{"id":10776,"date":"2016-10-04T10:51:06","date_gmt":"2016-10-04T13:51:06","guid":{"rendered":"http:\/\/estrategiaeanaliseblog.com\/?p=949"},"modified":"2016-10-04T10:51:06","modified_gmt":"2016-10-04T13:51:06","slug":"para-refletir-quanto-ao-processo-eleitoral-nos-municipios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estrategiaeanalise.com.br\/?p=10776","title":{"rendered":"Para refletir quanto ao processo eleitoral nos munic\u00edpios"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/blimarocha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Lima Rocha<\/a>, 02 de outubro de 2016<\/em><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o: elei\u00e7\u00e3o sem apelo<\/strong><\/p>\n<p>Este pleito municipal \u00e9 algo no m\u00ednimo inusitado. Diante de um golpe de Estado com apelido de impeachment, cumprindo todo o rito arbitrado pelo Supremo, parece que as regras do jogo est\u00e3o preservadas. Ledo engano. As regras da democracia indireta no Brasil nunca foram t\u00e3o tuteladas desde o voto vinculado das elei\u00e7\u00f5es estaduais de 1982 e agora, paira a permanente amea\u00e7a do Judici\u00e1rio e do Minist\u00e9rio P\u00fablico atropelarem as garantias do Estado brasileiro e interpretarem segundo a pr\u00f3pria consci\u00eancia, quase que legislando por jurisprud\u00eancia.<\/p>\n<p>Como o combinado foi desrespeitado, seria de se esperar uma polariza\u00e7\u00e3o do voto mais \u00e0 esquerda nestas elei\u00e7\u00f5es. Deu-se justo o oposto. Ainda que a corrida eleitoral seja mais polarizada em capitais e cidades-polo, o que vemos \u00e9 o mais do mesmo da pol\u00edtica de tipo paroquiana, clientelista, prebendaria e de base familiar. Nada aproxima mais o cotidiano da pol\u00edtica brasileira do que a elei\u00e7\u00e3o para o munic\u00edpio. Simultaneamente, nenhuma pr\u00e1tica pol\u00edtica convencional \u00e9 mais corriqueira, logo, \u00e9 a mais despolitizada e com pouca motiva\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A chance de aglutinar for\u00e7as e reorganizar o sistema pol\u00edtico a f\u00f3rceps foi novamente perdida pelos dirigentes dos partidos que davam sustenta\u00e7\u00e3o final do governo deposto.<\/p>\n<p><strong>A ex-esquerda e a oportunidade perdida\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Definitivamente, a dire\u00e7\u00e3o nacional do PT e o comit\u00ea central do PC do B perderam a chance de polarizar esta elei\u00e7\u00e3o e dar a t\u00e3o falada guinada \u00e0 esquerda, ainda que fosse em um plano simb\u00f3lico. A medida era simples. Bastava verticalizar as alian\u00e7as municipais e proibir qualquer coliga\u00e7\u00e3o com partidos que apoiaram o golpe com apelido de impeachment. A medida seguinte seria literalmente obrigar os diret\u00f3rios municipais a acatar esta medida. Quando o fator era inverso, no per\u00edodo \u00e1ureo de crescimento econ\u00f4mico, hegemonia quase absoluta do Campo Majorit\u00e1rio e com Lula (pessoa f\u00edsica) cativando mais de 20% do eleitorado, dava-se o oposto. Quem acompanha um pouco de pol\u00edtica nacional cansou de ver do diret\u00f3rio nacional, e alguns ex-ministros, como o pr\u00f3prio Jos\u00e9 Dirceu, for\u00e7ando os diret\u00f3rios estaduais a se coligarem com o PMDB e tamb\u00e9m trazendo a reboque pol\u00edticos e legendas de base neopentecostal.