{"id":10770,"date":"2016-09-10T20:40:19","date_gmt":"2016-09-10T23:40:19","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=914"},"modified":"2016-09-10T20:40:19","modified_gmt":"2016-09-10T23:40:19","slug":"a-governanca-global-do-poder-realmente-existente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10770","title":{"rendered":"A Governan\u00e7a global do poder realmente existente"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Lima Rocha<\/a>, 03 de setembro de 2016<\/em><\/p>\n<p>Muito poucos s\u00e3o o que t\u00eam capacidade de interpreta\u00e7\u00e3o efetiva dos processos de captura das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, das realiza\u00e7\u00f5es incompletas de promessas da democracia em sua forma liberal e capitalista. Para piorar, estes que podem compreender a captura dos recursos coletivos por institui\u00e7\u00f5es privadas e seus grupos de press\u00e3o, ou est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o inferior de poder, ou ent\u00e3o s\u00e3o c\u00famplices desta mesma captura.<\/p>\n<p>Avaliar a crise brasileira e o golpe semi-parlamentarista em andamento, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se pensarmos o n\u00edvel dom\u00e9stico \u2013 nacional \u2013 conectado e tamb\u00e9m subordinado, \u00e0s esferas de poder de fato. A concentra\u00e7\u00e3o de recursos, compromissos e obriga\u00e7\u00f5es contratuais transferindo renda e poder para o controle de pouqu\u00edssimos agentes financeiros, \u00e9 uma realidade global. N\u00e3o \u00e9 nova esta interpreta\u00e7\u00e3o, embora seja marginal e paralela sua dissemina\u00e7\u00e3o, mesmo no ensino superior. No Brasil, as an\u00e1lises relacionando a escala nacional com o Sistema Internacional, especificamente as produzidas pelos professores da PUC-SP, Reginaldo Nasser e Ladislau Dowbor, j\u00e1 trazem conte\u00fado suficiente para uma crise de paradigma. O problema de fundo, al\u00e9m da pouca difus\u00e3o destes excelentes analistas e pesquisadores, \u00e9 a sua difus\u00e3o limitada e de pequeno alcance.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno se repete em escala mundial. Muito poucos s\u00e3o o que t\u00eam capacidade de interpreta\u00e7\u00e3o efetiva dos processos de captura das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, das realiza\u00e7\u00f5es incompletas de promessas da democracia em sua forma liberal e capitalista. Para piorar, estes que podem compreender a captura dos recursos coletivos por institui\u00e7\u00f5es privadas e seus grupos de press\u00e3o, ou est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o inferior de poder, ou ent\u00e3o s\u00e3o c\u00famplices desta mesma captura. Bastaria uma descri\u00e7\u00e3o pormenorizada dos lobbies profissionais de empresas e oligop\u00f3lios dentro do Congresso dos EUA e do Parlamento Europeu (antes do Brexit) para, apenas com a narrativa, gerar uma indigna\u00e7\u00e3o coletiva t\u00e3o s\u00e9ria como o ceticismo hoje vivido pelas maiorias nas sociedades \u201cocidentais\u201d.<\/p>\n<p>Para exemplificar a contund\u00eancia destas informa\u00e7\u00f5es e a evidente censura corporativa pelo poder dos anunciantes, no projeto Corporate Research Project (corp-research.org), na se\u00e7\u00e3o Dossi\u00eas (corporaterapsheets), h\u00e1 resumos de supostos crimes corporativos cometidos por conglomerados econ\u00f4micos divididos em setores de atua\u00e7\u00e3o. Assim, dentro da ind\u00fastria da comida e do agroneg\u00f3cio, vemos supostos crimes de Cargill, Coca-Cola Company, ConAgra, Darden Restaurants, McDonald&#8217;s, Monsanto, Nestl\u00e9 e Yum Brands.\u00a0 Na se\u00e7\u00e3o de crimes financeiros, as institui\u00e7\u00f5es acusadas s\u00e3o: Bank of America, Barclays, Citigroup, Credit\u00a0 Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JPMorgan Chase, Morgan Stanley, Royal Bank of Scotland, UBS e Wells Fargo. J\u00e1 a lista de supostos crimes da ind\u00fastria automobil\u00edstica \u00e9 composta por: Daimler, Ford, General, Motors, Honda, Nissan, Toyota e Volkswagen. Na ind\u00fastria farmac\u00eautica, as empresas gigantes da alopatia e da sa\u00fade supostamente acusadas s\u00e3o: Aetna, Anthem (formerly WellPoint), AstraZeneca, Eli Lilly, GlaxoSmithKline, Humana, Johnson &amp; Johnson, Merck, Novartis, Pfizer e United Health Group. Temos ainda supostas acusa\u00e7\u00f5es com dossi\u00eas resumidos contra as l\u00edderes do setor da minera\u00e7\u00e3o; contratos militares e aeroespaciais; servi\u00e7os de fornecimento e log\u00edstica; petr\u00f3leo, \u00f3leo e g\u00e1s; tabaco e fumo;\u00a0 grandes atacadistas; conglomerados mistos; e, m\u00eddia e entretenimento.