{"id":10706,"date":"2016-01-19T18:03:47","date_gmt":"2016-01-19T20:03:47","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=513"},"modified":"2016-01-19T18:03:47","modified_gmt":"2016-01-19T20:03:47","slug":"fronteiras-agrarias-intermitentes-a-luta-pela-terra-e-a-luta-pelo-territorio-em-carajas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10706","title":{"rendered":"Fronteiras agr\u00e1rias intermitentes \u2013 a luta pela terra e a luta pelo territ\u00f3rio em Caraj\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p>19 de janeiro de 2016, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fabiano.bringel?fref=ts\">Fabiano Bringel<\/a><\/p>\n<p>Uma das possibilidades que se apresentam para a uni\u00e3o dessas duas dimens\u00f5es da luta (a por terra \u2013 <em>mais material<\/em>\/ e a por territ\u00f3rio \u2013 <em>mais imaterial<\/em>) \u00e9 o MAM \u2013 Movimento pela Soberania Popular Frente \u00e0 Minera\u00e7\u00e3o ou, simplesmente, como \u00e9 apelidado de Movimento dos Atingidos pela Minera\u00e7\u00e3o.\u00a0 Tal iniciativa \u00e9 protagonizada pelo MST (principalmente) e outros movimentos que v\u00eam ampliando seu leque de alian\u00e7as e buscando uma articula\u00e7\u00e3o com os diversos movimentos populares nas periferias de Parauapebas nos bairros de \u201cNova Vit\u00f3ria\u201d, \u201cVila Rica\u201d, \u201cNova Caraj\u00e1s\u201d. Ao mesmo tempo irmanando for\u00e7as com as lutas dos Quilombolas e Ind\u00edgenas que tem territ\u00f3rios que s\u00e3o cortados pela Estrada de Ferro de Caraj\u00e1s entre o Par\u00e1 e o Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa articula\u00e7\u00e3o coloca alguns pontos para a reflex\u00e3o. O primeiro deles \u00e9 &#8211; ser\u00e1 que temos a\u00ed o nascimento de um movimento que consiga articular a luta por terra, por redistribui\u00e7\u00e3o, uma luta camponesa situada em um determinado tempo-espa\u00e7o da fronteira com uma luta por territ\u00f3rio, por reconhecimento, uma luta quilombola, ind\u00edgena e ribeirinha situada em outro tempo-espa\u00e7o da fronteira? Outra quest\u00e3o \u00e9 \u2013 qual o papel que os camponeses t\u00eam no projeto pol\u00edtico do MST? Perguntamos isso, porque \u00e9 latente a necessidade de aproxima\u00e7\u00e3o do MST com o operariado desorganizado dessas mineradoras no sentido de organiz\u00e1-los para um processo de mudan\u00e7a a m\u00e9dio e longo prazo. Essa estrat\u00e9gia n\u00e3o s\u00f3 confirmaria a tese de alguns setores do marxismo sobre a superioridade dos oper\u00e1rios no processo de transforma\u00e7\u00e3o social como tamb\u00e9m refor\u00e7aria tal perspectiva no interior da floresta amaz\u00f4nica? Estaria a\u00ed o conceito e o m\u00e9todo do que se vem chamando hoje de reforma agr\u00e1ria popular, em contraposi\u00e7\u00e3o a de uma reforma agr\u00e1ria cl\u00e1ssica?<\/p>\n<p>S\u00e3o a partir destas quest\u00f5es que afirmamos que a fronteira na Amaz\u00f4nia tem uma caracter\u00edstica intermitente. Abre-se a frente demogr\u00e1fica em determinado tempo-espa\u00e7o fechando a frente de recursos em outro tempo-espa\u00e7o. A l\u00f3gica de constru\u00e7\u00e3o de grandes projetos de desenvolvimento, inseridos no contexto da IIRSA \u2013 Iniciativa de Integra\u00e7\u00e3o Regional Sul America, como exemplo a UHE de Belo Monte, funcionam tamb\u00e9m como um <em>alargamento<\/em> demogr\u00e1fico da fronteira. Subjacentemente, seja por press\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es tradicionais ou como estrat\u00e9gia de clausura dos recursos por parte da empresa (\u00e9 caso do Cintur\u00e3o Verde da Vale) criam-se Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o fechando aqueles espa\u00e7os como trunfo estrat\u00e9gico. Seja na disputa da acumula\u00e7\u00e3o por espolia\u00e7\u00e3o ou como as pr\u00e1ticas do <em>bem viver<\/em> que est\u00e3o no campo da resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Por outro lado, chamamos a aten\u00e7\u00e3o para os <em>fronts<\/em> dentro das