{"id":1074,"date":"2009-07-16T17:54:58","date_gmt":"2009-07-16T17:54:58","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/?p=1074"},"modified":"2009-07-16T17:54:58","modified_gmt":"2009-07-16T17:54:58","slug":"escola-de-lata-x-mansao-de-yeda-o-protesto-atinge-a-privacidade-da-governadora-do-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=1074","title":{"rendered":"Escola de lata X Mans\u00e3o de Yeda: o protesto atinge \u00e0 privacidade da governadora do RS"},"content":{"rendered":"<figure class=\"image-container image-post-defautl\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/protestocasayeda4.jpg\" title=\"Vitimiza\u00e7\u00e3o com custo elevado. A vida \u00edntima de uma governante se torna p\u00fablica quando a pr\u00f3pria autoridade exp\u00f5e de forma vexat\u00f3ria aos seus.  - Foto:Roberto Vinicius, da Ag\u00eancia Free lancer\" alt=\"Vitimiza\u00e7\u00e3o com custo elevado. A vida \u00edntima de uma governante se torna p\u00fablica quando a pr\u00f3pria autoridade exp\u00f5e de forma vexat\u00f3ria aos seus.  - Foto:Roberto Vinicius, da Ag\u00eancia Free lancer\" class=\"image\"><figcaption class=\"fig-caption\">Vitimiza\u00e7\u00e3o com custo elevado. A vida \u00edntima de uma governante se torna p\u00fablica quando a pr\u00f3pria autoridade exp\u00f5e de forma vexat\u00f3ria aos seus. <\/figcaption><small itemprop=\"copyrightHolder\" class=\"copyright\"> Foto:Roberto Vinicius, da Ag\u00eancia Free lancer<\/small><\/figure>\n<p>16 de julho de 2009, de S&atilde;o Leopoldo (fechando &agrave;s 17.31 da tarde chuvosa), Bruno Lima Rocha <\/p>\n<p>Escrevo &agrave;s carreiras esse texto em fun&ccedil;&atilde;o do protesto na mans&atilde;o da Rua Araruama, onde a professora aposentada da Faculdade de Economia da UFRGS consegue alcan&ccedil;ar o status de tentar incorporar a Thatcher da Prov&iacute;ncia no simulacro mal feito do n&uacute;mero 10 da Downing Street e ser vizinha de parte do empresariado ga&uacute;cho que &eacute; sua clientela daqueles que vivem sob o lema: <\/p>\n<p>&#8211; Quem tem (&ldquo;empr&eacute;stimo&rdquo;) Banrisul, tem tudo!<\/p>\n<p>Causa &ldquo;desconforto&rdquo; para quem gosta de privacidade no seu nicho de neg&oacute;cios e &aacute;reas afins a circula&ccedil;&atilde;o de moradores de rua e outros seres estranhos ao mundo das grades e da seguran&ccedil;a privada. Mesmo uma manifesta&ccedil;&atilde;o com pouca gente necessitava de uma resposta elevada, para &ldquo;sinalizar&rdquo; aos que se aventurarem pelo caminho do protesto social de que h&aacute; um pre&ccedil;o a se pagar. Yeda inova na m&atilde;o pesada, pois se mexe mesmo sabendo que um governo &ldquo;supostamente&rdquo; corrupto n&atilde;o pode se dar ao luxo de reprimir. Ela &eacute; como Figueiredo, bate, prende e arrebenta. <\/p>\n<p>A sra. Rorato tampouco v&ecirc; problemas em expor seus netos, a carregar um cartaz mal feito e se buscar na vitimiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica a justificativa para seus atos. Ou seja, agora todos os moradores do pago est&atilde;o a compartilhar das mazelas de um lar devassado pela ira popular. Em Versalhes aconteceu algo assim, mas havia Sans-culottes e Jacqueries &agrave; vontade para causar o Grande Medo antecessor da frase ingrata de Maria Antonieta. <\/p>\n<p><strong>A casa da governadora, pela suspeita da origem do im&oacute;vel, &eacute; um alvo leg&iacute;timo <br \/>\n<\/strong><br \/>\nNa manh&atilde; de hoje o Rio Grande do Sul viveu um dia de acirramento pol&iacute;tico expl&iacute;cito. O ato p&uacute;blico pedindo o impeachment de Yeda Crusius (PSDB) foi antecedido de uma a&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria de boa monta e envergadura. Um grupo de ativistas, contando com representa&ccedil;&otilde;es do F&oacute;rum de Servidores P&uacute;blicos, incluindo o maior sindicato do estado, o Cpers (para quem n&atilde;o &eacute; do RS, sindicato estadual de professores), se dirigiu &aacute; controversa casa da governadora, na Rua Araruama, bairro Vila Jardim (zona de metro quadrado car&iacute;ssimo na capital). Nesta mans&atilde;o, alvo de controv&eacute;rsia e cujas contas ainda n&atilde;o foram fechadas (sabe-se que o patrim&ocirc;nio do ex-casal Crusius supera o valor do im&oacute;vel e a necess&aacute;ria capacidade de endividamento), Yeda assume o seu papel da intimidade exposta, levando