<\/p>\n<p>Terminada a coaliz\u00e3o de classes, representada no co-governo com as oligarquias partid\u00e1rias, e consumada a trai\u00e7\u00e3o por convic\u00e7\u00e3o do vice-presidente e seus auxiliares diretos, seria o momento para alguma autocr\u00edtica e reposicionamento. N\u00e3o houve nada parecido. O custo da coes\u00e3o muitas vezes \u00e9 a fratura interna. Por outro lado, seguir \u201cunificado\u201d mas com pouca ou quase nenhuma coes\u00e3o \u00e9 como sobreviver na pol\u00edtica juntando os retalhos. Todo racha \u00e9 traum\u00e1tico e as derrotas hist\u00f3ricas geram ainda mais trauma. Mas, sem risco pol\u00edtico n\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de praticar uma pol\u00edtica transformadora.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que tal medida n\u00e3o afetaria diretamente as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas bem mais \u00e0 esquerda (boa parte destas n\u00e3o eleitoralistas), mas empurraria o reformismo (cujo partido l\u00edder \u00e9 o PSOL) para uma radicaliza\u00e7\u00e3o (at\u00e9 para disputar discurso e aumentar a legitimidade). Ao mesmo tempo, a hoje decadente centro-esquerda ganharia novo f\u00f4lego. Tal medida n\u00e3o seria t\u00e3o \u201csegura\u201d como deixar acontecer alian\u00e7as \u201cheterodoxas\u201d com partidos que apoiaram o impeachment. O risco real seria minguar ainda mais \u00e0 frente de prefeituras, e gerar uma crise pela absurda falta de convic\u00e7\u00e3o que atravessa esta maioria de ex-militantes. Mas, entendo, seria a pen\u00faltima chance de manter o partido de governo unificado, assim como sua linha auxiliar. Agora, as cartas est\u00e3o lan\u00e7adas para um rearranjo de centro-esquerda, ou centro ex-esquerda. A balan\u00e7a pende para uma inflex\u00e3o talvez realmente nacional-desenvolvimentista, cujo discurso hoje est\u00e1 sob a lideran\u00e7a de Ciro Gomes correndo por fora. O ex-ministro de Lula est\u00e1 justamente esperando as decis\u00f5es ou possibilidades do ex-presidente mais popular da hist\u00f3ria do pa\u00eds concorrer ou n\u00e3o para presidente em 2018.<\/p>\n<p><strong>Uma predi\u00e7\u00e3o do curt\u00edssimo prazo p\u00f3s eleitoral<\/strong><\/p>\n<p>Estamos em franca e aberta corrida pela recomposi\u00e7\u00e3o da hegemonia da pol\u00edtica brasileira. H\u00e1 uma gesta\u00e7\u00e3o de um pacto conservador, t\u00e3o fr\u00e1gil como a convic\u00e7\u00e3o desenvolvimentista dos oligarcas da coaliz\u00e3o rompida. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma disputa entre os partidos da base do governo deposto (PT e PC do B), o racha deste que foi fruto das cr\u00edticas ao modelo lulista (o PSOL) e todo um universo pol\u00edtico na ponta esquerda da pol\u00edtica, cuja maior evid\u00eancia de capacidade de articula\u00e7\u00e3o foi a verdadeira rebeli\u00e3o popular do Brasil em 2013.<\/p>\n<p>A corrida pela sobreviv\u00eancia da ex-esquerda deposta come\u00e7a em novembro, arrastando por tabela o reformismo cada vez menos radical. J\u00e1 a esquerda n\u00e3o eleitoral tem a possibilidade de tomar a dianteira na luta de resist\u00eancia contra as leis regressivas, aplicadas na base do rolo compressor pelo governo golpista. Ajuda nesta resist\u00eancia as trapalhadas de Temer e cia. Quanto mais seus ministros falarem, menos chances ter\u00e3o de aprovar leis contr\u00e1rias aos interesses da maioria das brasileiras e brasileiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Lima Rocha, 02 de outubro de 2016 Introdu\u00e7\u00e3o: elei\u00e7\u00e3o sem apelo Este pleito municipal \u00e9 algo no m\u00ednimo inusitado. Diante de um golpe de Estado com apelido de impeachment, cumprindo todo o rito arbitrado pelo Supremo, parece que as regras do jogo est\u00e3o preservadas. Ledo engano. 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