{"id":10700,"date":"2016-01-13T12:10:19","date_gmt":"2016-01-13T14:10:19","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=465"},"modified":"2016-01-13T12:10:19","modified_gmt":"2016-01-13T14:10:19","slug":"as-capas-da-revista-the-economist-e-os-sistemas-de-pressao-internacional-os-piratas-ingleses-atacam-permanentemente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10700","title":{"rendered":"As capas da revista The Economist e os sistemas de press\u00e3o internacional: os piratas ingleses atacam permanentemente"},"content":{"rendered":"<p>13 de janeiro de 2016, por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\">Bruno Lima Rocha<\/a><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration:underline;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o inglesa The Economist traz em suas capas um modelo de opera\u00e7\u00e3o de press\u00f5es internacionais e ajudam a derrubar pol\u00edticas econ\u00f4micas. Suas capas operam como chantagem orquestrada pelo elo forte do capital financeiro transnacional operando a partir do eixo NYC-Londres. Entendo que \u2013 de fato e de uma vez por todas &#8211; essa bandidagem de Armani e Dior tem de ser desmascarada e perder seu poder de influ\u00eancia em nossos pa\u00edses (da Am\u00e9rica Latina). O problema \u00e9 de fundo e j\u00e1 vem sendo por demais debatido nas v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es das ci\u00eancias humanas e sociais do Brasil e dos pa\u00edses <em>hermanos<\/em>.<\/p>\n<p>D\u00f3i constatar que Fernando Henrique Cardoso tinha raz\u00e3o, s\u00f3 que em 1967. FHC ao menos nisso estava certo: a depend\u00eancia \u00e9 estrutural e, por consequ\u00eancia, estruturante. Assim, se tivermos de classificar o andar de cima, n\u00e3o \u00e9 nenhum exagero denomina-lo como \u00e9 vira-lata, vende p\u00e1tria e intrinsecamente entreguista. Ouso afirmar que se os pa\u00edses anglo-sax\u00f5es nos atacam, os inimigos de classe e aderentes \u00e0s teses do Imp\u00e9rio como se todas e todos tivessem green card dos Estados Unidos, se sentiriam culpados e imaginando: &#8220;Algo fizemos para sermos atacados!&#8221;.<\/p>\n<p>O problema da descoloniza\u00e7\u00e3o de nossas mentalidades pol\u00edticas e a postura anti-colonialista necess\u00e1ria para gerar o impacto e a autenticidade da luta popular no Brasil, se v\u00ea contra a parede.\u00a0 A \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d ofertada para a massa \u00e9 o p\u00f3s-stalinismo, p\u00f3s-trabalhismo ou a vers\u00e3o contempor\u00e2nea do varguismo, o lulismo. Este fen\u00f4meno ainda petista prefere \u2013 e vem apontando &#8211; pela via do \u201cpragmatismo\u201d outra sa\u00edda: aliar-se aos oligarcas e oligop\u00f3lios nacionais cartelizados e entrar de s\u00f3cio menor da China em escala mundial. Dentro desse maldito colonialismo, observemos o vira-latismo e seus paradoxos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration:underline;\">The Economist e o viralatismo estrutural da direita brasileira<\/span><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o inglesa The Economist, em sua primeira edi\u00e7\u00e3o do ano (de 2 a 8 de janeiro de 2016) trouxe a presidente Dilma Rousseff na capa sob o t\u00edtulo <em>Brazil\u2019s Fall: Dilma Rousseff and the disastrous year ahead <\/em>(A queda do Brasil: Dilma e o ano desastroso pela frente). Imediatamente ap\u00f3s esta divulga\u00e7\u00e3o, houve enorme repercuss\u00e3o nas redes sociais atrav\u00e9s da difus\u00e3o das m\u00eddias corporativas e prontamente a profecia macabra ecoou no Brasil com ares de verdade anunciada.