{"id":10710,"date":"2016-01-22T13:12:20","date_gmt":"2016-01-22T15:12:20","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=528"},"modified":"2016-01-22T13:12:20","modified_gmt":"2016-01-22T15:12:20","slug":"pilulas-de-reflexao-libertaria-na-america-latina-2-a-defesa-de-uma-comunicacao-popular-sob-controle-direto-e-em-contra-a-forma-mercadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10710","title":{"rendered":"P\u00edlulas de reflex\u00e3o libert\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina (2) \u2013 a defesa de uma comunica\u00e7\u00e3o popular, sob controle direto e em contra a forma mercadoria"},"content":{"rendered":"<p>22 de janeiro de 2016, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\">Bruno Lima Rocha<\/a><\/p>\n<p>O debate comunicacional \u00e9 um problema permanente e passa por um per\u00edodo cr\u00edtico na Am\u00e9rica Latina. Cr\u00edtico porque de forma correta os donos de meios s\u00e3o caracterizados como basti\u00e3o ideol\u00f3gico tanto da direita como dos capitais transnacionais. Para comprovar a tese, basta observar o papel da SIP (Sociedade Interamericana de Impresa), do GDA (Grupo Di\u00e1rios Am\u00e9rica) e ver a atua\u00e7\u00e3o dos maiores conglomerados de comunica\u00e7\u00e3o social e entretenimento midi\u00e1tico em cada um de nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>O per\u00edodo tamb\u00e9m \u00e9 cr\u00edtico porque de forma equivocada, a centro-esquerda ainda insiste na tese leninista da comunica\u00e7\u00e3o social como agita\u00e7\u00e3o e propaganda da dire\u00e7\u00e3o ou governo de turno e n\u00e3o para conformar um espa\u00e7o p\u00fablico dos debaixo. Como para esta gente ideologia ainda \u00e9, em grande parte, um dilema de falsa consci\u00eancia, logo n\u00e3o espanta tal equ\u00edvoco ou posi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria e conservadora. Na aus\u00eancia de um espa\u00e7o p\u00fablico das esquerdas e do movimento popular, simplesmente n\u00e3o temos onde e com quem debater. Pela belicosidade que marca o pensamento \u00e0 esquerda desde o racha da 1\u00aa Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (AIT), associamos o debate a uma disputa de ideias para convencimento da audi\u00eancia (subordinando as audi\u00eancias) e para desconstru\u00e7\u00e3o da validade das ideias dos advers\u00e1rios pol\u00edticos. Se em termos de pol\u00edtica de base isso ocorre, o mesmo fen\u00f4meno \u00e9 devastador em termos de grandes p\u00fablicos receptores, ainda mais falando para quem est\u00e1 desorganizado.<\/p>\n<p>Como disse j\u00e1 venho afirmando aqui, \u00e9 necess\u00e1rio garantir ou ao menos brigar de forma estrat\u00e9gica &#8211; logo de longo prazo &#8211; para constituir espa\u00e7os n\u00e3o monet\u00e1rios e onde possamos reproduzir como modelo em pequena escala o que queremos como sociedade e suas formas de acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7a para atingir este lugar. Se o modelo de debate em pequena escala \u00e9 uma insana e sect\u00e1ria disputa por dire\u00e7\u00f5es e hegemonias reais ou fict\u00edcias, logo, estamos reproduzindo \u2013 novamente \u2013 a pior tradi\u00e7\u00e3o leninista com as pr\u00e1ticas mais tolerantes com a conviv\u00eancia pac\u00edfica com o inimigo de classe.\u00a0 O pior dos mundos resultou nisso mesmo. Uma rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua com o inimigo interno (na busca incessante pela tal burguesia nacional progressista) e a subordina\u00e7\u00e3o do movimento popular para o governo de coaliz\u00e3o da direita para garantir a tal da governabilidade.<\/p>\n<p>Se em algumas pautas a agenda social melhorou, na democracia na comunica\u00e7\u00e3o foi tudo ao contr\u00e1rio. O exemplo brasileiro \u00e9 entre o p\u00e9ssimo e o horroroso, mas mesmo onde houve mais avan\u00e7os materiais \u2013 como na Argentina e na Venezuela \u2013 a subordina\u00e7\u00e3o e o atrelamento a Linha K na primeira e aos chavismos da segunda \u2013 matam na raiz a riqueza e a pot\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o popular com democracia de base como um espelho de um espa\u00e7o p\u00fablico horizontal entre os diversos setores oprimidos e explorados. N\u00e3o por acaso, a maior parte destes setores carrega no lombo a heran\u00e7a maldita do colonialismo e precisa construir e reconstruir as culturas do povo a todo o momento.<\/p>\n<p>Quem amarra os fragmentos do povo e das classes subalternas \u00e9 justamente a capacidade de comunicar e aglutinar, estando de portas abertas as m\u00eddias massivas sob o controle popular. O tecido social \u00e9 a base do embri\u00e3o de poder popular, desde que combine vida cotidiana, atividades associativas e lutas diretas atrav\u00e9s de sujeitos coletivos. Esta combina\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o organizativa e reivindica\u00e7\u00e3o de direitos passa pelo poder das pessoas comuns e desorganizadas e como tal s\u00f3 pode se dar de forma difusa atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o social em escala massiva, mas de forma autogestion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Infelizmente estamos anos luz desta realidade, mas temos sa\u00eddas &#8211; m\u00faltiplas &#8211; de forma parcialmente consolidada ou embrion\u00e1ria. Esta frente de luta popular n\u00e3o pode depender dos governos de turno embora esteja visceralmente ligada &#8211; em contraposi\u00e7\u00e3o &#8211; aos n\u00edveis decis\u00f3rios do aparelho de Estado. Para isso \u00e9 preciso bloquear a sedu\u00e7\u00e3o e a coopta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de delegados e negociadores. N\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que a cada audi\u00eancia ou recep\u00e7\u00e3o com o sub do sub do sub do quarto escal\u00e3o de um minist\u00e9rio percamos um ou mais militantes para a sedu\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de uma bandeja prateada de cafezinho ou \u00e1gua gelada com tapinha nas costas e promessas protocolares nunca cumpridas. \u00c9 preciso sempre lembrar que do lado de l\u00e1 do balc\u00e3o est\u00e1 o representante do inimigo e n\u00e3o apenas um burocrata equivocado ou carreirista de plant\u00e3o. Se algu\u00e9m em posi\u00e7\u00e3o de coordenador ou coordenadora esquecer desta obviedade, da\u00ed o controle coletivo e a cobran\u00e7a\u00a0 pol\u00edtica tem de fazer esta dura lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do povo em luta \u00e9 cheia de armadilhas. Audi\u00eancia demais e peleia de menos \u00e9 o m\u00e9todo mais eficiente para gerar mais um traidor de classe, ainda mais com microfone de r\u00e1dio na sua frente.<\/p>\n<p>Sigo com o tema mais adiante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>22 de janeiro de 2016, Bruno Lima Rocha O debate comunicacional \u00e9 um problema permanente e passa por um per\u00edodo cr\u00edtico na Am\u00e9rica Latina. Cr\u00edtico porque de forma correta os donos de meios s\u00e3o caracterizados como basti\u00e3o ideol\u00f3gico tanto da direita como dos capitais transnacionais. 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