mesmas fronteiras. \u00c9 o caso da mesorregi\u00e3o estudada, Sudeste da organiza\u00e7\u00e3o espacial baseada no bin\u00f4mio Terra-Territ\u00f3rio. Referimos-nos aos assentamentos rurais que est\u00e3o no espa\u00e7o da redistribui\u00e7\u00e3o de terras e t\u00eam como referencial de unidade espacial os lotes individuais e de conte\u00fado social eminentemente de trabalhadores migrantes nordestinos chegados p\u00f3s-1960. Est\u00e3o <em>aqu\u00e9m<\/em> da fronteira. O objeto <em>assentamento rural<\/em> se fricciona com as terras ind\u00edgenas, as comunidades remanescentes de quilombo e as popula\u00e7\u00f5es caboclas tradicionais como seringueiros, beiradeiros, peconheiros, pescadores artesanais, quebradeiras de coco de baba\u00e7u etc. Estes, por sua vez, t\u00eam um forte componente \u00e9tnico e <em>tradicional<\/em> e v\u00eam organizando seu territ\u00f3rio desde \u00e9pocas imemoriais, como \u00e9 o caso dos ind\u00edgenas. Nosso entendimento \u00e9 que est\u00e3o <em>al\u00e9m<\/em> da fronteira.<\/p>\n<p>Estas duas perspectivas de espa\u00e7os de luta t\u00eam dificuldades de se encontrar. Um pequeno exemplo cabe para efeito de ilustra\u00e7\u00e3o. Conversando com militantes do MST no IALA (Instituto de Agroecologia da Amaz\u00f4nia) foi relatada uma situa\u00e7\u00e3o bem caracter\u00edstica do que estamos nos remetendo. Na tentativa de ampliar os horizontes de mobiliza\u00e7\u00e3o, os Sem Terras organizaram um encontro no Baixo Tocantins no Par\u00e1. Grande parte dos convidados eram ribeirinhos da \u00e1rea. Acostumados com uma base social de imigrantes nordestinos instalaram a cozinha do encontro com a dieta nutricional baseada no arroz com feij\u00e3o e charque para toda a semana do evento. Os ribeirinhos alimentaram-se no primeiro dia com este card\u00e1pio. No segundo dia, quando descobriram que a alimenta\u00e7\u00e3o se repetiria pelo restante do encontro, trataram de arrumar as suas borocas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> para retornarem para suas comunidades. Os dirigentes do MST quando viram a situa\u00e7\u00e3o foram indagar o grupo do porqu\u00ea da partida. Prontamente responderam que n\u00e3o iriam passar a semana sem o tradicional a\u00e7a\u00ed com farinha. Reclamaram que n\u00e3o foram informados de tal <em>menu<\/em>. Caso contr\u00e1rio, teriam levado seus fardos de farinha e seus cachos de a\u00e7a\u00ed. O resultado foi um encontro que n\u00e3o rendeu o que deveria ter rendido.<\/p>\n<p>Estamos exemplificando a partir de um desencontro nutricional o que se manifesta em gram\u00e1ticas de lutas diferenciadas \u2013 a luta pela terra e a luta pelo territ\u00f3rio e a dificuldade de articula\u00e7\u00e3o desses elementos na fronteira amaz\u00f4nica. Existe a\u00ed uma tentativa de articula\u00e7\u00e3o dessas duas esferas a partir do MAM \u2013 Movimento dos Atingidos pela Minera\u00e7\u00e3o. O que se ret\u00e9m para o debate \u00e9 quem \u00e9 o sujeito hist\u00f3rico ou quais s\u00e3o hist\u00f3ricos da mudan\u00e7a na fronteira? Camponeses? Oper\u00e1rios? As chamadas popula\u00e7\u00f5es tradicionais? Ou uma pl\u00eaiade de sujeitos unidos numa grande frente de luta? Com a palavra, os lutadores do povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bagagem, na linguagem camponesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>19 de janeiro de 2016, Fabiano Bringel Uma das possibilidades que se apresentam para a uni\u00e3o dessas duas dimens\u00f5es da luta (a por terra \u2013 mais material\/ e a por territ\u00f3rio \u2013 mais imaterial) \u00e9 o MAM \u2013 Movimento pela Soberania Popular Frente \u00e0 Minera\u00e7\u00e3o ou, simplesmente, como \u00e9 apelidado de Movimento dos Atingidos pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":515,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-10706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-territorios"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10706\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}