<\/p>\n<p>Sou obrigado a reconhecer os impactos deste tipo de achaque em escala mundial, e obviamente, em nosso pa\u00eds. Continuo afirmando que este governo \u00e9 indefens\u00e1vel, mas que isso n\u00e3o pode implicar em fazer coro com a direita que n\u00e3o \u00e9 governo. Os fatores de &#8220;queda&#8221; do segundo mandato Dilma para a revista s\u00e3o justamente o que \u00e9 relativamente destac\u00e1vel.<\/p>\n<p>O receitu\u00e1rio da revista vai ao encontro do programa do governo Michel Temer (o vice que n\u00e3o consumou o golpe palaciano) denominado \u201cUma ponte para o futuro\u201d. Logo, n\u00e3o tem como reproduzir tais absurdos como a desvincula\u00e7\u00e3o total das receitas segundo o preceito constitucional e menos ainda defender a desregulamenta\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. \u00c9 este tipo de panaceia a moda vale tudo dos anos 90, como quando elogiam o per\u00edodo FHC e mesmo Fujimori, que pode fazer de nosso pa\u00eds o inferno tropical na terra.<\/p>\n<p>A maldita publica\u00e7\u00e3o dos especuladores em l\u00edngua inglesa &#8211; e vergonhosamente reproduzida pela Carta Capital no Brasil &#8211; elogiam a guinada \u00e0 direita da Am\u00e9rica Latina quando o que at\u00e9 agora ocorreu foi a vit\u00f3ria do menemismo na Argentina e o triunfo nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares dos escu\u00e1lidos na Venezuela. Vale observar que o triunfo venezuelano t\u00e3o proclamado n\u00e3o passou de 300 mil votos sendo o chavismo derrotado por seus seguidores desiludidos e n\u00e3o pela direita pr\u00f3 yankee.<\/p>\n<p>Se observarmos os efeitos diretos no imagin\u00e1rio pol\u00edtico conservador, basta notar o viralatismo visceral nos mais de 8000 coment\u00e1rios no perfil de O Globo quando a direita que perdeu na urna (a brasileira) comemora a capa contr\u00e1ria como uma vit\u00f3ria pontual. \u00c9 fato. A press\u00e3o desta revista que opera como porta voz dos especuladores em escala mundo \u00e9 muito grande, andando de patas dadas com o ataque da alta do d\u00f3lar e a picaretagem das notas emitidas pelas ag\u00eancias de risco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration:underline;\">Os chantagistas e especuladores continuam atacando o Brasil\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Eu j\u00e1 repeti isso \u00e0 exaust\u00e3o e me vejo obrigado a retomar o argumento. H\u00e1 um sistema de retroalimenta\u00e7\u00e3o entre a m\u00eddia especializada, as ag\u00eancias de \u201crating\u201d, os operadores de mercado e as institui\u00e7\u00f5es financeiras com envergadura mundial. A ag\u00eancia de &#8220;an\u00e1lise&#8221; de risco Fitch Ratings rebaixa ainda no final de 2015 mais uma vez a nota do Brasil, passando para BB+, classificando nosso pa\u00eds como grau especulativo, junk bond (a\u00e7\u00e3o lixo, a\u00e7\u00f5es podres, t\u00edtulos buitres como dizem na Argentina, papeles buitres&#8230;.) o que j\u00e1 implica em obriga\u00e7\u00f5es contratuais de venda dos t\u00edtulos do Tesouro brasileiro. Diversos fundos de pens\u00e3o e de investimentos t\u00eam em sua cl\u00e1usula contratual e de funcionamento, a obriga\u00e7\u00e3o de apenas comprar pap\u00e9is de pa\u00edses com uma nota relativa das ag\u00eancias e, estas devem vir acompanhadas de uma alta taxa de remunera\u00e7\u00e3o. Quanto maior o &#8220;risco&#8221;, maior a sangria especulativa atrav\u00e9s do retorno da taxa de juros reais. O Brasil j\u00e1 tem a maior taxa b\u00e1sica de juros do mundo e talvez ainda aumente, pois a Standard &amp; Poor&#8217;s rebaixou a nota brasileira em setembro e agora \u00e9 a vez da menor das tr\u00eas, a Fitch, restando apenas a Moody&#8217;s.