{"id":10744,"date":"2016-04-23T20:50:22","date_gmt":"2016-04-23T23:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/estrategiaeanaliseblog.wordpress.com\/?p=697"},"modified":"2016-04-23T20:50:22","modified_gmt":"2016-04-23T23:50:22","slug":"a-dimensao-estrategica-internacional-do-golpe-branco-sendo-aplicado-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10744","title":{"rendered":"A dimens\u00e3o estrat\u00e9gica internacional do \u201cgolpe\u201d branco sendo aplicado no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>23 de abril de 2016, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\">Bruno Lima Rocha\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos argumentos baseados no senso comum, o processo brasileiro de impeachment da presidente Dilma Rousseff, e sua caracteriza\u00e7\u00e3o como um golpe institucional, n\u00e3o formam um fen\u00f4meno pol\u00edtico essencialmente nacional ou dom\u00e9stico. Como todas as mudan\u00e7as de regime ou desestabiliza\u00e7\u00f5es regionais na Am\u00e9rica Latina, h\u00e1 uma presen\u00e7a constante, direta ou indireta, de for\u00e7as oficiais ou oficiosas dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. O senso de humor pol\u00edtico aplicado para os momentos mais tr\u00e1gicos nos faz lembrar que: \u201co risco de golpe de Estado \u00e9 menor em territ\u00f3rio soberano dos Estados Unidos porque l\u00e1 n\u00e3o tem embaixada dos EUA!\u201d.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das teorias conspirat\u00f3rias, h\u00e1 evid\u00eancias de sobra e suporte te\u00f3rico e emp\u00edrico para auxiliar nesta interpreta\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de for\u00e7as externas na atua\u00e7\u00e3o da nova direita em solo brasileiro e, consequentemente, para operar no acionar do impeachment ou golpe em andamento. Mesmo que, supostamente, n\u00e3o houvesse sequer a evid\u00eancia j\u00e1 comprovada de financiamentos da Funda\u00e7\u00e3o dos Irm\u00e3os Koch \u2014 conhecido como o \u201cmaior partido pol\u00edtico semissecreto do mundo\u201d \u2014 e de entidades afins, como a Rede Atlas e sua \u201cescola de l\u00edderes\u201d, j\u00e1 ter\u00edamos abundante material de estudos estrat\u00e9gicos demonstrando o interesse e proje\u00e7\u00e3o de poder vindos dos EUA para atuar sobre e dentro do Brasil. H\u00e1 evid\u00eancia e quem tiver curiosidade em saber quais s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es \u201cparceiras\u201d da Rede Atlas no Brasil, acesse esta p\u00e1gina dispon\u00edvel no link http:\/\/bit.ly\/1W3ChfA.<\/p>\n<p>Existem termos e conceitos-operacionais concomitantes para definir uma atitude hostil de um Estado, ou ao menos de um Estado-maior conspirativo, para com outra soberania na forma de um pa\u00eds independente. As guerras convencionais no Continente s\u00e3o cada vez mais raras, ainda que remanentes. Tivemos o conflito entre Peru e Equador em 1995 e em 1982 a Guerra das Malvinas com a prova cabal que nenhuma for\u00e7a reacion\u00e1ria \u00e9 anti-imperialista. A vergonhosa rendi\u00e7\u00e3o da ditadura argentina e o envio de recrutas contra for\u00e7as profissionais brit\u00e2nicas demonstra a impossibilidade estrat\u00e9gica de confrontar as pot\u00eancias imperiais sem um c\u00e2mbio profundo de mentalidade. Para a Am\u00e9rica Latina, o n\u00edvel de conflito indireto \u00e9 convencional, sendo sim, a guerra regular, uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Desestabiliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e conceitos de guerra n\u00e3o convencional<\/strong><\/p>\n<p>O que passa no Brasil desde outubro de 2014, antes denominado de \u201cvenezueliza\u00e7\u00e3o\u201d, corre neste sentido. Nosso pa\u00eds teve um segundo turno quase plebiscit\u00e1rio sendo que, definitivamente, a continuidade do governo Dilma Rousseff foi o oposto do prometido no palanque. Este fator j\u00e1 deu raz\u00f5es suficientes para retirar parte consider\u00e1vel de sua legitimidade frente ao pr\u00f3prio eleitorado. Mas, as opera\u00e7\u00f5es de tipo \u201ccora\u00e7\u00f5es e mentes\u201d, a exemplo da \u201cgreve dos caminhoneiros\u201d de 2015, culminando com o primeiro dos atos massivos convocados pela nova direita ideol\u00f3gica \u2014 mobilizada por lideran\u00e7as treinadas pelos canais de financiamento da Funda\u00e7\u00e3o Koch e da Atlas e retroalimentadas pelos grandes grupos de m\u00eddia \u2014, pareciam cumprir um roteiro pr\u00e9-tra\u00e7ado, a exemplo do desabastecimento que ocorre na Venezuela ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Maduro ou mesmo a a\u00e7\u00e3o de sabotagem econ\u00f4mica sofrida por Salvador Allende a partir do final de 1971.