{"id":10678,"date":"2016-01-05T08:34:13","date_gmt":"2016-01-05T10:34:13","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=315"},"modified":"2016-01-05T08:34:13","modified_gmt":"2016-01-05T10:34:13","slug":"carlos-alberto-sardenberg-equivocos-conceituais-e-desinformacao-historica-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10678","title":{"rendered":"Carlos Alberto Sardenberg, equ\u00edvocos conceituais e desinforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<p>05 de janeiro de 2016, por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\">Bruno Lima Rocha<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em plena v\u00e9spera de Natal de 2015 (24\/12\/2015), o jornalista de economia das Organiza\u00e7\u00f5es Globo, Carlos Alberto Sardenberg publicou um artigo de opini\u00e3o na p\u00e1gina 14 do jornal O Globo com o t\u00edtulo \u201cUma esquerda neoliberal?\u201d. No texto, o experiente comunicador, especializado na \u00e1rea de economia e defensor expl\u00edcito dos paradigmas do neoliberalismo, afirma uma teoria de tipo conspirat\u00f3ria, onde acusa o pacto do Lulismo, e em especial o governo de Dilma Rousseff, no primeiro ano de seu segundo mandato, de haver indicado o hoje ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy para n\u00e3o fazer nada e apenas dar alguma satisfa\u00e7\u00e3o \u201cao mercado\u201d. O texto de quatro colunas necessitaria de ao menos o triplo de palavras para dissecar as confus\u00f5es geradas quando este tipo de difus\u00e3o vulgar da economia e da pol\u00edtica atinge a massa de leitores e receptores que hoje acompanham a crise brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Afirmara o mesmo do pr\u00f3prio Lula, que chamara Henrique Meirelles (ex-presidente mundial do Banco de Boston) e tinha Joaquim Levy como secret\u00e1rio do Tesouro, foi ortodoxo enquanto houve necessidade e depois enveredou pela \u201cnova matriz\u201d, chegando ao auge do primeiro governo de Dilma, quando Guido Mantega fez a escolha pelo desenvolvimentismo e o aumento do gasto p\u00fablico como forma de subsidiar o crescimento (insisto, e n\u00e3o o desenvolvimento). Agora, que Dilma ressurge das cinzas, se equilibrando entre a disputa ferrenha na interna do PMDB (na alian\u00e7a Michel Temer e Eduardo Cunha, com Moreira Franco passando pelo Rasputin dos oligarcas confrontando ao \u201ccoronel\u201d Renan Calheiros e a base chaguista do PMDB fluminense), sai aquele que veio da mesa de vice-presidentes do Bradesco (Joaquim Levy) e entra o ex-ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, em tese um desenvolvimentista convicto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Barbosa seria \u2013 ainda segundo Sardenberg \u2013 outra jogada de cena. Na primeira hip\u00f3tese, a que considero mais vi\u00e1vel, ele pode realizar a dureza do ajuste sem ter de confrontar-se com o que resta de base social para o bloco de centro-esquerda do governo (PT e PC do B). Na segunda hip\u00f3tese, Barbosa entra para nada fazer, pois est\u00e1 convencido \u2013 assim como Dilma \u2013 que a \u201cnova matriz\u201d \u2013 uma inflex\u00e3o desenvolvimentista sem um projeto de desenvolvimento do pa\u00eds \u2013 \u00e9 a forma poss\u00edvel de acomodar interesses e manter o bem-estar social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como era de se esperar, Sardenberg compara Lula e Dilma a Fernando Henrique Cardoso (FHC) e aquele que seria sua grande inspira\u00e7\u00e3o, o ex-primeiro ministro espanhol (logo ap\u00f3s o t\u00e9rmino do governo de Adolfo Su\u00e1rez e o fim da transi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-franquista), Felipe Gonz\u00e1lez. Confundindo conceitos fundamentais \u2013 a prop\u00f3sito ou por desconhecimento, embora com efeitos iguais \u2013 como \u201cdesenvolvimentismo\u201d, \u201cesquerdistas\u201d, \u201cesquerda social-democrata\u201d, o experiente jornalista das Organiza\u00e7\u00f5es Globo (com participa\u00e7\u00f5es na cadeia CBN, na m\u00eddia impressa e eletr\u00f4nica com base no texto, no Jornal da Globo, al\u00e9m