<\/p>\n<p>Ouso afirmar que, para este momento, a melhor op\u00e7\u00e3o para os especuladores seria uma liquida\u00e7\u00e3o total das pol\u00edticas do lulismo e a aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 risca dos passos observados pelo receitu\u00e1rio neoliberal. Por isso tanto entusiasmo com o golpe paraguaio na forma de impeachment cuja canoa j\u00e1 faz \u00e1gua. Para os tubar\u00f5es do mercado financeiro, todo dia \u00e9 dia de carne fresca, e a 7a economia do mundo com um ainda vigoroso mercado interno de mais de 100 milh\u00f5es de consumidores m\u00e9dios \u00e9 um prato cheio. Este governo &#8211; ou o que dele resta &#8211; j\u00e1 fez a inflex\u00e3o poss\u00edvel para o ajuste fiscal e o inexor\u00e1vel caminho das restaura\u00e7\u00f5es neoliberais e sabe que se apertar mais o cinto, teremos um in\u00edcio de colapso das institui\u00e7\u00f5es formais mais importantes. Quando h\u00e1 aperto no or\u00e7amento e execu\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos, a conta \u00e9 paga na cal\u00e7ada, na sinaleira e na marquise, aumentando o crime contra a vida e patrimonial, o \u00edndice de moradores e menores de rua al\u00e9m do aumento da extrema pobreza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration:underline;\">Apontando conclus\u00f5es \u00f3bvias<\/span><\/p>\n<p>Para os tubar\u00f5es e alto executivos com trajet\u00f3ria no mercado financeiro \u2013 estando hoje dentro ou fora do governo, na situa\u00e7\u00e3o &#8211; como estava Joaquim Levy at\u00e9 18 de dezembro de 2015 &#8211; e na oposi\u00e7\u00e3o &#8211; como Arm\u00ednio Fraga, o quase ministro da Fazenda de A\u00e9cio &#8211; valem as antigas regras do mar. &#8220;Saque e butim&#8221; ap\u00f3s o ataque e conquista da presa. As ag\u00eancias fraudulentas fortalecem o eixo financeiro Nova York-Londres e refor\u00e7am a domin\u00e2ncia dos especuladores.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como negar que a chantagem avan\u00e7a sobre o Brasil. Ainda na \u00faltima semana de 2015, quando o governo aponta o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo a R$ 880,00 e na sequ\u00eancia criminosamente veta na Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) o reajuste do Bolsa Fam\u00edlia conforme as perdas da infla\u00e7\u00e3o acumulada no anterior, o\u00a0 tal do mercado &#8211; cuja opini\u00e3o \u00e9 apreciada atrav\u00e9s dos tecnocratas do Banco Central e publicada no Boletim Focus \u2013 j\u00e1 se plantava a \u201cnecessidade\u201d de mais um aumento da taxa b\u00e1sica de juros, defendendo uma Selic a 15,25%! Hoje a alta dos juros \u00e9 quase que uma profecia anunciada, sempre lembrando que o patamar m\u00ednimo chegou a 10 por cento at\u00e9 a retomada da alta no in\u00edcio de 2014,\u00a0 n\u00e3o por coincid\u00eancia, ano eleitoral e momento chave para manter a Febraban na linha de defesa do governo Dilma e sua poss\u00edvel (e cumprida) reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Retomando o argumento da depend\u00eancia estrutural externa e internamente, logo estruturante em todas as esferas da vida social, admite-se que o capitalismo perif\u00e9rico aqui praticado consegue reproduzir conflitos em escala global e ter reprodutores de confian\u00e7a destas perspectivas em nosso pa\u00eds. Assim, os cors\u00e1rios ingleses da The Economist sempre encontram eco na bandidagem de terno e gravata no pa\u00eds dos sonegadores e terra da especula\u00e7\u00e3o e da economia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/\">O artigo foi originalmente publicado no Not\u00edcias do Dia no IHU<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13 de janeiro de 2016, por Bruno Lima Rocha Introdu\u00e7\u00e3o A publica\u00e7\u00e3o inglesa The Economist traz em suas capas um modelo de opera\u00e7\u00e3o de press\u00f5es internacionais e ajudam a derrubar pol\u00edticas econ\u00f4micas. Suas capas operam como chantagem orquestrada pelo elo forte do capital financeiro transnacional operando a partir do eixo NYC-Londres. 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