<\/p>\n<p>Tais opera\u00e7\u00f5es, em baixa escala de viol\u00eancia, refletem literalmente o Manual de For\u00e7as Especiais, obedecendo \u00e0 proposta de pol\u00edtica externa do governo de Barack Hussein Obama, com \u00eanfase para o per\u00edodo de Hillary Clinton \u00e0 frente do Departamento de Estado. O termo hoje empregado, Guerra N\u00e3o-Convencional (UW na sigla em ingl\u00eas), obedece \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o p\u00f3s Segunda Guerra, como guerra irregular (IW), contra insurrecional, assim como a terminologia mais contempor\u00e2nea, de Guerra de 4\u00aa Gera\u00e7\u00e3o ou Guerra H\u00edbrida. Em alguma medida, todos estes conceitos-operacionais \u2014 portanto, validados quando postos em prova, sendo que a empiria se d\u00e1 em sociedades concretas \u2014 est\u00e3o sendo aplicados no Brasil neste momento.<\/p>\n<p>Como diz a teoria e nosso maior especialista civil, o jornalista Pepe Escobar, a Guerra H\u00edbrida come\u00e7a com uma revolu\u00e7\u00e3o colorida, com um preparo no psicol\u00f3gico massivo (PsyOp, no termo em ingl\u00eas), aproveitando as justas demandas da esquerda e extrema-esquerda ocorridas entre mar\u00e7o e junho de 2013. O trabalho invis\u00edvel atrav\u00e9s da nova direita, somada com as redes neopentecostais associadas com vi\u00favas da ditadura (como na alian\u00e7a entre Marco Feliciano, o pastor Everaldo e a fam\u00edlia Bolsonaro) deixaram o tecido social intermedi\u00e1rio se contaminar com antipetismo como sin\u00f4nimo de, pasmem, antissocialismo. A Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, cuja obten\u00e7\u00e3o de bases documentais ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente justificada, aponta para formas de \u201ccolabora\u00e7\u00e3o entre ag\u00eancias amigas\u201d, se n\u00e3o na forma vertical (acordos formais), ao menos de forma horizontal (como demonstrado pelo wikileaks).<\/p>\n<p><strong>Golpear o Brasil \u00e9 uma necessidade estrat\u00e9gica do Imp\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Estrategicamente o Brasil \u00e9 uma pot\u00eancia m\u00e9dia, cuja camada superior \u00e9 colonizada intelectualmente e n\u00e3o tem voca\u00e7\u00e3o de poder no Sistema Internacional. Assim, prefere ajudar a sabotar possibilidades de proje\u00e7\u00e3o do pa\u00eds atrav\u00e9s dos arranjos dos BRICS, jogando um papel soberano e independente na nova disputa de tipo Segunda Guerra Fria. A defesa do Pr\u00e9-Sal, a deten\u00e7\u00e3o de tecnologia sens\u00edvel atrav\u00e9s de desenvolvimento cient\u00edfico brasileiro \u2014 e arranjo empresa-Estado t\u00edpicas do intento de gerar excedentes de poder, s\u00e3o o alvo permanente do acionar oficial e oficioso do Departamento de Estado e do Comando Sul dos EUA para nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Independente da posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dom\u00e9stica, qualquer analista internacional vai afirmar o mesmo descrito acima. Um pa\u00eds como o Brasil \u00e9 l\u00edder \u201cnatural\u201d do Continente e com proje\u00e7\u00e3o para o Atl\u00e2ntico Sul. Desestabilizar um rival em potencial \u00e9 a regra para manuten\u00e7\u00e3o da hegemonia dos EUA na Am\u00e9rica Latina e, por tabela, diminuir a capacidade de articula\u00e7\u00e3o de China, R\u00fassia e \u00cdndia. No que diz respeito a potenciais transforma\u00e7\u00f5es estruturais brasileiras, seu efeito seria catalisador em nosso Continente, o que por obviedade contraria os interesses permanentes dos Estados Unidos. Assim, se \u201caonde for o Brasil ir\u00e1 a Am\u00e9rica Latina\u201d, se nosso pa\u00eds ficar no mesmo lugar ou entrar em ciclo regressivo, amplia a influ\u00eancia da pot\u00eancia hegem\u00f4nica em toda a regi\u00e3o. Logo, o inverso tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro, opondo estrategicamente os objetivos de longo prazo da maioria brasileira diante das proje\u00e7\u00f5es do Imp\u00e9rio sobre n\u00f3s mesmos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23 de abril de 2016, Bruno Lima Rocha\u00a0 Ao contr\u00e1rio dos argumentos baseados no senso comum, o processo brasileiro de impeachment da presidente Dilma Rousseff, e sua caracteriza\u00e7\u00e3o como um golpe institucional, n\u00e3o formam um fen\u00f4meno pol\u00edtico essencialmente nacional ou dom\u00e9stico. 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