de um concorrido blog por ele editado) coloca\u00a0 na vala comum posicionamentos totalmente distintos e at\u00e9 antag\u00f4nicos. Obviamente, Sardenberg omite as passagens hist\u00f3ricas, ou os constrangimentos e aportes estruturais que possibilitaram os \u201cmilagres do capitalismo moderno\u201d defendido por FHC e Gonz\u00e1lez. Como afirmei no par\u00e1grafo inicial, vou precisar ampliar o espa\u00e7o da cr\u00edtica para desmontar aquilo que considero absurdo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Come\u00e7ando pela \u201cnova matriz\u201d, de novo temos a presente confus\u00e3o (entendo como proposital) entre crescimento econ\u00f4mico e desenvolvimento. Se nosso pa\u00eds, mesmo dentro de um capitalismo perif\u00e9rico e l\u00edder subalterno dos BRICS, insiste em ser governado atrav\u00e9s de um pacto de classes onde se acomodam as exig\u00eancias dos agentes econ\u00f4micos operando no Brasil e tem como base da balan\u00e7a comercial a colonial exporta\u00e7\u00e3o de commodities prim\u00e1rias (gr\u00e3os e min\u00e9rio de ferro basicamente), logo n\u00e3o temos um projeto de desenvolvimento e sim um modelo de crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste modelo, onde existe alguma pol\u00edtica industrial \u2013 t\u00edmida e por vezes p\u00edfia \u2013 a condi\u00e7\u00e3o dos oligop\u00f3lios nacionais de atuar como clientes privilegiados do Estado (quase que uma necessidade dentro dos marcos dos pa\u00edses semi-perif\u00e9ricos) t\u00eam de espremer o caixa para salvar para si o que resta da f\u00faria e do esp\u00f3lio do rentismo. Logo, n\u00e3o h\u00e1 \u201cnova matriz\u201d que resista ao incentivo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de manufaturas asi\u00e1ticas (produzidas com m\u00e3o de obra com pouco ou nenhum direito), a consequente desindustrializa\u00e7\u00e3o, e sendo sangrado o caixa da Uni\u00e3o com no m\u00ednimo 40% do or\u00e7amento anual indo pelo esgoto da rolagem da d\u00edvida p\u00fablica interna e dos especuladores de sempre a faturarem com a jogatina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O modelo anterior, advogado por Sardenberg, nem isso tinha \u2013 arremedos de pol\u00edtica de crescimento \u2013 e que dir\u00e1 de desenvolvimento, algo inexistente dentro do pacto de classes a sustentar o lulismo. Reduzir o pensamento de esquerda ao aumento do gasto p\u00fablico e a regula\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria do agente econ\u00f4mico \u00e9 no m\u00ednimo uma desinforma\u00e7\u00e3o nefasta. Nem o pacto lulista e seus partidos de centro-esquerda (ex-esquerda) s\u00e3o ainda de Esquerda e tampouco s\u00e3o neoliberais. O jornalista desinforma duas vezes, reiterando uma piada pronta no subsistema pol\u00edtico ga\u00facho. O deputado estadual Marcel Van Hattem (PP-RS), neoliberal assumido da escola de Ludwig von Mises \u00e9 filiado ao Partido \u201cProgressista\u201d. O alvo preferido de sua histeria neo-lacerdista \u00e9 a hoje deputada estadual pelo PC do B (RS), Manuela d\u2019\u00c1vila. Sendo muito franco, nem Van Hattem \u00e9 \u201cprogressista\u201d e tampouco Manuela (uma parlamentar correta no que se prop\u00f5e, mas que como seu partido, abriu m\u00e3o da luta popular e de classes h\u00e1 d\u00e9cadas) \u00e9 \u201ccomunista\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jogar conceitos ao vento como se as palavras n\u00e3o tivessem carga e significado e omitir as rela\u00e7\u00f5es causais e estruturantes de maior peso \u00e9 confundir e desinformar. Mais do mesmo assim como o receitu\u00e1rio neoliberal que Carlos Alberto Sardenberg defende diariamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>05 de janeiro de 2016, por Bruno Lima Rocha &nbsp; Em plena v\u00e9spera de Natal de 2015 (24\/12\/2015), o jornalista de economia das Organiza\u00e7\u00f5es Globo, Carlos Alberto Sardenberg publicou um artigo de opini\u00e3o na p\u00e1gina 14 do jornal O Globo com o t\u00edtulo \u201cUma esquerda neoliberal?\u201d. 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