{"id":10692,"date":"2016-01-09T21:16:51","date_gmt":"2016-01-09T23:16:51","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=419"},"modified":"2016-01-09T21:16:51","modified_gmt":"2016-01-09T23:16:51","slug":"por-uma-geoestrategia-dos-povos-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10692","title":{"rendered":"Por uma geoestrat\u00e9gia dos povos &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<p>09 de janeiro de 2016, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\">Bruno Lima Rocha<\/a><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o \u2013 Nesta nova s\u00e9rie, inicio um conjunto de textos de difus\u00e3o que visam ganhar a densidade at\u00e9 se tornarem um ensaio posterior. A meta n\u00e3o \u00e9 necessariamente polemizar de fora para dentro da academia, e sim servir como apoio da frente te\u00f3rica dentro da corrente para os debates, proposi\u00e7\u00f5es e perspectivas em termos de pol\u00edtica internacional, economia pol\u00edtica internacional e rela\u00e7\u00f5es internacionais. Muitas vezes, diante da impossibilidade te\u00f3rica, h\u00e1 impossibilidade estrat\u00e9gica, logo, nada se realiza e quase tudo se copia ou mimetiza. A raz\u00e3o desta nova s\u00e9rie \u00e9 aportar uma contribui\u00e7\u00e3o para diminuir esta lacuna.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio internacional \u00e9 quase sempre marcado atrav\u00e9s de grandes eventos e situa\u00e7\u00f5es onde ocorrem tomadas de decis\u00e3o a influenciar a vida de milh\u00f5es e at\u00e9 mesmo bilh\u00f5es. A hist\u00f3ria dos povos neste contexto fica subordinada ao arranjo tempor\u00e1rio entre elites dirigentes e classes dominantes a partir de suas respectivas posi\u00e7\u00f5es em Estados piv\u00f4 geopol\u00edticos e Agentes Geoestrat\u00e9gicos.\u00a0 Os primeiros s\u00e3o observados pelas agendas midi\u00e1ticas como os pa\u00edses regionalmente poderosos e que podem influenciar \u2013 a partir de sua condi\u00e7\u00e3o local-regional e sua relevante posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica \u2013 a \u201cestabilidade\u201d de um territ\u00f3rio ampliado. Os segundos t\u00eam seus excedentes de poder ultrapassando a determina\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica (em termos espaciais) e incidem para al\u00e9m de suas fronteiras f\u00edsicas. Esta rela\u00e7\u00e3o tensa projetada sobre um tabuleiro territorial costuma ser chamado de O Grande Jogo. Ir al\u00e9m desta condicionante \u00e9 um grande desafio para pensar e analisar o mundo atrav\u00e9s de um vi\u00e9s libert\u00e1rio (igualit\u00e1rio e democr\u00e1tico).<\/p>\n<p>Os conflitos internacionais e o chamado Grande Jogo costumam abafar ou subordinar os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o dos povos. Uma das maiores dificuldades em realizar uma linha cr\u00edtica e comprometida nas rela\u00e7\u00f5es internacionais e estudos de pol\u00edtica em escala mundializada e o desenvolvimento de uma teoria que fuja da armadilha derivada do realismo e do pensamento stalinista, de base leninista. A soma do pragmatismo pol\u00edtico (real politique), com o realismo ofensivo (a maximiza\u00e7\u00e3o de interesses em todos os n\u00edveis sem nenhum escopo ou limite moral para exercer tal vontade), passando pelo jogo de interesses e cinismo em distintas escalas (geopolitik), faz com que o pensamento da esquerda restante termine por se encantar por governos autorit\u00e1rios, embora os mesmos se contraponham ao \u201cocidente\u201d como tal. \u00c9 sempre positiva a exist\u00eancia de poderes mundiais para contrabalan\u00e7ar um pouco do excedente de poder da Superpot\u00eancia. Mas, por outro lado, nenhum jogo entre Estados pode servir ao interesse e aos projetos estrat\u00e9gicos dos movimentos dos povos.