{"id":10718,"date":"2016-03-03T15:33:48","date_gmt":"2016-03-03T18:33:48","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=567"},"modified":"2016-03-03T15:33:48","modified_gmt":"2016-03-03T18:33:48","slug":"crime-historico-e-farsa-politica-no-mexico-d-f-parte-3-uma-critica-ao-museu-trotsky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10718","title":{"rendered":"Crime hist\u00f3rico e farsa pol\u00edtica no M\u00e9xico (D.F), parte 3: uma cr\u00edtica ao Museu Trotsky"},"content":{"rendered":"<p>03 de mar\u00e7o de 2016, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\">Bruno Lima Rocha<\/a><\/p>\n<p>Nesta \u00faltima postagem a respeito do crime hist\u00f3rico e da farsa pol\u00edtica no M\u00e9xico trago algumas observa\u00e7\u00f5es do Museu Trotsky, onde estive em fevereiro de 2016 durante viagem absolutamente tur\u00edstica e curta, portanto, sem finalidades militantes, embora nunca se consiga fugir do dever. Nesta casa onde viveu o camarada Lev Bronstein, cujo nome de guerra era Le\u00f3n Trotsky. O centro de mem\u00f3ria funciona neste local no tradicional bairro Coyoac\u00e1n, e tem como entidade cobertura o Instituto de Direito de Asilo e segundo me informaram no local, trata-se de uma institui\u00e7\u00e3o coordenada pelos familiares descendentes do ex-comandante do Ex\u00e9rcito Bolchevique.<\/p>\n<p>Em termos de farsa hist\u00f3rica realmente observei uma, constando no material chamado de Linha do Tempo. Para ampla difus\u00e3o, este era vendido a um pre\u00e7o de 10 pesos, equivalente a R$ 2,50 reais. O material faz uma analogia temporal entre a hist\u00f3ria pol\u00edtica do M\u00e9xico e a trajet\u00f3ria do pr\u00f3prio Le\u00f3n, incluindo os percal\u00e7os dos militantes socialdemocratas at\u00e9 se formarem como elite dirigente no territ\u00f3rio do Imp\u00e9rio Russo.<\/p>\n<p>Nesta linha do tempo s\u00e3o citados Ricardo e Enrique Flores Mag\u00f3n por tr\u00eas vezes. Ao reconhecerem o papel dos dois militantes libert\u00e1rios, ignoram que os mesmos s\u00e3o anarquistas assim como seus correligion\u00e1rios. Ignorar a ideologia dos ide\u00f3logos da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana \u00e9 muito grave. Mas tem mais.<\/p>\n<p>No ano de 1921 aparecem dois levantes camponeses durante a Guerra Civil russa em seus \u00faltimos meses assim como a revolta do Soviet do Kronstandt. Nenhuma linha sobre o massacre deste \u00faltimo e menos ainda que o pr\u00f3prio Le\u00f3n deu a ordem de &#8220;abatam-nos como perdizes&#8221;. Assim como n\u00e3o fala de seu pr\u00f3prio crime n\u00e3o citam em nenhuma passagem a luta dos camponeses da Ucr\u00e2nia \u2013 atrav\u00e9s do reconhecido Ex\u00e9rcito Insurrecional dos Camponeses da Ucr\u00e2nia &#8211; e a trai\u00e7\u00e3o contra a cavalaria negra (esquadr\u00e3o de vanguarda desta for\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o anarquista), cuja ordem tamb\u00e9m fora dada pelo pr\u00f3prio Bronstein.<\/p>\n<p>Nada de se espantar s\u00f3 se revoltar. Mas percebemos a voca\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria na disposi\u00e7\u00e3o de sua casa. Trotsky tinha uma s\u00e9rie de volunt\u00e1rios tanto para sua guarda pessoal como para o trabalho pol\u00edtico. Mas ao contr\u00e1rio do que estamos acostumados no anarquismo, o ex-dirigente bolchevique trabalhava em um quarto pr\u00f3prio enquanto sua base em outra sala. A dimens\u00e3o do dirigismo burocr\u00e1tico autorit\u00e1rio se nota nestes detalhes. No anarquismo isso n\u00e3o acontece e falo com a experi\u00eancia de quem conheceu a rotina de veteranos militantes com trajet\u00f3ria semelhante em relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Para completar a farsa da desinforma\u00e7\u00e3o sobre os irm\u00e3os Mag\u00f3n, o Kronstandt e a luta na Ucr\u00e2nia, \u00e9 curioso observar um quadro pintado em 1962 em plena Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica de Kruschov. O quadro retrata uma sess\u00e3o do comit\u00ea central do Partido Bolchevique e neste o \u00fanico n\u00e3o retratado \u00e9 Trotsky. O pintor deixou seu gorro do Ex\u00e9rcito Vermelho sobre a cadeira, burlando a censura p\u00f3s-stalinista (mas com o mesmo estilo) e dando mem\u00f3ria ao fundador da 4a Internacional.<\/p>\n<p>O veneno stalinista atinge o pr\u00f3prio Bronstein quando o mesmo \u00e9 v\u00edtima e algoz mudando de posi\u00e7\u00e3o com Stalin, tendo teses diferentes, mas o id\u00eantico estilo de trabalho e forma de conduzir.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero atirar toda a trajet\u00f3ria trotsquista na vala comum, pois temos raras e saud\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es, como o POUM espanhol e Hugo Blanco na Am\u00e9rica Latina. Mas \u00e9 preciso reconhecer que o pr\u00f3prio Le\u00f3n como seus familiares e curadores do Museu operam a mentira e a desinforma\u00e7\u00e3o em nome de uma ideologia com pretens\u00f5es cient\u00edficas e pr\u00e1ticas de religi\u00e3o at\u00e9ia. Este suporte de cren\u00e7as e mais o fetiche da lideran\u00e7a como elite dirigente e a auto &#8211; proclama\u00e7\u00e3o de partido de vanguarda e massivo formam um grande problema e um perigo para as sociedades que por ventura venham a ser governados por qualquer partido que se pretenda \u00fanico e com delega\u00e7\u00e3o divina para &#8220;conduzir&#8221; massas.<\/p>\n<p>Seria apenas uma pena se n\u00e3o representasse o assassinato de milhares de militantes na Ucr\u00e2nia e no Kronstandt. Fico \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de seguir este debate em bom n\u00edvel com @s militantes das v\u00e1rias linhas da 4a Internacional a quem respeito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>03 de mar\u00e7o de 2016, Bruno Lima Rocha Nesta \u00faltima postagem a respeito do crime hist\u00f3rico e da farsa pol\u00edtica no M\u00e9xico trago algumas observa\u00e7\u00f5es do Museu Trotsky, onde estive em fevereiro de 2016 durante viagem absolutamente tur\u00edstica e curta, portanto, sem finalidades militantes, embora nunca se consiga fugir do dever. 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