ao rid&iacute;culo seus familiares e a si mesma. <\/p>\n<p>L&aacute; chegando, &agrave;s 07:15 da manh&atilde;, realizaram uma a&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica de expor o governante sem a sua pompa e majestade. A perda da aura se agrava quando se trata da Prov&iacute;ncia de S&atilde;o Pedro, uma vez que aqui todos ou quase todos que fazem pol&iacute;tica se conhecem, ou ao menos, conhece quem se reconhece. Yeda procedeu de forma no m&iacute;nimo absurda, usando a imagem de seus netos (de 8 e 11 anos de idade) para posar de v&iacute;tima de persegui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, xingando os sindicalistas e manifestantes, e obviamente ordenando a pris&atilde;o de alguns conhecidos l&iacute;deres da atividade. Claro que depois da auto-exposi&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia em seu lar comprado com recursos estranhos, a Brigada Militar agiu, pondo tudo no seu &ldquo;devido&rdquo; lugar. Manifestantes do lado de l&aacute; da cal&ccedil;ada, &aacute;rea isolada e consulta a chefe de Estado. O coronel Jones Calixtrato, l&aacute; presente, n&uacute;mero 01 do Comando de Policiamento da Capital, o mesmo que fez a lamban&ccedil;a no est&aacute;dio Ol&iacute;mpico quando da elimina&ccedil;&atilde;o do Gr&ecirc;mio na Ta&ccedil;a Libertadores, procedeu com lealdade e mandou os subordinados sentarem a borracha. Com miras a futuras promo&ccedil;&otilde;es al&eacute;m aposentadoria, vai na esteira de Paulo Roberto Mendes, criminaliza o protesto social e prende l&iacute;deres sindicais do Cpers. <\/p>\n<p>\nPorque bater naquela porta? Porque ali &eacute; o s&iacute;mbolo do poder que se acusa de corrup&ccedil;&atilde;o, onde tudo paira em n&eacute;voas. Ningu&eacute;m iria golpear a porta de uma resid&ecirc;ncia sem publicidade no ato da compra. L&aacute; n&atilde;o. Enquanto a escritura, o valor venal, as contas de Eduardo Laranja e as da pessoa jur&iacute;dica onde o mesmo &eacute; s&oacute;cio &ndash; a Self Engenharia e Empreendimentos Imobili&aacute;rios Ltda &ndash; n&atilde;o forem devassadas, vai pairar sobre a casa a assombra&ccedil;&atilde;o do empr&eacute;stimo do Banrisul com car&ecirc;ncia (para a construtora) de pagamento com prazos al&eacute;m mercado. <\/p>\n<p>Ao desvelar as possibilidades do il&iacute;cito no ato da compra da mans&atilde;o, a pr&oacute;pria m&iacute;dia corporativa se torna respons&aacute;vel pela &ldquo;boa a&ccedil;&atilde;o&rdquo; de retirar o v&eacute;u do cinismo da fra&ccedil;&atilde;o de classe pol&iacute;tica ga&uacute;cha e seus s&oacute;cios, os empreendedores econ&ocirc;micos. Toda luta de massas precisa de fatos geradores, programas e plataformas que mobilizem leigos e at&eacute; assustem as maiorias silenciosas. A Casa da Yeda &eacute; o fato gerador na pedagogia freireana da luta de classes. Foi isto o que os manifestantes foram l&aacute; fazer, expor a parcela de poder que reside na intimidade do luxo adquirido com supostos (baita eufemismo!) casos de corrup&ccedil;&atilde;o. O (ex) casal Crusius caminha, respeitando as devidas propor&ccedil;&otilde;es, pelo cadafalso pol&iacute;tico, pela mesma trag&eacute;dia que se abatera sobre a Argentina de Carlos Saul Menem, Zulema, Zulemita e o Menemito assassinado pelos &ldquo;s&oacute;cios&rdquo; do presidente no tr&aacute;fico de armas. Governo criminalizado, suspeita ampla geral e irrestrita, ind&iacute;cios de corrup&ccedil;&atilde;o por todos os lados, duas opera&ccedil;&otilde;es federais de investiga&ccedil;&atilde;o em andamento simult&acirc;neo, rela&ccedil;&otilde;es carnais com o Banco Mundial e as transnacionais, dissid&ecirc;ncia dentro do Executivo (ela e o vice-governador empres&aacute;rio e consultor, Paulo Afonso Feij&oacute;) e, por fim, uma base pol&iacute;tica que custa caro e barganha duro. <\/p>\n<p>O pior de tudo &eacute; que talvez nem venham a cair. Talvez ela perca todos os seus an&eacute;is e alguns dedos, mas restar&aacute; a m&atilde;o grande e algum capital pessoal. Vide o ex-governador Ant&ocirc;nio Britto, o &uacute;ltimo governante a n&atilde;o ter pudor em desmontar o Estado rio-grandense e &ndash; ainda por recusado no Gr&ecirc;mio de seu amigo Paulo Odone &ndash; transita por conselhos de administra&ccedil;&atilde;o e diretorias de empresas de grande porte. <\/p>\n<p>\n<strong>Porque Yeda n&atilde;o