"2016-01-04T23:20:41","modified_gmt":"2016-01-05T01:20:41","slug":"questao-agraria-e-mineracao-na-amazonia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10677","title":{"rendered":"Quest\u00e3o agr\u00e1ria e minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia \u2013 2"},"content":{"rendered":"<p>04 de Janeiro de 2016, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fabiano.bringel\">Fabiano Bringel<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, as estradas federais foram abertas com maior intensidade. Com isso, acelera-se o <em>cercamento<\/em> das terras e uma redefini\u00e7\u00e3o gradativa da rede urbana, tornando-a cada vez mais complexa com o surgimento de novas cidades e munic\u00edpios. As rodovias conectaram o sul e sudeste do Par\u00e1 \u00e0s outras regi\u00f5es do pa\u00eds, inserido-os dentro de um contexto geopol\u00edtico de integra\u00e7\u00e3o ao capitalismo financeiro internacional e nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com isso a Amaz\u00f4nia v\u00ea grandes massas de trabalhadores penetrarem em seu espa\u00e7o. Subjacentemente, fazendeiros e empres\u00e1rios acompanham o movimento destes trabalhadores atra\u00eddos pelas benesses governamentais dos subs\u00eddios oferecidos pela SUDAM e pelo BASA. A chegada do Banco Econ\u00f4mico, do Bradesco, do Bamerindus, da CVRD e da fam\u00edlia Lunardelli s\u00e3o exemplos desse processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio vemos grandes corpora\u00e7\u00f5es, representantes das formas capitalistas de produ\u00e7\u00e3o, tornarem-se grandes latifundi\u00e1rias, empregando trabalho escravo em suas fazendas e monoculturizando a produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso da Volkswagen do Brasil, que apregoa em v\u00e1rias partes do mundo o uso de modernas t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es de trabalho especificamente capitalistas e na Amaz\u00f4nia faz exatamente o contr\u00e1rio, muito compreensivelmente sem publicidade nenhuma. \u00c9 o caso da Vale que sob a batuta dos governos militares, sempre com discursos de um estado nacionalista pactua com a United States Steel &#8211; USS, da fam\u00edlia Rockfeller, para explorar min\u00e9rio na Serra de Caraj\u00e1s e que ir\u00e1 dar origem ao PFC \u2013 Projeto Ferro Caraj\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro exemplo interessante da presen\u00e7a do capital financeiro na regi\u00e3o monopolizando o processo de acumula\u00e7\u00e3o foi o caso da Fazenda Bamerindus que era do Banco hom\u00f4nimo, atual HSBC. Situada em Xambio\u00e1 no Tocantins com uma parte de seu territ\u00f3rio no Estado do Par\u00e1, no munic\u00edpio de S\u00e3o Geraldo do Araguaia. Tamb\u00e9m envolvida em crimes ligados a presen\u00e7a de trabalho escravo em suas terras, a Fazenda foi ocupada por posseiros em 1982.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Palmares tivemos a oportunidade de conversar com o Sr. \u201cBeto\u201d que era adolescente quando sua fam\u00edlia participou do movimento de ocupa\u00e7\u00e3o da Bamerindus. Nascido no Cear\u00e1 no munic\u00edpio de Parambu no sert\u00e3o de Inhamuns sua fam\u00edlia se lan\u00e7ou na regi\u00e3o de fronteira capitalista objetivando a \u201cconquista da terra\u201d e a fuga da seca. Foi para o norte de Goi\u00e1s atual Tocantins em Carmol\u00e2ndia. N\u00e3o conseguiram seu objetivo no munic\u00edpio. Foi quando apareceu a oportunidade da Fazenda Bamerindus em 1982. Na luta pela desapropria\u00e7\u00e3o aceitaram uma proposta do antigo GETAT &#8211; Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins para serem remanejados para o CEDERE I (Centro de Desenvolvimento Regional) em Parauapebas (PA).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 neste cen\u00e1rio que vemos a mudan\u00e7a da matriz econ\u00f4mica da regi\u00e3o: do extrativismo vegetal aos extrativismos madeireiro e mineral. Esta mudan\u00e7a se deve em grande parte ao car\u00e1ter de fronteira, que est\u00e1 associado ao papel da regi\u00e3o para a economia nacional e global, al\u00e9m de suas especificidades. A Amaz\u00f4nia \u00e9 um espa\u00e7o de intensifica\u00e7\u00e3o capitalista recente e, por isso, uma \u00e1rea de forte migra\u00e7\u00e3o. Enfim, hoje temos uma nova fase de surto modernizador, que n\u00e3o deixa de ser o mesmo surto modernizador de outrora, s\u00f3 que com novos sujeitos e com cen\u00e1rios diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Podemos apontar, ent\u00e3o, que temos uma nova configura\u00e7\u00e3o das classes e de luta no campo brasileiro a partir da fei\u00e7\u00e3o monopolista que o capitalismo assume. Assim, o car\u00e1ter autorit\u00e1rio do des-envolvimento permanece n\u00e3o s\u00f3 nacionalizando a quest\u00e3o agr\u00e1ria, mas, tamb\u00e9m, mundializando-a. Temos, agora, associado \u00e0 velha oligarquia agr\u00e1ria patrimonialista brasileira, os agentes do agroneg\u00f3cio \u201cmoderno\u201d sejam eles nacionais ou internacionais. Por outro lado, se apresentam novas formas de organiza\u00e7\u00e3o dos camponeses como o MST, os Movimentos e articula\u00e7\u00f5es em redes dos Quilombolas, Ribeirinhos, Ind\u00edgenas, Pescadores, Extrativistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vemos que na mesma mesorregi\u00e3o coexistem diferentes interesses e, portanto, a l\u00f3gica da conflitualidade \u00e9 o tom necess\u00e1rio para entender a din\u00e2mica do espa\u00e7o da fronteira. A concep\u00e7\u00e3o a\u00ed reside em demonstrar duas perspectivas de luta que se desencontram. Na Terra Ind\u00edgena Xicrin do Catet\u00e9 reside \u00e0 luta de uma parte do povo Kayap\u00f3 pelo reconhecimento de seu territ\u00f3rio. Localizada no campo da <em>luta pelo reconhecimento<\/em>, vinculada \u00e0 uma dimens\u00e3o identit\u00e1ria na Amaz\u00f4nia. Vizinhos, os Assentamentos Palmares I e II est\u00e3o localizados em outro tempo-espa\u00e7o da fronteira apesar de estarem na mesma mesorregi\u00e3o. Sua luta vincula-se ao campo da redistribui\u00e7\u00e3o do recurso terra, <em>luta pela redistribui\u00e7\u00e3o<\/em>, vinculada a uma dimens\u00e3o material, de exist\u00eancia econ\u00f4mica. Temos clareza que uma luta \u00e9 portadora das caracter\u00edsticas da outra. Por\u00e9m, a motiva\u00e7\u00e3o principal \u00e9 que se diferencia. Para complexificar a quest\u00e3o, temos a presen\u00e7a da Vale que, atrav\u00e9s da anu\u00eancia do Estado, gerencia territ\u00f3rios p\u00fablicos como as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de forma privada e enclausurada chamando ironicamente esses territ\u00f3rios de Cintur\u00e3o Verde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>04 de Janeiro de 2016, Fabiano Bringel &nbsp; Nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, as estradas federais foram abertas com maior intensidade. 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