<\/p>\n<p>Tais acusa\u00e7\u00f5es de supostos crimes e a rela\u00e7\u00e3o desigual entre eleitores e representantes ocorrem em pa\u00edses de capitalismo desenvolvido e democracia institucionalizada, tal como EUA, Canad\u00e1 e Uni\u00e3o Europeia. Entende-se que se tais corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o capazes de operar como for\u00e7a decisiva em sua pol\u00edtica \u201cdom\u00e9stica\u201d, as mesmas podem exercer atrav\u00e9s destes Estados l\u00edderes e institui\u00e7\u00f5es multilaterais internacionais, tanto de tipo direito p\u00fablico como de regula\u00e7\u00e3o e fomento, sua vontade e determina\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica praticamente sem freios. Logo, a inst\u00e2ncia tomadora de decis\u00f5es, as inst\u00e2ncias leg\u00edtimas &#8211; ou legitimadas \u2013 no jogo liberal e democr\u00e1tico representativo, ficam secundarizadas pelo poder da tomada de decis\u00f5es de conselhos de administra\u00e7\u00e3o e mesa diretora composta de presidentes, vice-presidentes corporativos e diretores mundiais de empresas transnacionais.<\/p>\n<p>Como a base do faturamento e acumula\u00e7\u00e3o privada dos conglomerados \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o de acessos desiguais, criando leis ou passando por cima da legisla\u00e7\u00e3o existente, as posi\u00e7\u00f5es de privil\u00e9gio dentro do aparelho de Estado e dos governos supranacionais \u00e9 evidente. Se levarmos em conta o modus operandi dos 28 maiores conglomerados financeiros do planeta, vamos encontrar uma evid\u00eancia. O faturamento dos gigantes do capital fict\u00edcio \u00e9 proporcional ao tamanho da d\u00edvida p\u00fablica mundial. Assim, em \u00faltimo caso, a capacidade de gerar legisla\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o do endividamento p\u00fablico, e a complementar necessidade \u2013 por parte de bancos e institui\u00e7\u00f5es afins \u2013 de pregar o \u201causteric\u00eddio\u201d e a auto regula\u00e7\u00e3o do capital \u00e9 um discurso emitido de forma sistem\u00e1tica. Nas escolas de ci\u00eancias econ\u00f4micas e sociais, esta fala \u00e9 como um mantra, se n\u00e3o de forma totalit\u00e1ria, ao menos e perigosamente de forma hegem\u00f4nica. Na m\u00eddia especializada, h\u00e1 o complemento desta vers\u00e3o, visto que a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica \u00e9 pauta exclu\u00edda ou secund\u00e1ria das publica\u00e7\u00f5es especializadas em \u201ceconomia\u201d. Por fim, como o tema aborda o poder de fato, os governos de turno, mesmo em democracias ditas consolidadas \u2013 como as europeias \u2013 evitam ao m\u00e1ximo o conflito com as institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s desta cumplicidade e complementaridade observamos o \u00f3bvio.\u00a0 H\u00e1 uma pol\u00edtica permanente de portas girat\u00f3rias, quando o presidente de um banco com presen\u00e7a em importantes pa\u00edses, pode vir a ser ministro de Estado em pasta afim, e na sequ\u00eancia ocupar cargo de diretoria no FMI ou Banco Mundial. H\u00e1 o caminho inverso, quando servidores de carreira no Estado, ap\u00f3s ocuparem cargos importantes com dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, \u201cmigram\u201d para postos semelhantes dentro de empresas privadas, desde conglomerados econ\u00f4micos l\u00edderes de oligop\u00f3lios em escala continental ou mundial, passando por bancos de \u201cinvestimentos\u201d. Como medida do tamanho desta enorme \u201cporta girat\u00f3ria\u201d, podemos observar a trajet\u00f3ria de Henry Paulson em 2008. Este deixou de ser o diretor-presidente mundial da Goldman Sachs para assumir a crise que ele pr\u00f3prio ajudara a criar, sendo indicado para secret\u00e1rio do Tesouro dos EUA. O mesmo se dera na Europa, assim como no Brasil.<\/p>\n<p>O funcionamento dos lobbies, institui\u00e7\u00f5es dirigidas por elites dirigentes em constante revezamento e o discurso oficial que torna invis\u00edvel as falas opositoras, ocultam da maior parte dos cidad\u00e3os os verdadeiros processos decis\u00f3rios. Esta \u00e9 a captura das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sob controle estatal e a democracia subordinada ao poder realmente existente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Lima Rocha, 03 de setembro de 2016 Muito poucos s\u00e3o o que t\u00eam capacidade de interpreta\u00e7\u00e3o efetiva dos processos de captura das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, das realiza\u00e7\u00f5es incompletas de promessas da democracia em sua forma liberal e capitalista. 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