{"id":10703,"date":"2016-01-14T13:45:11","date_gmt":"2016-01-14T15:45:11","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=491"},"modified":"2016-01-14T13:45:11","modified_gmt":"2016-01-14T15:45:11","slug":"que-esquerda-e-essa-ou-porque-a-posicao-da-cab-esta-correta-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10703","title":{"rendered":"Que esquerda \u00e9 essa? Ou porque a posi\u00e7\u00e3o da CAB est\u00e1 correta \u2013 2"},"content":{"rendered":"<p>14 de janeiro de 2016, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\">Bruno Lima Rocha<\/a><\/p>\n<p>Como construir um partido pol\u00edtico de esquerda sem projeto pol\u00edtico? Como falar em socialismo sem uma proje\u00e7\u00e3o de sociedade? Como caracterizar uma etapa se n\u00e3o h\u00e1 objetivo finalista, sem uma via estrat\u00e9gica, sem a dimens\u00e3o t\u00e1tica correspondente? O maximalismo s\u00f3 atende ao n\u00edvel da filosofia pol\u00edtica, mas fazer pol\u00edtica de forma s\u00e9ria, consequente e por esquerda prev\u00ea um \u2013 ou alguns \u2013 projetos de acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que v\u00e3o se encontrar ou desencontrar ao longo da via. Desde que o muro caiu a maior parte da esquerda restante, da ex-esquerda, no caso da Am\u00e9rica Latina do campo classista e nacional-popular, perdera esta dimens\u00e3o de metas de m\u00e9dio e longo prazo na pol\u00edtica e acabam jogando o jogo do liberalismo, mesmo que por tabela.<\/p>\n<p>At\u00e9 o final da Guerra Fria era mais \u201cf\u00e1cil\u201d, pois mesmo com cr\u00edticas ao carcomido e horroroso modelo sovi\u00e9tico, ainda havia abundante ilus\u00e3o e fantasia autorit\u00e1ria (n\u00e3o entre os libert\u00e1rios), como a tese absurda de partido \u00fanico e forma\u00e7\u00e3o de vanguardas pol\u00edticas. Centenas de milhares de militantes sinceros em nosso Continente deram a vida por projetos semelhantes, com especial \u00eanfase nas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-militares, alternativa do nacionalismo de esquerda e do marxismo latino-americano ao modelo de partido comunista, seja este descendente do SPD original \u2013 onde Marx militou \u2013 ou de sua deriva\u00e7\u00e3o mais conspirat\u00f3ria, com origem leninista. Em nosso pa\u00eds, o exemplo acabado e reivindicado \u2013 pelo exemplo \u2013 \u00e9 o de Carlos Marighella e seus correligion\u00e1rios. Mas, n\u00e3o h\u00e1\u00a0 uma linha sequer em algum documento da ALN afirmando como seria o sistema pol\u00edtico, o sistema jur\u00eddico, a base econ\u00f4mica sob controle coletivo e outros aspectos fundamentais da vida em sociedade. Todo o respeito para quem se jogou por um mundo melhor, mas ajuda saber como pensavam o que seria \u2013 ser\u00e1 \u2013 este mundo. O que n\u00e3o existe em teoria n\u00e3o se realiza na sociedade.<\/p>\n<p>A crise pol\u00edtica p\u00f3s-Guerra Fria vem da\u00ed, da aus\u00eancia de teoria de ruptura. O que temos de vi\u00favas do eurocomunismo reivindica este Marx j\u00e1 criticado do SPD e acabam compondo a social-democracia como ide\u00e1rio m\u00e1ximo dentro do sistema capitalista.\u00a0 N\u00e3o adianta tergiversar, buscar debates escapistas ou fugir da pol\u00eamica. De forma e s\u00e9ria e contundente h\u00e1 de se perguntar para toda for\u00e7a pol\u00edtica no campo da esquerda: \u201cCompanheiro, companheira, o qu\u00ea voc\u00eas querem? Onde querem chegar? Qual o caminho para atingir este objetivo? Porque tem ou n\u00e3o ades\u00e3o \u00e0s vias eleitorais? Qual o limite do jogo institucional para voc\u00eas?