cai? Vari&aacute;veis de possibilidades daqui para frente. <br \/>\n<\/strong><br \/>\nPara n&atilde;o me esquivar na an&aacute;lise, numero quatro fatores os quais considero de relev&acirc;ncia para analisar a conjuntura pol&iacute;tica do estado. <\/p>\n<p><u>Primeiro<\/u> &ndash; Hoje Yeda s&oacute; cai se o governo central ajudar a empurrar. A desconfian&ccedil;a na esquerda reformista ga&uacute;cha &eacute; grande demais para ultrapassar o marco do protesto epis&oacute;dico. Isto porque no ano passado se negociou muito durante a CPI do DETRAN-RS, atirando a indigna&ccedil;&atilde;o social para a acumula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de 5&ordf; categoria. A polariza&ccedil;&atilde;o eleitoral joga para tr&aacute;s as esperan&ccedil;as de ver uma solu&ccedil;&atilde;o de tipo pueblada. <\/p>\n<p><u>Segundo <\/u>&ndash; A base social mobilizada no Rio Grande tem quantidade de gente &ndash; for&ccedil;a material e de recursos &ndash; o suficiente para levar adiante uma luta quase de tipo c&iacute;vica contra os desmandos do neoliberalismo no estado. N&atilde;o o faz pelo mesmo motivo que a guerrilha salvadorenha (FMLN) assinou um acordo de paz sem modificar nada da realidade de seu pa&iacute;s e com empate militar. Aqui n&atilde;o se faz por que h&aacute; derrota ideol&oacute;gica dos dirigentes e dos quadros m&eacute;dios. <\/p>\n<p><u>Terceiro<\/u> &ndash; Quem est&aacute; derrubando governos estaduais eleitos por pequena margem de votos e suspeitas de corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; o PMDB de Sarney. Quem pode puxar o tapete de Yeda &eacute; seu escudeiro indireto, senador Pedro Simon (PMDB). Os detentores de provas materiais contra ela s&atilde;o aliados pol&iacute;ticos que se sentira tra&iacute;dos e abandonados no mundo dos neg&oacute;cios il&iacute;citos de Estado. Lair Ferst se tem provas em seu poder, as guardar&aacute; como seguro de vida e garantias de barganhas futuras. Ou algu&eacute;m de dentro de &oacute;rg&atilde;o repressor da Uni&atilde;o &ldquo;vaza&rdquo; alguma prova irrefut&aacute;vel, ou ficamos no dilema: &#8211; &ldquo;Sem Fiat Elba ningu&eacute;m derruba o port&atilde;o da Casa da Dinda!&rdquo; <\/p>\n<p><u>Quarto<\/u> &ndash; Para quem milita, o brete est&aacute; montado. Questionados em sua legitimidade, tanto pela m&iacute;dia corporativa do pago como pelos operadores pol&iacute;ticos profissionais &#8211; como nas declara&ccedil;&otilde;es do PPS-RS de hoje e na nota p&uacute;blica do PSDB daqui &ndash; os dirigentes ELEITOS dos sindicatos de servidores p&uacute;blicos n&atilde;o podem entregar a energia militante para acumular apenas na corrida jogatina eleitoral do ano que vem. Por fim, a esquerda social ga&uacute;cha, os movimentos populares e os sindicatos de servidores p&uacute;blicos t&ecirc;m pouca ou nenhuma alternativa a n&atilde;o ser garantir o n&iacute;vel de conflito e bater uma vez por semana, ou no m&aacute;ximo uma vez por quinzena, no Executivo encastelado no Centro Administrativo. <\/p>\n<p><strong>Coment&aacute;rio final <\/p>\n<p><\/strong>Definitivamente em um estado brasileiro com tradi&ccedil;&atilde;o no trabalho formal, uma economia que ainda em sendo privatizada &eacute; coalhada de servidores p&uacute;blicos, aqui &eacute; dif&iacute;cil, quase imposs&iacute;vel emplacar uma estratifica&ccedil;&atilde;o de classes. O choque se d&aacute; quando uma nova fra&ccedil;&atilde;o de elite dirigente ascende ao poder provincial e n&atilde;o se d&aacute; conta que n&atilde;o &eacute; de confian&ccedil;a da classe dominante e dos capitais transnacionais aos quais pretendem servir. O capitalismo brasileiro e latino-americano teme aos tecnocratas mais at&eacute; do que a uma esquerda (centro-esquerda na verdade) com p&eacute;ssimos h&aacute;bitos de ser &ldquo;bem comportada&rdquo; e aplicar um co-governo n&atilde;o classista. A precariza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos no estado, ainda que de forma corporativa, sofrer&aacute; resist&ecirc;ncia de diversas ordens. O que se viu hoje foi um exemplo material disso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vitimiza\u00e7\u00e3o com custo elevado. A vida \u00edntima de uma governante se torna p\u00fablica quando a pr\u00f3pria autoridade exp\u00f5e de forma vexat\u00f3ria aos seus. 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