<\/p>\n<p>Para contribuir neste esfor\u00e7o, proponho uma an\u00e1lise bastante acess\u00edvel, ao dividir o Jogo Internacional em tr\u00eas n\u00edveis. O primeiro n\u00edvel \u00e9 o Grande Jogo, em n\u00edvel geoestrat\u00e9gico \u2013 portanto, ultrapassando o determinismo geogr\u00e1fico e o posicionamento original dos Estados.\u00a0 Este Jogo n\u00e3o atende em hip\u00f3tese alguma o interesse dos povos, menos ainda das classes subalternas dos pa\u00edses subdesenvolvidos, semi-perif\u00e9ricos e pot\u00eancias eternamente em ascens\u00e3o, como o Brasil. N\u00e3o dever\u00edamos em quase hip\u00f3tese alguma embarcar no engajamento neste Grande Jogo, sendo que no momento a nova Guerra Fria ocorre entre Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia X China e R\u00fassia; isto sem falar nas rivalidades intra-blocos ou entre aliados.<\/p>\n<p>O segundo n\u00edvel talvez seja o mais percept\u00edvel, onde em regi\u00f5es bastante conturbadas, as pot\u00eancias de n\u00edvel m\u00e9dio, operando como piv\u00f4s geopol\u00edticos e com aliados dispostos a fazer guerras indiretas se aliam impondo suas pautas tamb\u00e9m a grandes pot\u00eancias. No caso espec\u00edfico do Oriente M\u00e9dio, verificamos o jogo de Israel, Turquia, Ar\u00e1bia Saudita e Ir\u00e3 com n\u00edveis elevados de autonomia diante da for\u00e7a de prote\u00e7\u00e3o de EUA, Otan, EUA e R\u00fassia, respectivamente. Quase sempre os grupos dominantes dom\u00e9sticos costumam ter poderes absolutos de veto dentro do jogo regional quando h\u00e1 um n\u00edvel elevado de conflito. O jogo de n\u00edvel dois confunde-se com os aliados dom\u00e9sticos e pode pender de lado segundo a condi\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio nos Estados e territ\u00f3rios soberanos.<\/p>\n<p>O terceiro n\u00edvel \u00e9, de fato, o \u00fanico onde os protagonistas s\u00e3o os povos em luta. Estes podem ter dimens\u00e3o dom\u00e9stica ou mesmo regional, sempre e quando h\u00e1 o protagonismo dos agentes que atuam a partir de pa\u00edses ou pertencimentos, como atrav\u00e9s da etnicidade, tal \u00e9 o caso da esquerda do Curdist\u00e3o. O desenho destes conflitos de n\u00edvel tr\u00eas \u00e9 onde podem se desenvolver formas de vida coletivas com autonomia das novas institui\u00e7\u00f5es sociais, onde a democracia direta e a economia autogestion\u00e1ria podem ser exercidas em m\u00e9dia e larga escala. A defesa destes territ\u00f3rios ou ao menos a condi\u00e7\u00e3o de veto dos povos em luta, \u00e9 a \u00fanica chance para garantir um agendamento internacional que v\u00e1 ao encontro dos anseios da maior parte da humanidade, em geral colocada na condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas ou massas de manobra das decis\u00f5es tomadas pelas elites dirigentes e fra\u00e7\u00f5es de classe dominante em escala mundial.<\/p>\n<p>Em termos normativos, as propostas que saem das ag\u00eancias da ONU (FAO, UNESCO, mesmo a OIT, ACNUR, dentre outras), al\u00e9m das redes transnacionais de defesa de causas (<em>advocacy<\/em>, como a Anistia Internacional, M\u00e9dicos Sem Fronteiras, dentre outros) s\u00e3o bastante aceit\u00e1veis, mas n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a necess\u00e1ria de serem implantadas. Tal condi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a depende necessariamente do protagonismo dos povos nos conflitos e lutas sociais de n\u00edvel tr\u00eas.\u00a0 \u00c9 neste n\u00edvel que os interesses das maiorias v\u00eam a ser exercidos de forma direta, atrav\u00e9s da luta coletiva e radicalmente democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>09 de janeiro de 2016, Bruno Lima Rocha Introdu\u00e7\u00e3o \u2013 Nesta nova s\u00e9rie, inicio um conjunto de textos de difus\u00e3o que visam ganhar a densidade at\u00e9 se tornarem um ensaio posterior. 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