\u201d Sem esse debate franco n\u00e3o h\u00e1 caminho a seguir e tudo n\u00e3o passa ou de luta reivindicativa &#8211; o que \u00e9 bom, mas sem projeto n\u00e3o acumula para al\u00e9m dos momentos de ascens\u00e3o \u2013 ou pior, termina esta energia social sendo canalizada para a jogatina eleitoral.<\/p>\n<p>Utopia n\u00e3o \u00e9 devaneio e nem dem\u00eancia, \u00e9 o lugar a ser constru\u00eddo, o ide\u00e1rio onde de forma racional e consequente aqueles e aquelas aderentes a um conjunto de ideias (ideologia) se organizam politicamente para tal. Especifismo (o anarquismo politicamente organizado como for\u00e7a classista e popular) \u00e9 isso, \u00e9 s\u00f3 isso, \u00e9 tudo isso. \u00c9 tudo isso com a democracia direta em todos os n\u00edveis, sem aderir \u00e0 venda casada do liberalismo, aonde a \u201cdemocracia\u201d vem junto da \u201cliberdade\u201d econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u00c9 este o debate que deve ser feito \u2013 sim estou defendendo que sejamos francos uns com os outros ao menos uma vez na exist\u00eancia \u2013 sem subterf\u00fagios, sem manobras de assembleias com boiada votando conforme o capa preta manda, sem papagaiada de forma\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica e jogo de cena para a torcida. E, pasmem, este \u00e9 o debate que todas as for\u00e7as evitam, evitam ao m\u00e1ximo, porque esta discuss\u00e3o consequente obriga a um n\u00edvel de compromisso e autocr\u00edtica que n\u00e3o condiz mais com as pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias, personalistas, descomprometidas, e n\u00e3o sobrevivem a chav\u00f5es que s\u00e3o aplicados como panaceia autoexplicativa, como: \u201cos fins justificam os meios\u201d; \u201cpol\u00edtica \u00e9 um\u00a0 jogo dial\u00e9tico\u201d, \u201ctem de\u00a0 ver a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e fazer as alian\u00e7as poss\u00edveis para o momento\u201d&#8230;Sim, e para que? Por qu\u00ea? Com quem? Com quais ferramentas?<\/p>\n<p>O debate est\u00e1 aberto e este analista n\u00e3o tem delega\u00e7\u00e3o para falar em nome do coletivo, mas sim, como todos e todas que aderem ou apoiam, tem o dever de levar adiante as ideias coletivas e torna-las socialmente aplic\u00e1veis e compreendidas. A palavra de ordem e ideia guia construir um povo forte \u00e9 isso. Criar, refor\u00e7ar, um conjunto de entidades de base ou movimentos massivos que tenham a articula\u00e7\u00e3o interna e o poder necess\u00e1rio para tentar vetar o que n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0s maiorias e acumular for\u00e7as para modificar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com independ\u00eancia de classe.\u00a0 \u00c9 o m\u00ednimo para apontar no rumo de uma pol\u00edtica massiva, de base, mesmo dentro desta democracia indireta mas com disposi\u00e7\u00e3o para transformar as rela\u00e7\u00f5es sociais a partir das lutas coletivas.<\/p>\n<p>Aonde chegar e qual sociedade se quer organizar \u00e9 outro debate. H\u00e1 consensos bastante ampliados a este respeito e pode ser tema de outro texto. Por agora, fica a pergunta: Se n\u00e3o h\u00e1 um projeto concreto de poder do povo, que esquerda \u00e9 essa?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14 de janeiro de 2016, Bruno Lima Rocha Como construir um partido pol\u00edtico de esquerda sem projeto pol\u00edtico? Como falar em socialismo sem uma proje\u00e7\u00e3o de sociedade? Como caracterizar uma etapa se n\u00e3o h\u00e1 objetivo finalista, sem uma via estrat\u00e9gica, sem a dimens\u00e3o t\u00e1tica correspondente? 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